terça-feira, fevereiro 20, 2018

A pressa -- a prece -- o estresse / Matam um poeta a cada minuto / Só no estado de São Paulo.
Rodrigo Tomé

segunda-feira, fevereiro 19, 2018

o Festival, parte I

Desenterrado por Nuno Artur Silva no ano passado, o Festival da Canção mereceu voltar a ser ouvisto. Propriamente má, só uma, miseràvelzinha, apesar do aparato. Algumas, poucas, assim-assim, e uma meia dúzia de boas canções. Gostei bastante da Catarina Miranda, "Para Sorrir Eu não Preciso de Nada" (música de Júlio Resende, letra de Camila Ferraro), e "Alvoroço", de e por J. P. Simões, e também gosto sempre de ouvir a Anabela, uma cantora esplêndida. Mas quem me encheu as medidas, por igual, foram a Joana Barra Vaz "Anda Estragar-me os Planos" (de Francisca Cortesão e Afonso Cabral) e "Só por Ela", de Diogo Clemente, cantada por Peu Madureira. E ainda o vozeirão de Maria Amaral, embora acusando os nervos ou a inexperiência.

sábado, fevereiro 17, 2018

estampa CCXCV - Hans Maler


Rainha Ana da Hungria e Boémia (c.1519)

Darkest Hour


O problema com o filme é que ficamos tão subjugados e atentos ao desempenho do Gary Oldman como Churchill, que este acaba como que anular a própria trama, como uma espécie de auto-sabotagem. 



quinta-feira, fevereiro 15, 2018

tempo de manada

O estampido ampliou-se com a reacção dum estafermo à declaração de cem mulheres, cuja primeira subscritora foi Catherine Deneuve. Um resvalo recente foi a tentativa, entretanto gorada, de censurar uma tela extraordinária do Waterhouse, em Manchester.
Os imbecis e os cataventos prevalecem sempre em número. Por mim, não só vou continuar a postar muita pintura de beautiful girls, como já reatei uma rubrica muito irregular a que, em tempos intitulei "porque sim".
Em homenagem aos novos tempos, pensei dar-lhe o título mulherio, embora goste mais de gadinho; mas nem a primeira me satisfaz inteiramente, por demasiado chegada ao vulgar, nem a carinhosa ironia da segunda seria apreendida pelos pides, censores & capadócios de serviço (além poder prestar-se a elaborações indesejáveis com o vacum mais estafermo).
Continuará, portanto, e com muito afinco, porque sim.



quarta-feira, fevereiro 14, 2018

o bigode aguenta como pode

Nunca ligo às cãs nem à barba cada vez mais embranquecida quando me olho ao espelho. O bigode aguenta como pode. Os óculos escondem as olheiras, e a pele, vincos à parte, persiste resistente às rugas. Por isso, mantenho-me quase em adolescência quando é a obsolescência que se avizinha.
Há dias fui por duas vezes obrigado a pensar no tempo que passa por mim ao ver outros. De  manhã, no jornal, a fotografia de alguém que não via há 21 anos. Tinha 39, hoje 60. Tive de confirmar de que se tratava da mesma pessoa. À hora do almoço encontro o meu primo Zeca, um ano mais novo, e pergunto-lhe. "Como está a tua neta?"

por puro prazer de ler, ouvir e cotejar

«Não seria fiar demasiado na sensibilidade do leitor, se cuido que o degredo de um moço de dezoito anos lhe há-de fazer dó.» Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição (1862)

«Tarde de infinita benignidade -- era nas vésperas de Nossa Senhora de Maio, quando ela de andor ao céu aberto avista tudo verde em redondo -- ali apetecia gozá-la com cristianíssimo ripanço ao passo moroso da digestão.» Aquilino Ribeiro, Andam Faunos pelos Bosques (1926)

«Seguiam sem pressa, um pouco vergados pelas próprias figuras, olhando mais o piso da estrada do que os amplos horizontes à sua volta.» Joaquim Paço d'Arcos, Ana Paula (1938)

«Tinha o seu quê de invulgar: o peso do tronco roliço arqueava-lhe as pernas, fazia-o bambolear como os patos: dava a impressão de aluir a cada passo.» Carlos de Oliveira, Uma Abelha na Chuva (1953)

«Chove sobre a cidade pálida, as águas do rio correm turvas de barro, há cheia na lezíria.» José Saramago, O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984)


terça-feira, fevereiro 13, 2018

segunda-feira, fevereiro 12, 2018