sábado, fevereiro 23, 2019

vozes da biblioteca

«Atravessava Nimur uma ponte velha, fechada de correntes, por onde ninguém ousava passar.» Mário de Carvalho, «Agade e Nimur», Contos da Sétima Esfera (1981)

«Num árido e abrupto vale, habitado apenas pelo rumor longínquo do rio lutando para conseguir passar entre as estreitas fragas, uma voz disse-me que só estamos aqui de passagem, que a nossa estadia na terra é temporária.» Rui Chafes, «O perfume das buganvílias», Entre o Céu e a Terra (2012)

«Se Portugal não pode hoje conquistar Cacilhas, porque -- ai de nós! ela não é moira; é necessário que quando nos voltamos para o passado, possamos sentir a alma, porque ele vivia para o compreendermos; de outra forma a história torna-se ou uma cronologia muda, ou, o que é talvez pior, a justaposição de fonomonalidades animais.» Oliveira Martins (1872), Correspondência

orquestrais & concertantes: Dvorák: SINFONIA #9 (1893) - I. Adagio. Allegro molto / Lorin Maazel

vozes da biblioteca

«E os outros, -- toda a malta da terceira, imunda e sórdida -- miseráveis, porque trocam a sua pobreza livre pela escravidão?» Joaquim Paço d'Arcos, Diário dum Emigrante (1936)

«Logo de manhã, aos primeiros sinais do sol, à frente dos pequenos guardadores seminus, as cabeças de longos cornos negros curvadas para o chão, os búfalos caminham com lentidão, enquanto remoem o capim, e do outro lado da estrada vermelha, a perderem-se de vistas, os talos decepados do arroz ficam rebrilhando nas várzeas desertas.» Orlando da Costa, O Signo da Ira (1962)

«Neste jardim, que só os cónegos velhos frequentavam em manhãs de bom sol morno no intervalo do serviço religioso, não passeava a esta hora ninguém; e dos claustros, igualmente desertos, subia o silêncio de ruínas mortas, entrecortado pelo murmúrio argentino dum turíbulo que oscilava, com isócrona cadência, por detrás da capela-mor, nas mãos diáfanas duma criança grave.» Manuel Ribeiro, A Catedral (1920)

sexta-feira, fevereiro 22, 2019

Arnaldo Matos

Uma vez, em Vila Franca de Xira, numa sessão sobre o romance Emigrantes, de Ferreira de Castro, apareceu o histórico do PCTP/MRPP Arnaldo Matos. Ouviu, atento, e foi o primeiro a aplaudir. Fiquei contente.

quinta-feira, fevereiro 21, 2019

quarta-feira, fevereiro 20, 2019

vozes da biblioteca

«Com os seus setenta anos, o velho Buddenbrook ainda se conservava fiel à moda da sua mocidade, renunciando sòmente aos grandes bolsos e aos alamares.» Thomas Mann, Os Buddenbrook (1901) (trad. Herbert Caro)

«Deus sabe que já vivi em Paris o tempo suficiente para não me sentir surpreendido com coisa alguma.» Henry Miller, Opus Pistorum (póstumo, 1983) (trad. José Jacinto da Silva Pereira)

«Por cada uma que triunfa, isto é, por cada uma que consegue casar com um bom rapaz ou agarrar-se a um velho, quantas caem na desgraça ou são agarradas pelo grande sorvedouro da miséria?...» Octave Mirbeau, Diário de uma Criada de Quarto (1900) (trad. Adelino dos Santos Rodrigues)

«Yeké Yeké»

terça-feira, fevereiro 19, 2019

50 discos: 5. AMÁLIA RODRIGUES (1962) - #7 - «Aves Agoirentas»



vozes da biblioteca

«A mesma expressão apavorada, mas agora baça e fria, abria-lhe os olhos para o tecto.» Manuel da Fonseca, Cerromaior (1943)

«Ali estava no que dava uma vida daquelas: Lourenção, o senhor das terras, dos poisios e da gente do Covão, morto a cacete como um cachorro danado!» Carlos de Oliveira, Alcateia (1944)

«Fascinados pela presença do lugre, partir, não interessava de que modo, eis o último recurso a que poderiam deitar mão.» Manuel Ferreira, Hora di Bai (1962)

domingo, fevereiro 17, 2019

a máscara do Clint



vozes da biblioteca

«Em cima da cômoda / uma lata, dois jarros, alguns objetos / entre eles três antigas estampas» Francisco Alvim, «Luz», in Heloisa Buarque de Hollanda, 26 Poetas Hoje (1976)

«Era Setembro e não pensei / que os homens não cantavam lá nas verdes vinhas / da minha pátria onde a vindima é triste.» Manuel Alegre, «Do poeta ao seu povo», Praça da Canção (1965)

«O poeta ia bêbedo no bonde.» Carlos Drummond de Andrade, Brejo das Almas (1934)

quinta-feira, fevereiro 14, 2019

estampa CCCLV - Wifredo Lam


A Janela

vozes da bilioteca

«O adorno de um cargueiro obliquado sobre o azul de Delft, o azul do primeiro nome que um dia conseguiu articular.» Rui Nunes, «Quem da Pátria Sai, a Si Mesmo Escapa?» (1983)

«Explica-se bem esta diferença, dizendo que o cavaleiro era um elegante rapaz de Lisboa, que fazia então a sua primeira jornada, e o outro um almocreve de profissão.» Júlio Dinis, A Morgadinha dos Canaviais (1868)

«Se no mato morreu animal de pouco, certo que cheirará ao podre do que morto está.» José Saramago, Levantado do Chão (1980)