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quinta-feira, maio 24, 2018

«Toda a gente foi domingo / alguma vez.» A. M. Pires Cabral, «Degradação», Arado (2009)*

«Têm as mão brancas de sal / E os ombro vermelhos de sol.» Sophia de Mello Breyner Andresen, «Os navegadores», Mar Novo (1958)**

«Nas ondas sozinhas / Nem um navegante / Nem aves marinhas...» António Pedro, «Canção dum mar ao largo», Ledo Encanto (1927)***

* Resumo -- A Poesia em 2009 (edição de José Alberto oliveira, José Tolentino Mendonça, Luís Miguel Queirós e Manuel de Freitas, 2010)
** Caminhos da Moderna Poesia Portuguesa (ed. Ana Hatherly, 1960)
*** No Reino de Caliban I (ed. Manuel Ferreira, 1977)

quarta-feira, maio 02, 2018

«Levanto-me de manhã amarrotado / pelo peso inclemente das mentiras / e vazo no real outro real / das letras que ninguém vislumbrará.» Pero Tamen, «Herzog», Analogia e Dedos (2006)

«Conforme / Tu vibras os cristais da boca musical, / Vai-nos minando o tempo, o tempo -- o cancro enorme / Que te há-de corromper o corpo de vestal.» Cesário Verde, «Ironias do desgosto», O Livro de Cesário Verde (póst., 1887)

«Mas não seria, até um crime, / preferível ao betão raso deste dias?» Manuel de Freitas, «Avanti Marinaio», Walkmen (2007)

quinta-feira, abril 12, 2018

«Quando os lobos uivam e aberta já está a lua, / as flores amargas dos teus olhos / desfazem-se aos meus pés.» José Agostinho Baptista, «Desamparo»Agora e na Hora da Nossa Morte (1998)


«Do visto vos aviso: a vida não é / a retorta infindável, que destilará / esse metal puro, o nada, / nem o pó, que sem estrépito, / assenta no pó -- é a sucessão / de dias pequenos e resultados desportivos / para a qual não fostes convidados.» José Alberto Oliveira, «Manifesto»,  Mais Tarde (2003)


«Se nenhum deles, a acreditar no Google, deixou cadastro / cultural foi porque a vida, ou nem sequer a vida, / sabotou as adolescências de que fui breve testemunha.» Manuel de Freitas, «Victims of the dance», Walkmen (2007)

domingo, junho 04, 2017

Toleramos o insuportável / com insuportáveis venenos.
Manuel de Freitas

sábado, novembro 26, 2016

O endereço de um beijo perde-se facilmente.
Manuel de Freitas

quinta-feira, setembro 01, 2016

O que faltou, noite após noite, / foi exactamente a poesia.
Manuel de Freitas

segunda-feira, março 14, 2016

microleituras

Tropeções num quotidiano nada épico, por vezes sujo, «coisas de que nem fica bem falar.» (p.20), mas sombras de Tom Waits. A amizade, porém, emerge.

Manuel de Freitas, O Coração de Sábado à Noite (2004)






1 poema:

ALL STRIPPED DOWN

Cavalheiro idoso, calvo e sem jeito
para foder procura quem o ature
e acredite (às vezes) na ressurreição.

Nunca leu livros, cospe grosso
e ronca. Assunto sério: morrer com alguém.


(também aqui)

sábado, janeiro 02, 2016

O problema é meu, reconheço.
Manuel de Freitas

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

segunda-feira, outubro 09, 2006

Antologia Improvável #168 - Manuel de Freitas (3)

STABAT MATER IV

A luz fria de Dezembro consentiu
que erguesse a mão, a que nada
tinha para dizer. No dia em que fazia anos.

"Tudo morreu" -- voltou a dizer Aurora, Dona
Aurora, última sobrevivente de um bairro
em que pretos e ucranianos procuram como ela
comprar mais barato tudo aquilo que nos mata.

A quem deixará, não sabe, tantas bonecas,
coisas de perder concretas, de Espanha
ou de longe trazidas. O tecto -- reparem --
caiu um pouco mais. O frigorífico está desligado.
São poucos os clientes que lhe suportam
a miséria, panela de couves sem lume.

Com a poesia, bem sei, é a mesma coisa.
Mas eu prefiro esta taberna a todos os poemas
que já li. Não foram muitos, de resto.

Encostamos a porta -- uma caixa de bolachas,
pelo dia dos seus anos, dirá a ninguém
que estivemos ali. Dois dias antes do Natal,

à espera de que tudo finalmente morra.

A Flor dos Terramotos

domingo, agosto 20, 2006

Mais estranho, sempre, é sobreviver / a isto, fingir que não, sorrir.
Manuel de Freitas

terça-feira, abril 04, 2006

Figuras de estilo #26 - Manuel de Freitas

Falta-me a técnica, mas tenho o rancor

«Esplanada»
Game Over

segunda-feira, novembro 14, 2005

Antologia Improvável #74 - Manuel de Freitas (2)

BUT NOT FOR ME (BILLIE HOLIDAY)

Desistir do rosto, dos propósitos, das
palavras. Há sílabas assim.
Com a vergonha do afecto
emprestada ao desalinho das mesas.

Por ali, encenando a imobilidade,
a rudeza de haver dor.
Eu sei que não virás.
Bebo por ti, sem ti, contra ti,
com o coração no bengaleiro
a fingir que não, não faz diferença.

E o pior é que até faz,
por muito que ninguém o saiba.

[sic]

Manuel de Freitas

domingo, setembro 18, 2005

Antologia Improvável #53 - Manuel de Freitas

Tens uma idade breve contudo excessiva,
um corpo débil alimentado quase
somente a mezcal. Talvez seja altura
de te calares, escreveste demasiado
sem uma única vez o vazio se te render.

De que serve este lento suplício,
em palavras ou gestos? Parte
ao amanhecer como quem se esqueceu
de regressar.

Encontrarás as horas iguais a
si mesmas, a forca no lugar certo.

1989-1992

Todos Contentes e Eu Também