AUTOCRÍTICA
Senhor! nunca me vi nem conheci
Dentro do negro abismo onde se esconde
O meu segredo humano, nem sei onde
Começa e acaba o que provém de ti!
Sei que errei o caminho e me perdi!
Agora, embora chame e grite e sonde,
No meu longo deserto, só responde
Ao longe, a voz do mar que nunca vi.
Em vão chamo por mim, em vão procuro
A luz que me pertence e que cintila
No fundo inquieto deste abismo escuro;
-- Fio de água sumido nas areias, --
Vejo estátuas dramáticas de argila
Com dedadas fatais de mãos alheias!
Poemas de Sempre / Líricas Portuguesas. 2.ª Série
(edição de Cabral do Nascimento)
T de 'Tempo'
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*«Parecia-lhe* que o tempo era uma coisa sensível, com peso e
personalidade, que estava no ar, nos seus pensamentos e nas suas próprias
vísceras, tudo al...

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