sexta-feira, fevereiro 03, 2017

O Trump a entrar nos eixos

Enfim, ainda estou para ver, dada a natureza da personagem. No entanto, um avisozinho a Israel, contra a extensão dos colonatos, não para solucionar o problema, mas para dar a ideia de alguma imparcialidade, aliás impossível no actual contexto internacional. Só que aquele problema não é regional, por isso os EUA vão procurando ganhar tempo. Tem sido essa a sua política para a região.
Por outro lado, acabamos de assistir à condenação da política russa na Ucrânia, por parte da embaixadora americana na ONU. Das duas uma: ou Trump já está devidamente enquadrado pelo complexo militar-industrial, que é o que determina em boa parte a geopolítica dos EUA, ou tratou-se de declarações para europeu ouvir e aquietar.

4 comentários:

Jaime Santos disse...

Procurando ganhar tempo quer dizer tornar a anexação dos territórios ocupados como efetiva. Quanto ao resto, espero mesmo que Trump esteja já devidamente enquadrado pelo complexo militar-industrial americano. Pode acabar a invadir um estado indefeso qualquer (nós, para nos 'libertar' da Geringonça comunista???), mas não tentará nem invadir o México, nem o Canadá ;-) e muito menos tentará comprar uma guerra com a China no Índico-Pacífico. É que os militares americanos conhecem bem o limite do seu poderio militar e não querem ir morrer em mais aventuras externas, acho eu. Se Bannon e Flynn forem encostados depressa, isso será um excelente sinal...

Ricardo António Alves disse...

Eu sempre tive mais medo do belicismo hilário, e também não me parece que os EUA queiram mais aventuras. É sempre mais seguro fazer guerras por interpostos países, mas a retórica virulenta pode ser perigosa. A China foi sempre o que me preocupou mais nesta fase. O Trump tem todo o aspecto do tipo que é forte com os fracos, de qualquer modo o poderio bélico americano é imenso.

Jaime Santos disse...

Não acho que Clinton quisesse comprar uma guerra com a Rússia, exatamente pela mesma razão que apontei acima e porque eles as têm perdido todas (Geórgia, Ucrânia, Síria). O que certamente manteria seriam as sanções económicas e é por isso que Putin favoreceu Trump (se o que os Serviços de Informações Americanos dizem é ou não verdade, isso já não sei). Agora, confesso que me assusta a retórica da suposta guerra de civilizações contra o Islão e agora o Confucianismo, parece...

Ricardo António Alves disse...

Repare, eu também acho que querer, não queria. O meu receio é o risco de descontrolo. Basta ver o que se passou com o abate do avião russo pelos turcos. O que se passa na Europa Oriental é jogo perigoso. Quanto à guerra de civilizações,não me parece, para já que esse problema se dê com a China, partindo do princípio de que se tratará de guerra comercial ou de interesses vários. Quanto ao Islão, a primeira guerra da-se no seu interior, e os muçulmanos têm sido as primeira vítimas. O Egipto parece-me um bom exemplo disso mesmo, dentro do Islão sunita.