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quinta-feira, abril 20, 2017

Passas pássaro inflamado / duma luz tão tropical porém / que assusta as rochas da terra onde nasceste
José Carlos González

quarta-feira, fevereiro 08, 2017

microleituras

Poesia elegante e culta, de uma altivez que não se confunde com soberba, antes bordão para as encruzilhadas e passos em falso da existência, sempre condenada ao fracasso  do fim.









um poema

DA DENSIDADE E DA TRANSPARÊNCIA

Vai-se formando de tudo a densidade
mãos que apertamos olhos fulvos
que algum dia se entornaram verdes
e de tão verdes anémonas sem fundo.

E de tudo também a transparência
em breves segundos se insinua
como aqueles corpos que fugindo
o nosso olhar e desejo desabitam.

Em desafio ao sol a todas as estrelas
numa ronda de encontro e despedida
vai a roda da vida nos passando.

Por mais vigilantes e atentos ao acaso
algo de nós foge com a única promessa
de a luz que vemos não acabar nunca.

José Carlos González,  Biofonia seguido de Astrolábios  e A Mão Imediata, 2000 (?)

terça-feira, setembro 19, 2006

Fúnebres coisas nos lembram o que fomos.
José Carlos González

domingo, abril 23, 2006

Correspondências #42 - Raul Proença a Fidelino de Figueiredo

Vamos enviar para os jornais portugueses a resposta às suas miseráveis calúnias. Se a publicarem, intimamo-lo a que nos responda! Se a não publicarem, devo adverti-lo de que não há maior ilusão do que pensar que sempre se negará em Portugal aos acusados o direito de defesa. Um dia há-de chegar em que a minha pena possa infligir-lhe nos principais jornais do país o castigo que merece. Serei implacável. Terá o direito de se defender por sua vez. Isso não impedirá que fique desfeito em lama.
O sr. (tão insignificante, mas ao mesmo tempo tão inconsciente) não faz a menor ideia das responsabilidades trágicas que acaba de assumir. Não é só pela calúnia que terá a responder. Será também pela destruição sistemática da nossa obra, já iniciada pela liquidação da tipografia. O seu ódio pessoal levou-o a tratar como inimigo a Biblioteca. Pagá-lo-á! Um dia saberá como a minha pena e as minhas mãos são duras quando têm a zurzir miseráveis da sua laia.
6 Março 1927
Raul Proença
In Raul Proença, O Caso da Biblioteca
(edição de Daniel Pires e José Carlos González)
Posted by Picasa

terça-feira, março 07, 2006

Antologia Improvável #109 - José Carlos González

DIA DE FIÉIS DEFUNTOS

Hoje é dia de eu estar
ao lado de uma sombra sossegada
enquanto um vento brando me desbrava
os campos que nunca consegui lavrar.

Hoje, porquê? Por dia de pensar
nos passos de minha mãe altiva e nobre
com a sua bengala de andar
uma velhice tão triste como pobre?

Dia de São-Ninguém, dizem os fados,
dia de quase todos os finados
com tabuletas às portas dos jardins.

Dia de saber que isto é assim:
uns quantos loucos, uns desafinados
no concerto geral que diz que sim.

Odelegias