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quinta-feira, julho 26, 2018

«A corda tensa que eu sou, / o Senhor Deus é quem / a faz vibrar...» Sebastião da Gama, Serra-Mãe (1945

Por enquanto mais nada, senão / o torvo tinir dos talheres / no banquete da morte impossível.» Rui Knopfli, «Lírica para uma ave», O País dos Outros (1959)

«Uma rapariga tem sempre a sua música / leva o dinheiro apertado num saco bordado / o retrato da amada na outra mão.» João Miguel Fernandes Jorge, O Regresso dos Remadores (1982)

sexta-feira, maio 25, 2018

«Tão pequenas / a infância, a terra.» Carlos de Oliveira, «Infância», Turismo (1942) / Trabalho Poético (1978)

«E o luar, o luar magnífico e sereno, / Só ele compreende a minha dor / Porque me beija o rosto nazareno;» Duarte de Viveiros. «Parada dos ângulos agudos» Obra Poética (1960, póstumo)

«Nós, meninos, paralisados de medo / e espanto.» Rui Knopfli, «O monhé das cobras», O Monhé das Cobras (1997)  

quinta-feira, maio 17, 2018

«Por vezes as cartas geográficas representam / uma aldeia marítima entre rochas / muros brancos / onde uma criança desenha um barco esconde / o mar.» João Miguel Fernandes Jorge, Alguns Círculos (1975)

«Depois, / com valados, elevações e planuras, e mais rios // entrecortando a savana, e árvores e caminhos, / aldeias, vilas e cidades com homens dentro, / a paisagem estendia-se a perder de vista / até ao capricho de uma linha imaginária.» Rui Knopfli, «Pátria», O Escriba Acocorado (1978)

«Quantos há que passaram entre as turbas, / Os felizes do mundo, as alegrias, / E ninguém os viu rir!» Gomes Leal, «Trevas», Antologia Poética (s.d.) (ed. Cecília Barreira)

segunda-feira, maio 14, 2018

«O sol descia rápido, já perto / De seu diurno termo, começava / A distinguir no verde-mar das águas / A açafroada cor de que se adorna / No ocaso derradeiro.» Almeida Garrett, Camões (1825)

«Se ao meu ouvido / Chega o rugido / Do teu vestido / Indo a roçar, / Que som me vibra / Não sei que fibra, / Que me equilibra / A mim no ar?» João de Deus, «Casto lírio», Campo de Flores (1893)

«Um caminho de areia conduzindo a parte nenhuma.» Rui Knopfli, «Pátria», O Escriba Acocorado (1978)

quarta-feira, maio 09, 2018

«O meu destino é outro -- é alto e é raro.» Mário de Sá-Carneiro, «Partida», Dispersão (1914)

«Venho de longe, no verbo latino, no axioma / grego, fui escravo no Egipto, homens / morreram a meu lado e vendo-lhe os olhos / agónicos e súplices, voltei horrorizado o rosto.» Rui Knopfli, «Proposição», O Escriba Acocorado (1978)

«Ontem choveu sem descanso / e fizemos tudo mal.» Rui Pires Cabral, «"We are flint and steel to each other."» Oráculos de Cabeceira (2009)

sexta-feira, maio 04, 2018

«Servidor incorruptível da verdade e da memória, / escrevo sentado e obscuro palavras terríveis / de ignomínia e acusação.» Rui Knopfli, «Proposição», O Escriba Acocorado (1978)

«e agora ao chegar à fechadura / arranco estes botões de velha agrura / e grito -- é doce amar-te na berma dos cinquenta.» Cristóvão de Aguiar, «Na orla dum soneto», Sonetos de Amor Ilhéu (1992) 

«E tudo arde o ar que queima é obscuro é luminoso / O real anda num furor da tarde cai a luz difusa / O real queima o ar que arde a vaga forte a luz intensa» Luís de Miranda Rocha, Os Arredores do Mar, os Subúrbios da Noite (1993)

quinta-feira, abril 26, 2018

«Depois da chuva o Sol -- a graça.» Sebastião da Gama, «Poesia depois da chuva», Pelo Sonho É que Vamos (póst., 1953)

«Palavras, substância, ideia, / persistentes e danosos vermes / da memória, em várias chamas / variamente ardendo, com sôfrega / raiva vos devoro.» Rui Knopfli, «Tradição», O Corpo de Athena (1984)

«O amor, a própria morte nos aumenta / Sua luz obscura -- que nos alimenta.» Alberto de Lacerda, Átrio (1997)

quinta-feira, abril 19, 2018

«Fluida, indecisa, volátil, / inconcreta, a ideia não se submete facilmente / ao cerco insidioso / da palavra.» Rui Knopfli, «Ideia do poema», O Corpo de Athena (1984)

«Que o nome que era o seu o persigam os ecos, / O gritem no deserto as gargantas com sede, / O murmurem no escuro os mendigos com frio, / O clamem na cidade as crianças com fome, / O soluce o amante de súbito impotente, / O maldigam no exílio as almas sem descanso.» José Carlos Ary dos Santos, «In memoriam», A Liturgia do Sangue (1963)

«de toda a mais volátil / é a categoria tempo» Fernando Assis Pacheco, Memórias do Contencioso (1976)

terça-feira, abril 17, 2018

«O que mais me inquieta, Senhor, / é não ter a certeza, / ou mais ter a certeza de não valer a pena, / é partir já vencido para outro mundo igual.» Pedro Tamen, «Noé», Analogia e Dedos (2006)

«Nenhum inferno é maior do que a voz traída / e nenhum bem vale o da sua integridade.» Rui Knopfli, O Corpo de Athena (1984)

«Mocinha escondida / por trás da janela / -- quanto mais não vale / a rosa encarnada / que a rosa amarela!...» Sebastião da Gama, «Janelas de Estremoz», Pelo Sonho É que Vamos (póst., 1953) 

sexta-feira, abril 13, 2018

«É a vida a dar socos na porta.» José Régio, «Meu menino, ino, ino», As Encruzilhadas de Deus (1936)

«Eu, estupor me confesso» Pedro Tamen, «Alexandre VI», Analogia e Dedos (2007)

«Tenho só este exíguo e perplexo pecúlio / de palavras à beira do silêncio.» Rui Knopfli, O Corpo de Athena (1984)

quinta-feira, março 22, 2018

«Podes tu, que apenas chegas e tudo ignoras / das traiçoeiras dificuldades experimentadas / nos lameiros que atolam o percurso / antes da pirâmide, proferir a primeira // palavra, como quem percute em festa / o cristal novo do sino alvissareiro.» Rui Knopfli, «Notas para a regulamentação do discurso próprio -- 1.»,  O Corpo de Athena (1984)


«Flor é esta entre os lábios / Rosa vermelha de cio», António Jacinto, «Lutchinha», Sobreviver em Tarrafal de Santiago (1985)


«A palaciana / Casa / Do Sul / Destruída / Pelos bárbaros», Alberto de Lacerda, «611 West 17th -- Austin»Átrio (1997)

quarta-feira, março 14, 2018

«Como aquelas taças pesavam / Quando vazias até nós vieram... / Depois ficaram quase esvoaçantes / mal o vinho dentro lhes puseram:» Abu al-Abdari / Adalberto Alves, O Meu Coração É Árabe (1987)

«E ficava por vezes assim // Encantado» Alberto de Lacerda, Átrio (1997)

«O verbo hesitar / lhe empresta o tónus correcto, no silêncio / respira, a sombra lhe dá corpo.» Rui Knopfli, «Notas para a regulamentação do discurso próprio -- 1.»,  O Corpo de Athena (1984) 

segunda-feira, março 30, 2015

A posteridade de H. H.

Não me refiro à posteridade literária, como é óbvio, à perenidade da obra, ao lugar que ela ocupa na poesia. Se tivesse de fazer o difícil exercício de congeminar uma lista com meia dúzia de nomes dos, para mim, maiores poetas da segunda metade do século XX, Herberto Helder faria parte dela, com Alberto de Lacerda, Alexandre O'Neill, António Ramos Rosa, Rui Knopfli e Ruy Belo -- e teria de deixar de fora muitos que me assombram..
A posteridade a que me refiro é outra, a patrimonial e identitária. Percebo perfeitamente o apelo do seu filho, Daniel Oliveira, para que não desatem os poderes públicos ou particulares a homenagear o poeta, com nomes de rua, estátuas e bustos, etc. Guardado porém o decoro temporal necessário para não violentar quer a memória de Helberto Helder, quer a legítima vontade dos seus descendentes, não creio que ele tenha possibilidade de ser acatado.
Os grande autores não se pertencem, é uma banalidade escrevê-lo. E se cada cada vez menos se pertencem em vida (é ver a poesia de HH espalhada por blogues e pelas "redes sociais"), muito menos depois de ela findar. E ainda bem que assim é. Não há como não preservar e assinalar, por exemplo, a casa onde o poeta nasceu e aquela em que morreu (a Rua do Mercado, nº 7, em Cascais). E quem diz estes vestígios palpáveis da memória dele (e, de há muito, nossa), diz outras manifestações inevitáveis que a comunidade imperiosamente não pode deixar de promover.
Como pedir à Madeira que deixe o seu maior poeta entregue apenas aos seus livros? É, entre outras, uma questão de sobrevivência da própria comunidade.

sexta-feira, fevereiro 21, 2014

2 ou 3 epígrafes

Rui Knopfli    «Tenho só este exíguo e perplexo / pecúlio de palavras à beira do silêncio.» (em Na Orla da Tinta, de Fernando Jorge Fabião.)
Manoel de Barros   «Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.» (em Fronteiras Perdidas, de José Eduardo Agualusa.)

domingo, junho 11, 2006

Nenhum inferno é maior que o da voz traída / e nenhum bem vale o da sua integridade
Rui Knopfli

quinta-feira, novembro 17, 2005

Antologia Improvável #75 - Rui Knopfli (3)

CAFÉ DE PENUMBRA

Escasso como a praceta defronte,
como a ilha, como o céu estrangulado
pelo aperto dispneico das vielas.

Café de penumbra e pouca gente
antiga e parecida ao tédio da manhã.
Três funcionários públicos (guarda-
-fiscal um) e dois empregados
comerciais debitando sentenças
em surdina. Um pracista
à míngua de clientes e o lazer
de um poeta de passagem.

Na mesa dos fundos, sob o claro
quadrilátero da janela -- e para nossa
edificação -- um arabista paulatino
traduz do francês um texto urdu.

A Ilha de Próspero / Obra Poética

Knopfli









Caricatura de Vasco

quinta-feira, setembro 01, 2005

Antologia Improvável #46 - Rui Knopfli (2)

O LIVRO FECHADO

Quebrada a vara, fechei o livro
e não será por incúria ou descuido
que algumas páginas se reabram
e os mesmos fantasmas me visitem.
Fechei o livro, Senhor, fechei-o,

mas os mortos e a sua memória,
os vivos e sua presença podem mais
que o álcool de todos os esquecimentos.
Abjurado, recusei-o e cumpro,
na gangrena do corpo que me coube,

em lugar que lhe não compete,
o dia a dia de um destino tolerado.
Na raça de estranhos em que mudei,
é entre estranhos da mesma raça
que, dissimulado e obediente, o sofro.

Aventureiro, ou não, servidor apenas
de qualquer missão remota ao sol poente,
em amanuense me tornei do horizonte
severo e restrito que me não pertence,
lavrador vergado sobre solo alheio

onde não cai, nem vinga, desmobilizada,
a sombra elíptica do guerreiro.
Fechei o livro, calei todas as vozes,
contas de longe cobradas em nada.
Fale, somente, o silêncio que lhes sucede.

O Corpo de Atena

Rui Knopfli

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segunda-feira, maio 16, 2005

Antologia improvável - Rui Knopfli

ARDE UM FULGOR EXTINTO

Arde um fulgor extinto
no longe da tarde agoniada.
Não me pesaria tanto
a caminhada se, em lugar do dia,
no seu extremo achasse a noite.

Exacta e concisa é a claridade.
Não mente à luz o que a noite
ilude. Terrível destino
o de quem é nocturno à luz solar.

Não vos ponha em cuidado,
porém, este meu penar:

são palavras e não sangram.

Mangas Verdes com Sal / Obra Poética