Um sinal interessante, e uma boa resposta aos que exultaram com humilhação imposta aos gregos pelos mesmos que sabotaram a União Europeia.
( O Telejornal, coordenado por um idiota qualquer, nem sequer se referiu à presença de Tsipras na cerimónia, preferindo destacar os espasmos do Maduro).
A política anda a par dos destemperos & cuspidelas do futebol ou dos cromos da televisão.
A última idiotice foi a medianovela da Caixa Geral de Depósitos, em que quase todos estiveram mal, alguns abaixo de cão.
António Domingues - deve ser um ás da gestão, mas de política pura (e também da impura) não percebe nada. Não haver, no gabinete jurídico da CGD (ou se calhar há, mas recorreram ao outsorcing) quem dissesse que a coisa iria descambar, parece incrível.
Mais do que incrível, momentoso, é a inépcia do Ministério das Finanças (ainda há juristas nos ministérios?). Que técnicos qualificadíssimos como Ricardo Mourinho Félix e Mário Centeno tivessem escorregado na casca de banana posta por Marques Mendes, esse senador, é de bradar aos céus.
Já António Costa, um excelente político, dá-lhe por vezes para a politiquice. A forma como quis sacudir a água do capote foi notória para toda a gente, e pouco bonito de se ver. (Esclareço: sou um entusiasta deste governo, sem ter votado em nenhum dos partidos que o apoiam.)
O PSD -- ó o PSD, a sua política de terra queimada, o seu quanto pior melhor, a sua guerrilha que não deixa pedra sobre pedra, Passos Coelho e a sua troupe desde o chumbo do PEC 4 e a vinda da Troika; isto não é um partido político, é um tumor.
O CDS, neste particular da Caixa, foi a apendicite do PSD, uma lombriga a berrar 'esfola!'
O Bloco, ah, o Bloco, não se cura de ser irritante, de se poer em biquinhos de pés, de, desavergonhadamente ir votar uma acção do PSD numa questão de lana caprina, de dar gás ao PSD -- que falta de noção, que infantilismo, que idiotia inútil.
O PCP, ao menos, soube marcar posição, e não alinhou com o terrorismo do PSD, nem se deixou utilizar por este.
que este ano quase não existiu para mim. Deixo, por obrigação, o registo do último dia.
Le Départ,(1967), o primeiro filme de Jerzy Skolimowski realizado no exílio (Bélgica), em que se sente uma libertação sofregamente aspirada. Muito bom..
Vivre Sa Vie (1962) de Jean-Luc Godard, um filme de e para Anna Karina (esplêndido o diálogo, quase monólogo, filósofo-prostituta, elemento surpresa do filme);
termino com Ma Loute (2016), de Bruno Dumont, cuja estética BD, notoriamente francesa, me quadra melhor em álbum que no ecrã.
O Fidel Castro da revolução, o guerrilheiro da Sierra Maestra, o que se levantou contra os plutocratas que governavam o país, o que tinha vergonha na cara por Havana ser a casa de putas da máfia e dos magnatas americanos; o que teve políticas sociais incomparáveis que fazia com que, por exemplo, desde há décadas Cuba tivesse uma taxa de mortalidade infantil ao nível da da Suécia, enquanto que os salvadores, as honduras, as guatemalas, os haitis (!) eram (e são) esgotos a céu aberto por onde correm as dejecções de todos os somozas que os governam -- eis o Fidel interessante e que aprecio.
O Fidel demolhado pelo poder, paternalista, moralista, monarquista, ditatorial e sem habanos, esse não me interessa.
A História irá absolvê-lo? O purgatório está-lhe certamente reservado; mas em comparação com muitos dos seus homólogos, ela, a História, talvez não deixe de pesar tudo isso a seu favor.
P.S. Fidel, no início, não era comunista; foi a crónica burrice dos americanos em mat´ria de política externa que o empurrou para os braços da União Soviética.
... e de repente, uma visão. Tulsi Gabbard, congressita democrata, apoiante de Bernie Sanders, veterana da Guerra do Iraque e surfista, encontra-se com Trump. Não por ter passado a achar que este é aproveitável em várias matérias, mas porque numa questão fundamental, ela percebe que 1) o inimigo é o radicalismo islâmico; e 2) que a escalada com a Rússia não traz nada de bom. Vale a pena ler o seu comunicado.
Oh, les beaux esprits (não ela e o Trump, claro, mas ela e eu)...
Há coisas demasiado sérias para que se possa aceitar a sua falsificação abastardamento. Uma delas é o Tribunal Penal Internacional. O TPI nasceu mais do que torto: não só não está dependente da ONU, como se distinguiu por uma parcialidade durante a guerra da Iugoslávia que o desacreditou desde o início.
A não-tutela das Nações Unidas até pode compreender-se, dados os impasses que institucionais; porém, o risco de utilização do TPI pelas agendas das grandes potências, resulta ainda pior.
Na Guerra da Iugoslávia, os sérvios foram, com efeito, os bodes expiatórios do TPI, num conflito que não teve inocentes políticos e militares..
Quando Putin decreta o afastamento da Rússia do TPI, após uma referência deste à situação da Crimeia como "ocupação", mais não faz do que pretextar e sublinhar a situação insustentável em que o tribunal se colocou: uma instituição que não é para ser levada a sério, como já se sabia, acabando, no fundo, por ser contraproducente em relação aos seus fins: julgar criminosos de guerra, procurando, também, ser dissuasor.
Ora, se há um caso em que os russos têm muitíssima razão, esse é o da Crimeia, histórica e politicamente.
Têm razão, do ponto de vista histórico, porque, na década de 1950, Krushtchev o autocrata do momento, resolveu (dizem que após uma noite de bebedeira), retirar a Crimeia da República Soviética da Rússia e integrá-la na República Sovética da Ucrânia. Com o feliz colapso da URSS, os russos, demasiado enfraquecidos para fazerem valer as suas pretensões, limitaram-se a garantir a soberania sobre o porto estratégico de Sebastopol. Com a degradação política da Ucrânia, a Rússia limitou-se a tomar posse de um seu território secular.
Mas não ficamos por aqui: a população da Crimeia, maioritariamente russa, votou pela sua reintegração na pátria. Quem pode censurá-los -- aos cidadãos e ao poder russo? Os cínicos, claro. Acontece que a Rússia é demasiado poderosa para sujeitar-se ao cararejar dos hollandes e das mays e, neste caso em particular, fez o que devia, desprezando uma instituição mal-afamada, para desgraça das vítimas dos crimes de guerra.
Nota: a selectividade das notícias e das indignações também não deixa de ser interessante: fala-se na Ucrânia e na Geórgia (peões potenciais dos Estados Unidos), mas nada quanto à Tchetchénia, pese embora a especificidade de cada um dos territórios. É um bocado como as notícias que vêm da Síria e do Iraque. Em Alepo morrem sempre crianças; em Mossul, só se abatem os maus do Daesh. Lá está: estorinhas pera entreter meninos. Foi preciso ver as reportagens do Paulo Dentinho, para perceber que metade de Alepo se mantém praticamente intacta: até aqui, só nos chegavam as imagens da zona oriental, captadas por drones ou pela Al-Nusra, com os seus 'capacetes brancos' (parece que queriam atribuir-lhes o Nobel da Paz...) -- segundo ouvi bacorejar numa televisão qualquer.
Contrabaixista mítico e longevo, Ray Brown com Cedar Walton (piano) e Elvin Jones (bateria) fecham Something For Lester (1977) com um standard de Horace Silver, outro fora de série. Palavras para què? Três músicos combinam e solam com uma alegria que só o jazz tem.
O texto de Jorge Sampaio sobre a UE, publicado no Público de hoje é um grito lancinante sobre o estado moribundo daquela. Pese todo o voluntarismo optimista de puro bom senso que demonstra, a crua realidade duma União virada para os particularismos nacionais, que, receio bem, provocará a sua destruição Daí a "impotência decisória" de que fala Sampaio:
Se já era difícil a União Europeia ter uma política externa comum, no tempo em que tudo parecia um conto de fadas, hoje é impossível que tal aconteça, em face das divisões internas, e da assunção já clara dos interesses de cada país, tantas vezes não coincidentes e contraditórios.
Aa palavras não podiam ser mais sábias, porém, quando se humilhou desnecessariamente a Grécia e, em certa medida, também Portugal; quando se depara com a existência no seio da UE, de grupos como o de Visegrad, albergando governos incivilizados, como os da Hungria ou da Polónia, sem que sejam chamados à pedra, como é possível sequer falar de uma "identidade partilhada", quanto mais tentar o seu fortalecimento? Que afinidades entre governos como o português, o grego ou o italiano e os congéneres racistas, xenófobos, quando não pró-fascistoides das hungrias e das polónias? -- só para falarmos nos casos extremos, e deixando de fora, por enquanto, finlândias e holandas...
O que se passa com a Rússia é demasiado mau para ser verdade, arrastando-nos para uma lógica confrontacional que nada tem que ver com os interesses europeus, e muito menos portugueses. Até porque a lógica do confronto, se pretende meter medo à Rússia só a vai acicatar, isolando-a dos parceiros ocidentais, com quem tem as maiores afinidades civilizacionais. Crer, como aparentemente sucedia com Clinton, que fazer peito a Putin seria aceitável do ponto de vista estratégico, é duma temeridade sem nome, para além de ter uma eficácia perto de zero. Os russos já fizeram questão de lembrar, ainda durante a campanha presidencial americana, que não recebem ordens do Estados Unidos -- aliás, uma boa indirecta para alguns governos europeus; e, por outro lado, quase dá vontade de rir, quando em face do desafio de alguns governos ocidentais, a Rússia se reúne em cimeira com a China e a Índia (o Brasil e a África do Sul, potências regionais, são dois penduricalhos para enfeitar). Espero que o negregado Trump entre rapidamente em distensão com Putin (e, já agora, que rasgue, mesmo que pelos maus motivos, o clandestino Tratado de Comércio Transatlântico, que os Estados Unidos andaram a preparar com os burocratas e homúnculos políticos europeus, nas costas dos cidadãos.
A derrota de Hillary Clinton, uma falcoa despreparada e simplória (lembrar que apoiou a invasão criminosa do Iraque, ao contrário de Obama), deixa-me aliviado. A perigosíssima derrapagem da política externa americana em relação à Rússia (não sei o que pensar sobre Obama, a este propósito), pode ter sido travada. O resto é escuridão.
Vou para a cama, com a sensação de que o boi do Trump ainda pode ganhar isto. Se fosse n-americano, talvez votasse num terceiro candidato, eventualmente Jill Stein; ou talvez em Hillary, aterrorizado. Mas como sou europeu, medomedo, tenho é desta tontinha, que parece querer afrontar a Rússia (com os europeus a fazerem o papel de idiotas úteis). O que será o neo-isolacionismo americano, pretensamente defendido por Trump, é para mim um mistério. E, se calhar, para ele também.
Sand Storm, de Elite Zexer (Israel, 2016). Uma troca ríspida de argumentos entre a actriz principal, a israelita-árabe Lamis Ammar (excelente) e uma espectadora israelita presumivelmente judia, evidencia como tudo o que sepassa naquela região do globo está inquinado pela questão israelo-palestina. E só lá muito no fundo é que se pode ir buscar este problema, num filme esplêndido, produzido e realizado em Israel, que trata da situação da mulher na sociedade patriarcal beduína. Foi uma outra cena pata mim, europeu do extremo ocidental, ver como a sensibilidade está à flor da pele.
Vai ser um mau ano de festival, para mim, Pelas minhas contas, só poderei assistir a sete sessões, cerca de um terço do que é costume.
Mantenho-me fiel ao meu Estoril. Lisboa, para mim, é longe, e o CascaiShopping, com seu pipocar, não é opção. Se ainda fosse o Cinema da Villa, como sucedeu na primeira edição... Tenho pena que o Centro de Congressos já não seja utilizado, com condições ideais para o festival, malgrado o desconforto das cadeiras. O Casino, apesar dos esforços para manter aquilo aceitavelmente clean, desde que o Stanley Ho fez dele um casino à Macau, deixou-me de ser frequentável. Os moralistas hipócritas do Estado Novo, ao menos tinham o bom gosto de impedir que quem lá fosse ao cinema ou a uma exposição, topasse com criaturas de gosto duvidoso debruçadas sobre uma mesa de jogo ou se empoleiradas numa slot machine. Sempre apreciei o recato dos vícios privados, e não esta badalhoquice parola que vai das casas dos degredos ao facebook, passando pelas bancas de casino, Estas, em particular, irritam-me especialmente, talvez por não ser obrigado a frequentar as outras. Lá nisso, o velho Salazar, sacristão do caralho, obrigava o estabelecimento do Teodoro dos Santos a ter uns vidros foscos, para que os putos como eu, não fossem desviados -- embora soubesse muito bem que por detrás daquelas cortinas púdicas, havia as 'máquinas' (ouvia-lhes o barulho) e que no «Wonder Bar», ou lá o que era, havia umas miúdas que mostravam as maminhas -- ou seja, o Paraíso.
Bom, mas todos os anos é a mesma cena, e eu venho para aqui carpir e vociferar; mas vale bem a pena ir ao Casino para assistir aos filmes do LEFFest.
Estreio-me com Gato Preto, Gato Branco (1998), de Emir Kusturika, da retrospectiva que o festival lhe dedica. Dizer de EK que ele é o Fellini dos Balcãs, talvez seja demasiado fácil, para um tipo que tem Ivo Andrić como uma das suas principais referências, e pretende fazer a síntese de Bruce Lee e Ingmar Bergman (texto no catálogo, muito bom, mas falta-lhe o índice, caraças), Todo aquele nonsense, não é nada se pensarmos que o cineasta que se considerava a si próprio de nacionalidade iugoslava (nasceu em Sarajevo) assistiu impotente àquela farsa balcânica.
Seguiu-se um bitoque no «Jackpot», tenro e generosamente demolhado, servido por aquele pessoal atencioso e eficientíssimo. Com este calor de Novembro, não tive coragem de mandar vir a deliciosa sopa de feijão. Creio, mesmo, que, para além do cinema, a existência do Casino só interessa porque permite ao «Jackpot» continuar a funcionar bem, pois de lá virá uma boa parte da clientela.
Fecho o dia com um filme em competição, American Honey (2016), da inglesa Andrea Arnold. É um filme realista, retrato duma América feia e trashy, aquela que está a votar em Donald Trump, digo eu, que sou um bocado preconceituoso. Interessante, mas não me entusiasmou. Gostei da forma como a realizadora capta e valoriza Sasha Lane.
Em 1979 e 1980, tinha eu quinze-dezasseis anos, estava preparado para tudo o que a música me quisesse dar, Graças a amigos e colegas de escola mais velhos, crescera a ouvir o grande rock progressivo, e agora apanhava em cheio com a violência dos restos do punk. E passei a ouvir os dois, com o mesmíssimo interesse, sem esquecer os rythm & blues dos Dr. Feelgood, o hard rock dos AC/DC e dos Aerosmith e o que vinha ainda de trás, da década de sessenta. Era fervilhante.
Não me esqueço, por isso da sensação que foi ouvir estes descabelados pela primeira vez, a entoação sardónica do Fred Schneider, o cio estridente de Kate Pierson e Cindy Wilson. Acreditem, aquilo mexia com o puto que eu era. E este «52 Girls» era disso exemplo: uma porcaria de letra, a que não ligava nenhuma (defeito que me ficou), nem interessava para nada, diante daquela batida primária, riffs elementares e o ululante transgressivo de Kate e Cindy.
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Pelos quadradinhos Disney, nem sempre bem tratados e muitas vezes
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Barks a Paul Mur...
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*«Antes de entrar *na avoenga liteira de seu marido, perguntou, com a mais
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ENTARDECER
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Preguiças o sábado numa esplanada ao lusco-
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Nuno Gonçalves, PAINÉIS DE S. VICENTE DE FORA (c.1470-80)
Honoré de Balzac (1799-1850)
«O amor é como o mar, que visto superficialmente ou à pressa pode ser acusado de monotonia pelos espíritos vulgares, ao passo que certos seres privilegiados podem passar toda a vida a admirá-lo, encontrando-lhe sempre uma diversidade que os encanta.»
João Cristino da Silva, «CINCO ARTISTAS EM SINTRA» (1855)
Alfred de Musset (1810-1857)
«Sei muito bem que neste mundo há calamidades que eu não poderei evitar; lamento as que não conheço, mas se sei de alguma devo tentar minorá-la. Por mais que faça, é-me impossível ficar indiferente perante a dor.»
Visconde de Meneses, «RETRATO DA vISCONDESSA DE MENESES» (1862)
ortografia
Segue-se a norma adoptada em Angola e Moçambique, que é a da ortografia decente.
John Ruskin (1819-1900)
«Os edifícios antigos não nos pertencem. Em parte são propriedade daqueles que os construíram; em parte das gerações que estão por vir. Os mortos ainda têm direitos sobre eles: aquilo por que se empenharam não cabe a nós tomar.»
Alfredo Keil, «O ATERRO EM 1881»
Friedrich Nietzsche (1844-1900)
«É o meu nojo, e não o meu ódio, que me devora a grandes dentadas a vida!»
Columbano Bordalo Pinheiro, «RETRATO DE ANTERO DE QUENTAL» (1889)
M. Teixeira-Gomes (1860-1941)
«Do passado, só me interessa, em arte e literatura, a obra que conservou beleza actual. Assim, esse nome estupendo: "Cartago", no sítio próprio, pouco me diz, além da paisagem onde o lugar persiste. Na solidão do meu gabinete de trabalho, ou nas salas de uma biblioteca, ele parece ganhar em ressonância, e sacudir a poeira dos inúmeros cartapácios que lhe registram a crónica; das suas ruínas pulverizadas, nenhuma "substância" espiritual me assiste.»
Aurélia de Sousa, «Auto-Retratp» (1900)
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Coelho Neto (1864-1934)
«Nós caminhamos sobre túmulos. Como os antigos guerreiros para tomarem de assalto os muros das cidades iam subindo pela mortualha, fazendo de cada cadáver o degrau da escada, nós vencemos à custa do que foi ».
D. Carlos I, O SOBREIRO» (1905)
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Euclides da Cunha (1866-1909)
« Ouviu-os indiferente e contrafeito. Não sabia respondê-los. Tinha a frase emperrada e pobre. Além disso, tudo quanto saía do passo ordinário da vida não o comovia, desorientava-o, contrariava-o.»
Amadeu de Sousa-Cardoso, «COZINHA DA CASA DE MANHUFE» (1913)
«É sempre fácil baixar a cabeça diante da moda de cada época; o difícil é mantê-la sempre no lugar. É sempre fácil ser modernista, como é fácil ser um snob.»
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«Ele aguçou-lhe o olhar e deixou-o entrever as grandes palavras que enchem o peito humano, abriu-lhe a alma humana e a sua própria, fê-lo clarividente e mostrou-lhe o interior do mundo e por fim aquilo que está por trás de palavras e acções. Mas o que ele viu, foi isto: o cómico e a miséria, o cómico e a miséria.»