segunda-feira, julho 06, 2015

Viva a Grécia, pá!

Há uma semana, pensava que o "Sim" iria ganhar; para o fim da semana, já admitia que os gregos, que não são mansos, pudessem reagir às pressões vergonhosas que iam sendo feitas, sendo a mais vergonhosa de todas a de Martin Schulz. Nunca pensei que o "Não" ganhasse com esta força. Vivam os gregos, pá!

quinta-feira, julho 02, 2015

E se ganhar o 'Não', a UE faz o quê?...

Falemos de escolhas racionais, e não de dignidade, patriotismo, orgulho nacional, cultura -- coisas que não entram nas equações dos contabilistas e merceeiros ignorantes e pífios que têm dirigido a União Europeia. (Embora eu não seja nacionalista, credo!, sempre tem mais dignidade um sentimento nacional de revolta e indignação do que a apatia do rebanho a caminho do matadouro, como gostariam os eurocratas.)
O cidadão grego que se pronunciará no referendo de Domingo e queira tomar uma decisão racional, procurando retirar o país do impasse sem capitular diante das pressões (ou chantagem) dos credores / UE, terá como alternativa:
1) votar 'sim' e ter a esperança que a UE, com o susto que apanhou resolva tratar da questão politicamente. Mas na UE, e em especial no Eurogrupo, já se sabe que quem manda é a Alemanha, cuja linha tem condicionado todo o processo. O único país capaz de enfrentar a Alemanha é a Inglaterra, que nem pertence ao Euro; as duas outras potências políticas e económicas ou estão subalternizadas (a ridícula França) ou estão a ver se passam por entre os pingos da chuva, em face dos seus próprios constrangimentos internos (Itália).
2) Votar 'não' e esperar que a UE acorde e, em face do golpe profundo no adulterado projecto europeu que ela representa, os dirigentes se consciencializem que tudo tem de ser repensado. O que, com eleitorados envenenados contra a Europa do Sul, como o alemão o holandês ou o finlandês, será mais difícil a cada dia que passa. Não há, porém, outra alternativa à sobrevivência da UE como projecto. Até porque, ao contrário do que dizerm para aí uns tontinhos, a ideia da Grécia como vacina só servirá para criar mais desconfiança no conjunto dos cidadãos europeus.
Não será bonito, de Bruxelas, olhar para o sudeste da União ('união', repare-se), e vê-lo a arder. 

R de Revolução Industrial

Revolução Industrial - uma longa chaminé a fumegar.





























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terça-feira, junho 30, 2015

Sócrates

Mais uma vez, gostei da entrevista, desta vez ao Diário de Notícias; mais uma vez, parece-me um abuso que alguém possa estar preso. um mês sequer, sem ser acusado. Se se tratasse dum criminoso violento, um suspeito de terrorismo, um traficante, ainda se podia admitir. Assim, não se livra de parecer que se trata de uma perseguição. 
Aliás, a minha alma emparvoece quando vê banqueiros à solta; e políticos a quem chamam de vigaristas para cima na televisão, e que estão calados como ratos -- evidência clara de que algum ilícito praticaram. (Quem cala, consente -- não é verdade?) O que é que se passa com estes gajos, que deram cabo da vida a tanta gente?
O caso Sócrates não é só trágico; será patético se no fim disto tudo não houver acusação, ou ela seja tão frouxa que que a incapacidade dos detentores do processo fique demonstrada perante a opinião pública. E depois, como será?

segunda-feira, junho 29, 2015

Se pudesse escolher só uma música

Tarefa dificílima, uma vez que Um Redondo Vocábulo (2009), de João Afonso & João Lucas, seria um dos meus discos para a ilha deserta. Em primeiro lugar, é um disco de versões de José Afonso, o trovador, o bardo, o autor, o melhor, mais profundo, criativo e inovador músico que Portugal já teve, um homem que revolucionou a música popular portuguesa -- da evolução desde o chamado fado de Coimbra ao entrecruzar de sonoridades urbanas e extraeuropeias, neste último caso não tendo sido alheia a sua experiência africana. Por outro lado, José Afonso ("Zeca" é só para os amigos, já que ele nunca se assinou como tal), era um libertário, um utópico, um ingénuo no melhor sentido da palavra, cujas letras oscilam entre a exaltação duma realidade social outra e um desprezo salutar por todo o tipo de farisaísmo, político e cultural, que tomou conta deste país.
O melhor elogio que se pode fazer a João Afonso ao cantar material do seu tio é o de não se ter deixado subjugar nem ser reverente; apropriou-se dele tornando-o doravante também seu, que é o que se espera de um artista com personalidade. O piano de João Lucas dá toda a espessura à música, como se tivesse sido pensada e composta em forma de lied. Admirável.

assombroso Chris Squire



Soube, pela bloga, da morte de Chris Squire, baixista dos Yes, e único fundador que permaneceu na banda, em 47 anos de existência. Era um instrumentista assombroso, o melhor dos melhores que o rock já conheceu. Também cresci a ouvi-lo.

sexta-feira, junho 26, 2015

o referendo na Grécia

Desde a eleição do Syriza que estava à espera deste desfecho: em face da chantagem e da inépcia, Tsipras vai colher a legitimidade à fonte da soberania. O referendo decidirá se o povo grego aceita ou não as condições que lhe são impostas. Se aceitar, deve preparar-se para sofrer; se não aceitar, também. O problema é que se o "não" vencer será uma derrota política, não sei se fatal, para a União Europeia -- um projecto de paz e prosperidade tornado tóxico pela subserviência e exposição aos mercados, reflexo também da sua fraqueza política como união, cada vez mais entregue nas mãos e no interesse de um único país, a Alemanha. A política desgraçada no processo da Ucrânia aí está para o demonstrar. 

na morte de John Steed



Patrick Mcnee, o actor de uma das séries da minha vida, morreu hoje. Ainda tenho o carro da Corgi Toys...

estampa CXCIII - Ludwig Meidner


A Casa da Esquina (Villa kochmann, Dresden), 1913
Museu Thyssen-Bornemisza, Madrid

quinta-feira, junho 25, 2015

O despudor governamental: dois exemplos de ontem

1) Oiço no rádio que o governo vai adiar a abertura do próximo ano lectivo. Como este ministro se distinguiu por introduzir a rebaldaria no início das aulas, percebe-se que, com eleições à porta, o melhor é tentar disfarçar o mais possível os previsíveis problemas que vão surgir;

2) Nos telejornais de ontem, vejo ministros e secretários de estado na cerimónia de assinatura que previsivelmente conduzirá à alienação da TAP -- um dos muitos bens nacionais de que os portugueses foram espoliados. Alertaram-me para o seguinte facto, tão significativo da má consciência e da má-fé do executivo: nenhum governante ostentava na lapela do casaco o pin com a bandeira portuguesa. Nem um. Estratégia de agência de comunicação, por certo, e não qualquer arroubo de pudor por parte dos intervenientes.

O desprezo pelos cidadãos, em toda a descarada evidência. Que miséria, que miséria.

BRAINSTORM



quarta-feira, junho 24, 2015

Merkel espirrou, as bolsas descem; Tsipras teve um ataque de caspa, os mercados assustam-se

Quando os governos dos estados estão nas mãos dos humores oscilantes dos mercados de capitais -- essas entidades sem moral nem consciência que procuram tirar rendibilidade até das pedras da calçada, e que tanto respeito e consideração merecem aos homúnculos políticos que dirigem este e outros outros países --; quando a navegação é feita à vista míope, o resultado, mais cedo do que tarde, será o caos e depois a guerra, o caos da guerra. Por isso é tão importante que Tsipras não saia derrotado neste combate desigual, mesmo com as cedências que tenha de fazer, consequência das que arrancará à UE e FMI.   

ELEGY FOR STRINGS


V de vendidos

Vendidos - vendidos.

segunda-feira, junho 22, 2015

DIRGE FOR NOVEMBER


Se tivesse de escolher só uma música

A Tori Amos fatiga-me um bocado, é demasiado sofredora para a minha paciência. Tem, contudo, alguns bons momentos. E deste seu álbum inaugural, de 1991, a minha escolha recai sem hesitação neste Precious Things, muito bem produzido