terça-feira, maio 29, 2018

eutanásia: há reservas respeitáveis e conversa fiada de catequista

Ao contrário do que escreveu uma moralista de serviço, o PCP não se juntou ao CDS contra os projectos para a despenalização da eutanásia; ao contrário, os dois partidos distinguem-se muito bem.
Apesar de discordar da posição do PCP, que, como é seu timbre, secundariza (para dizer o mínimo) a liberdade individual, percebe-se que há ali um receio sério pelas consequências que, para os mais desprotegidos, adviria da legalização daquela prática; receio que só tem razão de ser  no caso de incompetência do legislador (não seria a primeira vez) ou duma permissividade que não passará pela cabeça da maioria dos proponentes. As reservas do PCP são, no entanto, respeitáveis, quando a ética social chafurda na lama do mercantilismo do quotidiano.
Já o CDS, tal como sucedeu no caso dos colégio privados, não passa do berloque da quinquilharia religiosa que pretende impor aos cidadãos o atraso de vida das suas estúpidas crendices.

4 comentários:

Jaime Santos disse...

Não vejo sinceramente onde é que uma suposta conceção economicista do SNS, de que fala o PCP, entra na discussão da eutanásia. Só talvez num cenário que estaria próximo do visto no filme 'Soylent Green'. Seria preciso que um conjunto de garantias previstas nos projetos de Lei, assim como a vigilância geral dos clínicos, de jornalistas e da sociedade em geral falhasse em toda a linha para que isso acontecesse.

Atribuo a posição do PCP porventura a algum conservadorismo social (como diz, o PCP continua a desvalorizar a autonomia dos indivíduos, fruto da sua filosofia anti-Liberal) e talvez à influência do pensamento católico em muitos dos seus membros, sem que a conversa de catequista transpareça abertamente.

Contrariamente ao meu caro, prefiro que ela esteja bem à vista, porque assim sabemos ao que as pessoas vêm, a sua oposição é de princípio e não baseada em falácias como a da questão da rede de cuidados paliativos, que não é uma alternativa à eutanásia e que deve existir sempre (falácia também elencada pelo PCP), ou os ditos perigos de derivas inexistentes numa sociedade aberta (note-se, claro, como muitas vezes tal oposição de princípio vem justamente misturada com falsos argumentos).

Mas, mesmo que não se vislumbre exatamente a razão da posição do PCP, a simples prudência pode explicá-la.

Mas claro, aquilo que cheira menos a água benta é sempre mais fácil de aturar...

Ricardo António Alves disse...

A posição do PCP, apesar de muito enroupada, parece-me bastante clara. (Não vi o filme, vou espreitar a traila). Não sou, no entanto, tão optimista como você quanto às defesas da sociedade aberta perante os abusos da rapinagem. Claro que acabarão sempre denunciados; mas até isso acontecer, os danos são sempre vastos e fundos.

maria franco disse...

Sou a favor da despenalização, mas a legislação deve
ser muito bem feita,estando em causa a vida e a morte
do ser humano.

Ricardo António Alves disse...

Sem qualquer dúvida.