Sexta-feira, Julho 17, 2009

Figuras de estilo - Raul Brandão

A Morte! A Morte durante um longo espaço parece que esquece uma geração, mas de repente intervém e faz um largo serviço: deita tudo abaixo.


A Farsa
(retrato por Columbano)

O Vale do Riff - Pink Floyd, «Set The Controls For The Heart Of the Sun»

lo peor lo imperdonable / es mentir en momentos decisivos / por ejemplo en las ultimas palabras
Mario Benedetti

O Vale do Riff - Earl Hines & Teddy Wilson, «All Of Me»

Quinta-feira, Julho 16, 2009

Antologia Improvável #388 - Alberto de Serpa (2)

AOS AMIGOS QUE PARTIRAM

Agora, o botequim é outro...

Do violinista, os gestos que faziam música sensual para as mulheres
Tornaram-se atrevidos e explícitos,
E nos olhos delas está bem claro o desejo.
As notas de música vão a todos os cantos da sala,
Mesmo ao nosso, onde pára agora uma mulher triste como uma saudade...
Os homens erguem mais as vozes para combaterem a guerra,
E defendem a paz com um ódio de morte nos rostos contraídos.
As ordens são dadas de mais longe e mais alto:
Partiu-se aquela solidariedade que fazia todos iguais.
Os humildes já não entram, que as luzes são mais fortes
E as sombras fugiram lá para fora, onde a noite é mais nocturna...

Sim, falta qualquer coisa que se foi convosco...
Falta o nosso sonho que andava de alma em alma
E se alargava no ar como o fumo dos cigarros...


A Vida É o Dia de Hoje
(retrato por António Carneiro)

Quarta-feira, Julho 15, 2009

O Vale do Riff - Jane Monheit, «I Should Care»

Terça-feira, Julho 14, 2009

homenagens a Nicot

Hermínio da Palma Inácio
(foto)

caderninho

Temos de lidar severa e despoticamente com a nossa memória, para que ela não desaprenda a ser obediente; se, por exemplo, não conseguir recordar qualquer coisa, talvez um verso ou uma palavra, não devemos ir procurá-la num livro, mas sim perseguir periodicamente a nossa memória, durante semanas a fio, até ela ter cumprido o seu dever. Arthur Schopenhauer
«Aforismos» ( de Parerga e Paralipomena) (tradução de Alexandra Tavares)

O Vale do Riff - Capercaillie, «Four Stone Walls»

Segunda-feira, Julho 13, 2009

O poeta é pai das palavras e todas elas são inocentes.
Carlos Nejar

O Vale do Riff - The Bee Gees, «You Win Again»






Morris, Lucky Luke -- Sob o Céu do Oeste
Hergé, Les Aventures de Tintin Réporter du "Petit Vingtième" au Pays des Soviets
Franquin, Spirou -- Os Herdeiros
Peyo, Johan et Pirlouit -- La Source des Dieux
E. P. Jacobs, Blake e Mortimer -- O Segredo do Espadão -- SX1 Contra-Ataca

Sábado, Julho 11, 2009

Making Movies

O melhor álbum dos Dire Straits; o disco da maturidade, e da euforia. Knopfler confirma-se como um dos referenciais song writers do rock, o que se suspeitara logo dois anos antes de Making Movies, com o single de estreia, Sultans of Swing (1978) e a surpresa do primeiro LP, Dire Straits, desse mesmo ano.
Na ressaca do punk, um tipo desconhecido, professor de literatura inglesa, surgia com um som retro, uma invejável competência técnica como guitarrista, uma voz cavernosa e música indiferente ao que então estava a dar.
Podia ter sido uma das recorrentes irrupções revivalistas que sucedem em todas as artes. Mas não. Os Dires Straits -- ou melhor, Mark Knopfler -- eram muito mais que um epifenómeno nostálgico. Communiqué, de 1979, já o assegurava.
Falei em euforia. «Getting crazy on the waltzers but it's the life that I choose», reza o primeiro verso de «Tunnel of love». Depois de entusiasticamente saudados, Knopfler e o baterista Pick Withers foram convidados a tomar conta da guitarra-solo e dos tambores do álbum de Bob Dylan, Slow Train Coming (1979). Sabemos qual foi o seu desempenho. Este Making Movies surge quando os Straits estão na linha da frente da música popular. Justifica-se, pois, a euforia: «Well take a look at that / I made a castle in the sand / [...] / If I realised that the chances were slim / How come I'm so surprised when the tide rolled in» -- versos de «Solid Rock», faixa que poderia ter dado o nome ao disco. Knopfler, coadjuvado por Withers, John Illsley e Roy Bittan, pianista da E Street Band, de Bruce Spingsteen, deu-nos um dos álbuns mais consistentes, mais sólidos da história do rock. Uma lição de Knopfler para ouvir de uma ponta a outra: a consabida mestria do guitarrista -- o celebrado recurso ao fingerpicking, muito perceptível nas guitarras acústicas -- inibe-o de fazer exercícios estéreis de virtuosismo; e a Fender sobressai naturalmente, sustentada pela secção rítmica.

músicas grandes - Johannes Brahms, Sinfonia #4 - Allegro giocoso - Poco meno presto - Tempo I


Orquestra do Estado da Baviera, Carlos Kleiber

Sexta-feira, Julho 10, 2009

Caracteres móveis - Mario Benedetti

NO SÉ QUIEN ES

Es probable que venga de muy lejos
no sé quien es ni a donde se dirige
es sólo una mujer que se muere de amor
se le nota en sus pétalos de luna
en su paciencia de algodón / en sus
labios sin besos u otras cicatrices /
en los ojos de oliva y penitencia

esta mujer que se muere de amor
y llora protegida por la lluvia
sabe que no es amada ni en los sueños /
lleva en las manos sus caricias vírgenes
que no encontraron piel donde posarse /
y / como huye del tiempo / su lujuria
se derrama en un cuenco de cenizas


La Vida Ese Paréntesis / Inventario Tres

O Vale do Riff - Gene Krupa, feat. Anita O'Day & Roy Eldridge, «Let Me Off uptown»

Quinta-feira, Julho 09, 2009

Antologia Improvável #387 - Fernando Assis Pacheco (3)

PESO DE OUTONO

Eu vi o Outono desprender suas folhas,
cair no regaço de mulheres muito loucas.
Cem duzentas pessoas num café cheio de fumo
na cidade de Heidelberg pronta para a neve
saboreavam tepidamente a sua ignorância.

Eu vi as amantes ensandecerem
com esse peso de Outono. Perderem as forças
com o Outono masculino e sangrento.
Os gritos a meio da noite
das amantes a meio da loucura voavam
como facas para o meu peito.

Alguns poetas li-os melhor no Outono,
certos amores só poderia tê-los,
como tive, nos dias doces da vindima.


Cuidar dos Vivos / A Musa Irregular

O Vale do Riff - Charles Mingus, feat. Gerry Mulligan, «Goodbye Pork Pie Hat»

estampa CLVIII

Max Beckmann, Irmão e Irmã
Colecçãoparticular, Santa Barbara, Califórnia

Quarta-feira, Julho 08, 2009

caderninho

A harpista toca a música do tear. Ramón Gómez de la Serna
Greguerías (tradução de Jorge Silva Melo)

O Vale do Riff - Barclay James Harvest, «Fantasy: Loving Is Easy»

Terça-feira, Julho 07, 2009

lágrimas do blogger angustiado (ou em alternativa: a mesma luta?)

Ando pràqui a teclar poemas doutros enquanto
o André Previn percorre Satin Doll no prato.
Oh! -- e agora Sweet Georgia Brown! (Em
verdade a teclar também a música doutros.)

A mesma luta, Previn e eu. Para
milhões,ele; para quem, eu?

O Vale do Riff - Sting, «If You Love Somebody Set Them Free»

Segunda-feira, Julho 06, 2009

quadrinhos






P. Cuvelier & J. Van Hamme, Le Royaume des Eaux Noires
Hergé, Les Aventures de Tintin Réporter du "Petit Vingtième" au Pays des Soviets
Franquin, Os Herdeiros
Morris, Sob o Céu do Oeste
E. P. Jacobs, O Segredo do Espadão -- SX1 Contra-Ataca

O Vale do Riff - Manic Street Preachers, «La Tristesse Durera (Scream To A Sigh)»

Domingo, Julho 05, 2009

clube de leitura - Trinta Dinheiros

Assis Esperança, Trinta Dinheiros, Guimarães Editores, Lisboa, 1958.
Crónica de negócios e negociatas, de traições e transigências, na indústria, na finança, na imprensa, continua a triste saga de Ataíde e Melo, iniciada vinte anos antes em Gente de Bem.
Mercê de expedientes a que lança mão desde sempre, o self made man Joaquim Ataíde e Melo guindou-se à situação de c.e.o. (como agora se diz, em horrendo economês) da empresa proprietária do "Diário da Tarde". Trabalha para seu proveito e para ajustar contas, desviando -- é claro -- os dividendos alcançados pela empresa. Uma vida de estadão, pois então, motorista fardado, amante(s), a mulher no Estoril, para aborrecer o menos possível. Deslumbrado, megalómano, ávido, será substituído em assembleia geral de accionistas, curiosa actualidade...
Acaba mal, o ganancioso, ao contrário da filha, Maria Eduarda -- o único caracter decente deste hediondo fresco da burguesia. Em Gente de Bem, saíra da casa dos pais para viver com o homem que amava e com quem partilhava afinidades electivas. Ou julgava partilhar. Álvaro de Castro (será coincidência a personagem ter nome dum primeiro-ministro da República, por sinal um dos mais à esquerda, que levou para o executivo alguns membros da Seara Nova, nomeadamente António Sérgio), Álvaro de Castro -- escrevia -- , é um advogado cujas ideias arejadas, que tanto seduziram Maria Eduarda, não resistiram à perspectiva de uma promissora carreira, chegando a casar-se com esta por mera conveniência de salvaguardar aparências.
A filha do patético Ataíde e Melo não quer atraiçoar-se e divorcia-se, trilhando um caminho cheio de dificuldades, mulher de poucas habilitações, guardada para o papel de esposa e mãe. Cruzar-se-á com um médico e investigador, António Ribeiro Gomes, de convicções libertárias, todo consagrado à sua vocação. Homem difícil e reservado, Maria Eduarda terá como projecto de vida dedicar-se-lhe, com a expectativa de vir um dia a ser verdadeiramente amada. Confesso o meu desapontamento pela saída dada por Esperança a esta personagem fascinante; mas, apesar de tudo, que poderia fazer uma fêmea sem habilitações no Portugal de meados de novecentos, para além de se devotar ao marido ou companheiro? É curioso ver a nota que o autor nos dá sobre a sua própria valorização das atribuições sociais: o advogado revela-se oportunista, de convicções moles, ao contrário do médico, com outra nobreza e que decorre das convicções de Assis Esperança a respeito dos malefícios e benefícios das duas actividades. (Há, a propósito, uma fugaz aparição de um candidato a deputado, cheio de lábia e presunção, indicadora do menosprezo, bem anarquista, do romancista pela representação partidária).
Tal como se verificou em Gente de Bem, a Senhora de Ataíde e Melo (continuámos sem lhe conhecer o nome próprio...) e o filho têm um papel secundário. Este será, no fundo, um lídimo sucessor do pai, em trapaça e falsa compostura. A mãe, tonta inútil e negligenciada, tem como desígnio principal da sua irrelevante existência o de divulgar em Portugal o culto de São Judas Tadeu, apóstolo desgraçadamente confundido com o outro, o que vendeu Cristo por trinta dinheiros, um Judas Escariote em que, sem que disso tivesse noção, se tornara o homem com quem casara e de quem parira.
O romance supera em contenção e em estilo aquele de que é sequela; mas perde no confronto para o livro imediatamente anterior de Esperança, o magnífico Servidão.
Incipit -- Quando, entre a correspondência recebida, nessa tarde, do Continente, passadas as cartas uma a uma, Ataíde e Melo não viu o timbre, em relevo, de Montargil & C.ª, desenrugou a fronte e respirou fundo. Quinze dias antes, manadara para Lisboa, como lhe fora ordenado, sangria, ao que lhe parecera, desatada, um minucioso relatório sobre a crise dos bordados da Madeira, possibilidades de se lhe atenuarem os efeitos, reconquista de mercados, e prováveis lucros ou prejuízos fabris nessas proximidades do fim do ano. E ficara à espera, e contava que, pelo menos, como era norma da Casa que servia, acabariam por menosprezar todos os seus alvitres e exigir-lhe um muito maior esforço de trabalho.
A capa de Roberto Nobre, cumpre. Há muito que ele se afastara das actividades gráficas para dedicar-se ao ensaísmo cinematográfico (e também literário). Presumo que esta capa terá sido feita pela grande amizade com Assis Esperança.

Sábado, Julho 04, 2009

Um escritor deve mostrar sempre a língua portuguesa.
Alexandre O'Neill

Sexta-feira, Julho 03, 2009

O Vale do Riff - Led Zeppelin, «Babe I'm Gonna Leave You»

Quinta-feira, Julho 02, 2009

Caracteres móveis - Piotr Kropotkin

A mentira transforma-se em virtude: a mediocridade num dever. Enriquecer, gozar o momento, esgotar a inteligência, o arrebatamento, a energia de cada um, pouco importa como, converte-se na palavra de ordem das classes acomodadas, tal como da multidão dos pobres cujo ideal é parecer burguês. Então, a depravação dos governantes -- do juiz, do clero e das classes mais ou menos acomodadas -- torna-se tão revoltante que se inicia a outra oscilação do pêndulo.


A Moral Anarquista
(tradução de José Luís de Sousa Pérez)
Foto de Nadar

O Vale do Riff - Rod Stewart & Chrissie Hynde, «As Time Goes By»

Antologia Improvável #386 - Manuel Sérgio

INSTANTÂNEO

Ambulâncias:
Sirenes zurzindo
A calma do dia
E um risco a riscar
Cá dentro de nós
Dizendo que a alma
Tem topografia

Entre o Nevoeiro da Serra

Quarta-feira, Julho 01, 2009

O Vale do Riff - Pat Metheny, «The Bat»

Terça-feira, Junho 30, 2009

caderninho

A vida não é para mim um deserto que eu atravesse melancólico como um árabe olhando a sua sombra nas areias. Mas que fosse! Para o atravessar de noite, com segurança, uma coluna de fogo me guiaria os passos: o amor do meu filho. Bourbon e Meneses
Novos Solilóquios Espirituais

O Vale do Riff - Cab Calloway, feat. Jonah Jones, «I Can't Give You Anything But Love»

Figuras de estilo - Eça de Queirós

Ah! Vós dizeis que amais o progresso. Amais o progresso que vos inventa cadeiras mais cómodas; o progresso que vos monta operetas de Offenbach para acompanhar alegremente a digestão do jantar; o progresso que descobre melhores limas para cortardes os calos! Esse progresso decerto o amais! Mas o que não amais é o progresso político, porque esse traria uma ordem de coisas que extinguiria os vossos ordenados, levantaria as vossas décimas sonegadas, transtornaria as vossas posições -- isto é, este progresso tirar-vos-ia os meios de poderdes gozar o outro. E aí está o que vós não quereis, amáveis bandidos!


Uma Campanha Alegre
imagem daqui

Segunda-feira, Junho 29, 2009

O Vale do Riff - The B-52's, «Planet Claire»

quadrinhos






E. P. Jacobs, Blake e Mortimer -- O Segredo do Espadão -- SX1 Contra-Ataca
Hergé, Les Aventures de Tintin Réporter du "Petit Vingtième" au Pays des Soviets
Franquin, Spirou -- Os Herdeiros
Morris, Lucky Luke -- Sob o Céu do Oeste
P. Cuvelier & J. Van Hamme, Corentin -- Le Royaume des Eaux Noires

Domingo, Junho 28, 2009

Outros tons - José Mário Branco, «Eu vim de longe, eu vou para longe ("Chulinha")»

Sábado, Junho 27, 2009

acordes nocturnos

Prémio Lemniscata


A Ana Paula, do Catharsis e o Carlos Santos de O Valor das Ideias, blogues que muito aprecio, deixaram-me orgulhoso com a atribuição do Prémio Lemniscata.
Respigo de um deles o texto do referido galardão:
“O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores."
Sobre o significado de LEMNISCATA:LEMNISCATA: “curva geométrica com a forma semelhante à de um 8; lugar geométrico dos pontos tais que o produto das distâncias a dois pontos fixos é constante.”
Lemniscato: ornado de fitas Do grego Lemniskos, do latim, Lemniscu: fita que pendia das coroas de louro destinadas aos vencedores(In Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora)Acrescento que o símbolo do infinito é um 8 deitado, em tudo semelhante a esta fita, que não tem interior nem exterior, tal como no anel de Möbius, que se percorre infinitamente.
Texto da editora de “Pérola da cultura”.
E, como foram dois prémios, vou, por minha vez, atribuir o Lemniscata a se7e + se7e outros blogues: Aguarelas de Turner (um blogue culto e delicado), Atlântico Azul (Cascais, mar, grande música), Disperso Escrevedor (deveria escrever mais), Elemento Musical (toda a Música) Ferreira de Castro (apetece-me premiar a mim próprio, o blogue merece e preciso de encher a barra lateral) Grande Jóia (o olhar sagaz de Angelina Jolie), Museu de Arte Popular (gosto de contestar a discricionaridade do[s] Poder[es]), O Caderno de Saramago (a minha lata!, dar um prémio ao Saramago...), Old Paint (sinto-me bem a deambular por lá), Pimenta Negra (a nobreza das causas), Resistir (um blogue que se aproxima da perfeição), Rua da Judiaria (no centro da perfeição, fascinante) Tempo Contado, (um estilo impecável, a perfeição aproxima-se dele) e last but not least o Álbum Animador, do meu filho António, que muito enriquece a minha vida.