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segunda-feira, agosto 26, 2019

tira-se o chapéu a Macron (e a Putin)

por facilitar um diálogo de que ambos, Estados Unidos e Irão, precisam e querem. Que significado tem? Que o governo israelita e os falcões americanos estão em perda? Que o realismo venceu? É possível. O desencadear de uma guerra ali é perigosíssima, e uma das primeiras vítimas seria Israel, até porque não estou a ver muito bem (apesar da cumplicidade da Arábia Saudita com os americanos), como reagiriam a Turquia e, principalmente, a Rússia ao aniquilamento do Irão, com quem fazem fronteira.  

quarta-feira, julho 18, 2018

cacarejos sobre a cimeira Putin-Trump

No meio do cacarejar geral, ainda não li ou ouvi nada a respeito da declaração de Putin e Trump sobre a necessidade da defesa do estado de Israel. Declaração que se conjuga  com a questão da Palestina e, mais premente ainda, o problema do Irão. Putin poderá ser essencial para travar os ímpetos belicistas da administração americana e do seu instável presidente e do governo de Netanyahu, pois é no Médio Oriente que se joga a segurança mundial, muito mais do que nas Coreias. Enfim, coisas de somenos; o que interessa é o folclore do Trump e a nada inocente diabolização do Putin, mais do que suficiente para desviar as atenções do essencial.

sexta-feira, março 23, 2018

Putin e a iguana

Sobre Vladimir Putin pode dizer-se muitas coisas. Coisas que se sabem, coisas que julgamos saber, ou até que não sabemos, embora as vocalizemos e escrevamos, ou, ainda, coisas que outros querem que nós achemos que sabemos.

Podendo ter muitas e variadas opiniões sobre Putin, boa parte das quais, frise-se, sem outra sustentação que não a manipulação massiva, porém simplória, em que os americanos e satélites continuam a ser mais eficazes que os propagandistas do Kremlin: da Crimeia, ao avião abatido no céu da Ucrânia, passando pela guerra química supostamente levada a cabo na Síria, entre outra conversa fiada para impressionar os incautos -- (podendo ter muitas e variadas opiniões) uma coisa é certa: com excepção de alguma elite urbana e académica que não se conforma com a espécie de pai da pátria em que de há muito Putin se tornou, e que compreensivelmente ambiciona que a Rússia possa ser, digamos, uma Suécia em termos políticos, a maioria do eleitorado apoia-o -- 77 dos 63 % que foram às urnas, mais irregularidade, menos irregularidade.

Inibo-me de opinar sobre Putin, creio que precisaria de ser russo -- lá e agora -- para expender algo que na boca dum português não tenha a imediata ressonância da patetice, ou pior.  Por outro lado, nos grandes países europeus, só encontramos respeitabilidade num interlocutor, a chancelerina alemã Merkel (em política internacional, as palavras de Macron pouco mais são do que vagidos, pese a force de frappe, e Donald Tusk é, no fundo, um porta-voz -- embora respeitável) ). Senão vejamos: Sarkozy, Hollande, Cameron, e a inqualificável dupla May+Boris Johnson, a iguana e o palhaço: é difícil descer-se mais baixo e conter o asco.

Esse mesmo asco que provoca a parelha May-Johnson -- dois rostos do desastre do Brexit, e das mentirolas soezes que lhe foram acopladas --, quando, atirando-se convenientemente à Rússia a pretexto do envenenamento dum espião (é sempre bom desviar as atenções quando a frente interna está a aproximar-se de um atoleiro), o torpe Johnson se permite fazer comparações com a Alemanha nazi (um insulto para qualquer russo), enquanto a desavergonhada May invoca os aliados, com base na partilha dos mesmos valores. Ora, os únicos valores que estes mamíferos reconhecem são os dos mercados e o da hasta pública da sua própria insignificância.


terça-feira, novembro 07, 2017

uma terra sem amos nem apparatchiks

Já não sei quantas vezes aqui escrevi que a melhor vacina que tive para a prevenção do bolchevismo e o comunismo soviético (há outros comunismos) foi a leitura, ainda muito jovem, do Soljenitsin. O Marc Ferro também ajudou, alguns anos depois; e a visão, ainda fresca, da Primavera de Praga -- os tanques do Pacto de Varsóvia contra o povo nas ruas de Praga (o Dubcek é outro dos meus heróis, também já o escrevi, mais de uma vez).
Acontecimento magno da história do século XX, quem o duvida? Revolução mais do que justificada numa autocracia? Igualmente (a execução vil de toda a família imperial não faz esquecer os crimes de Nicolau II e do seu círculo). Que sem ela, as condições de vida dos trabalhadores ocidentais teria sido outra? Parece mais do que evidente. Nunca saberemos que caminho seguiria a Rússia sem a Revolução de Outubro, com Nicolau II ou com Kerensky. Sabemos que Lénin e Trótski tomaram e consolidaram o poder que a Rússia Branca não estava disposta a permitir, tendo, em simultâneo desbaratado os anarquistas de Nestor Makno e outros, nada dispostos a deixarem-se manietar pelos comunistas autoritários, numa velha contenda que vinha do século anterior. E sabemos, também, que a União Soviética, criada em 1922, é uma configuração de Stálin após a eliminação interna dos inimigos, reais ou supostos. É Stálin que torna a Rússia uma superpotência e é com a sua morte, em 1953, que se inicia o declínio. Krushtchev é uma válvula de escape; Brejnev, a sedimentação do estado totalitário e um novo desenvolvimento do imperialismo soviético em taco-a-taco com o americano: Vietname, Iémen do Sul, Angola, Afeganistão, cada um usando(-se) (d)os seus peões. Depois da grotesca parada de senectude ao mais alto nível (Andropov, Tchernenko), Gorbachev foi o homem certo na altura (im)própria. A circunstância de a queda da União Soviética, desmoronando-se de podre, ter ocorrido praticamente sem baixas, é um milagre bem palpável que a Humanidade deve a Gorbachev. Ieltsin (um bebedolas, provavelmente comprado pelos americanos), e Putin, um político frio e superiormente inteligente (muito mais do que gostaria o imperialismo americano -- imperialismo de rapina, como é condição de todos os imperialismos) -- (Ieltisn e Putin) são já protagonistas de outra realidade, que nem por isso deixa de ser herdeira da finada URSS, tal como esta, quando necessário, foi buscar o substrato à alma da Mãe Rússia.       

quarta-feira, junho 21, 2017

JornaL

1. Como pode a política externa portuguesa estar à mercê dum qualquer juiz, que nem deve saber com que países Angola faz fronteira? Se houvesse noção do que andam a fazer, julgava-se o tal Orlando alegadamente corrupto e, sendo condenado, o estado português teria de fazer as suas diligências por via diplomática, aliás com outra segurança e um ganho de causa que, assim, nunca poderá ter. Ou seja: isto não vai servir para nada -- ou, melhor, servirá a quem está apostado em criar problemas com Angola, para gáudio dos idiotas-úteis do costume:   Vice-presidente de Angola e procurador Orlando Figueira vão a julgamento (Sic Notícias)

2. A "esquerda" borracha, ou caudilhismo do Terceiro Mundo: Procuradora-geral da Venezuela diz que vai "até onde a lei permitir" (Destak)

3. A proverbial estupidez da política externa americana, sempre acompanhada do vezo pirata, dá nisto: Austrália suspende missões na Síria após ameaça russa aos aviões da aliança (Observador)

4. Acho imensa piada ao Putin, principalmente quando manda os americanos baixar a bola: Caças russos interceptam aviões dos EUA no mar Báltico (Jornal do Brasil)

5. Civilização: Bicicletas partilhadas avançam em Lisboa (Jornal de Notícias)

domingo, abril 09, 2017

as linhas vermelhas de Obama, a falta de linha de Trump, do sr. Bernardo Pires de Lima e do sr. José Cutileiro

Estou convencido de que a inacção de Barack Obama relativamente ao ataque químico ocorrido na Síria há uns anos se deveu às fundadas dúvidas sobre a autoria dessas acções, como qualquer pessoa intelectualmente decente e honesta, que não esteja directa ou indirectamente no teatro de guerra. E o mesmo se passa agora, como diz Tulsi Gabbard, mulher aliás admirável
Trump, que não é decente nem honesto e, intelectualmente, é duvidoso que seja alguma coisa, ensaiou a fita dos últimos dia na Síria. Está no papel dele, assim como Putin no seu. 
Nada disto é estranho; pelo contrário, é velho e revelho, e perigoso na medida em que pode haver sempre algo que corra mal nesta aparente encenação bélica.

Agora, insuportável, insuportável é ler e ouvir alguns especialistas, como me tem sucedido (ainda há pouco na rádio) a darem os ataques químicos como realizados pelo lado de Assad, quando não têm nenhuma prova, nem sequer a evidência, de que tenha sido assim. 
É o caso de Bernardo Pires de Lima, uma Hillary Clinton de trazer (cá) por casa, ou do aposentado embaixador José Cutileiro, com uma posição anti-russa que parece patológica. 
Todos podemos ter as nossas opiniões, preocupações, simpatias e antipatias -- o que não é admissível é que comentadores apresentados com o selo de garantia académica, como Lima, não passem de câmara de eco do bruaá mediático-propagandístico. 

No programa «Visão Global», da Antena 1, diz este senhor qualquer coisa como: 'O ataque químico perpetrado pelo presidente Assad'..., etc.; assim como o de há cerca de três anos, que originou as tais linhas vermelhas de Obama. Como raio sabe ele? Pois não sabe!, porque os únicos a sabê-lo são os beligerantes. Lima tem a obrigação de saber que nestes conflitos as partes chegam a provocar ataques no seu lado, para comprometer o inimigo. É maquiavélico, mas é vulgar. Se não sabe, é incompetente para ser comentador na rádio pública; como não acredito que o não saiba, é pior.

segunda-feira, fevereiro 06, 2017

a trolha na Ucrânia, a lata do Boris Johnson e a resposta que só Trump poderia dar a um jornalista pacóvio

O Boris Johnson, um beto para o qual se necessita de paciência extrema, vem à reunião da UE perorar sobre a Rússia, liderada pelo killer do Putin, e os líderes europeus fazem as habituais figuras de estúpidos. Líderes europeus que contam, note-se; porque os que até agora quase não contam, como António Costa, podem ter as posições sensatas e inteligentes que quiserem, porque lhes é igual ao litro. Merkel faz que não houve, Hollande, sempre imbecil, sente-se amparado na sua imbecilidade, Mogherini cacareja parvoíces -- e todos fazem boa cara à impertinência dos ingleses, em vez de os mandarem calar, por ausência total de legitimidade para exigir, dar, sequer aconselhar o que quer que seja na UE.
Não, isto está lindo. Não acompanho apenas a ralé de boa parte dos prostitutos & avençados do jornalismo económico, parvos por concordarem com o Xi Jinping na defesa dos mercados. Não, pá. O Trump, apesar dos balbucios, também diz coisas certas. Vejam como ele entalou o pacóvio da Fox News, que, ao falar de Putin, acrescentou: «É um assassino. Ele é um assassino!» E só o Trump, no gozo de toda a impunidade que lhe dá 1) o Poder, 2) o dinheiro próprio, 3) o apoio das massas, poderia ter respondido: «Então e nós? Somos ou não somos uns grandes filhos da puta?!»
Brilhante.

quinta-feira, janeiro 19, 2017

Barack Obama

Quando Obama ganhou as primeiras eleições, escrevi isto. No fim do segundo mandato, escreveria praticamente o mesmo. Na política interna, tanto quanto me é dado ver, foi um extraordinário presidente, pois recebeu o país nas lonas, conseguindo recuperar a economia e o emprego. O que seria se o recebesse numa situação de normalidade... No entanto, os problemas 'raciais' (não há raças humanas...) agravaram-se e o mal-estar de que os analistas têm falado deixa este amargor na véspera de deixar o cargo.
Nunca fui muito optimista, mas estava longe de imaginar que o mundo estaria como está hoje, em grande parte por responsabilidade dos antecessores de Obama, uma vez que não se pode recriminar o presidente cessante por ter querido retirar as tropas americanas do lodaçal iraquiano, crime da administração anterior, contra a qual esteve. Se o acordo com o Irão ou o restabelecimento das relações diplomáticas com Cuba, para além da execução do bin Laden, são feitos assinaláveis, não escondo que me desapontou a sua moleza diante do governo radical israelita, no que respeita à política de colonatos; e a forma pouco hábil com que lidou com a Rússia, saindo, aliás, a perder em toda a linha no confronto que alimentou -- ou deixou alimentar -- com Putin, sem benefício para o Ocidente, mas certamente regalando alguns falcões e a indústria de armamento.

quarta-feira, janeiro 11, 2017

chuva dourada

Esta perversão sexual que os serviços secreto russos terão arranjado ao Trump, segundo os seviços secretos americanos, não pagava para vê-la. Não por ser puritano, oh, não! Como diz o fado, perversões quem as não tem?; nem por a chuva dourada não fazer parte do rol das que me entusiasmam francamente, mas simplesmente porque me cheira -- aliás toda esta historieta dos hackers russos, pobres EUA, nas mãos de Putin... -- (cheira-me) que deve ter uma base semelhante à das armas de destruição maciça, que o Saddam tinha, como todos vimos.

quinta-feira, novembro 17, 2016

Putin e o TPI

Há coisas demasiado sérias para que se possa aceitar a sua falsificação abastardamento. Uma delas é o Tribunal Penal Internacional. O TPI nasceu mais do que torto: não só não está dependente da ONU, como se distinguiu por uma parcialidade durante a guerra da Iugoslávia que o desacreditou desde o início.
A não-tutela das Nações Unidas até pode compreender-se, dados os impasses que institucionais; porém, o risco de utilização do TPI pelas agendas das grandes potências, resulta ainda pior. 
Na Guerra da Iugoslávia, os sérvios foram, com efeito, os bodes expiatórios do TPI, num conflito que não teve inocentes políticos e militares..
Quando Putin decreta o afastamento da Rússia do TPI, após uma referência deste à situação da Crimeia como "ocupação", mais não faz do que pretextar e sublinhar a situação insustentável em que o tribunal se colocou: uma instituição que não é para ser levada a sério, como já se sabia, acabando, no fundo, por ser contraproducente em relação aos seus fins: julgar criminosos de guerra, procurando, também, ser dissuasor.
Ora, se há um caso em que os russos têm muitíssima razão, esse é o da Crimeia, histórica e politicamente.
Têm razão, do ponto de vista histórico, porque, na década de 1950, Krushtchev o autocrata do momento, resolveu (dizem que após uma noite de bebedeira), retirar a Crimeia da República Soviética da Rússia e integrá-la na República Sovética da Ucrânia. Com o feliz colapso da URSS, os russos, demasiado enfraquecidos para fazerem valer as suas pretensões, limitaram-se a garantir a soberania sobre o porto estratégico de Sebastopol. Com a degradação política da Ucrânia, a Rússia limitou-se a tomar posse de um seu território secular.
Mas não ficamos por aqui: a população da Crimeia, maioritariamente russa, votou pela sua reintegração na pátria. Quem pode censurá-los -- aos cidadãos e ao poder russo? Os cínicos, claro. Acontece que a Rússia é demasiado poderosa para sujeitar-se ao cararejar dos hollandes e das mays e, neste caso em particular, fez o que devia, desprezando uma instituição mal-afamada, para desgraça das vítimas dos crimes de guerra.  

Nota: a selectividade das notícias e das indignações também não deixa de ser interessante: fala-se na Ucrânia e na Geórgia (peões potenciais dos Estados Unidos), mas nada quanto à Tchetchénia, pese embora a especificidade de cada um dos territórios. É um bocado como as notícias que vêm da Síria e do Iraque. Em Alepo morrem sempre crianças; em Mossul, só se abatem os maus do Daesh. Lá está: estorinhas pera entreter meninos. Foi preciso ver as reportagens do Paulo Dentinho, para perceber que metade de Alepo se mantém praticamente intacta: até aqui, só nos chegavam as imagens da zona oriental, captadas por drones ou pela Al-Nusra, com os seus 'capacetes brancos' (parece que queriam atribuir-lhes o Nobel da Paz...) -- segundo ouvi bacorejar numa televisão qualquer.

segunda-feira, novembro 14, 2016

que União?


O texto de Jorge Sampaio sobre a UE, publicado no Público de hoje é um grito lancinante sobre o estado moribundo daquela. Pese todo o voluntarismo optimista de puro bom senso que demonstra, a crua realidade duma União virada para os particularismos nacionais, que, receio bem, provocará a sua destruição Daí a "impotência decisória" de que fala Sampaio:


Se já era difícil a União Europeia ter uma política externa comum, no tempo em que tudo parecia um conto de fadas, hoje é impossível que tal aconteça, em face das divisões internas, e da assunção já clara dos interesses de cada país, tantas vezes não coincidentes e contraditórios.


Aa palavras não podiam ser mais sábias, porém, quando se humilhou desnecessariamente a Grécia e, em certa medida, também Portugal; quando se depara com a existência no seio da UE, de grupos como o de Visegrad, albergando governos incivilizados, como os da Hungria ou da Polónia, sem que sejam chamados à pedra, como é possível sequer falar de uma "identidade partilhada", quanto mais tentar  o seu fortalecimento? Que afinidades entre governos como o português, o grego ou o italiano e os congéneres racistas, xenófobos, quando não pró-fascistoides das hungrias e das polónias? -- só para falarmos nos casos extremos, e deixando de fora, por enquanto, finlândias e holandas...


O que se passa com a Rússia é demasiado mau para ser verdade, arrastando-nos para uma lógica confrontacional que nada tem que ver com os interesses europeus, e muito menos portugueses. Até porque a lógica do confronto, se pretende meter medo à Rússia só a vai acicatar, isolando-a dos parceiros ocidentais, com quem tem as maiores afinidades civilizacionais. Crer, como aparentemente sucedia com Clinton, que fazer peito a Putin seria aceitável do ponto de vista estratégico, é duma temeridade sem nome, para além de ter uma eficácia perto de zero. Os russos já fizeram questão de lembrar, ainda durante a campanha presidencial americana, que não recebem ordens do Estados Unidos -- aliás, uma boa indirecta para alguns governos europeus; e, por outro lado, quase dá vontade de rir, quando em face do desafio de alguns governos ocidentais, a Rússia se reúne em cimeira com a China e a Índia (o Brasil e a África do Sul, potências regionais, são dois penduricalhos para enfeitar). Espero que o negregado Trump entre rapidamente em distensão com Putin (e, já agora, que rasgue, mesmo que pelos maus motivos, o clandestino Tratado de Comércio Transatlântico, que os Estados Unidos andaram a preparar com os burocratas e homúnculos políticos europeus, nas costas dos cidadãos.

O texto do antigo PR, não é, de modo nenhum optimista. É um alerta importante, que corre o risco de chegar demasiado tarde (embora nunca seja tarde para o bom senso) -- a não ser que em postos-chave como a Alemanha, a França, a Itália (a Inglaterra já disse adeus, não é?...) e vários países de pequena ou média dimensão, como Portugal, repensem e reajam, como defende Sampaio, que, no entanto, acaba, a meu ver, por entrar em contradição, quando sustenta que, as "alteraç[ões] dos equilíbrios geopolítico-estratégicos exigir[ão] reflexão aprofundada do nosso lado, realinhamentos e reposicionamentos diplomáticos e de política externa que convém prepararmos atempadamente."

Sendo assim, que União?...

sexta-feira, outubro 21, 2016

Rússia, Síria, Iraque, Ucrânia, UE, Estados Unidos, Estado Islâmico: histórias da carochinha com gente dentro.

Donald Tusk -- um dirigente polaco aceitável, o que não é comum -- diz que A estratégia da Rússia é enfraquecer a UE. Como Tusk não é propriamente um político mentecapto -- embora eles andem aí -- esta declaração de absoluta fraqueza é mais um dos muitos exemplos de como a UE não precisa do contributo de nenhum inimigo externo para se enfraquecer.
Para começar, a UE está moribunda. A política agressiva da Alemanha debilitou-a drasticamente; e o Brexit foi o seu golpe de misericórdia. A partir de agora, ninguém acredita na União Europeia, infelizmente. O seu comportamento miserável em relação à Grécia, a tentativa de tutela sobre Portugal, a estranha tolerância em face do Grupo de Visegrad -- coio de países com governos fascizantes e malsãos --, torna evidente que a União Europeia escusa de procurar as culpas em Putin. A não ser que seja mais um frete à sempre inteligente política externa dos Estados Unidos, a que a Europa -- por vezes justificadamente, em especial no tempo da Guerra Fria -- nunca deixou de se prestar.
Vejamos: a Rússia é um país imperial; os Estados Unidos, idem; a Alemanha pretende voltar a sê-lo, acobertada convenientemente pelos outros países da União Europeia. Papel a que a Inglaterra não se quis prestar -- e bem, infelizmente para nós, países periféricos --; e  que a França pensa que pode driblar, com a manha do manhoso Hollande. É claro que não vai driblar nada, e que mais cedo ou mais tarde, irá bater com a porta: ou porque Hollande achará insustentável para a sua posição política; ou porque Le Pen tratará de fazer os estragos necessários. É uma questão de tempo, e vai acabar mal.
No meio disto tudo, uma propaganda agressiva contra a Rússia (Síria, Ucrânia) manejada pelos americanos e tendo como alvo as massas ignaras do facebook -- propaganda que faz muito lembrar a usada na fragmentação da Iugoslávia, fortemente induzida pelas Alemanha, Áustria e Vaticano.
A pressão sobre a Rússia não tem nada que ver com direitos humanos nem com as crianças de Alepo, para os quais as potências (ao contrários da sua opinião-pública) se estão nas tintas, mas sim -- como é óbvio e qualquer pessoas com um mínimo de conhecimento de geopolítica sabe, com os equilíbrios e áreas de influência.
O hagiógrafo de Salazar, Franco Nogueira, glosando ao invés o seu orago, dizia, e bem, que "em política internacional, o que parece não é". Portanto, bem podem acenar com as vítimas de Alepo, e com os misteriosos capacetes brancos e com todas as tragédias (veremos como será agora em Mossul), que a Rússia não vai largar os seus pontos estratégicos no Médio Oriente, incluindo a única base naval que tem no Mediterrâneo.
O resto, são histórias da carochinha, povoadas por punhados de bandidos e milhares de inocentes de carne e osso, que sofrem os embates da História -- como milhões de seres humanos antes deles.

Em tempo - por entre as cortinas de fumo, é impecável a posição do governo português, expressa por António Costa.

terça-feira, abril 14, 2015

o nosso filho-da-puta

Leio no DN, e sinto um sorriso irónico nos lábios: Islam Karimov, o ditador do Uzbequistão foi eleito pela quarta vez (a constituição local só permite uma reeleição), com 90,39% dos votos (adoro o vírgula trinta e nove...).  
O sorriso não se deve, porém, a este milagre em que ditaduras têm constituições que não cumprem -- por cá também houve disso.  A ironia é o congraçar nas felicitações logrado por Karimov, em que Putin e Obama competem na exultação. O russo é hiperbólico, o americano, optimista, claro, chegando a falar da "nossa relação robusta e sempre em evolução". Muito se deve rir Karimov, no poder desde 1989, secretário geral do PC usbeque, ainda na velha URSS, com estes salamaleques diplomáticos.
Os ideais são belos, mas a política externa dos países rege-se pela defesa dos seus interesses permanentes. É triste? É, mas o mundo não é uma grande Costa Rica, o único estado, que eu saiba, sem forças armadas -- e agora, também, sem proselitismos pseudo-religiosos.
Como dizia, e bem, Franco Nogueira, invertendo a máxima do seu mentor Salazar, «Em política internacional, tudo o que parece não é...»
Creio que era a propósito do inqualificável Mobutu (ou seria Pinochet?, ou Saddam Hussein?...), homem de mão de um dos lados da Guerra Fria -- creio que era a propósito dele que os americanos diziam: "É um filho-da-puta, mas é o nosso filho-da-puta).
O Uzbequistão, estado da Ásia Central com 30 milhões de habitantes, tem uma importante situação geopolítica (faz fronteira com o Afeganistão; está a um quarto de hora de F16, por exemplo, do Paquistão. 
Diante do fracasso do Ocidente, em particular dos EUA, após a eliminação ou neutralização de filhos-da-puta que eram, haviam sido ou passaram a ser os nosso filhos-da-puta (Saddam, Kahdaffi, Assad), e com os lindos resultados que se vêem (o Estado Islâmico com o o cortejo horrendo de crimes contra a Humanidade -- mulheres, crianças, não-beligerantes, património histórico milenar), toca a cumular o bom do Karimov de adulações. É velho como a História.   

quinta-feira, outubro 30, 2014

acho um piadão ao Putin

Ao mesmo tempo que faz um acordo com a Ucrânia sobre o abastecimento de gás (vamos lá a ver por quanto tempo), manda uns bombardeiros estratégicos passear por estes lados para lembrar à Nato que a questão é para ser resolvida nos termos que ele quiser ou aceitar. Coisa que o Obama sabe, mas que a boa parte dos homúnculos políticos da Europa, que se armaram em salientes na questão ucraniana, parece que se esqueceram.

quarta-feira, setembro 17, 2014

é dizer ao Sr. Putin que me agarrem ou vou-me a ele, ok?


Isto, quem o escreve, é o embaixador José Cutileiro -- homem culto, porém largamente obtuso --, a propósito de Putin.  A estes transportes belicistas, a esta diplomacia galharda e pundonorosa, a este entendimento macho das relações internacionais, prefiro a não menos culta, porém sagaz, opinião de Jaime Nogueira Pinto, que percebe o que está em causa.

sábado, junho 21, 2014

outros tempos

Tema directo e inspirado a abrir um dos mais fantásticos discos dos Beatles, o so called duplo White Album, que tem tudo: do rock'n'roll ao experimentalismo. O grande McCartney, que compôs, canta, toca guitarra, o piano e uma parte da bateria... brinca  na Guerra Fria (estamos em 1968) e pisca os olhos à música americana (Chuck Berry, The Beach Boys, Hoagy Carmichael, está tudo aqui), enquanto clama pelas miúdas russas e ucranianas (outros tempos...). 
Em baixo, Macca em Moscovo, já neste século, Putin a assistir.





domingo, outubro 08, 2006

State of democracy

Na Rússia liderada por um agente do KGB, uma jornalista altamente incómoda aparece morta nas vésperas de publicar uma reportagem sobre a tortura na Tchetchénia; nos Estados Unidos presididos por um incapaz rodeado por um punhado de bandidos, Bob Woodward publica State of Denial, um livro com perspectivas sombrias para o desenrolar da guerra no Iraque e que causará grandes dores de cabeça à camarilha presidencial. Apesar de tudo, Woodward não terá a mesma sorte da sua infeliz e corajosa colega russa.