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segunda-feira, agosto 26, 2019

tira-se o chapéu a Macron (e a Putin)

por facilitar um diálogo de que ambos, Estados Unidos e Irão, precisam e querem. Que significado tem? Que o governo israelita e os falcões americanos estão em perda? Que o realismo venceu? É possível. O desencadear de uma guerra ali é perigosíssima, e uma das primeiras vítimas seria Israel, até porque não estou a ver muito bem (apesar da cumplicidade da Arábia Saudita com os americanos), como reagiriam a Turquia e, principalmente, a Rússia ao aniquilamento do Irão, com quem fazem fronteira.  

sábado, abril 14, 2018

Mas o Macron já mostrou as provas que diz ter do ataque químico perpetrado por Assad?

Espera-se que o faça amanhã, quando se dirigir ao povo francês, caso contrário junta-se, em estofo e credibilidade, à parelha composta pelo doido varrido do Trump e da aldrabona relapsa e contumaz May. Para nós, portugueses, já trouxe à memória um certo Zèmanel, o tal que viu as provas da existência de armas de destruição maciça no Iraque.

Suspeito que Macron não vá mostrar nada, pois hoje assistimos a mais uma fantochada encenada, também com a colaboração ou aquiescência dos russos. A pressa era tanta, que nem puderam esperar pela missão de fiscalização das Nações Unidas (parece que irá amanhã para o terreno...), não fosse aparecer mais um Hans Blixen, o sueco que liderava a equipa da ONU no Iraque, para que não se recorde.

Tratando-se duma farsa, custa menos a figura de cu-prò-ar do governo português, e cai mais no ridículo o tom enfatuadamente marcial de Marcelo, hoje, com os antigos combatentes -- gente, aliás, que o estado português trata miseravelmente, sempre de acordo com os nossos baixos padrões de conselheiros acácios e de cu-prò-ar.

p.s.- estava a ouvir um palerma a comentar no Telejornal. Que riqueza de análise, que sumo, dando por certas, claro, as tais acusações. Talvez tenha acesso directo ao Macron. Claro que desliguei a criatura e vim aqui escrever isto, ansioso por passar a coisas mais sérias.

em tempo: não sei se os russos vão retaliar. Se calhar vão também fazer de conta. Façam o que fizerem, só espero que não caiam em cima dos curdos, que tanto jeito nos deram contra o Daesh, parece que (oxalá me engane) abandonados à sua sina.

segunda-feira, maio 08, 2017

Macron e a União Europeia

Um aspecto positivo da campanha de Macron foi o da defesa da União Europeia, sem vacilações, numa altura em que ser contra ela dá assinaláveis dividendos políticos. Positivo, porque o simples bom senso e a elementar racionalidade evidenciam que não há qualquer alternativa sensata e racional, para quem não for nacionalista, xenófobo ou albanês (corrente hoxista), mesmo com a crise profunda que a UE atravessa.
É claro que esta assunção elementar de racionalidade política de pouco servirá se Macron se limitar a seguir os passos dos antecessores. Se, pelo contrário, quiser salvar a União, tem todas as condições políticas para se impor à Alemanha e respectivos satélites, condições que decorrem da autoridade moral com que soube defender o projecto europeu dos ataques da extrema-direita, e mesmo da tendência hoxizante de alguma esquerda. A aparição pública diante dos apoiantes junto da Pirâmide do Louvre ao som do Hino à Alegria coroa, pelo simbolismo, essa linha europeísta e dá-lhe ainda mais força para defrontar, dentro da UE, aqueles que por cegueira, egoísmo ou inépcia a conduziram a um beco sem saída. Força, tem-na; é só querer e saber usá-la. Se o fará, veremos. 

domingo, maio 07, 2017

na vitória de Macron

Nos dois discursos de vitória, Macron falou na validade do projecto das Luzes para a Europa e, concomitantemente, enunciou a divisa da Revolução Francesa, Liberdade, Igualdade, Fraternidade, o que foi bom. Nos tempos que correm, para mim é suficiente. O resto, o tempo o dirá.

quinta-feira, maio 04, 2017

o debate Macron-Le Pen, ou o deus-milhão e o campo de concentração

Assisti a quase todo o debate. Excessivamente agressivo de parte a parte, mas já se esperava. Le Pen a encostar Macron a financismo predatório, sem novidade; Macron a mostrar a verdadeira face de Le Pen, a do chauvinismo.


As coisas não são, porém, assim tão simples: reduzir Macron a homem de mão dos potentados financeiros e Le Pen a uma edição actualizada do pai, embora não seja totalmente falso, traduz-se num esquisso caricatural que serve para a indigência dos telejornais e para a fauna peticionária do facebook, mas que resulta num primarismo de análise que a complexidade do(s) problema(s) não sustenta.


Macron deixou Le Pen a patinar com a questão da saída da França do euro, neste sentido: numa economia integrada como a da Zona Euro, o abandono de um dos seus membros, neste caso a França, traria uma avalancha de custos que resultaria insustentável para o status quo, não apenas económico mas também político. Macron tem aqui toda a razão, mas  o que nenhum disse é que a saída da França do euro implicaria o fim da moeda única, e, nesse caso, o problema posto por Macron deixaria de existir. Não havendo moeda única, seria o regresso às moedas nacionais, e aí, a França, como uma das grandes economias mundiais, teria argumentos superiores a outros países, como, por exemplo, Portugal. Le Pen poderia ter explorado este caminho, no entanto, é possível que tenha querido evitar abordar (mais) um cenário de débacle, guardando possíveis argumentos para a sua proposta de referendo sobre a permanência da França na União Europeia.


Le Pen tomou a iniciativa e marcou pontos no tema do radicalismo islâmico. Fez orelhas moucas ou esquivou-se como pôde às farpas desferidas por Macron sobre o cadastro da Frente Nacional em matéria de racismo e xenofobia e revolveu, e bem, a chaga do laxismo da república em relação ao fundamentalismo islâmico, ao defender, e de novo bem, a dissolução de todas essas pretensas associações culturais e desportivas espalhadas de norte a sul da França, fachadas legais e veículos do fascismo islâmico, contando com a cumplicidade interesseira dos maires, da direita à esquerda, a troco duns milhares de votos para as respectivas reeleições. E tão bem sucedida foi nessa argumentação que, onde Le Pen dizia mata!, Macron jurava esfola!.


Acredito numa vitória de Macron, por poucos, no que será uma derrota para esta V República, que parece moribunda. Quanto a Le Pen, penso que terá uma grande votação, o que fará sempre dela uma vencedora, e, numa conjuntura semelhante, futura presidente.


Quanto aos democratas e pessoas de esquerda que dizem não votar em Macron, o único qualificativo que lhes assenta é o de tontinhos, pois se estamos em modo de caricatura, a escolha que se lhes apresenta é esta: o 'deus-milhão' ou o campo de concentração. Há dúvidas entre um e outro?...