quinta-feira, março 05, 2015

quarta-feira, março 04, 2015

estampa CLXXXIX - Jackson Pollock

Jackson Pollock - Autumn Rhythm, 1950

Ritmo de Outono (Número 30) (1950)
The Metropolitan Museum of Art (Nova Iorque)

BOYS DON'T CRY



terça-feira, março 03, 2015

idealizações burguesas do antanho

«Era uma época pronta a desaparecer como um vulto na curva da estrada. A vida de província era ainda meio contemplativa, com pessoas abastadas e francas nas casas que estavam seguras de deixar aos filhos ou aos sobrinhos; gente que não oferecia surpresas e honrava o nome de família sem que fossem precisas provas heróicas. Bastava-lhes casar e ter outros filhos como eles, com virtudes e vícios moderados.»

Agustina Bessa Luís, Antes do Degelo (2004)

HIDE & SEEK



segunda-feira, março 02, 2015

um parágrafo perfeito: tudo está no seu lugar: nem uma palavra a menos nem uma palavra a mais

«Entra na cozinha. Cozinha, pia de pedra e janela para as traseiras onde há varandas com pombais e roupa estendida a secar; vasos e caixotes de flores nas janelas, ervas selvagens a crescerem nos telhados por onde passeia a rataria, antenas de televisão. Elias, com lume brando e desencanto que baste, aquece o leite da manhã.»

José Cardoso Pires, Balada da Praia dos Cães (1982)

CORCOVADO / QUIET NIGHTS OF QUIET STARS



domingo, março 01, 2015

a harmonia da vida e da morte

«Mas o que ele contava tinha agora mais verdade  -- era a terra e o vinho desse ano, as sementeiras e as próximas manhãs de geada e de sol e da paz solene da fecundação. As suas mãos, grossas e escuras como fragas, quase não faziam gestos, os seus olhos desciam sobre si, sobre Isaura e os filhos, como se receasse perder-se de uma comunidade de raízes, dessa plenitude fértil onde tudo estava certo: a harmonia da vida e da morte.»

Vergílio Ferreira, Aparição (1959) 

A Literatura no Estômago

Publicado em 1950, Gracq tem a coragem de disparar em todas as direcções. As mundanidades literárias, os lançamentos, os prémios, as vaidades e o poucochinho delas; os aproveitamentos ideológicos e partidários, que pouco ou nada têm que ver com literatura; a academização, em que pontificam os bonzos universitários, que da literatura se servem para guardar posição e modo de vida. O texto de Ernesto Sampaio também se recomenda.

Julien Gracq, A Literatura no Estômago, apresentação e tradução de Ernesto Sampaio, Lisboa, Assírio & Alvim, 1987.


Fountains Of Wayne, «Better Things»

sábado, fevereiro 28, 2015

um doce refrigério

«Chorava em fonte, e as suas lágrimas punham no fogo rijo das duas horas um doce refrigério de orvalhada.»

Aquilino Ribeiro, Andam Faunos pelos Bosques (1926)

LOGUNEDÉ



o anúncio da morte

«E de novo senti a dor, a mesma dor, aquela que, como uma fiel irmã ou um velho amigo, nunca desde então mais me largou.»

Sérgio Luís de Carvalho, Anno Domini 1348 (1990)

quinta-feira, fevereiro 26, 2015

emigrantes

«Alguém transporta ao colo uma criança, que pelo silêncio portuguesa deve ser, não se lembrou de perguntar onde está, ou avisaram-na antes, quando, para adormecer depressa no beliche abafado, lhe prometeram uma cidade bonita e um viver feliz, outro conto de encantar, que a estes não correram bem os trabalhos de emigração.»

José Saramago, O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984)

quarta-feira, fevereiro 25, 2015

BALLAD OF HOLLIS BROWN



no escuro da noite

«Avizinhavam-se da estação; cruzaram uma sentinela, de baioneta calada, à porta dum quartel; por detrás da grade uivava um cão. A noite cerrava-se de todo, noite calma, límpida e estrelada do Outono peninsular. Para trás, imersa no escuro da noite, escondida nas voltas da estrada, ficara a mole imensa da fortaleza, cujo vulto, sempre presente afinal nos seus espíritos, os perseguia como se dele não se houvessem afastado.»

Joaquim Paço d'Arcos, Ana Paula (1938)

terça-feira, fevereiro 24, 2015

mulheres muçulmanas com vestidos ousados

Não sei quem foram os costureiros, as passerelles situam-se na Síria e no Iraque -- ou melhor, no Curdistão -- e os desfiles a qualquer hora do dia ou da noite.
Também desejam a paz no mundo, mas enquanto ela não é possível exercitam-se no "Tiro ao Energúmeno", espécie com riscos de tornar-se praga, também conhecida por fundamentalista islâmico (talvez a PETA desaprove, nada é perfeito...)




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o asseio dos Brocas

«Fernão Botelho, pai do juiz-de-fora, saiu à frente do préstito para dar a mão à nora, que apeava da liteira, e conduzi-la à de casa. D. Rita, antes de ver a cara de seu sogro, contemplou-lhe a olho armado as fivelas de aço, e a bolsa do rabicho. Dizia ela depois, que os fidalgos de Vila Real eram muito menos limpos que os carvoeiros de Lisboa.»

Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição (1862)