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domingo, novembro 10, 2019

comunismo e nazismo, uma equiparação idiota, ou o Gulag não é Auschwitz

O tema já tem semanas, mas este post de Jorge Carreira Maia, em que faz muito bem o distinguo entre nazismo e comunismo, levou-me a alinhavar o que segue, na esteira do que ali ficou escrito.

Uma cabazada de eurodeputados maioritariamente de países do antigo Pacto de Varsóvia, e que hoje tão válidas lições de democracia e direitos humanos nos dão, esmagadoramente pertencentes aos grupos conservadores, com meia dúzia de liberais e quatro socialistas, entre os quais uma luminária do PS, subscreveram uma moção, aprovada por esmagadora maioria, que o nazismo / fascismo e o comunismo eram equiparáveis. (Está aqui o pastelão, para quem tiver pachorra; eu não tive, fio-me na imprensa.)

Há ali uma compreensível motivação de ajuste de contas com o passado recente e ressentimento por parte dos países que foram ocupados pelos soviéticos, boa parte deles, de resto, aliados da Alemanha nazi, o que não justifica essa ocupação disfarçada, é claro, e muito menos o esmagamento da insurreição húngara de 1956 ou da Primavera de Praga, liderada pelo eslovaco Alexander Dubceck, um dos meus heróis, secretário-geral do PC checoslovaco, e que bem caro pagou a coragem e audácia à mão dos apparatchiks do Partido.

Então, por que razão comparar nazismo e comunismo é duma estupidez crassa? Não matou o comunismo ainda mais gente que o nazismo? Sim, tal não me oferece dúvidas, atendendo ao tempo que se mantiveram no poder, do sátrapa Stálin (nem falo do megalómano Mao, no psicopata do Pol Pot ou na monarquia comunista norte-coreana, pois são realidades um bocado chinesas para nós -- não os percebemos...). Não foram (e são) o comunismo soviético um monstruoso embuste, que caiu de podre como a URSS e satélites? Sim, o comunismo soviético foi uma vergonha e um embaraço para qualquer pessoa intelectualmente honesta.

No entanto, ah, no entanto, aqui vai o diabo do pormenor: as palavras têm peso e correspondem a ideias. Na esteira do que bem escreveu Jorge Carreira Maia, em especial no segundo parágrafo, o factor da irracionalidade do nazismo, faz com que o mal seja assumido sem ambiguidade, na desumanização dos não-(ditos)arianos; enquanto que, o lastro racionalista do marxismo-leninismo, filho do iluminismo, nunca poderá acomodar qualquer espécie de opressão étnica, nem tal pode ser admitido, sob pena de autodesclassificação, mesmo quando episodicamente o tenham feito, no tempo de Stálin, sob pretextos fantasiosos (a chamada "conspiração judaica" e outras paranóias do Zé dos Bigodes).

Que são ambos regimes totalitários, é indesmentível; que um aponta para o Céu e outro para o Inferno (para os sub-homens, não "arianos"), é-o também. Não há que admirar: o marxismo-leninismo, ao tornar os cidadãos funcionários e dependentes do Estado, criou de imediato as condições para que o sistema criasse entropias que estão na base da sua futura desagregação, que só não se deu mais cedo graças à criação dum estado policial e perversamente repressivo -- a negação e repressão da liberdade como instrumento de manutenção do poder. Dessa funcionalização surgiu o que é previsível e surge sempre nestas circunstâncias: os carreiristas, os oportunistas, os desavergonhados e os alienados inofensivos completamente inseridos no sistema, que viviam a sua vida e achavam que era assim e teria de ser assim para todo o sempre. A RDA, no seu desmoronamento de há trinta anos aí está para comprovar isso e o seu contrário: andava o Muro a cair e ainda havia polícias e burocratas a tentar parar o vento com as mãos. No entanto, prometendo sempre o Sol e as bem-aventuranças neste mundo.

(Claro que no comunismo houve e há muita gente de bem; mas a sua adesão a esse ideário é do domínio da, não do racional; mas, que diabo!, não há gente a  acreditar na existência de "Deus", na imortalidade da alma e coisas assim?...)

Uma subtileza, pois, que não interessa nada, aqui no rectângulo, à direita democrática com reserva mental, saudosa do salazarismo e que à boca pequena execra a abrilada, como carinhosamente chama ao 25 de Abril, nem perdoa a descolonização, além de tudo o que cheira a esquerda (ainda ontem vi um pacóvio a torcer-se todo por causa da libertação do Lula e com vergonha de defender o Bolsonaro, que só sabe contar até 9).

Subtileza que de facto o não é; que entra pelos olhos dentro de qualquer pessoa com informação suficiente e tenha por hábito pensar, a diferença abissal entre comunismo (mesmo que soviético, pois há outros) e nazismo; e que chateia ver o PS embarcar em tão más companhias, por desleixo ou estupidez, não interessa. 

Por muito que lhes custe, e, principalmente, por muito que tenha custado ás vítimas, o Gulag não é Auschwitz; há toda uma diferença de escala na maldade e na perversidade, cuja avaliação nunca poderá ser quantitativa. Qualquer pessoa de boa-fé e com dois dedos de testa percebe isso. Quem não percebeu foram as criaturas que votaram a equiparação da pêra rocha com a pirite alentejana. Um mistela intelectual que me lembra uns turistas chineses no restaurante em que costumo almoçar, que misturam azeitonas na mousse de chocolate.

terça-feira, novembro 07, 2017

uma terra sem amos nem apparatchiks

Já não sei quantas vezes aqui escrevi que a melhor vacina que tive para a prevenção do bolchevismo e o comunismo soviético (há outros comunismos) foi a leitura, ainda muito jovem, do Soljenitsin. O Marc Ferro também ajudou, alguns anos depois; e a visão, ainda fresca, da Primavera de Praga -- os tanques do Pacto de Varsóvia contra o povo nas ruas de Praga (o Dubcek é outro dos meus heróis, também já o escrevi, mais de uma vez).
Acontecimento magno da história do século XX, quem o duvida? Revolução mais do que justificada numa autocracia? Igualmente (a execução vil de toda a família imperial não faz esquecer os crimes de Nicolau II e do seu círculo). Que sem ela, as condições de vida dos trabalhadores ocidentais teria sido outra? Parece mais do que evidente. Nunca saberemos que caminho seguiria a Rússia sem a Revolução de Outubro, com Nicolau II ou com Kerensky. Sabemos que Lénin e Trótski tomaram e consolidaram o poder que a Rússia Branca não estava disposta a permitir, tendo, em simultâneo desbaratado os anarquistas de Nestor Makno e outros, nada dispostos a deixarem-se manietar pelos comunistas autoritários, numa velha contenda que vinha do século anterior. E sabemos, também, que a União Soviética, criada em 1922, é uma configuração de Stálin após a eliminação interna dos inimigos, reais ou supostos. É Stálin que torna a Rússia uma superpotência e é com a sua morte, em 1953, que se inicia o declínio. Krushtchev é uma válvula de escape; Brejnev, a sedimentação do estado totalitário e um novo desenvolvimento do imperialismo soviético em taco-a-taco com o americano: Vietname, Iémen do Sul, Angola, Afeganistão, cada um usando(-se) (d)os seus peões. Depois da grotesca parada de senectude ao mais alto nível (Andropov, Tchernenko), Gorbachev foi o homem certo na altura (im)própria. A circunstância de a queda da União Soviética, desmoronando-se de podre, ter ocorrido praticamente sem baixas, é um milagre bem palpável que a Humanidade deve a Gorbachev. Ieltsin (um bebedolas, provavelmente comprado pelos americanos), e Putin, um político frio e superiormente inteligente (muito mais do que gostaria o imperialismo americano -- imperialismo de rapina, como é condição de todos os imperialismos) -- (Ieltisn e Putin) são já protagonistas de outra realidade, que nem por isso deixa de ser herdeira da finada URSS, tal como esta, quando necessário, foi buscar o substrato à alma da Mãe Rússia.       

terça-feira, maio 24, 2016

Os colégios subvencionados, a economia de mercado, os casos de polícia, a juventude do PSD, as agências de comunicação e as estratégias de Passos & Cristas

1. Passos Coelho, com a coerência, rectidão e lisura que o povo lhe reconhece, veio carpir-se pelos professores dos colégios privados que eventualmente fiquem no desemprego. Nem vale a pena referir que, previsivelmente, alguns desses professores serão necessários nas escolas públicas; o que aqui me interessa vincar, mais uma vez, é a vigarice política deste indivíduo, o governante que mais gente mandou para o desemprego, que mais famílias desestruturou desde que há memória. Vergonha na cara, não existe.
2. Economia de mercado. É muito bonita para os outros, mas não serve, quando precisamos de pagar favores.
3. Excelente reportagem no «6.ª às 9», na RTP. Ficámos a saber, em mais um episódio em que o Estado é posto ao serviço dos interesses particulares, que, em várias ocasiões, as escolas públicas foram impedidas de abrir turmas, para as quais tinham disponibilidade, obrigando, de facto, os alunos a inscreverem-se nesses colégios particulares, no outro lado da rua. Há aqui bom trabalho para Ministério Público, PJ, etc.
4. Casos de polícia: isto tresanda a tráfico de influências e corrupção. Também seria bom que alguém denunciasse ao Ministério Público a manipulação (coacção?) que os interessados no actual status quo exercem sobre crianças que vêm para a rua manifestar-se.
5. As agências de comunicação a trabalhar: a JSD, elaborou (boa piada) um cartaz com Mário Nogueira a fazer de Stálin e Tiago Brandão Rodrigues em pose de marioneta. Presumo que boa parte desses meninos pense que o Estaline possa ser um émulo do Darth Vader.. 
6. A ideia que dá é que o PSD, para além de não ter um pensamento, também não tem estrategas, e que tudo está entregue às tais agências de manipulação. Muito me espantaria que a generalidade dos cidadãos veja alguma razoabilidade na subvenção destas escolas, havendo oferta pública. Muitos percebem, mas ao contrário da percepção dessas luminárias que orientam o partido: há alguém a beneficiar ilegitimamente dos favores do Estado, e o PSD aparece a dar-lhes cobertura -- é isso que é apreendido pelos cidadãos. Outra coisa que os portugueses não percebem (ou então percebem-no muito bem) é a propalada ameaça à chamada (e gasta) "liberdade de escolha" -- como se alguém impeça, quem queira e possa, de se inscrever em qualquer colégio, religioso ou laico. É a vigarice posta em marcha pelos interessados.
7. Felizmente, as pessoas não são estúpidas, principalmente quando se trata do seu dinheirinho. Continua, psd, que vais bem. Cristas, apesar das parvoíces que diz, parece ser mais esperta e dramatiza menos.

segunda-feira, julho 28, 2014

28 de Julho de 1914 -- a Grande Guerra começou há cem anos, e assombra-nos.

A pretexto de um assassínio político perpetrado um mês antes, há 100 anos a Áustria-Hungria declarava guerra à Sérvia. Não passou de mero pretexto, porém. A causa da Grande Guerra radica em vários factores, a saber: a disputa imperialista centrada no Velho Continente, através do sistema de alianças, mas com ramificações e palcos extra-europeus, em concorrências territoriais e de supremacia armamentista; e a inconsciência geral, quer do rápido desenvolvimento transnacional do conflito (num ápice a guerra tomou o freio nos dentes), quer dos custos humanos e económicos que iria acarretar -- o que justifica o acolhimento delirante e patético do anúncio do conflito por parte das opiniões públicas.
Conflito, aliás, que não terminaria em 1918, mas em 1945, pois Hitler (e até Stálin) são a um tempo consequência da vertigem ou da deliquescência imperiais e da ganância dos potentados económicos e financeiros.
Hoje, continuamos com um sistema de alianças, em recomposição, o imperialismo é norte-americano, russo, mas agora também chinês, e a cupidez mercantil e argentária está globalizada. Mas ninguém, em seu perfeito juízo, poderá vir para a rua simploriamente saltar e cantar, se... Um  se que nunca será de excluir, por mais absurdo, irracional e indigno, pois nada na animalidade dos homens o garante. Quem tiver dúvidas que olhe para o lado (ou para o espelho, se tiver coragem), e diga se gosta do que vê.



quinta-feira, julho 18, 2013

partidoecologistaportuguês"osverdes"

Essa fraude política aberrante que dá pelo nome de Partido Ecologista "Os Verdes" (!) -- o partido barriga de aluguer, como bem lhe chamou Augusto Santos Silva -- conseguiu a proeza de dar um balão de oxigénio a um Governo mais moribundo que  Mandela. O PC (pois é dele que se trata) que já tinha sido indispensável para colocar Passos & Portas no poder, conseguiu até proporcionar esta tarde um grande discurso a Portas -- a Portas!, cuja credibilidade está pelas ruas da amargura... Que bonito, que bonito que é o PC. O que vale é que os topamos à distância, desde os tempos do camarada Zé Estaline.

terça-feira, janeiro 29, 2013

nazis, estalinistas e direitos dos animais


Tenho visto umas aventesmas (ou abantesmas, para os mais puristas) em transe de indignação com aqueles que defendem os direitos dos animais. Houve até uma luminária que nos chamou directa ou indirectamente nazis, que não sabíamos nada de história, dizia a criatura, e cujo post foi muito convenientemente limpo da blogosfera... O que muita desta gente (não todos é claro) tem em comum é que à sua repulsa pelo cão que terá morto a criança, e para o qual exigem a eliminação -- o que os congregará (não todos, é claro) será a frase do querido líder que tanto os inspirou e para cuja bondade doutrinária nos quiseram converter à força. Dizia o Zé Estaline, por estas ou outras palavras: "a morte de um homem é uma tragédia; a morte de um milhão é estatística"...
Pois fiquem-se lá com a vossa igreja, fiéis ou agnósticos do stalinismo (que também os há, e são crentes maricas), fiquem-se lá com o vosso fervor beato, a vossa mentalidade totalitária,a preto e branco e abissalmente estúpida (como a História o comprovou) e não venham chamar nazis a quem pensa de outra maneira.

quarta-feira, abril 20, 2011

da necessidade de lucidez

Um post da Ana Paula Sena Belo suscitou-me este alinhavo:
Tenho por adquirido que quanto mais instáveis são os tempos, mais necessário se torna fazer uso da razão. A Europa, na década fatídica 1929-1939, deixou-se toldar pela irracionalidade. Mas houve povos (e líderes políticos cheios de defeitos) que se mantiveram razoáveis e lúcidos: os povos do Norte da Europa. E líderes:  de Churchill -- o homem certo na hora certa -- ao rei Haakon VII, da Noruega (ocupada pelos alemães), que ostentava à lapela a estrela de David, solidário com os seus concidadãos judeus. É evidente que também houve líderes do outro lado detentores de grande frieza (Stálin) e frio e competente discernimento (Salazar). Mas para estes não havia cidadãos, mas uma massa que era necessário enquadrar e tutelar.