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quinta-feira, agosto 22, 2019

que fazer com o Salazar? (com adenda)

O Salazar só me lembra coisas que detesto: primeiro, a manha da conservação do poder; depois: pobreza, pide, missas, bufos, censura, colonialismo e atraso, moral e mental, do povo, que ainda estamos a pagar. 
Museu sobre Salazar em Santa Comba Dão? Um museu tem critérios. Se eles se verificarem -- existem regulamentos para tal. Não faço ideia dos critérios da câmara do sítio, para além do centro interpretativo (palavras da moda, como curadoria e outras). Espero que haja massa crítica para que aquilo não seja um santuário, com venda de pagelas bentas do santinho, nem redunde na mostra do penico do Salazar numa caixa acrílica -- mas nunca se sabe.  Tem bom remédio, porém: vá à universidade, Coimbra, ali perto, ou outra, e se quer fazer coisa séria, convide-a para parceira no delinear de um projecto e coordenação, e com isso mata o assunto.
Goste-se ou não, o Salazar governou este país durante quarenta anos. Foi, portanto, um dos homens que mais o influenciou, em quase nove séculos, que é o tempo que já levamos disto. A sua terra lembrá-lo -- agora, ontem, daqui a vinte anos -- é uma inevitabilidade, e pode fazê-lo bem, criticamente, ou não. Mas nesse caso já não será um museu. O que sempre me irrita são os activistas do costume (ponho de lado os antigos presos políticos) disfarçados de historiadores e cientistas sociais (oh...) a descabelarem-se em abaixo-assinados no facebook, tudo tão pequeninamente miserável e reles...

Adenda: entretanto fiquei a saber - e já poderia sabê-lo se tivesse consultado o sítio da CM de Santa Comba Dão, que o projecto está a ser coordenado pelo Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da U. Coimbra, o que assegura toda a fiabilidade do projecto. Parabéns, pois, à CMSCD.

Adenda 2: esta conversa liga-se à "Questão dos Descobrimentos", em que mais uma vez se mostra  a farsa intelectual veiculada por ideólogos travestidos de historiadores e afins.

não sei se náusea ou vontade de rir

Porquê decretar serviços mínimos durante uma greve numa companhia aérea irlandesa de baixo custo, conhecida pelas maravilhosas condições que proporciona aos seus trabalhadores -- ou colaboradores, se quiserem em dialecto sonso-estúpido e analfabeto?
Não há outras companhias aéreas alternativas, a começar pela TAP?
Que precedentes são estes num governo que se diz de esquerda, não sei se náusea ou vontade de rir?
Quando a direita voltar ao poder, se calhar mais cedo do que se pensa, já tem o caminho aberto e à vontade para fazer o que lhe vai na alma, e nunca teve coragem para tal.

A esquerdice deve estar no comunicado, gastando tinta, tempo, espaço e a paciência dos outros quando se refere aos cidadãos e às cidadãs (arre, que miséria!) 
Ena pá, é tão de esquerda, cidadãos e cidadãs, avião e aviã, a cona da mãe e o cono do pai; agora pessoal a lutar para ter 22 dias úteis de férias e outras merdas sem interesse nenhum, isso é que não pode ser.

O que andaríamos a chamar agora ao Passos Coelho?

quarta-feira, julho 31, 2019

os estúpidos no meio de nós

O secretário de estado da Protecção Civil, José Artur Neves, de quem até anteontem nunca ouvira falar, está no epicentro de dois casos polémicos, mas que, aparentemente, nada têm que ver um com o outro. O primeiro, o das célebres golas que eram inflamáveis mas que afinal já deixaram de o ser, contratadas com uma empresa que nem é de vão de escada mas de tenda de campismo, tem todo o aspecto da negociata manhosa dos chicos-espertos oriundos das jotas e que paulatinamente vão tomando conta do país, com toda a sua inépcia, todo o seu arrivismo, toda a falta de vergonha -- os tais vilões de que falei aqui, usando o Estado como se fosse coisa sua.
O outro caso parece bem diferente: o filho do secretário de estado é engenheiro civil e detém uma quota, creio que de 15%, numa empresa de construção. Esta, em concursos públicos, vê adjudicada empreitadas na Universidade do Porto e no Hospital de Vila Franca de Xira. De acordo com a lei, parece que há aqui uma irregularidade, ou mesmo um crime...
Ou seja: se eu for accionista de uma editora de livros escolares e tiver o azar de uma cunhada, casada com um dos meus sete irmãos, ser subsecretária de estado da pesca artesanal ou do bem-estar animal, já estou inibido -- eu e os meus sócios --, à face da lei, de ter qualquer tipo de contacto e de contrato com o Ministério da Educação. Num país pequeno, em que somos todos mais ou menos primos e cunhados uns dos outros,  esta disposição legal idiota já deve ter sido quebrada em todos os ministérios de todos os governos.
Trata-se, aliás, uma lei que pede ela própria para ser infringida. Não por especial perversidade do legislador, mas porque este não pôde deixar de ser um mentecapto. No Direito, aliás, assiste-se a uma concentração notável de mentes brilhantes, mas também de cavalgaduras. Já tropecei em algumas: do jurista que faz regulamentos insanos, a cabecinha cheia de trampa, ao causídico que pariu uma longa alegação, repetindo três vezes os mesmos argumentos, não sei se para que o meretíssimo percebesse ou o próprio ficar ciente do que escrevinhara.
Já agora, acho muito bem todas as associações de transparência, quero até uma em cada freguesia; mas não podem limitar-se a ser uma espécie de pan do sector: não basta invocar a lei; devem também ser pedagógicos e dizer que esta é uma lei estúpida, feita por estúpidos e incumprível. Mude-se portanto a lei, já que não podemos mudar os estúpidos, pois eles estão no meio de nós, e convencem-se de que têm coisas a dizer.


terça-feira, julho 30, 2019

onde páram os vilões?

É fartar vilanagem! O poder atrai sempre os parasitas expeditos para as negociatas de ocasião. É da natureza humana, em relação à qual não tenho grandes ilusões; e para os combater há os mecanismos de controlo do estado democrático (quantas vezes sem meios) e a imprensa para noticiar e denunciar -- felizmente. Mas os vilões não se encontram apenas na infraestrutura dos faz-tudos da política, sempre à espreita da oportunidade; gostemos ou não, a vilania termina na elite dirigente que, mesmo com as mãos limpas num primeiro olhar, fecham os olhos e assobiam para o lado, para não verem as cenas indecorosas, para não inalarem o mau cheiro que vem do esgoto do arrivismo, não se coibindo porém de colher os frutos fertilizados pelo estrume.


quarta-feira, julho 10, 2019

pelo direito de Bonifácio a ser simplória

Fui ler. O artigo de Maria de Fátima Bonifácio não passa dum arrazoado de generalizações da vox populi, de que a senhora irremediavelmente é porta-voz, sem um mínimo de problematização e muito menos sofisticação. Parte de generalizações e lugares-comuns sobre ciganos e africanos para deles extrair uma representação geral que é indigna de qualquer intelectual, condição a que Bonifácio  renunciou para juntar-se aos venturas e outros espertalhões de feira.
Mas nem pensar admitir que o Estado, através do ministério público ou do governo, se atreva a proceder contra a senhora, que se autodesqualificou com aquele texto, duma indigência que só encontra paralelo nas chamadas 'redes sociais' ou nas caixas de comentários dos jornais, era o que faltava. A estupidez institucional é muito pior e mais danosa do que a nesciedade individual.  Bonifácio é uma cidadã que goza do direito à opinião e de liberdade de expressão, pelo que qualquer tentativa de criminalização não pode ser admitida e deve ser contestada com a mesma veemência com que se tem de combater o racismo e a xenofobia -- e, já agora, as organizações criminais que passam por entidades políticas e concorrem alegremente a eleições.  Causas como o combate ao racismo, à xenofobia e a outras exclusões dispensam bem os polícias da linguagem e os agentes fardados do controlo do pensamento. Ideias básicas ou parvas combatem-se com argumentos; no caso de desonestidade intelectual, há sempre recurso à ironia queirosiana. Costuma ser mortal.

quarta-feira, junho 26, 2019

em bicos de pés

O tipo que passa por alguém e se cruzou com o Kissinger no check in, e vem dizer para a bloga ou para os jornais. «Certa vez, em viagem com Kissinger (...)»; ou quando alguma figura morre, um fartar de intimidades, que provavelmente nunca existiram mas que podem alardear-se à vontade sem haver grandes riscos de desmentidos ou rectificações; ou o indivíduo de antes dos voos charter para os destinos paradisíacos,  que nunca passara de Badajoz mas se referia à passeata como uma ida ao estrangeiro.
Risível, mas verdadeiro, até com gente não desprovida de valor, como o Torga, para quem, no Diário, quase não há confrade que lhe mereça duas linhas, a não ser se for defunto e ícone (trocou duas cartas com o Fernando Pessoa, que o detestou) ou ícone e estrangeiro: quando fala dos seus encontros com a Yourcenar ou o Borges -- que até aí lhe desconheciam a existência, não fora o protocolo de estado querer mostrar que também tínhamos.
Enfim, lembrei-me disto ao passar por um caramelo bem embrulhado. 

quarta-feira, maio 29, 2019

à maneira do Xerife de Nottingham

A imagem de um homem a quem a Autoridade Tributária, com a colaboração da GNR, acabava de confiscar um atrelado,  levando um cavalo pelo cabresto na via pública, com uma criança atrás com outro animal, foi das coisas mais degradantes que vi o Estado perpetrar, tantas vezes caloteiro (basta lembrar a demora no pagamento aos fornecedores, as dívidas a particulares e a empresas, sempre tarde a más horas).
É fácil contrapor a parcimónia com a divulgação da lista dos grandes devedores à banca, no mesmo dia em que se revela que o mesmo Estado aí injectou nos últimos anos cerca de 24.000.000.000€ (vinte e quatro mil milhões de euros). É fácil, e é isso mesmo que deve ser feito, independentemente de haver 'grandes devedores' que o são porque a conjuntura económica assim impôs ou, na arraia-miúda, muito vígaro especializado em sacar e fugir -- a questão é de princípio, Não é este, porém, o ponto de que me apetece falar, mas antes a facilidade com que o Estado comete excessos de autoridade.
Tudo leva a crer que acção de ontem configura um abuso de poder, aliás inadmissível. Num país civicamente exigente e consciente, coisa que o nosso não é (não se passa impunemente da miséria de subsistência dos pais no Estado Novo para a indigência moral 5G dos filhos na UE), já teriam rolado todas as cabeças abaixo do Centeno, cujos agentes (os menos responsáveis) actuaram como sicários do Xerife de Nottingham.
O abuso de poder foi possível porque um dirigente qualquer das finanças quis mostrar serviço, contando para isso com a falta de discernimento de comandantes da GNR, cujas cabeças devem servir apenas para usar a boina; o abuso de poder foi travado porque, felizmente, vivemos numa sociedade democrática em que a imprensa é livre, convém nunca esquecer.

terça-feira, abril 23, 2019

aviõezinhos

Parece que, na semana passada, o deputado do PAN interrogou António Costa sobre a possibilidade de o aeroporto de Beja ser alternativa ao 'Portela+1'. Parece que o chefe do Governo não respondeu, ou terá respondido afastando a hipótese sem mais. Esteve mal, pois o que se quer de um governante, entre outras coisas, é que veja para além da conjuntura.
Não me apetece nem tenho tempo para tecer considerações, necessariamente parcelares, sobre a insistência numa solução arranjada à pressa, que não só mantém os riscos para os residentes em Lisboa e concelhos limítrofes, como os acrescenta e que será uma catástrofe ambiental irremediável. A Zero está em campo desde o início, e ainda bem. A sua avaliação é demolidora: «Todo este processo tem sido pautado por uma flagrante falta de transparência por parte do Governo, mesmo com sonegação de informação, e não permitindo qualquer escrutínio por parte de terceiros, sejam os cidadãos ou mesmo outras entidades públicas, precisamente o inverso daquele que é o espírito da lei, que pretende que uma Avaliação Ambiental, seja ela uma AIA ou uma AAE, seja um instrumento técnico de suporte à decisão, no sentido de garantir a melhor decisão possível.»
Mas a resistência não pode ser apenas legalista e institucional, tem de ser de todos, a começar pelos que vão sofrer na pele esta arbitrariedade. E bem me parecia que o povo da Margem Sul não iria fazer figura de rebanho para abate sem estrebuchar. Resistência inteligente, não violenta, de preferência com humor, que é a mais eficaz.
A acção de ontem, levada a cabo pelo até agora por mim ignorado grupo Rebeldes pela Vida, será, certamente, a primeira de muitas destes e doutros cidadãos que se dão ao respeito (as fotos e o filme).
Que ela tenha ocorrido numa sessão de aniversário do PS, mostra bem aquilo em que o PS se tornou; e que nessa sessão, em que dois gorilas engravatados atiram pelo ar o activista que interpelava a assembleia, fosse de justa homenagem a Alberto Martins -- sem querer comparar momentos políticos incomparáveis --, não deixa de ser uma triste ironia.
em tempo: não eram gorilas, mas agentes da PSP - Corpo de Segurança.





quarta-feira, abril 17, 2019

"um conflito entre entidades privadas e os motoristas"

Não faço ideia se os motoristas têm razão ou não; por feitio, pendo sempre para os trabalhadores contra os patrões associados, mesmo quando me lixam o programa da Páscoa, como será o caso.
No entanto, há coisas um pouco mais importantes do que as disputas entre trabalhadores e patrões, e uma delas é o funcionamento do Estado. Por isso, é sem paciência que ouço o primeiro-ministro dizer que a luta laboral em curso se trata de "um conflito entre entidades privadas e os motoristas", o que, não sendo mentira, não chega para um político que se assume socialista. O que deveria dizer é que o país não pode estar à mercê de privados, e que a política tem agir em conformidade.
É um socialismo de caricatura, sem outro rasgo que não seja a conquista e manutenção do Poder, e por isso condenado (a indigência dos cartazes às eleições europeias, tratadas como se fossem legislativas é um eloquente exemplo da falta de rasgo da politicalha aparelhística).  O problema é que para lá dele, PS, a nível macropolítico não há nada, ou o que há -- com excepções de escasso peso eleitoral --, é feio: os partidos à direita são meros títeres dos interesses e do financismo prevalecente; à esquerda, os mortos-vivos do marxismo e os inconsistentes das chamadas políticas de inclusão ["a todos e a todas", e outras parvoíces] -- algumas, só algumas, porém válidas.
Para além disto, um lúmpen primário e silvestre que se alimenta e alimenta a boçalidade mediática,  sempre aproveitada por espertalhões.
António Costa limitou-se a repetir o que Rui Rio disse ontem, com a agravante de ter o menino nos braços.  É pouquíssimo como discurso, e revelador do impasse político e ideológico a que chegámos.

segunda-feira, março 25, 2019

os castelos não protestam -- ou se a Direita é estúpida, a Esquerda é analfabeta, e dá todos os dias disso o testemunho -- ou ainda: foda-se, que é demais

Ao contrário dos artistas plásticos, que foram estender a mão pedinte a António Costa, numa das mais degradantes manifestações de dependência de que há memória, os castelos não falam, não protestam não têm poder nem influência mediática. O mesmo se passa com a generalidade das populações que vivem em seu redor, boa parte no interior do país, pobre e despovoado.
Por isso, o processo de descentralização para as autarquias, sem meios nem massa crítica, e sem um euro associado nessa transferência  de trinta e três castelos, como anunciou o Diário de Notícias, é despudorado e indigente, cultural e politicamente.
Normalmente, o património cultural português degrada-se e afunda-se silenciosamente; a não ser quando permite estadão e espavento, pois a miséria cultural e cívica das elites políticas é um espelho da do povo português, de onde a maior parte foi parida. Não por culpa do povo, é claro, mas das outras elites, que o mantiveram ignaro e desvalido, de que se tem vindo a libertar desde o 25 de Abril, é bom lembrar.
Até agora, a única voz que ouvi a verberar esta fraude cultural foi a de Miguel Sousa Tavares. Costumamos criticar a Direita por não valorizar a cultura do ponto de vista político, rebaixando a pasta de ministério para secretaria de estado; mas para que serve um Ministério da Cultura com uma porcaria de política como esta, a não ser esportular clientelas e influencers (como gosta de dizer a saloiada merdiática)? 
Pior do que ausência de políticas é esta política de se ver livre de empecilhos que só dão chatices, dores de cabeça e não rendem votos. A verdade é que a Cultura com o Governo apoiado pela Geringonça, que também apoio, sem pertencer a nenhum partido, bateu no fundo.

(Por engano, escrevi "Gerinçonça", e fica muito bem, pois é difícil ser-se mais sonso que isto.)  


terça-feira, fevereiro 12, 2019

presos políticos catalães julgados por 'rebelião', 'sedição' e 'devio de fundos'

Qualquer democrata deve demonstrar a sua repugnância pelo que se passa hoje em Madrid.  Não basta vociferar, e bem, contra as hungrias e as polónias; ou tomar parte das mal contadas histórias da Venezuela, sobre a qual muito haverá que falar. Se o governo português tem e deve conter-se, como sempre tenho defendido, nesta delicadíssima questão -- e 'conter-se' não significa arriar as calças, como por vezes sucede --, não se segue que a sociedade portuguesa, onde se incluem os partidos políticos, não tome posição, fazendo ver ao poder castelhano-espanholista-franquista (que este fim-de-semana juntou 45 mil infelizes em manif madrilena) que há limites para a indecência em sociedades civilizadas. Podiam aprender com outros países europeus e não fazer esta figura triste de politicamente subdesenvolvidos.

quarta-feira, janeiro 23, 2019

cheira a podre e aa conspiratas fachas: felizmente há a imprensa

Não fora Joana Amaral Dias, honra lhe seja, e não saberíamos do conteúdo da auditoria à Caixa Geral de Depósitos relativa ao período 2000-2015, embora há que tempos se falasse dos grandes devedores. Não é tanto, embora seja importante, o desastre de cada negócio: uns correram mal, outros serão suspeitos de trafulhice a vários níveis -- cabe às autoridades apurar. Não é tanto, pois: trafulhices e maus negócios não começaram nem ficarão por aqui; o que é especialmente repugnante é 1) os prémios de gestão atribuídos aos quadros que descapitalizaram o banco público, o despudor e o abuso aí estão à vista de todos, e os premiados não pintam a cara de preto porque não têm vergonha na dita; 2) o encobrimento, obviamente protegendo o sindicato dos interesses com a activa cumplicidade das cúpulas políticas; 3) o alheamento ou a raiva dos cidadãos duramente extorquidos com impostos, desviados para alimentar o regabofe. Também isto cria bolsonaros & trumps, ainda mais do que as questiúnculas fracturantes.


O antigo ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, com quem não me encontro há vários anos, foi, pelo seu primeiro casamento, um familiar muito próximo, e conhecemo-nos ainda desde a adolescência dele e a minha jovem adultez (sou poucos anos mais velho). Creio que nunca aqui lhe fiz referência por essa razão e também, diga-se com frontalidade, por não ter e nunca ter tido pachorra para as empresas, para as bolsas e temas quejandos -- nunca leio as páginas de economia dos jornais, a não ser quando aparece um bom cronista, fenómeno pouco frequente. Vem isto a propósito da minha admiração pela sua substituição no Governo -- além de académico destacado, geria uma pasta que apresentava óptimos resultados para o Governo apresentar, além de ser pessoa de excelente trato -- logo a remodelação não me fez muito sentido (não foi, certamente, por causa da timidez  do ministro, factor parece que importantíssimo aí para o jornalismo raso e acéfalo da intriga política.)  Ainda por cima, substituído por um advogado, homem de confiança do PM, o que é mais ou menos como nomear um veterinário para director clínico do Santa Maria. Até que há dias se fez luz: havia um secretário de estado, parece que bastante competente, Jorge Seguro Sanches, que andava a tornar-se demasiado saliente. Havia que removê-lo, para cair sec. de estado, tinha primeiro de cair o ministro. É a minha leitura, e duvido que haja outra convincente.

Entretanto, a história do genro de Jerónimo de Sousa parece ter sido tratada de forma enviesada, segundo revela O Polígrafo . Não há que admirar: há uma extrema-direita subterrânea, larvar, vermínica,  motivado  pelos gelados ventos de leste, apostada em aproveitar a degenerescência política em que temos andado, desde o cavaquismo. Goste-se mais ou menos (e eu nem mais nem menos), o PC é um dos baluartes do sistema democrático, tal como existe desde 1974. Miná-lo é a tentativa de aspirar uma grossa fatia de eleitorado descontente que, a exemplo, por exemplo da França, alimentaria essa extrema-direita. Esperemos que 1) não seja bem sucedidos e 2) que se enganem.


quinta-feira, dezembro 20, 2018

é para acabar com o Aborto Ortográfico a manif de amanhã?

Contem comigo!
E, já agora, contra a porcaria da série canadiana que passa no segundo canal. Suspensão imediata. Vamos parar com tudo, pá!...
E o Pacto de Estabilidade e Crescimento, entra nas cogitações?


actualização: Vim no carro a ouvir a TSF. Não me lembro de me ter rido tanto em viagem matinal, à custa destes tontinhos.
Por falar em tontinhos: o pseudojornalismo tabloide que andou a alimentar isto enterrou-se mais uma vez; nada que os incomode, rapidamente passarão a outra coisa qualquer. Atrasos de vida, estão bem uns para os outros.

quarta-feira, novembro 28, 2018

feias, porcas e más: as televisões privadas como retretes públicas, das antigas, ou saudades da RTP do tempo do fascismo

A sic e a tvi são detentoras de uma concessão, por parte do Estado, ou seja, de todos nós, do sinal de emissão do serviço de televisão. Mais de 90% da programação daquelas estações é má ou muito má. A informação da tvi é superior à da sic; esta tem um grande momento aos sábados, ao fim da manhã, com a transmissão dos documentários da BBC sobre vida selvagem. Quanto ao resto, concursos, telenovelas, parvoíces. Mesmo os canais informativos são pobres, salvam-se alguns programas de debate ("Quadratura do Círculo" e "O Eixo do Mal" na sic; "Prova dos Nove" e "Governo Sombra" na tvi). É muito pouco. 
Mas o que me espanta, perante a indiferença geral, é o à-vontade e a impunidade com que ambas as estações generalistas poluem o espaço público com inanidades e badalhoquices, dos talk shows matinais, em que apresentadores idiotas expõem ao voyeurismo mais grosseiro os infortúnios deste e daquela, até à promoção da mais vulgar boçalidade com os "Casados de Fresco" ou o "Love on Top", -- enfim o esterco despejado em casa das pessoas, quantas vezes com a justificação cínica e vigarista de que é daquilo de que elas gostam (ou até precisam...).
Não falo na cm-tv, a mais ampla cloaca comunicacional, pois está no cabo, e aqui, outros problemas se levantam. O que mais me incomoda, embora não me espante, é a passividade do Estado diante do oportunismo descarado dos operadores, da falta de ética e doutro critério que não seja o de gerar lucro, lançando mão de tudo o que lhe for permitido. 
E pergunto: mas por que diabo devemos nós, e connosco o estado português, que atribuiu as concessões a estes operadores, contribuir para encher os bolsos aos donos e accionistas da sic e da tvi, cuja contrapartida pelo bem público de que se servem é o de espalhar os seus dejectos comunicacionais pelas casas dos portugueses e pelas nossas ruas, através dos painéis publicitários?

Ainda sou do tempo em que as casas de banho públicas das estações da CP do Cais do Sodré e do Rossio eram um antro de porcaria, iam para lá os que gostavam de chafurdar ou os incautos que desconheciam o ambiente. Que haja quem queira fazer televisão com o nível de wc público de país incivilizado, é um problema seu; mas que beneficie do Estado, para o fazer, e que o mesmo Estado contribua, pela inacção, inconsciência, cobardia, para esta caca, isso é que é indesculpável.
Não sei quando se extinguem os prazos das respectivas concessões, mas aqui é que era uma boa oportunidade para a ministra Graça Fonseca introduzir um bocado de civilização, civilidade e civismo nestas pocilgas, ou retirar-lhes a licença para degradar.

segunda-feira, novembro 19, 2018

no LEFFEST #6

Shoplifters -- Uma Família de Pequenos Ladrões, de Hirokazu Koreeda, Japão, 2018 («Selecção oficial - Fora de competição»). A ideia é esta, é velha e por vezes verdadeira: as famílias podem ser o inferno, pelo maltrato ou pelo descaso, e o filme gira em torno duma falsa família de pequenos marginais / biscateiros. É interessante e por vezes ternurento; mas, Palma de Ouro em Cannes?... Não havia por lá melhor? Palma de Ouro para um filme que, a terminar (vide traila), quase parece um daqueles pastelões das manhãs da tv de gouchas & companhia, das famílias do coração e semelhantes bugigangas ideológicas;  mas que encaixa na perfeição nas parvoíces antifamilialistas,  lá isso encaixa. Deve ter sido este pechisbeque sociológico do politicamente correcto que encantou o júri de Cannes e a imprensa americana (vide orgasmos finais no mesmo traila).

segunda-feira, novembro 12, 2018

e que tal o aeroporto de Beja + tgv?

Desde os governos de Marcelo Caetano que se fala na necessidade de um segundo aeroporto que sirva Lisboa. Mais um sinal de que este não é um país para ser levado a sério, e muito menos a miséria das suas elites dirigentes.
Depois dum risco sério de catástrofe, ontem, e de se perceber que nem Montijo (por questões de segurança e risco para as populações) nem Alcochete (pelo atentado ecológico à Reserva Natural do Tejo e pelo risco para a segurança dos voos que comporta uma tão grande concentração de aves) não constituem aparentemente alternativa, pergunto:
não seria mais viável aproveitar o aeroporto de Beja, já construído, com uma linha de comboio de alta velocidade? quanto tempo demoraria o percurso de 178 km entre Beja e Lisboa em tgv?; não ficaria mais barato do que construir um novo aeroporto?; não seria mais seguro para as populações?

sexta-feira, novembro 02, 2018

ainda vai a presidente do Brasil,

o coiso que mandou prender o Lula, com as provas que toda a gente viu. Palhaço.

segunda-feira, outubro 29, 2018

o que a democracia não aguenta

64 mil homicídios por ano, mais seis mil perpetrados pela polícia
imprensa hegemónica ao serviço das oligarquias
30 partidos com representação parlamentar, o que equivale a ingovernabilidade permanente
poder judicial a fazer política, abrindo caminho a todos os tiriricos
a esquerda que quando se porta como os outros, caindo nas malhas e tecendo as teias da corrupção, é pior que os outros

com isto tudo, o partido mais votado acabou por ser... o PT, veremos se terá a inteligência política e o sangue frio para os próximos anos

Haddad deu um bom sinal

terça-feira, outubro 09, 2018

nótulas de diversão sobre o caso de extorsão a Cristiano Ronaldo

Estamos a assistir, em directo e a cores, a uma despudorada tentativa de extorsão por parte de um escroque que exerce advocacia, com a conivência ou a passividade (ou mesmo manipulação, quem sabe?) da senhora que há nove anos se cruzou com Cristiano Ronaldo, alimentada, claro, pelo Spiegel (o 'Espelho'...) e pelo jurnalismo de reputagem global.
Não vou fazer minha a vox pop que me tem saído ao caminho: do desculpabilizante "aquilo foi excesso de aquecimento [exercido pela senhora, note-se], e o homem não se aguentou" (empregada duma tabacaria); ou o avinhado "só passados nove anos é que passou a doer-lhe o cu!" (empregado dum café de bairro). Por outro lado, também não vou dar à senhora outra dignidade que não seja aquela que lhe é intrínseca como ser humano -- mesmo que a própria possa, eventualmente, não ter dela consciência --, tornando-a símbolo das vítimas de opressão, uma nova Kathryn Eufémia sucumbente ao machismo dominante, convenhamos.
Para já, parece ser a palavra de um contra a de outro: a senhora diz que foi abusada ou violada, Cristiano Ronaldo diz que não. Vale mais a palavra de um do que a de outro? Poderia dizer que não, se não tivesse havido já uma transacção financeira avultada em favor da senhora. Perante a mais do que evidente escroqueria, dou mais valor à palavra de Ronaldo, apesar de rico e poderoso, do que à da alegada vítima.
Mas vamos admitir que Cristiano Ronaldo foi um  patife, pois uma penetração exercida contra vontade qualifica um pulha. Houve um acordo entre advogados, a senhora foi indemnizada, duplamente bem indemnizada, e a história acabou ali. O mais só tem o nome de extorsão, como qualquer pessoa percebe. A não ser que os savonarolas cá da Parvónia defendam que Ronaldo deva pagar mais, e ainda outra vez, ou talvez ser extraditado para a america (pronunciar com sotaque), e, porque não?, até a uma sentençazinha a prisão perpétua...
Repare-se que não faço qualquer juízo de valor sobre a decisão de a senhora ter subido ao quarto, era o que me faltava. Cada indivíduo é livre de ter o sexo que quiser, com quem quiser, como quiser, a pagar ou de borla; já não é livre de arrecadar umas coroas valentes e passados uns anos querer mais, à boleia do ar do tempo.


(Agora a brincar: pode aqui até dar-se o caso de um erro de percepção mútua. E se Ronaldo era, aos 23 anos um incompetente na matéria? (tem-se visto); se o rapaz pensava que era só entrar por ali adentro, à Largadère? Ah pois... )

sábado, setembro 29, 2018

por falar em parolos

O conhecido Carrilho veio a terreiro aos gritinhos, a propósito do caso Mapplethorpe. Com desassombrada parvoíce -- "Serralves em perigo?"-- fala duma "visão parola e censória da arte". 

Sobre a questão da censura, não vale a pena perder mais tempo (aqui post e comentários); sobre a parolice, tem graça, vindo de um parolo que andou a negociar com a imprensa a reportagem fotográfica do seu casamento com uma apresentadora de televisão. O Carrilho porém é tão parolo que não se exime em pôr-se em biquinhos de pés, lembrando, linha sim linha não, o seu papel ministerial. Reconheço, com pena, que ele foi um muito bom ministro da Cultura, mesmo que em tempo de vacas obesas, o que também, sublinhe-se, nunca fez de si alguém especialmente potável.

Ainda a propósito de parolos, o último número de circo do cansativo Rui Moreira, aproveitando-se do caso. Bem fez Braga da Cruz, que é um tipo sólido e pouco impressionável e mandou Moreira dar sangue, não lhe aparando a politiquice. Eu percebo Rui Moreira: para ele é o prestígio internacional, que receia seja afectado, "a propósito da exposição do artista Robert Mapplethorpe".    O artista Robert Mapplethorpe... Faz-me lembrar uns indigentes a quem deram certa vez responsabilidade editorial. Um dia tiveram de legendar uma fotografia do Saramago, que ficou assim: "Escritor José Saramago" -- não fosse alguém pensar que o homem seria sapateiro.

Já agora: Pacheco Pereira pediu na "Quadratura do Círculo" que lhe fizessem uma entrevista sobre o caso, pois estava com "vontade de partir a loiça toda". Avisem-me quando isso acontecer.