sábado, janeiro 31, 2015

Julia Holter, «Don't Make Me Over»

os nefelibatas da Economia

Um académico disse hoje, no «Expresso da Meia-Noite» que ficou perplexo com o resultado das eleições gregas, e não consegue perceber como um país desenvolvido chega a uma situação política como a da Grécia, isto é, governado, com largo apoio popular por uma força da esquerda radical (aliada a uma direita patriótica ou nacionalista, se se quiser).
Durante anos a Europa esteve entregue a estes indivíduos, cuja ignorância e incompetência política estão mais do que à vista -- e que conduzirão, com enorme probabilidade à vitória da Frente Nacional em França, situação ao pé da qual a questão grega será uma brincadeira de crianças.
Como foi a condução política europeia posta nas mãos deste anjinhos é que brada aos céus.

sexta-feira, janeiro 30, 2015

estampa CLXXXVIII - Richard Gerstl



Auto-Retrato a Rir (1908)
Österreichische Gallerie Belvedere, Viena

a pinta de Varoufakis

É demasiado bom, e além do mais, divertido.
Não me refiro nem à raiva incontida dos troikistas, muitos dos quais ironizavam com a, para eles, expectável hollandização de Tsipras e agora soltam gritos lancinantes e temerosos da revolução em marcha (a contrainformação, a vigarice avençada e a estupidez vão andar de mãos dadas nos próximos tempos).
Refiro-me sim, ao sorriso ironicamente bem disposto com que o ministro Yanis Varoufakis anunciou à Grécia e ao mundo que iria despedir asessores (boa parte dos quais são, como se sabe, valetes do poder e inúteis parasitas), recontratando, com o dinheiro poupado com chupistas, as empregadas de limpeza que haviam sido despedidas pelo governo alemão de Atenas.

quinta-feira, janeiro 29, 2015

The Quireboys, «Mother Mary»

do efeito Syriza

Leio na página online dum jornal, a propósito da morte de Demis Roussos,  a referência aos Aphrodite's Child, banda de rock progressista.

AÑOS



quarta-feira, janeiro 28, 2015

The Enid, «One And The Many»

nem todos somos bons homens (ou mulheres)

«num tempo em que todos somos bons homens a culpa tem de atingir os inocentes»

Valter Hugo Mãe, A Máquina de Fazer Espanhóis (2010)

terça-feira, janeiro 27, 2015

o grau zero da humanidade

Há episódios tremendos na história da humanidade: o sórdido tráfico negreiro e o infame genocídio das tribos americanas -- só para falar nas de maior dimensão -- estão ainda demasiado próximos de nós para que possamos olhá-los de forma desapaixonada. Mas dificilmente se encontrará um tal grau de perfídia, de loucura malsã, de bestialidade, como o do holocausto judeu, perpetrado pelos nazis. Uma triste época que para sempre ficará assinalada como momento em que o homem mais negou a sua própria condição de ser racional e moral. Esta foto diz tudo.


tocar no medo

«Uma dor forte, de punhal, por debaixo do tabardo que me agasalhava. E levei a mão ao ombro, e toquei na dor. Compreendi de novo. Parei, e assim fiquei algum tempo. Não sei se o que senti foi medo, desespero ou até alívio, sim, alívio, o mesmo alívio que sente a nossa alma quando encontra aquilo que era tanto esperado, ou tanto temido até.»

Sérgio Luís de Carvalho, Anno Domini 1348 (1990)

DUNKIRK


segunda-feira, janeiro 26, 2015

pândegas retoiçantes

«Realmente ele não ia aos clubes, de que falava com enjoo. Nunca se associava a pândegas retoiçantes pelos arredores da cidade, com coristas, mulherio desbragado e sentimental.»

Tomás Ribeiro Colaço, A Calçada da Glória (1947)

Jack White, «Lazaretto»

dizer o óbvio

Quando os governos governam contra o povo, por convicção ou por fraqueza e falta de coragem; quando os partidos traem o seu eleitorado, como se verificou com o Pasok, este, sabiamente, saudavelmente, atiram-nos borda fora. Que sirva de lição ao PS, agora com a vida muito mais facilitada depois de os gregos mostrarem darem o exemplo.

os gregos chegam-se à frente, como de costume

O que tenho ouvido esta noite, a propósito da vitória do Syriza, em que muitos dos justificadores da política económica da UE se regozijam com o resultado das eleições gregas, seria cómico, não fora preocupante: "ainda bem [dizem] que o Syriza venceu, porque isso vai obrigar a abrir o debate na União." O que por outras palavras significa: como não houve coragem para tentar inverter uma situação insustentável, em que caminhávamos de cabeça baixa para o precipício, felizmente os gregos chegaram-se à frente.

domingo, janeiro 25, 2015

ao ídolo detestado

«Quando, na cozinha, encheu o primeiro prato de sopa, para lho levar -- e era sopa de beldroegas que ele impusera, aquela de que mais gostava --, ficou, hesitante, a mirar essa comida que ia servir ao seu ídolo detestado e cuspiu-lhe repetidas vezes para dentro, raivosamente, com um sorriso triste, mole e falso, de cadela espancada e acovardada.» 

Urbano Tavares Rodrigues, Bastardos do Sol (1959)

sábado, janeiro 24, 2015

Budiño & António Zambujo, «Déixame Adiviñar»

a outra margem

«A corrente era forte, mas na outra margem havia pássaros, toiros bravos a pastar e valados desconhecidos. À noite, esperava-o a tareia do costume, em vez de ceia, e na manhã seguinte regressava ao telhal pelas orelhas.»

Soeiro Pereira Gomes, Esteiros (1941)

BEHIND THE LINES



ilumina


o punho de Tsipras

BBC
O punho bem alevantado de Tsipras diferencia-o de uma esquerda mole ou vendida, representada pela rosa delicodoce dum socialismo nominal envergonhado, terceira via nem carne nem peixe, nem fode nem sai de cima. Para agradar aos mercados, não são precisos partidos socialistas, que traem as suas origens e os seu ideário. Para o trabalho sujo existe a direita, como se vê em Portugal. O Pasok vai parar ao caixote do lixo, e é bem feito.



sexta-feira, janeiro 23, 2015

do revanchismo sobre Sócrates

As pessoas não são estúpidas, e percebem que o caso de Sócrates vai muito para além de uma configuração criminal. Não digo, como Soares, que ele seja um preso político. A política é outra coisa e não é para aqui chamada. O que se passa com Sócrates é estar ele a ser alvo de um nítido revanchismo. Só assim se percebe que funcionários superiores, directores-gerais & outras insignificâncias, se prestem a protagonizar episódios grotescos como o cachecol do Benfica, o edredão, ou as botas de cano alto, alegando o cumprimento dos regulamentos, a merda dos regulamentozinhos, os filhosdaputa dos regulamentozinhos -- quando é mentira que nas prisões os presos não possam vestir roupa sua. Eu já dirigi um clube de leitura numa prisão (uma experiência inesquecível, diga-se) e sei muito bem que os detidos envergavam vestuário seu para se protegerem do frio -- o que me parece justíssimo, se os serviços prisionais não fornecerem a indumentária suficiente. Quem achar o contrário é uma besta.
Outro episódio curioso foi o da solicitude do Sindicato dos Guardas Prisionais em denunciar os alegados privilégios de Sócrates na prisão. Mas alguém lhes encomendou o sermão? Antecipando justificações, se é que as houve: a instabillidade na população prisional. Está-se mesmo a ver o perigo que seria um motim envolvendo a meia dúzia de reclusos daquele estabelecimento, revoltados pelo pretendido tratamento de favor a um ex-PM, tratado como um manel palito qualquer... (É bem feito, pá!; pois, pá!, aqui é tudo igual, pá!...) A ralé que é ralé refocila e rebandalha-se com as humilhações infligidas aos poderosos.
Finalmente, o episódio da semana: a admiração, o escândalo até!, por um amigo jornalista -- parece que uma amizade de quarenta anos -- o actual director do JN, Afonso Camões, ter avisado Sócrates de que estaria a ser escutado, e inclusive que poderia haver lugar à sua detenção. Enorme escândalo, na verdade. Então as pessoas preocupam-se assim com os amigos, pá?!... Mas não tenho visto grande debate por essa informação ter sido transmitida a Camões por um seu colega de profissão do grupo Cofina, recolhida junto do juiz ou do procurador, como o próprio denunciou...
No meio disto tudo, a Justiça na lama, as pessoas a sentirem o cheiro a esturro. A culpa também deve ser de Sócrates.

St. Vincent «Prince Johnny»

quinta-feira, janeiro 22, 2015

criadores & criatura



Art Babbitt, Walt Disney (& outros)
e
o Pato Donald