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terça-feira, janeiro 06, 2026

JornaL

Como a adversidade torna as pessoas frágeis e mais humanas. Os pulsos atados, a farda prisional, a dificuldade em mover-se, a mulher nas mesmas condições. Tenho pena do Maduro? Nenhuma. Gosto de ver o homem diminuído? Nada.

Gosto, isso sim, da Dinamarca, a pátria de Andersen, da Lego, da Carslberg; onde as mulheres são tão bonitas e uma rainha emérita se correspondia com o Tolkien. A Dinamarca não merece; o governo dinamarquês e a primeira-ministra, sim. E a UE, por arrasto.

A Gronelândia para os gronelandeses: é a minha posição de princípio sempre (tal como as Falkland para o malvinos e não para os argentinos, em especial se forem generais). Mas o destino da colónia dinamarquesa está traçado: é americano.

Donald Tusk vê tudo mal parado, porque a UE não se dá ao respeito. Teve oportunidade para isso, tivesse sabido lidar doutra forma tanto com os Estados Unidos como com a Rússia (nem teria havido guerra na Ucrânia, muito provavelmente.) Agora, parece tarde.

voto em Gouveia e Melo

Na minha vida adulta só por duas vezes me deparei como uma situação de grande incerteza e perigo geopolítico com implicações directas no continente europeu: o fim da Guerra Fria, com a implosão da União Soviética, e agora, com a rearrumação das grandes potências e a inflexão dos Estados Unidos que parecem ter finalmente percebido que nem a Rússia brinca nem a China anda a dormir. Por isso a política neomonroviana -- que mais do que "A América para os americanos", é a América para os norte-americanos. Claro que terão sempre a vizinhança próxima da Rússia no Árctico, com ou sem Gronelândia, que, já agora, não deverá tardar a ser anexada ou independentizada, queira ou não, de qualquer forma tutelada. Apesar de a Europa ter muito boa boca para os caprichos norte-americanos -- não batam só no Rangel; o Santos Silva fez muito pior ao embarcar(-nos) na estúpida farsa Guaidó (aí já não havia problema com a comunidade portuguesa) ou Luís Amado, com esse aborto chamado Kosovo, sem esquecer o recente Cravinho -- (apesar de a Europa ter muito boa boca,) não estou a ver como sobreviverá a Nato a um acto hostil do accionista maioritário sobre a pequena Dinamarca. Nada que preocupe Trump, que quer destruir a UE (esta, a continuar assim, alcança o desiderato sem precisar de ajuda), sem se importar muito que a Nato vá a seguir: basta-lhes umas testas de ponte para o continente, a começar pelos mais próximos: Islândia, Reino Unido (claro), Portugal (os Açores, mas não só).

Se até Trump ter mostrado, ainda antes da sua eleição, que a Nato era coisa de somenos e que alegadamente nem se importaria que a Rússia invadisse uns quantos países membros me pareceu então basófia, agora já não tenho certeza de nada.

Estamos, pois, numa situação internacional cada vez mais instável e imprevisível. Eu tenho várias razões para votar em Gouveia e Melo -- como teria também para votar em António Filipe ou mesmo em António José Seguro --, mas não quero arriscar, pela parte que me toca, e, francamente, só esta candidatura me parece vital no momento presente: Marques Mendes e Seguro demonstraram nos debates uma grande impreparação para lidar com uma eventual guerra em mais larga escala, espécie de marias-vão-com-as-outras. Com eles e Montenegro (como outrora com Costa) estaríamos envolvidos num ápice e sem darmos por isso numa guerra que nada tem que ver com os nossos interesses permanentes -- como aqui sempre tenho escrito -- e que é a posição do almirante. Nós somos um país Atlântico europeu -- não temos de nos envolver e muito menos combater nas margens do Mar Negro e morrer pelos interesses dos outros por causa da Ucrânia, que além de nem pertencer à Nato está na área de influência da Rússia, tal como a Venezuela está na área de influência dos Estados Unidos -- é assim a vida (e sempre foi assim, apesar de alguns professores de RI ou Direito Internacional terem acordado agora para a impotência da ONU ou para o fim (sic) de uma ordem internacional baseada em regras... Vão falar dessa ordem internacional à Sérvia, amputada pela força da sua província-berço, ao Iraque das armas de destruição maciça vislumbradas pelo Durão Barroso, ou à Palestina, desde sempre.

Isto não está para amadores, e espero não ter como presidente nenhum pacóvio que se deixe manobrar nos corredores de Bruxelas. O meu voto em Gouveia e Melo deve-se a essa esperança, que ele, mais do que qualquer outro, pode assegurar. O futuro o dirá.

sábado, janeiro 03, 2026

este Trump é um pândego

Confesso que me fartei de rir quando ouvi a notícia da captura do Maduro. Agora é que vão ser elas.

Para já: se a legitimidade do Maduro era zero, a da María Corina também não fica lá muito bem tratada.

Insurgência ou acalmação? Novas eleições ou segue o "chavista" (salvo seja) de turno?

Como diria Alberto Pimenta, "a situação exige mais perguntaaaas!..."

domingo, agosto 11, 2024

JornaL: Catalunha, Inglaterra, Israel/Palestina, Ucrânia, Venezuela

De férias, e sem telejornais, compro o jornal todos os dias, ouço o noticiário na rádio, quando calha, raramente vou ao online ler/ouvir notícias, a não ser os três militares cujas análises não perco (Agostinho Costa, Carlos Branco e Mendes Dias) e Tiago André Lopes, um dos poucos civis digno de ser escutado.

Catalunha. Puigdemont apareceu e não quis fazer o favor ao juiz franquista que não se conforma com a amnistia. Uma nota para os palermas dos jornalistas que relutam escrever a palavra exílio, no que respeita ao líder catalão, comprazendo-se e babando-se a falar em fuga. Aquilo é mesmo a base da cadeia alimentar do poder.

Inglaterra. Não sei se é suficiente, mas apreciei a rapidez com que têm arrebanhado o gado à solta nos motins, e a repetida advertência de Keir Starmer que a escumalha das ruas vai sentir sobre si toda a força da Lei. Espero que sim.

Israel / Palestina. Se Netanyhau é um comprovado criminoso de guerra, contumaz e relapso, a troupe do Biden e seus aliados não passam de bácoros porcos suínos. Dezanove mortos num ataque a uma escola. Podem limpar o cu com os vosso valores.

Ucrânia. No mesmo dia o jornalismo analfabeto (Antena 1, Jornal de Notícias): a Rússia atacou um supermercado com um míssil. Já faz mesmo rir como estes incapazes seguem a propaganda do poltrão do Zelensky.

Venezuela. Maduro, um zé-ninguém que foi escolhido por Chávez, vá-se lá saber porquê, não divulga as actas porque nem sequer assumir a chapelada. Entretanto vai prendendo. Só se percebe o silêncio do trio Brasil-Colômbia-México num contexto de negociações em que o palhaço e a sua clique se safe airosamente. Entretanto, os do costume já foram descobrir pecados mortais cometidos pelo ex-embaixador no tempo do socialismo corrupto que governava a Venezuela. Como se uma nódoa saísse com sujidade... Não suporto esta mentalidade sectária de escravos.   

sexta-feira, agosto 02, 2024

Brasil, Colômbia e México: está tudo no comunicado conjunto, não é preciso dizer ou exigir mais. Para já, Maduro tem a aura triunfadora de Américo Tomás, após a grande e aclamada vitória eleitoral sobre Humberto Delgado

"Os governos do Brasil, Colômbia e México felicitamos e expressamos nossa solidariedade com o povo venezuelano, que compareceu massivamente às urnas em 28 de julho para definir seu próprio futuro.

Acompanhamos com muita atenção o processo de escrutínio dos votos e fazemos um chamado às autoridades eleitorais da Venezuela para que avancem de forma expedita e divulguem publicamente os dados desagregados por mesa de votação.

As controvérsias sobre o processo eleitoral devem ser dirimidas pela via institucional. O princípio fundamental da soberania popular deve ser respeitado mediante a verificação imparcial dos resultados.

Nesse contexto, fazemos um chamado aos atores políticos e sociais a exercerem a máxima cautela e contenção em suas manifestações e eventos públicos, a fim de evitar uma escalada de episódios violentos. Manter a paz social e proteger vidas humanas devem ser as preocupações prioritárias neste momento.

Que esta seja uma oportunidade para expressar, novamente, nosso absoluto respeito pela soberania da vontade do povo da Venezuela. Reiteramos nossa disposição para apoiar os esforços de diálogo e busca de acordos que beneficiem o povo venezuelano." (daqui)

terça-feira, julho 30, 2024

à espera de Celso Amorim

Sobre as eleições da Venezuela, importa-me saber o que dirá o embaixador Celso Amorim, enviado de Lula às eleições. E o que já disse: a divulgação dos resultados, como pediu a ONU e creio que também o Centro Carter, presente a convite do governo de Caracas. 

O que mais importa agora é o que dirá Celso, ou seja, Lula, ou seja o Brasil. 

domingo, janeiro 16, 2022

Ucrânia, o despudor

 Não tenho tido tempo para falar da Ucrânia. Como disse antes, era só os democratas voltarem ao poder nos EUA que o complexo militar-industrial começava a carburar. 

Se alguém, que não seja muito estúpido, puder explicar qual o interesse da Rússia numa guerra na Ucrânia, avance.

Entretanto, o despudor dos americanos e dos fantoches sem vergonha na cara, como essa marioneta da Nato chamada Stoltenberg, balbucia e bolsa. No Báltico, não sei se aterrorizados pela traumática experiência soviética, de duas uma: ou têm tanto medo que promovem uma escalada bélica, ou estão também ao serviço da administração americana. 

Ouvi um "especialista" em assuntos internacionais, por acidente, pois acho que o tipo é uma fraude,  Uma das coisas que disse foi haver um padrão na actuação russa, e mencionou o caso da Geórgia invadida, quando se sabe que foi a Geórgia, cujo presidente de então trabalhava para os americanos, que invadiu a Ossétia do Norte, estando Putin a assistir à abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, e que de imediato regressou a Moscovo. Um dos muitos prostitutos que andam aí no comentário internacional. 

A história da Ucrânia é mais que sabida, assim como da Crimeia. Sabida por meia dúzia, claro. E por isso intoxica-se a opinião pública, fala-se de guerra, como se tal fosse possível. A não ser que os americanos e os seus agentes estejam a pensar que há europeus em número suficiente para morrer pelos interesses americanos. Não sei o que vale o novo chanceler alemão. Macron, muito a prazo e periclitante, topa-os bem. A Inglaterra está sempre pronta para o trabalho sujo dos americanos, ainda mais com este aldrabão inimputável que está no n,º 10. Por cá, sabendo-se que temos sempre de mostrar boa cara aos nossos vizinhos atlânticos, podíamos ser um pouco menos coninhas e subservientes, como temos sido. Ouvir o ministro dos Negócios Estrangeiros Santos Silva é confrangedor. 

O Cazaquistão é outra história semicontada, ou seja: o evidente descontentamento popular com o governo local foi muito bem aproveitado. Até fazia lembrar a Ucrânia.

Por falar em coninhas, lembro-me quando outro ministro foi obrigado, em nome do governo português, a reconhecer o Kosovo. Recentemente, a farsa de Guaidó na Venezuela, em que a existência de uma larga comunidade portuguesa exigiria a (pelo menos aparente) estrita neutralidade. Emfim, não há vergonha.

terça-feira, março 05, 2013

Chávez, e depois


Sobre Chávez: líder impossível numa democracia madura (enquanto a máfia financeira não liquidar as democracias maduras), juntava várias coisas que me repugnam num líder político, entre as quais o exercício de paternalismo sobre a sociedade a que se juntava um catolicismo populista, tão do agrado das massas. Ora bem: eu que detesto líderes fortes e religião (fora dos templos, claro), ainda detesto mais a corrupção política que ele afastou do Poder, dando aos descamisados a ilusão de que contavam. E Chávez é um caso de admiração, apesar de tudo; a menor das quais não será a circunstância de ter sido um dos primeiros indígenas a chegar ao Poder.
Estará, agora, a sociedade venezuelana preparada para a transição?Ficaria espantado se assim fosse, mas estou longe e só acompanho a Venezuela pela rama.