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segunda-feira, novembro 12, 2018

e que tal o aeroporto de Beja + tgv?

Desde os governos de Marcelo Caetano que se fala na necessidade de um segundo aeroporto que sirva Lisboa. Mais um sinal de que este não é um país para ser levado a sério, e muito menos a miséria das suas elites dirigentes.
Depois dum risco sério de catástrofe, ontem, e de se perceber que nem Montijo (por questões de segurança e risco para as populações) nem Alcochete (pelo atentado ecológico à Reserva Natural do Tejo e pelo risco para a segurança dos voos que comporta uma tão grande concentração de aves) não constituem aparentemente alternativa, pergunto:
não seria mais viável aproveitar o aeroporto de Beja, já construído, com uma linha de comboio de alta velocidade? quanto tempo demoraria o percurso de 178 km entre Beja e Lisboa em tgv?; não ficaria mais barato do que construir um novo aeroporto?; não seria mais seguro para as populações?

quinta-feira, julho 26, 2018

o activismo da idiotia, ou a História pensada como 'talkshow'

Chamaram-me a atenção para uma entrevista de Nicholas Mirzoeff, um activista visual. Nem tudo o que o homem diz é estúpido, por certo. Faz-me, no entanto, lembrar a conversa  do Marcelo Caetano, creio, para um aluno que lhe apresentara uma tese, e em relação à qual o professor terá dito: "a sua tese tem coisas boas e originais; as que são originais não são boas e as que são boas não são originais."
Assim a conversa do activista, que, em relação ao que lhe será original, provoca mais do que um simples esgar de enjoo: a evidência da propagação, já não dos "conhecimentos úteis", como queriam as sociedades operárias do século XIX, mas do insidioso e mais do que larvar pensamento totalitário.   

quarta-feira, fevereiro 24, 2016

Para um Dicionário de Ferreira de Castro: B de Barros, João de

Poeta, pedagogo, político -- foi ministro dos Negócios Estrangeiros na I República -- João de Barros (Figueira da Foz, 1881 - Lisboa, 1960), é um dos últimos grandes vates pré-modernistas portugueses, autor de uma poética vitalista e inconformada, muito ao arrepio da tradição nacional, fatalista e lamentosa. Como escritor, importa referir também a importante obra cronística e ainda -- muito ligado à sua faceta de pedagogo -- a adaptação de clássicos, «contados às crianças e ao povo»,  como Os Lusíadas, entre outros. Era pai de Henrique de Barros, agrónomo e professor universitário que presidiu à Assembleia Constituinte (1975-1976) e sogro de Marcelo Caetano.
A estreita amizade com Ferreira de Castro -- foi padrinho da filha deste, Elsa -- remonta à década de 1920. Barros foi dos poucos autores em relação ao qual Castro transigiu, escrevendo um prefácio para a edição reunida de Anteu  e Sísifo (1959). Há pelo menos três poemas que lhe são dedicados.

(a desenvolver)

Bibliografia: além da activa de ambos, as 100 Cartas a Ferreira de Castro, o apêndice na Correspondência entre Ferreira de Castro e Roberto Nobre sobre a propositura ao prémio Nobel, em 1951.

(também aqui)

terça-feira, setembro 08, 2015

o péssimo & o excelente

O grande crítico e historiador brasileiro Wilson Martins, saiu-se certa vez (1979) com esta fórmula extraordinária, a propósito dos romances de Jorge Amado (então a caminho dos 50 anos de vida literária): o escritor teria romances bons e romances maus; os maus eram péssimos, e os bons, excelentes.

[Lembra-me aquele saída do Marcelo Caetano arguindo uma dissertação em Direito: "a sua tese tem coisas boas e coisas originais: as boas não são originais, e as originais não são boas"]

Voltando a Wilson e a Jorge: eu terei lido cerca de dois terços, ou mais, da obra dele; creio que não passei os olhos por nenhuma ficção da década de setenta em diante, porque não calhou. Não me lembro de ter lido nada péssimo, sequer mau, nem O País do Carnaval (1931), tinha o seu autor dezanove anos; mas acredito que possa haver coisas mesmo más em tão longo período. 
Ao contrário, do excelente na sua obra: Mar Morto (1936), Terras do Sem Fim (1943), Gabriela, Cravo e Canela (1958), Tenda dos Milagres (1969).

Quem dera, ó deus, quem dera...   

segunda-feira, novembro 24, 2014

José Sócrates (1)

A situação que o país vive hoje, com a prisão preventiva de José Sócrates, reveste-se de uma gravidade sem paralelo na história recente do país. Desta magnitude, só me ocorrem dois factos, aliás muito diferentes: a queda de Marcelo Caetano, com o cerco, a saída do Quartel do Carmo em chaimite, o desterro para a madeira e exílio no Brasil; e a morte de Sá Carneiro, em exercício de funções.

sábado, maio 27, 2006

Correspondências #46 - José Magalhães Godinho a Marcelo Caetano

Lisboa, 7 de Fevereiro de 1949
Exm.º Sr. Professor Dr. Marcelo Caetano:
Acuso recebida a carta de V. Ex.ª datada de 5, que só hoje li por ontem ter sido domingo e, enviada para o meu escritório, só hoje me chegou às mãos.
Não desejo travar polémica com V. Ex.ª, nem pretendo voltar mais ao assunto, mas a carta de V. Ex.ª sugere-me certas observações que, como sempre, lealmente faço.
1.º -- Uma personalidade da responsabilidade política de V. Ex.ª não deve contentar-se com «informações diversas» para fazer afirmações da natureza das que fez, relativamente à minha posição política, sabendo, mais a mais, que a censura não permitiria total rectificação, como neste caso se deu, por isso que, conforme carta que possuo do Exm.º Director do Diário Popular, trechos houve da carta que dirigi a V. Ex.ª que foram cortados pelo lápis azul.
2.º -- Ainda que concedendo como concedo, é de estranhar que não tenham passado pela cabeça de V. Ex.ª as possíveis consequências da sua afirmação, sabendo-se, como se sabe, a forma por que são perseguidas as pessoas suspeitas de simpatia com o Partido Comunista. Ora, V. Ex.ª, declarando que eu possivelmente advogava a fusão de um partido socialista com o Partido Comunista, devia prever que bem poderia fazer incidir sobre mim, senão neste período pelo menos findo ele, uma acção de natureza policial.
E, repare V. Ex.ª: se eu, sem ser comunista, ainda há menos de 2 anos experimentei bem amargos setenta e sete dias de isolamento na Penitenciária de Lisboa, fechado dia e noite numa cela, sem poder produzir qualquer trabalho, sem ter sequer a meia hora diária de ar livre -- que se não nega nem aos assassinos nem aos gatunos --, sem poder ter comigo um lápis ou uma caneta, e um bocado de papel, o que não me poderia estar guardado, agora, com esta inocente recomendação de V. Ex.ª?!
3.º -- Insisto: não sou comunista, não sou dirigente socialista, não encabeço qualquer corrente doutrinária; sou republicano, partidário de uma democracia actual e progressiva que, orientando-se no sentido do socialismo, faça, sem abalos escusados, as profundas reformas sociais e económicas que entendo o País necessita sejam feitas. Não me interessa a colaboração com o Partido Comunista; o que me interessa, como democrata, é que a todo e qualquer partido político seja reconhecido o seu direito de cidade. Não percebo, por isso, muito bem a referência que V. Ex.ª faz acerca da minha «simpatia pela colaboração com os comunistas». Suponho que já é mais do que tempo de todos os portugueses serem leais uns para os outros, e não me parece que esta forma, usada na sua resposta, esteja perfeitamente de acordo com essa lealdade. Estarei em erro? Só V. Ex.ª me poderá esclarecer.
De V. Ex.ª, com a devida consideração
Pela Liberdade

Marcelo Caetano

domingo, agosto 14, 2005

Antologia Improvável #42 - João de Barros (2)

A PRIMEIRA BISNETA

Para o futuro neto da Teresa e do Marcello.
Na noite de Natal de 1956.
Tal o menino Jesus
os meninos nascem nus...
Mas Aquele não tem frio,
vem lá do céu direitinho,
e no céu tudo é quentinho.
Os outros, quanto arrepio
no seu corpinho macio!
Então a Avó, com afã,
para evitar-lhe percalços,
por causa dos pés descalços,
corre a buscar sapatinhos
de boa lã
(boa lã da Covilhã)
que os pezinhos aconchega...
Nenhum inverno lhes chega!
-- Oferta de puro amor
que é sempre o melhor calor.
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