sábado, fevereiro 25, 2017

microleituras

Missiva extraordinária, com tudo o que tem de excessivo e profundamente sentido, emanado da personalidade trágica de Mouzinho de Albuquerque (1855-1902). Um estilo literário intenso, determinado e austero de quem estava, pelos princípios e pela formação, impedido de contemporizar. Mouzinho, que não se revia no seu tempo, «época de dissolução», culpava as elites pela desintegração do Portugal imperial. É visível uma proximidade do cesarismo de Oliveira Martins, fantasiosa teoria de enlace entre o rei e o povo, ainda não estragado pela venalidade da burguesia e alguma aristocracia. D. Carlos disse-lhe: «Faze dele um homem e lembra-te que há-de ser rei»; e Mouzinho quis fazer de Luís Filipe um rei-soldado, exército em que concentravam todas as altas virtudes pátrias de autoridade, disciplina e sacrifício. De como essa simbiose inconstitucional teria possibilidade de concretizar-se foi algo que o suicídio do aio e o regicídio, aliás torpe, não permitiram aferir.
Uma palavra para a edição miseranda, sem uma nota de contextualização, folheto provavelmente impresso para propagandear as glórias do império e do regime, por ocasião da Exposição do Mundo Português.

incipit: «Meu Senhor / Quando Vossa Alteza chegou à idade em que a superintendência da sua educação tinha que ser entregue a um homem Houve por bem El-Rei nomear-me Aio do Príncipe Real.»

Mouzinho de Albuquerque, Carta de Mouzinho de de Albuquerque a Sua Alteza o Príncipe Real D. Luís de Bragança

2 comentários:

José Pimentel Teixeira disse...

obrigado Nunca li, lá vou procurar

Ricardo António Alves disse...

Viva,
há uma edição recente na Babel / Ática.