Mostrar mensagens com a etiqueta António Gedeão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta António Gedeão. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, junho 15, 2018

«Era ao entardecer, / na hora espessa, peganhenta e húmida, / em que um resto de luz no espasmo da agonia / geme nas coisas e empasta-as como goma.» António Gedeão, «Poema do cão ao entardecer», Poemas Póstumos (1983)

«É só a mim que procuro / e sou eu próprio o caminho.» Armindo Rodrigues, «Não sou escravo nem sou rei», Voz Arremessada ao Caminho (1943)

«Maré cheia, / árvores em parto, / ondas sobre ondas / dum inferno farto.» Carlos de Oliveira, «Amazónia», Turismo (1942) / Trabalho Poético (1978)

quarta-feira, julho 20, 2005

Antologia Improvável #33 - António Gedeão

POEMA DO SER INÓSPITO

No cúbiculo estreito onde a criança
dorme no homem como um ser inóspito,
duplas são as paredes e, na boca,
uva de moscatel, açaime de aço.
Dorme, criança, dorme.
Não deixes ficar mal os que acreditam
no mito da inocência.
Dorme, e espera que os homens se aniquilem
enquanto dormes.
Reduz-te a imaginar como serão as flores,
os insectos, as pedras, as estrelas,
e tudo quanto é belo e se reflecte
nos olhos das crianças.
Imagina um luar que cresce e aquece
e faz da tua carne flor de loiça,
orquídea branca que o calor não cresta.
Imagina, imagina.
Mas, sobretudo, dorme.

Poemas Póstumos

Aliás, Rómulo de Carvalho

Posted by Picasa