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sábado, junho 02, 2018

«Boas maneiras, bilhete de identidade, contribuinte, gravata.» José Emílio-Nelson, O Anjo Relicário (1999)

«Rompem fogo / pandeiretas / morenitas, / bailam tetas / e bonitas, / bailam chitas / e jaquetas, / são as fitas / desafogo / de luar.» José de Almada Negreiros, «Rondel do Alentejo», Poemas (póst., 2001)

«As mães são as mais altas coisas / que os filhos criam, porque se colocam / na combustão dos filhos, porque / os filhos estão como invasores dentes-de-leão / no terreno das mães.» Herberto Helder, A Colher na Boca (1961) / Ou o Poema Contínuo (2001)

terça-feira, maio 22, 2018

«Seu colo tem do lírio a rígida firmeza, / Seu amor é um céu católico e distante...» Gomes Leal, «O visionário ou Som e cor», Claridades do Sul (1875) *

«A filha do usineiro de Campos / Olha com repugnância / Para a crioula imoral.» Manuel Bandeira, «Não sei dançar» Os Melhores Poemas de Manuel Bandeira (1984)**


* Edoi Lelia Doura -- Antologia das Vozes Comunicantes da Poesia Moderna Portuguesa (ed. Herberto Hélder, 1985)
** Poezz -- Jazz na Poesia em Língua Portuguesa (ed. José Duarte e Ricardo António Alves, 2004)

segunda-feira, março 07, 2016

JornaL

Sócrates e Lula. Foi o Lena, a Quinta do Lago, agora é o Lava Jato. Não têm nada, limitam-se a mandar estas escarretas para a imprensa. No fim, vamos todos ficar com a nossa convicção íntima, ou sem convicção nenhuma. No entretanto, prendeu-se um ex-pm, para depois o soltar, por imposição da lei. O que é que isso interessa, perguntam aqueles que não têm vagar para estas minudências. 
Eutanásia. Depois da bastonária da Ordem dos Enfermeiros, um médico reputado afirma, de viva voz, que se pratica eutanásia nos hospitais. A este desassombrado encarar de frente de um tema melindrosíssimo, a primeira reacção pavloviana duma sociedade que não é para levar a sério: inquéritos, processos e o diabo a sete. Seria de rir.
Primárias americanas. Um velhaco, tacticamente transmutado em palhaço (Trump), um beato e aldrabão (o Cruz do tea Party), uma oportunista (Hillary), um tipo decente (Sanders), que ficará pelo caminho. Torcerei pela menos nociva.
Anedota. "El Chapo" sofre horrores com a sua detenção. Parece que não deixam o homem pregar olho. O traficante, porém, é de fibra, e manda o advogado fazer greve de fome à porta da prisão.
Turquia. Durante anos defendi a sua entrada na UE, acauteladas questões como a dos curdos. Hoje, estou quase a defender a saída de Portugal da mesma UE... Já temos os húngaros, os polacos e os eslovacos, gente ao lado da qual não me sinto bem.
A propósito. Robert Fico, o primeiro-ministro eslovaco que se diz social-democrata, parece ter feito uma campanha eleitoral de boçal xenofobia. Perdeu a maioria, para a extrema-direita, é verdade, mas foi bem feito.
Herberto Helder. A Cornucópia homenageou-o (!), numa sessão de leitura de poemas. Agora, depois de morto, já pode ser? Falta-me a paciência.                 

segunda-feira, março 30, 2015

A posteridade de H. H.

Não me refiro à posteridade literária, como é óbvio, à perenidade da obra, ao lugar que ela ocupa na poesia. Se tivesse de fazer o difícil exercício de congeminar uma lista com meia dúzia de nomes dos, para mim, maiores poetas da segunda metade do século XX, Herberto Helder faria parte dela, com Alberto de Lacerda, Alexandre O'Neill, António Ramos Rosa, Rui Knopfli e Ruy Belo -- e teria de deixar de fora muitos que me assombram..
A posteridade a que me refiro é outra, a patrimonial e identitária. Percebo perfeitamente o apelo do seu filho, Daniel Oliveira, para que não desatem os poderes públicos ou particulares a homenagear o poeta, com nomes de rua, estátuas e bustos, etc. Guardado porém o decoro temporal necessário para não violentar quer a memória de Helberto Helder, quer a legítima vontade dos seus descendentes, não creio que ele tenha possibilidade de ser acatado.
Os grande autores não se pertencem, é uma banalidade escrevê-lo. E se cada cada vez menos se pertencem em vida (é ver a poesia de HH espalhada por blogues e pelas "redes sociais"), muito menos depois de ela findar. E ainda bem que assim é. Não há como não preservar e assinalar, por exemplo, a casa onde o poeta nasceu e aquela em que morreu (a Rua do Mercado, nº 7, em Cascais). E quem diz estes vestígios palpáveis da memória dele (e, de há muito, nossa), diz outras manifestações inevitáveis que a comunidade imperiosamente não pode deixar de promover.
Como pedir à Madeira que deixe o seu maior poeta entregue apenas aos seus livros? É, entre outras, uma questão de sobrevivência da própria comunidade.

terça-feira, março 24, 2015

Ainda ontem.

Passar diariamente pela casa de Herberto Helder sem nunca o ter visto. Dizê-lo aos meus filhos uma e outra vez. Uns leram-no, outros não.
Guardar uma bela carta sua, de cujo motivo não me orgulho, e ainda menos da resposta que enviei.
Escrever um breve texto sobre, numa antologia, de que não me envergonho (do texto e da antologia), pese embora as inevitáveis banalidades a que tentei escapar, talvez com êxito, talvez não (precisaria de relê-lo).

Tudo isto vai estar cheio de obituários de HH, dos  substantivos aos inócuos. É da natureza das coisas.
Quero guardar a admiração e o respeito, o silêncio de bronze. Por isso nem lhe ponho o nome a titular o post.

A verdade é que ainda ontem me lembrei daquela carta.