sexta-feira, junho 24, 2016

entretanto, em Atenas e em Praga

Enquanto Atenas exorta a UE a "acordar" e mudar de política, Praga espera que as instituições europeias tenham "aprendido a lição". Parece querer dizer a mesma coisa, mas não é a mesma coisa.
De qualquer modo, nem vão acordar nem extrair nenhuma lição. Vão fazer o que a Alemanha quiser, com a colaboração obediente do PSE, estima-se, até ao próximo exit, questão de tempo.

50 discos: 18: ATÉ AO PESCOÇO (1972) - #3 «O Boi Ascensional»


em estado de choque

Um tipo deita-se a pensar que a União Europeia, bastante ferida embora, tem uma pequena oportunidade de regeneração, em face da curta vitória do Bremain no Reino Unido; e acorda com a reviravolta do Brexit e com o princípio do fim da UE, tal a miríade de acontecimentos a haver, tais as ondas de choque desta decisão histórica. 

A UE ferida de morte (não interessam nada as declarações pias de Donald Tusk); a independência da Escócia, pelo menos, é de novo uma forte possibilidade, como o fim do Reino Unido; uma péssima notícia para Portugal, a começar pelo factor económico, mas que é insignificante em face das implicações políticas e mesmo estratégicas da nova situação.

A Inglaterra era o único país, no actual contexto, que podia contrabalançar o poderio excessivo da Alemanha e dos seus aliados próximos, como a Holanda (a França, como é patente, vive uma crise profunda).

 A UE passará a ser um conglomerado de interesses díspares, polarizado (o desagradável e protofascista Grupo de Visegrad, por exemplo) em torno de zonas de influência, mais do que já estava a ser, uma vez que não acredito nas tristes lideranças que nos conduziram até aqui.

quarta-feira, junho 22, 2016

As respostas de Cristiano Ronaldo

Um grande jogo de Cristiano Ronaldo, boa resposta ao Portugal pequeno e invejoso, mesquinho e frustrado, que se põe às suas cavalitas para sentir-se menos baixo do que é.
Esse Portugal revê-se quotidianamente no tabloidismo informativo, que não é só do o do Correio da Manhã, mas de todos os que andam à babugem da quotidiana miséria humana -- e não são poucos, os órgãos.
Para os que dizem que o CR, sendo atleta e capitão da selecção nacional de futebol, estaria obrigado a um comportamento mais conforme com esse estatuto, e evitar cenas destas eu responderei que talvez sim. A verdade é que quem não se dá ao respeito -- e nem me refiro principalmente ao jornalista, que estava ali a fazer o seu trabalho idiota para telespectadores embrutecidos, mas ao órgão de que ele é assalariado -- (quem não se dá ao respeito) merece que lhe atirem o microfone para o raio que o parta.

50 discos: 19. ARGUS (1972) - #3 «Blowin' Free»


terça-feira, junho 21, 2016

microleituras

Seis composições outonaismeia dúzia de poemetos meus -- o mais antigo de 1985, de 2001 o mais recente--, em torno de temas inevitáveis como a infância e a morte. Esta tornando-se-me menos obsidiante, à medida que se aproxima; aquela, cada vez mais presente, na inversa proporção do tempo que a afasta inexoravelmente.






1 poema:

MUNDO DE AVENTURAS

Uma pequena aldeia na planície arménia
nevoeiro matinal no porto de Dieppe.
O silvar agudo nos cimos dos Cárpatos,
um castelo solitário num lago escocês.

Um junco chinês no mar do Japão,
um trilho de camelos na Rota da Seda.
Um catre vazio no mosteiro da Arrábida
uma via romana na serra do Gerês.

Uma mesa de cozinha e odores de Outono,
um eucaliptal onde brinco com o Avô.
O último número da revista tão esperada,
despojos da infância que se me acabou.

(também aqui)

segunda-feira, junho 20, 2016

50 discos: 5. AMÁLIA RODRIGUES - #3 «Estranha Forma de Vida»


Como se qualifica o jornalismo de esgoto quando é praticado pela imprensa de referência?

Canavilhas desbocou-se. Lamento-lhe o mau gosto dos facebooks e dos twitters, essas insuperáveis demonstrações de tagarelice, voyeurismo e vazio. Mas circunstância de ser deputada e ex-governante, não lhe retira o direito à indignação, diante da incompetência (estou a ser benevolente) do Público, que, em vez de pedir desculpa ao leitores pelo mau trabalho que executou, vem meter os pés pelas mãos, esfarrapadamente. Aliás, as correcções que foram introduzidas a posteriori, (sobre a alegada presença no palco de Jerónimo de Sousa e Catarina Martins), leva-me a concluir que a jornalista, talvez tenha passado por lá, mas é evidente que não fez o seu trabalho. Uma incorrecção destas nem um estagiário curricular cometeria; por isso, todas as conclusões são legítimas. A minha é a de que a senhora enganou o jornal que a emprega e, mais grave, os seus leitores. Se foi por ser incompetente ou por outro motivo qualquer, nem sequer já me interessa. 
É grave? É. Assistimos a isto todos os dias por essa imprensa afora? Assistimos. A imprensa portuguesa tem um historial de lixo? Desde o Palma Cavalão, pelo menos. Continuamos sem estômago para a miséria do jornalismo? Sim. O jornalismo é nauseabundo, os bons profissionais ou estão na prateleira ou estão discretamente nas margens desta pocilga.

50 discos: 3. AHMAD'S BLUES (1958) - #3 «I Wish I Knew»


domingo, junho 19, 2016

uma carta de Cesário Verde

Carta emocionante do enorme e pobre Cesário (1855-1886) sobre um dos seus grandes poemas. Emocionante, porque vê-loouvi-lo falar da sua obra, resgatada por Silva Pinto à dispersão, é, de algum modo, trazê-lo de além-túmulo ao nosso convívio. Bendito Mariano Pina, autor menor, porém influente do universo literário português de oitocentos.

(ler)

sábado, junho 18, 2016

só uma música

É difícil escolher só uma música de Fado (2009), o esplêndido disco de estreia de Carminho. Uma das coisas que mais gosto nela é a tersa fibra de fadista, a entrega, que se percebe muito bem num registo áudio e impressiona e entusiasma quem a ouve de viva voz. E assim, entre várias possibilidades, decido-me por esta «Carta a Lisboa» (letra de Diogo Clemente e música de Ricardo Rocha). 

criador e criatura

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Walt Kelly e Pogo

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