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quinta-feira, maio 24, 2018

«Toda a gente foi domingo / alguma vez.» A. M. Pires Cabral, «Degradação», Arado (2009)*

«Têm as mão brancas de sal / E os ombro vermelhos de sol.» Sophia de Mello Breyner Andresen, «Os navegadores», Mar Novo (1958)**

«Nas ondas sozinhas / Nem um navegante / Nem aves marinhas...» António Pedro, «Canção dum mar ao largo», Ledo Encanto (1927)***

* Resumo -- A Poesia em 2009 (edição de José Alberto oliveira, José Tolentino Mendonça, Luís Miguel Queirós e Manuel de Freitas, 2010)
** Caminhos da Moderna Poesia Portuguesa (ed. Ana Hatherly, 1960)
*** No Reino de Caliban I (ed. Manuel Ferreira, 1977)

terça-feira, novembro 19, 2013

O meu LEFFest 2013 #10 - «Alexandra»


Alexandra, de Aleksandr Sokurov (Rússia e França, 2007). «Homenagem -- Aleksandr Sokurov».
Na crónica que mantém na Revista  do Expresso de 9 de Novembro, o esplêndido José Tolentino Mendonça, cuja leitura nunca dispenso, escreveu que «Os avós são mestres de uma arte esplêndida e rara: a arte de ser». Neste filme de Sokurov, uma avó vai visitar o neto, um capitão a combater na Tchetchénia, ao acampamento das tropas russas estacionadas naquela província irredentista do Cáucaso. Se a guerra despersonaliza e bestifica, são as mulheres, as avós, que têm de reapresentar esses mancebos angustiados nessa tal arte de ser, de tornar a ser. Não apenas as mulheres e avós russas, mas também as mulheres e as avós tchetchenas, que no filme se encontram no afecto e com poucas palavras para a brutalidade da guerra.

Não me sairá da retina a cena do neto, capitão curtido pelos rigores do combate anti-subversivo, a entrançar o cabelo da avó, como menino que por instantes voltou a ser.

domingo, agosto 21, 2011

Antologia Improvável #477 - Vítor Nogueira

FADO

Chegam desamparados a estas baías extensas.
E contudo, Rossio, por muito que lhes custe,
nada têm contra ti. Descem dos bairros,
abrem caminho, sentem a areia. Invertem
o percurso ao fim da tarde, o silêncio
acumulado, as normas secretas e restritas
que guiam de algum modo as suas vidas.

São criaturas fascinantes estes velhos,
conseguem transportar pesos enormes.

Mar Largo / Resumo -- A Poesia em 2009
(escolhido por José Tolentino Mendonça)

quinta-feira, abril 07, 2011

Antologia Improvável #468 - Nuno Rocha Morais

Invadiu-me um sensação de calma,
de tristeza e de fim.
VIRGINIA WOOLF

Ao teu lado, mudo.
Suponho que pousei a mão
No teu ombro, não sei,
Ausentes ambos,
Tu do ombro, eu da mão.
Lá fora, não muito longe
Do vidro, a manhã passa
E é calma, tristeza, fim.

Últimos Poemas / Resumo - A Poesia em 2009
(escolha de José Tolentino Mendonça)
imagem daqui.

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Antologia Improvável #464 - Luís Filipe Parrado

Tudo o que o meu pai me disse quando, aos 15 anos,
declarei em família que iria começar a escrever poesia

                                                                     «Antes
                                                                     de te sentares
                                                                     à mesa
                                                                     lava bem
                                                                     essas mãos.»

Resumo -- A Poesia em 2009
(escolha de José Tolentino Mendonça)

sábado, julho 29, 2006

o terror que temos / de certos encontros de acaso
José Tolentino Mendonça

terça-feira, setembro 13, 2005

Antologia Improvável #51 - José Tolentino Mendonça (2)

UMA COISA INOCENTE

Estendi a mão por qualquer coisa inocente
uma pedra, um fio de erva, um milagre
preciso que me digas agora
uma coisa inocente

Não uses palavras
qualquer palavra que me digas há-de doer
pelo menos mil anos
não te prepares, não desejes os detalhes
preciso que docemente o vento
o longínquo e o próximo
espalhe o amor que não teme

Não uses palavras
se me segredas
aquilo que no fundo das nossas mentiras
se tornou uma verdade sublime

De Igual para Igual

domingo, junho 26, 2005

Antologia Improvável #23 - José Tolentino Mendonça

UMA COISA A MENOS PARA ADORAR

Já vi matar um homem
é terrível a desolação que um corpo deixa
sobre a terra
uma coisa a menos para adorar
quando tudo se apaga
as paisagens descobrem-se perdidas
irreconciliáveis

entendes por isso o meu pânico
nessas noites em que volto sem razão nenhuma
a correr pelo pontão de madeira
onde um homem foi morto

arranco como os atletas ao som de um disparo seco
mas sou apenas alguém que de noite
grita pela casa

há quem diga
a vida é um pau de fósforo
escasso demais
para o milagre do fogo

hoje estive tão triste
que ardi centenas de fósforos
pela tarde fora
enquanto pensava no homem que vi matar
e de quem não soube nunca nada
nem o nome

Baldios

José Tolentino Mendonça

Fonte: Diário de Notícias da Madeira Posted by Hello

sábado, março 26, 2005

José Tolentino Mendonça

A entrevista ao último JL mostra que um dos nossos maiores poetas é também um humanista, muito provavelmente um ser de excepção. Reconfortante.