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sábado, agosto 24, 2019

um elogio (e não é por causa do Salazar, embora também por isso o mereça) à Câmara de Santa Comba Dão

A pintura à esquerda integra um conjunto de seis grandes telas da autoria do enorme Columbano Bordalo Pinheiro, muitas vezes vislumbradas nos telejornais, pois está nos Passos Perdidos, na Assembleia da República, Da esquerda para a direita: Mouzinho da Silveira, Duque de Palmela, Duque de Saldanha e José da Silva Carvalho. Este, que também é natural de Santa Comba Dão, fundador do Sinédrio e um dos líderes políticos da Revolução de 1820, foi, em minha opinião, bastante mais importante para a História de Portugal do que Salazar. E a Câmara local está a celebrá-lo, culminando, no próximo ano com o bicentenário do vintismo, a mais transcendente revolução da nossa contemporaneidade, e de que o 25 de Abril representa uma espécie corolário. Um exemplo, pois, que deveria ser seguido -- o que talvez seja esperar demasiado dum país sem política cultural.

terça-feira, maio 13, 2014

um cafis de apodrecidos cereais nas húmidas matamorras

Durante a Guerra Civil de 1245-1247 -- que também opôs dois irmãos, D. Sancho II, deposto pelo papa, e o Conde de Bolonha, futuro Afonso III --, conta-se uma estória lendária, protagonizada pelo alcaide-mor de Celorico da Beira, Fernão Rodrigues Pacheco (o primeiro deste nome).

H. Lopes de Mendonça, por Columbano
Sitiado pelo próprio infante, que o alcaide tinha por usurpador, Afonso quis vergar Celorico pela fome, até que, em intervenção supostamente divina, uma águia trazendo nas garras uma truta que acabara de caçar, deixa-a cair milagrosamente no recinto sitiado, levando a um estratagema que tem sido glosado noutras situações semelhantes (v. g. Deuladeu Martins): com o pouco de farinha que restava, Pacheco manda fazer pães, que, envolvendo o peixe de água doce, vai oferecer ao Bolonhês, através dum emissário, como preito respeitoso ao irmão do rei -- o único legítimo que reconhecia. D. Afonso levantará o cerco nesse mesmo dia.

Henrique Lopes de Mendonça (Lisboa, 1856-1931), foi um oficial de Marinha, grande historiador dos Descobrimentos e da Expansão, poeta (autor dos versos de A Portuguesa, recorde-se), dramaturgo e ficcionista com acentuada inclinação para a narrativa histórica. A História era a sua paixão, como historiador das Navegações ou ficcionista.
Neste conto, publicado originalmente em Capa e Espada (1922), Mendonça dá lastro à petite histoire e à lenda, pretexto para uma recriação lúdica dum tempo medieval conturbado; e fá-lo com a competência do histroriador.
O estilo é opulento, no bom sentido, português de lei. Mais do que uma historieta lendária, interessa-me e regala-me essa riqueza vocabular, incluindo os arcaísmos, que serve a narrativa.

O incipit: «Na açoteia da torre de menagem, Fernão Rodrigues Pacheco, debruçado sobre uma aberta das ameias, medita.»
Um parágrafo: «E, como a resposta se resuma a um gesto ríspido de impaciência, o agostinho prossegue. Em voz ungida de piedade, relembra as agonias daqueles meses de apertado cerco; o contínuo desfalque dos defensores, dizimados por ascumas e gorguzes, por virotões e pedregulhos, e mais ainda pela pestilência e pela fome. A custo se colhe um cafis de apodrecidos cereais nas húmidas matamorras. A chama dos fornos devora a lenha dos vigamentos, os sarrafos arrancados às mesas, aos escanos, às portadas. Dentro em pouco, toda a parte combustível da vila se reduzirá a cinzas para se transformar numa ilusão de pão as varreduras dos celeiros, a palha dos esteirões, a erva das ruas. À míngua de um mesquinho almanho, sequer, servem de repasto aos sitiados as alimárias mais imundas.»

H. Lopes de Mendonça, «A truta», 14 Novelas Histórias Portuguesas -- De D. Afonso Henriques à Batalha de Aljubarrota, selecção anónima (de José Saramago?), Lisboa, Estúdios Cor, 1965, pp. 125-132 


sábado, maio 06, 2006

Correspondências #44 - M. Teixeira-Gomes a Manuel Mendes

Para Manuel Mendes

Túnis (posta restante) 4-7-1929


Meu caro camarada: Muitas e muitas vezes obrigado pelo postal que acompanhava o número da «Civilização», onde tive o gosto de ler o seu excelente artigo sobre o Columbano, com a lisongeira passagem que me dedica. Mas sou eu que lhe estou em dívida de uma longa carta, que não sei quando terei o vagar de escrever. Agravou-se-me a preguiça com este ardente verão cartaginês, que atirou comigo para uma pequena praia solitária, de impoluta areia verdadeira, fina e doirada, na qual durmo, sonho e passeio, sem outra preocupação além de casar à frescura da aragem salobra o perfume dos cravos malferidos... -- Até breve -- camarada e admirador,
M. Teixeira Gomes
In Urbano Tavares Rodrigues, M. Teixeira-Gomes -- O Discurso do Desejo

terça-feira, março 07, 2006

estampa XXII

Columbano Bordalo Pinheiro, Concerto de Amadores
Museu do Chiado, Lisboa

quinta-feira, junho 02, 2005

Pintura e bate-chapas

AutoAlmada não é um stand de automóveis, AutoColumbano não fica na avenida lisboeta, AutoManta não se especializou no mítico modelo da Opel; são simples abreviaturas de auto-retratos de alguns pintores n'«os meus documentos».