segunda-feira, fevereiro 06, 2017

a trolha na Ucrânia, a lata do Boris Johnson e a resposta que só Trump poderia dar a um jornalista pacóvio

O Boris Johnson, um beto para o qual se necessita de paciência extrema, vem à reunião da UE perorar sobre a Rússia, liderada pelo killer do Putin, e os líderes europeus fazem as habituais figuras de estúpidos. Líderes europeus que contam, note-se; porque os que até agora quase não contam, como António Costa, podem ter as posições sensatas e inteligentes que quiserem, porque lhes é igual ao litro. Merkel faz que não houve, Hollande, sempre imbecil, sente-se amparado na sua imbecilidade, Mogherini cacareja parvoíces -- e todos fazem boa cara à impertinência dos ingleses, em vez de os mandarem calar, por ausência total de legitimidade para exigir, dar, sequer aconselhar o que quer que seja na UE.
Não, isto está lindo. Não acompanho apenas a ralé de boa parte dos prostitutos & avençados do jornalismo económico, parvos por concordarem com o Xi Jinping na defesa dos mercados. Não, pá. O Trump, apesar dos balbucios, também diz coisas certas. Vejam como ele entalou o pacóvio da Fox News, que, ao falar de Putin, acrescentou: «É um assassino. Ele é um assassino!» E só o Trump, no gozo de toda a impunidade que lhe dá 1) o Poder, 2) o dinheiro próprio, 3) o apoio das massas, poderia ter respondido: «Então e nós? Somos ou não somos uns grandes filhos da puta?!»
Brilhante.

12 comentários:

Mister Vertigo disse...

A notícia ainda é um bocadinho subterrânea, mas fala-se no nome de François Hollande para o lugar de Donald Tusk.
Segundo uns amigos da Galaxia o estado da terra degrada-se muito mais devido à classe política do que às alterações climáticas.
Bom dia!

Ricardo António Alves disse...

O lugar indicado para um factótum...

Jaime Santos disse...

De acordo que Johnson é um beto idiota, que Hollande é um pateta fora de prazo e que a réplica de Trump foi muito boa, considerando a capacidade de vocabulário da personagem (o que ele deveria ter dito é que como Presidente não lhe cabe fazer apreciações sobre a culpabilidade de líderes estrangeiros, que é matéria para tribunais). Mas então faz-se o quê? Não se vai intervir para não causar a III Guerra Mundial e porque já se fez disparates que chegassem, que julgo também ser a sua opinião. Calamos a boca e deixámos passar em branco, é? E, já agora, levantámos também as sanções, para Putin perceber que deitamos a toalha ao chão e ir invadir uma qualquer outra ex-República? Assim, a modos que, uma que seja membro da NATO? Da última vez que isto aconteceu e se declarou 'It is peace in our time', o resultado não foi lá muito famoso...

Ricardo António Alves disse...

Você toma a propaganda anti-russa por boa. Eu não, desconfio.
O escalar da guerra no leste da Ucrânia veio mesmo a calhar. É ver os papagaios dos telejornais e debitarem as 'notícias' bem orientadas. É em catadupa, e a temática é vasta.

A que propósito a Rússia invadiria as outras repúblicas? Ganharia o quê, com isso, quando a Polónia protofascista e os países do Báltico já estão na Nato? Você acredita que o Putin invadirá assim a Estónia, a Letónia e a Lituânia, sem mais? A propósito de quê? É o delírio, para o qual nos querem arrastar. (Já lá andamos, armados em parvos, com os nossos F16.) Ainda se o Trump dissesse 'invade', 'invade', mais umas provocaçõezitas com russos mal tratados, coisas que tpdps os serviços secretos sabem fazer bem...

Mas que raio de intervenção quer você? Uma guerra com a Rússia, por causa das provocações na Ucrânia com os mafiosos lá do sítio e na Geórgia com os mafiosos que também eram agentes da CIA? Ou você pensa que são só os serviços secretos russos que fazem maroteiras? III Guerra Mundial? É o que eu digo, é o delírio. Porém insano e perigoso.

Não acha que o constante argumento de '39, à Neville Chamberlain é ridículo e serve apenas os que estão apostados numa escalada belicista? O Putin é Hitler?... Está bem, he's a killer, mas o Trump já respondeu a essa.

E que tal olharmos para a idiossincrasia da Rússia? E que tal olharmos para o cerco (ou sensação de cerco) que eles possam ter da Europa Oriental e na Ásia Central? Ou você acha que os cowboys americanos podem provocar os russos impunemente, como fizeram no tempo do Ieltsin, humilhando-os na Sérvia, aquando da intervenção da Nato?

Passar em branco, o quê? A Ucrânia? Deus me livre! Meia Ucrânia chega e sobra.
Se os russos da Ucrânia não querem ser ucranianos, estou com eles. Como estou com os catalães, já agora, decidam o que decidirem.
Dá imenso jeito à propaganda anti-russa dizer que o referendo na Ucrânia não é válido, por montes de razões. Para mim é mais do que válido. O que não é válido é o Kosovo, patrocinado pelo Clinton e pela Alemanha & seus patetas.
Se mais argumentos não houvesse em favor dos russos, que os há que baste, bastava uma palavra: Kosovo. Kosovo devia obrigar as Mays, os Clintons, patetas como o Hollande,a própria Merkel a estarem caladinhos.

Não tenho rabo para critérios duplos, e ainda menos paciência tenho para o papel de estúpidos que fazem países de soberania limitada como Portugal (honra seja a Costa, que se demarca como pode deste embuste), que alinham com interesses alheios e prejudicam-se a si próprios com as sanções económicas, que estão a fazer imenso efeito.

Jaime Santos disse...

Sabe, depois dessa sua longa jeremiada, vou responder-lhe simplesmente com uma pergunta? Acredita sinceramente que Putin tem controle absoluto sobre os movimentos independentistas russos? Acredita que ele tem controle absoluto sobre o que acontece na Rússia? Pois, olhe, eu não acredito. E parece-me do mais elementar bom senso nesta fase não escalar a situação e continuar a mostrar firmeza, e quero lá saber da hipocrisia, que não é para aqui chamada. Porque se não se mostrar firmeza, pode ser que aconteça justamente o que você diz. Um grupo pró-russo faz uma manifestação num dos Estados Bálticos que fica fora do controlo e é violentamente reprimida, segue-se resistência armada e repressão pelas forças armadas locais e depois Putin pode não ter outra alternativa que não a de intervir. Não me venha com a dos mafiosos ucranianos, porque eu atiro-lhe com o simples facto de que os outros que estão do lado de lá também não são nada recomendáveis. Putin provavelmente agradece se lhe forem dadas boas razões para ficar quieto. P.S. Eu podia igualmente acusá-lo de engolir propaganda putinista, sabe, mas pelo respeito intelectual que me merece e por saber que você pensa pela sua cabeça, não o faço. Portanto, agradecia que largasse a má disposição, se cingisse aos argumentos e não enveredasse pela falácia do 'killing the messenger'...

Ricardo António Alves disse...

Meu caro, você pede-me o impossível, que é largar a má disposição.
A jeremíada, como você diz, é o único recurso que tenho para falar das patifarias dos donos do mundo, que resultam no sacrifício de milhares de inocentes que apenas querem viver em paz. Por isso, enquanto puder, jeremio.

Claro que não acredito que ele controle tudo, como não controlou os secessionistas do leste da Ucrânia, daí que o antiputinismo me pareça primário quando se trata de geopolítica.

O seu cenário no Báltico é completamente inverosímil no contexto actual. Putin nunca se atreverá a atacar um país da Nato, toda a gente o sabe. Qual seria o benefício para a Rússia?, repito a pergunta.

Venho com os mafiosos, venho, dos dois lados, porque não houvera de vir? Claro que eles não têm o exclusivo da mafiosidade, que vai do Atlântico aos Urais.

Quanto à hipocrisia, você não quer saber. Os russos e os americanos, as potências em geral também não, mas envenena tudo.

Jaime Santos disse...

Claro que quero saber da hipocrisia, mas ou somos todos santos (coisa impossível), ou então temos que nos calar perante as patifarias alheias. A hipocrisia é sinal de vergonha e a vergonha é um poderoso travão ao comportamento. Sempre me irritou um Chomsky cuja atitude se levada ao limite redunda no isolacionismo absoluto. Prefiro uma comunidade internacional hipócrita a estados metidos na sua vidinha, porque haverá sempre alguns que não se metem apenas nela, e sim na dos outros. Pergunta-me qual o benefício para a Rússia de um ataque a um estado báltico. Para mim, nenhum, mas os estados não atuam sempre de forma racional (olhe para o comportamento dos ucranianos) e por vezes, como você bem referiu, 'things get out of hand'... Se a posição ocidental for julgada fraca (e é, no momento, depois das declarações de Trump na campanha), a Rússia pode ser tentada a ver até onde pode ir... Por isso, é prudente manter a pressão. E, claro se os russos ajudarem a resolver a situação na Ucrânia oriental (a anexação da Crimeia é irreversível, mesmo sendo ilegal) aí os EUA e a UE devem levantar as sanções. Mas 'tit for tat' e certamente não na situação presente. E pode jeremiar o que quiser, largue é a má disposição comigo, ok? Também sou suscetível e não gosto nada que me digam que só leio propaganda anti-russa. A minha leitura da imprensa é em grande medida convencional, mas apenas porque tenho ainda menos confiança na dita imprensa alternativa, que está cheia de gente com teorias de conspiração na cabeça...

Ricardo António Alves disse...

Se nos calássemos perante as patifarias alheias, o mundo seria ainda pior.Além disso, como simples observadores, seria uma atitude sem grande sentido.
Os ucranianos são duas nações no mesmo estado, disputado por dois blocos de interesses.
Continuo a achar que essa ideia de um ataque não faz sentido, mesmo que o Putin fosse um Bokassa.
Eu não digo que você só lê propaganda anti-russa, mas a sua argumentação reprodu-la. Uma coisa é termos uma posição crítica sobre o Putin, gostemos mais ou menos da personagem, ou da Rússia, outra é cairmos na caricatura. E o que a propaganda anti-Putin tem feito é isso mesmo. O Putin não é nenhum anjo, tal como nem sequer o Obama o foi; o que não é preciso é ajudarmos a essa festa.

Jaime Santos disse...

Pois, precisamente, não nos pudemos calar relativamente às patifarias alheias, incluindo as de Putin, por muito que o nosso lado tresande a hipocrisia também. Não acho piada nenhuma ao 'military buildup' no Leste Europeu (e falamos de alguns poucos milhares de soldados, que nunca representariam uma ameaça de invasão para a Rússia), mas convenhamos que Putin não ajuda nada e só acicata o medo dos polacos e dos bálticos, que perante as bojardas de Trump, podem ter a tentação de se armarem até aos dentes e com os polacos pelo menos não se brinca (o contingente polaco no dia D era maior que o francês). O que defendo relativamente à Ucrânia é cabeça fria e mantenha-se a pressão diplomática, inclusive as sanções. Recompense-se a Rússia se der razões para tal. A Economia russa tem sofrido com as sanções, mas sobretudo com o baixo preço do petróleo. Por isso, a arma económica é mesmo a mais poderosa e Putin só reconhece as relações de força, como qualquer líder de uma potência militar com ambições de hegemonia regional, aliás (os EUA também, embora ainda aspirem a hegemonia global). Não se deve provocar a Rússia, mas também não se lhe deve dar qualquer motivo para pensar que o lado de cá se prepara para largar a toalha, coisa que Trump fez com aquelas bocas imbecis de dizer que a NATO estava obsoleta (seria excelente se fosse verdade, mas não é, e só um imbecil diz tal coisa em público).

Ricardo António Alves disse...

Eu defendo mais, defendo que sejamos aliados dos russos, se os russos estiverem à altura e quiserem, e nós não lhes darmos razões para que assim não possa ser.
O que o Trump diz de manhã é diferente do que diz ao almoço. Ele nem pode querer ser isolacionista, isso era no século XIX. Agora, não tem margem para isso.

Jaime Santos disse...

Quem me dera que pudéssemos ser aliados dos russos. Já me chega sermos aliados dos turcos. A questão é precisamente que os russos não estão ainda à altura de tal coisa. O regime russo não é uma ditadura absoluta mas também está longe de ser democrático (mesma coisa com a Turquia, que aliás esteve melhor do que o que era sob o regime secular dos generais, mas agora está pior sob o 'sultão' Erdogan). É melhor que Putin seja mantido 'at arms length' enquanto se desenvolve a cooperação ao nível científico, cultural e económico (a Rússia precisa de se livrar da sua dependência quase exclusiva das exportações do petróleo e precisa de desenvolver uma relação sã com os vizinhos, que a temem por boas e más razões). A Rússia é profundamente desigual e será necessário que se desenvolva e que se crie uma classe média que ultrapasse os limites das cidades para que se quebre o domínio da oligarquia. A possibilidade de um regime liberal no curto ou médio prazo ficou excluída com os disparates que o FMI fez por lá nos anos 90 (numa altura em que o petróleo estava ao preço da chuva e a Rússia estava completamente vulnerável).

Ricardo António Alves disse...

Claro que não é fácil. Mas não deixo de me sorrir quando os ouço aos gritos cá em baixo e os vejo aos abraços lá em cima.