quinta-feira, agosto 25, 2016

'Burquíni': parvoiçadas

A inversão de valores, a cobardia  de quem opina no espaço público com receio de ir contra o estabelecido, recorrendo a notória desonestidade intelectual, a simples ignorância, de tudo tenho lido e ouvido a propósito do chamado 'burquíni'.

parvoiçada 1: o próprio nome das coisa: o vazio da coisa, reproduzido gulosamente pelo jornalismo trendy e analfabeto.

p. 2: dizer que se trata de uma manifestação religiosa:

2.1. - não trata. Tanto quanto julgo saber, nada há no Corão que imponha que uma mulher cubra a cabeça: nem o tchador, muito menos o niqab ou a burka. É uma mera manifestação cultural que secundariza a mulher.

2,2, - ainda que o fosse, as sociedades laicas devem combater e impedir tudo que seja abusivo, quer para os indivíduos, quer no espaço público. Se turistas bororós quiserem comer ritualmente alguém da sua nação, não o devemos permitir porque é cultural e religioso. Sarkozy fez muito bem em impedir que o pessoal ocupasse os passeios quando tinham de orar para Meca. Orem nas mesquitas, e não chateiem. E para não se dizer que sou islamofóbico (apodo facilmente demagógico e preguiçoso); quem me conhece, sabe que vocifero contra o abuso da igreja católica, no Norte do país, que impinge gravações sineiras do A 13 de Maio na Cova da Iria -- uma intromissão abusiva no meu sossego. Portanto: islamofóbico? Bardamerda.

2.3. Falando em demagogia barata: Comparar a obrigação de cobrir a cabeça com a mera ostentação de um fio com um crucifixo é completamente desonesto.

3. A estupidez sem nome de dizer que se trata da liberdade de cada um vestir o que quiser. É claro que não trata, mas de uma imposição do 'chefe de família' Exceptuando alguns casos de mulheres, normalmente instruídas e articuladas, para o qual o hábito é um statement político ou as pobres mulheres que julgam que tem mesmo de ser assim, as muçulmanas usam-no por pressão social ou imposição familiar.

4. O delírio da demagogia, que vem sendo repetido: a de as nossas avós (pelo menos as avós populares) usarem uma coisa parecida. Rico exemplo. Era no tempo em que a mulher era uma cidadã de segunda, não lhe sendo permitido votar, nem deslocar-se ao estrangeiro sem a permissão do marido, entre outras coisas tão naturais e culturais.

5. quando não há mais argumentos, fala-se na reacção xenófoba de franceses nas praias ou, admito, de  insensibilidade da polícia. Pois, só que a questão não é essa. Que os franceses (generalização abusiva minha...) são racistas, xenófobos, etc., sabem-no os emigrantes, como o souberam os judeus que a Vichy mandou deportar sem que a Alemanha nazi o exigisse (a Itália fascista ou a Hungria de Horthy, não o fizeram).

Sobre este assunto, para além das próprias, que infeliz e generalizadamente, não têm liberdade para se manifestarem e decidir, só me importa a opinião das feministas. Se aparecer alguma a defender a coisa, prometo analisar os argumentos.


sábado, agosto 13, 2016

VIVA O POVO BRASILEIRO!

Os Jogos Olímpicos estão a ser um grande sucesso, sob todos os pontos de vista. Uma vitória para os brasileiros, os seus gestores, operários, engenheiros, desportistas e para o público, que tem vibrado com as provas. O Brasil e todos os seus amigos bem precisavam disso, após a sua classe política, ainda há pouco, ter arrastado o nome e a imagem do país pela lama, com a tentativa de destituição da legítima Presidente da República, farsa que vai prosseguir, depois dos Jogos. Jogos, cuja única nódoa foi a de terem sido inaugurados por um golpista. Viva, pois, o povo brasileiro, merecedor de muito melhor do que a camarilha corrupta que, ao longo dos tempos o tem governado.

sexta-feira, agosto 12, 2016

A Pide antes da Pide

Esplêndida série documental de Jacinto Godinho, «A Pide antes da Pide», a passar na RTP3. Bem batidos os arquivos da televisão, pesquisa indispensável, pois quase toda a gente já morreu, Serviço público a sério.


segunda-feira, agosto 08, 2016

a Incrível Almadense


Telma Monteiro, medalha de bronze nas Olimpíadas do Rio de Janeiro
(e, já agora, SLBêêê!...)

uma carta de D. Carlos I

Deve ter feito algum furor, em 1924, quando João Franco, um dos homens políticos mais odiados da História do Portugal contemporâneo, resolveu publicar e comentar as cartas que D. Carlos lhe enviara, desde o convite para formar gabinete, pelo impasse criado pelos partidos tradicionais, fautores do fim da monarquia portuguesa, que em breve eclodiria. Independentemente das intenções e autojustificações, o que interessa é o conjunto de cartas que revelam um rei que pouco tem que ver com o boneco, entre o pândego e torpe, que o republicanismo panfletário dele quis fazer.

quinta-feira, agosto 04, 2016

uma nódoa no Governo

É inadmissível, eticamente reprovável e de um mau gosto completamente saloio governantes deslocarem-se a um jogo de futebol da Selecção Nacional, pagos por empresas. É vergonhoso e miserável. Quem o fez, não merece politicamente nenhum respeito.

Este caso repugna-me. Outro caso, enjoa-me: o da sonsice dos seiscentos euros pagos do bolso de Marcelo, para custear a viagem ao mesmo Euro num avião da FAP. Um Presidente da República quando se desloca para assistir um jogo de qualquer selecção nacional, fá-lo em representação do país, por isso a Força Aérea lhe devolveu o cheque. Dispensava-se a marcelice, e apreciava-se alguma fibra na no enfrentar da opinião publicada em facebooks e escumalha afim.

terça-feira, agosto 02, 2016

Cory Henry

Tecla amiga fez-me-ze-o chegá-lo.


o criador no seu labirinto


Centrado num´período crítico, pessoal e artístico de Miles Davis, com alguns flashbacks inevitáveis, Miles Ahead, não é, felizmente, um biopic banal, antes um exercício sobre o criador no seu labirinto. Don Cheadle, também realizador, é um formidável Miles.



domingo, julho 31, 2016

só uma música

Um jazz fusional, aberto à restante música negra norte-americana. Deste Juju Street Dongs, belo título, de 1972, escolho «I Wanna Be Where You Are» (no ano seguinte, com versão dos Jackson 5). Sensacional a bateria de Howard King, quando Bartz começa a improvisar, aí pelos 3 minutos

quinta-feira, julho 28, 2016

caracteres móveis


«[...] cada palavra que desaparece é um pouco de nós mesmos que vai também morrendo.» Rebelo de Bettencourt, O Mundo das Imagens (1928)


50 discos: 6. MONEY JUNGLE (1962) - #3 «Very Special»