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sábado, setembro 08, 2018

de novo os Descobrimentos, e acabando com a questão

Durante as minhas férias, Luís Filipe Thomaz publicou um artigo sobre a questão dos Descobrimentos. Como escrevera que era a sua visão do problema a que me interessava, deixo aqui o registo. 

Historiador, e não um sócio-coiso em estudos pós-coloniais -- não devo errar se disser tratar-se do maior historiador português vivo daquele período. Aliás, basta comparar o seu texto com a indigência pateta do abaixo-assinado, ou lá o que é, para ver a desproporção da qualidade e a diferente natureza de entre historiografia e activismo.

Repito que não me pronuncio sobre a pertinência de um museu (mas digo já que não sou a favor, e estou, neste particular, mais próximo da posição de João Paulo Oliveira e Costa), mas apenas sobre o acerto da palavra Descobrimentos, que remeto para aqui, verificando, com agrado, que temos posições semelhantes quanto ao fundo da questão, ressalvando as óbvias distâncias do cabedal de cada um no que respeita à História da Expansão e Descobrimentos Portugueses.

Mais do que o atrevimento da ignorância, irrita-me o sectarismo ideológico e pior, a glossolalia impostora, a vassalagem aos bonzos e o espírito de manada. 

segunda-feira, julho 16, 2018

ainda os Descobrimentos: os historiadores, os activistas e os outros

Só historiadores dum tempo relativamente longo e complexo, que compreende os séculos XIV, XV e XVI, estão habilitados a aspirar ver todo o quadro em que se processou a navegação e conquista dos portugueses, ou seja o que designamos por Descobrimentos e Expansão; são os que põem as mãos na massa dos arquivos, dos documentos, dos livros quem tem em cima da mesa as questões políticas, económicas, sociais, culturais, mentais, científicas, geopolíticas, e por aí fora. O resto é opinião.

Sobre a questão interessa-me saber o que pensa, por exemplo, Luís Filipe Thomaz (não sei se já se pronunciou sobre o assunto); já o que defende Fernando Rosas (que, aliás, fez um extraordinário programa sobre o colonialismo português, que elogiei aqui), é, para o caso, irrelevante.

Uma das tácticas dos activistas consiste em amalgamar os que se opõem ou manifestam reservas à eliminação da palavra Descobrimentos naquele período histórico como um conjunto de indivíduos que têm uma visão glorificadora da História. Daí à sugestão subliminar de nacionalismo ou protofascismo vai um passo. Ora bem, é preciso desmontar essa vigarice intelectual

A historiografia não se compadece com activismo, para o qual, o rigor é um detalhe. Por isso a embrulhada a que recorrem, uns propositadamente, outros por psitacismo, trazendo à liça o império colonial e outros anacronismos e distorções.

No fundo, trata-se de um debate desigual: por um lado, os que pensam a História; do outro, as palavras-de-ordem, a ideologia, as estruturas mentais semelhantes àqueles que procuram censurar ou reescrever os livros do Mark Twain, nos Estados Unidos, ou do Monteiro Lobato, no Brasil. Em suma, o politicamente correcto, designação que tanto os irrita.

(Acrescentando ao que já escrevi):