Mostrar mensagens com a etiqueta Saul Dias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Saul Dias. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, julho 20, 2018

«Quem tem janelas / que fique a espiar o mundo» Francisco Alvim, «Com ansiedade», in Heloisa Buarque de Hollanda, 26 Poetas Hoje (1975)

«Ela, a pequenina infância, andará aí sentada com / um velho nas nádegas e / o crucifixo saltando no pescoço, a negra mão do talismã / buscando o brinquedo na vitrina / já contemplado.» José Emílio-Nelson , O Anjo Relicário (1999).

«Um torpe e estafado gramofone / cansou os meus ouvidos que queriam / agudezas de vértice de cone / ou maciezas de novelo de lã.» Saul Dias, ...Mais e Mais... (1932)

quarta-feira, junho 27, 2018

«Um fio de mar, parece-me, inclinava a terra / num poço de luz silenciosa.» José Emílio-Nelson, O Anjo Relicário (1999)

«Vou cair e ficar no chão horas e horas / até que o frio da noite -- esse pássaro sonâmbulo -- / venha, com suas asas metálicas, acordar-me / ou roçar-me de morte...»  Saul Dias, ...Mais e Mais... (1932)

«Paixão puríssima ou devassa, / Triste ou feliz, pena ou prazer, / Amor -- chama, e, depois, fumaça...» Manuel Bandeira, A Cinza das Horas (1917) / Os Melhores Poemas de Manuel Bandeira (1984)

quarta-feira, março 01, 2006

Antologia Improvável #107 - Saul Dias (4)

AFECTO

Tanto afecto disperso pelo mundo!

Um cão que não nos deixa.

Uma madeixa
de cabelo emoldurada.

O olhar fundo
de uma criança pobre.

Versos de António Nobre
guardados numa estante.

E um Poeta, sem idade,
sentado num bar,
tentando fixar
em castigados versos
um fugidio instante
de felicidade.

Essência / Obra Poética
(edição de Luis Adriano Carlos)

quarta-feira, setembro 21, 2005

Antologia Improvável #54 - Saul Dias (3)

MENINO I

A folha de árvore
que rola.
A névoa fria
que se evola.

O veio de água
fino e verde.
A cantilena
que se perde.

O cão vadio
que nos olha
e nos entende...

A isto o menino,
sério, atende
ao ir p'ra escola.

Tanto / Obra Poética

(edição de Luis Adriano Carlos)

quarta-feira, agosto 10, 2005

Antologia Improvável #40 - Saul Dias (2)

A PALAVRA

Só conheço, talvez, uma palavra.

Só quero dizer uma palavra.

A vida inteira para dizer uma palavra!

Felizes os que chegam a dizer uma palavra!

Vislumbre / Obra Poética

Júlio / Saul Dias

Posted by Picasa Desenho de João Abel Manta

domingo, julho 03, 2005

Antologia Improvável #24 - Saul Dias

NESSE TEMPO

Nesse tempo
eu faltava às aulas.

A música do jazz
vibrava no café.

À noite,
o velho «High-Life»
era o tempo magnífico
onde Chaplin,
como o Deus da Sistina,
erguia o braço
condenando e perdoando...
(Desengonçado
o piano
acompanhava
com notas de Beethoven
«O Peregrino», «A quimera»...)

E numa tarde
em Paris
ajoelhei, em plena rua,
diante dum quadro de Pascin...

Nesse tempo
eu faltava às aulas.

Gérmen / Obra Poética

(edição de Luís Adriano Carlos)