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sábado, outubro 13, 2018

«"Bem", disse Austin, "tinham vindo do Museu de Arte Moderna, onde viram os seus Matisse e os seus Miró, acabaram por encontrar-se no Louvre, diante de um quadro neutro, talvez a inevitável Gioconda, Molero diz que vastas multidões de peregrinos solitários se encontram, a dois, diante da tela da Gioconda, cedendo ao apelo publicitário do mais enigmático de todos os sorrisos, bem, conheceram-se no Louvre".» Dinis Machado, O que Diz Molero (1977)

«Ervas, rebentos, raízes, tudo sumido na voragem da sede e do calor.» Manuel Ferreira, Hora di Bai (1962)

«"Meu caro Dom Casmurro, não cuide que o dispenso do teatro amanhã; venha e dormirá aqui na cidade; dou-lhe camarote, dou-lhe chá, dou.lhe cama; só não lhe dou moça."» Machado de Assis, D. Casmuurro (1901)

sexta-feira, março 10, 2017

Fiquei com a ideia, porventura injusta, de que, segundo o STJ, 'para quem é, bacalhau basta'. Estarei a ser injusto, além de socrateiro? Oh!, corrijam-me, se estiver errado,por favor...

Sócrates foi viver para Paris, para estudar Ciência Política.
Certa imprensa, que eu não frequento por uma questão de asseio, relata uma real ou suposta vida de nababo do ex-PM.
A Justiça investiga, mas não se resguarda. Em vez de desempenhar o seu papel como deve ser, e tentar apanhar Sócrates com a boca na botija, não: vá de promover o atropelo à lei, vazando na dita imprensa toda a sorte de fugas de informação sujeita ao caricaturesco segredo de justiça. Isto é: não interessa se a Justiça cumpre a lei; o que interessa é engavetar o corrupto, e de caminho tornar alguns agentes da justiça estrelas da chamada do mundo mediático
.
O espectáculo que tribunais e Ministério Público têm dado ao longo destes anos, teve ontem mais um momento glorioso: "No acórdão, os juízes do Supremo justificam que existe um risco real do não reconhecimento público da imparcialidade de Rui Rangel." Isto, depois de ter sido negada a pretensão do afastamento do juiz Alexandre, após a desastrada entrevista à sic.
Sim, reconheço que seria praticamente impossível, e provavelmente indesejável, afastar Carlos Alexandre, atendendo às dimensões do caso. E também acho que os juízes em funções, seja Alexandre seja Rangel, deveriam estar autorizados a falar apenas do futebol e dos quadros do Miró. Uma vez que não é assim, o que me chateia é conversa canhestra do STJ.

Agora já não é o plebeísmo da Relação com o adágio das cabras; agora é o STJ a não se dar ao trabalho de usar uma justificação sólida para o afastamento de Rangel, parecendo que, para quem é (opinião pública), bacalhau basta: já nem falo do 'risco real do não reconhecimento público da imparcialidade' do juiz Rangel (então a Justiça sacrifica ao 'reconhecimento público'?...); o pior de tudo é a própria justificação: o juiz Alexandre pode dizer o que quiser a propósito de um arguido, mesmo que em alusão indirecta, como toda a gente percebeu; aí, já não há problema; o juiz Rangel, como favoreceu Sócrates numa opinião e numa decisão, já corre o risco de ver afectada a sua imparcialidade...

Posso estar redondamente enganado, mas isto vai acabar mal. E o acabar mal é o arrastamento do caso por anos, sem que se chegue a um desfecho, a não ser na tal opinião pública, que há muito já condenou ou absolveu Sócrates. Pelo caminho, lama e descrédito, sujando tudo e todos.  E poderia ter sido diferente? Não pertenço a esse mundo, mas tenho a impressão de que poderia.