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quarta-feira, outubro 31, 2018

vozes da biblioteca


«O poeta aceita a sua morte como o Estio aceita a chegada do Outono ou o dia aceita a chegada da noite.» Guilherme de Castilho, «Alberto Caeiro -- Ensaio de compreensão poética», (1936), Presença do Espírito (1989)

«Persuado-me também que à posteridade pouco se dará que eu tenha nascido em Vila de Frades, no largo da Misericórdia, numa casinha de taipa construída por pedreiros da minha gente, e que haja sido meu pai, mestre-escola da terra, e tipo de santo austero numa alma de sonhador sempre calado, que protegesse e dirigisse os rudimentos da minha educação.» Fialho de Almeida, «Eu», A Esquina (1903)

«Sílvia entra do fundo com um braçado de flores. Começa a dispô-las nas jarras, cantarolando baixinho» João Pedro de AndradeO Diabo e o Frade (1963)

quinta-feira, outubro 04, 2018

os amores inúteis #26


Os dois volumes da correspondência do Eça de Queirós, editados pelo Guilherme de Castilho na Imprensa Nacional e lidos nos velhos estofos da Linha do Estoril.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Correspondências #25 - António Nobre a Xavier de Carvalho

Leça, 19 de Outubro de 1886

Xavier:
Já te mandei (vá «tu», pois assim o queres, o bilhete-postal «urgente» que me pediste. É Ellen, sabes?
Perguntas-me se tenho lido a Ilustração? Não. Um irmão meu que assinava já não vive em nossa casa, portanto não a leio. Às vezes, na Província, deparava com um ou outro número. Se não me engano, foi lá que li as «Américas» versos teus de que gostei muito. Agora é tarde. Não poderás enviar-me os números em que eu colaborei? Vê lá.
Muito em breve remeter-te-ei originais à farta, para deles fazeres o uso que quiseres... Quando sair a tua «Révue» manda-ma.
Falas-me em um curso excelente que há em Paris. Ah, quem me dera! Mas tu, -- bem no sabes, -- vivo ainda sob a asa paternal... Embora o desejasse, era impossível.
Meu pai destina-me, e, portanto, forçado sou a frequentar a «Universidade», o antro da estupidez «local»!
Quem me dera, querido Poeta, desdobrar as pequeninas asas de «rouxinol» e, atravessando espaços, ir poisar no dorso altivo duma águia-monstro -- a França.
Tu é que tiveste juízo... a tempo. Vais-te relacionar com essa gente e correspondes-te com ela. Pelo que vejo, os homens daí, são bem mais «humanos» que os de cá. Não têm orgulho. Protegem os novos. Em Portugal, afora um ou outro, os escritores medem-se, não pelos seus escritos, mas pela vaidade. Há um amigo dos rapazes: é o Junqueiro. Este sim. É a Bondade inteligente. Tem um segundo cérebro dentro do coração e um segundo coração dentro do cérebro!
Adeus, abraça-te o teu
António Nobre
Correspondência
(edição de Guilherme de Castilho)

sábado, agosto 06, 2005

Correspondências #8 - Jorge de Sena a Guilherme de Castilho

Penafiel, 15/8/42

Meu caro Castilho

Antes de mais nada, quero agradecer-lhe o gosto que tive, no domingo, em estar consigo e com os seus. Tenho pena que a minha saúde não me permitisse, então, estar tão disposto como queria e devia. Mas paciência, outra vez estarei melhor e saberei corresponder melhor às atenções que tiveram para comigo. Creia que, mais do que tudo, agradeço e não esqueço a confiança e a amizade.
Acabei de ler o Dostoievski. É realmente um livro admirável e, nele, talvez mais claro se vê o funcionameno do Gide. Não esquecerei certas aproximações que ele faz, nem conclusões que tira, embora seja demasiado hábil ao evitar concluir.
É este excesso de habilidade que permite ao Gide contradizer-se com coerência (ainda que não pareça) e, por outro lado, faz com que certas obras dele se desenvolvam paralelamente a si próprias.
Num respeito feito de distância constante e de intangibilidade procura ele, porém, pôr os problemas em contacto. O curioso está em os pôr em contacto uns com os outros apenas. Daí a diferença que há entre o criador perfeito e o mestre de consciências, digamos assim; a diferença entre um Flaubert e um Roman Rolland, por exemplo. De resto, por paradoxal que se julgue, Gide é muito mais mestre que este último, dado que o R. Rolland oscila entre ambos os pólos e não por escrúpulo mas por preocupação de nitidez. E pode perfeitamente ser-se ambas as maneiras de ser: é o caso de Thomas Mann quando não escreve os Buddenbrooks (não me lembro se V. conhece este livro).
Desculpe estas considerações que, há muito, eu andava «chocando» e vieram a lume agora e pelo que se vê.
Escreva. Dê notícias. Não sei se irei ao Porto na semana que vem; talvez não.
Cumprimentos aos seus. E um grande abraço do seu sempre muito amigo
Jorge de Sena
P. S. -- Fui reler esta carta e, subitamente, vi que faltava pensar cá fora uma coisa: a razão de ter posto Flaubert. É que não fiz distinção entre o corpo de ideias expressa e o corpo de ideias em que se apoia a expressão.
Mais uma vez um grande abraço do Jorge.
Até breve
Correspondência
(edição de Mécia de Sena)

sexta-feira, março 25, 2005

Escritório

e pareceu-me que não devia deixar para trás os sons e as imagens que me vão acompanhando
registá-los é pagar o tributo que a mim próprio devo pelas escolhas que fiz
oh, nada de excessivamente intenso, e muito menos de exclusivo, vereis,
mas a minha vida seria outra se nunca ouvisse o tempo infindo que vai do ataque orquestral à entrada do piano no primeiro concerto de Brahms, Barbirolli e Barenboim, no caso,
ou o coral sintetizado de Tony Banks em Selling England by the Pound,
e toda diferente, não fora a leitura dos dois volumes da edição Castilho da Correspondência do Eça, entre o Estoril e o Cais do Sodré, ainda sem metro, e do Tintim (com m) no País do Ouro Negro, em velha tiragem da Flamboyant
este o registo, entre um soneto de Antero e um solo de Jimmy Page
o mais será escrever na areia

Ricardo António Alves