sexta-feira, dezembro 02, 2005

escreves escreves escreves

escreves escreves escreves escreves
nada do que dizes rompe a superfície do papel
escreves escreves escreves escreves
entre o panache e a autocomiseração
o artifício e a louvaminha
o lacrimejar e a traição
escreves escreves escreves escreves
e tudo quanto escreves escreves escreves
escreves tem o selo de validade para hoje
promoção de último modelo
gravata de saldo
embuste de tablóide
passatempo de televisão

assim não foi assim é
assim será

30-X-2003

7 comentários:

Maria Noronha disse...

ih..é bonito. li um pessimismo tão deseperado que só dá para acreditar que tem de haver uma razão-raíz para se escrever

Ricardo António Alves disse...

Acho que leu bem.
Obrigado.

Ricardo António Alves disse...

Neste caso, que certamente não é o meu, Edgard, trata-se apenas de abortos...

Ou os que publicam irrelevâncias, af...

lebredoarrozal disse...

tu escreves escreves escreves muito muito muito bem:)

Ricardo António Alves disse...

obrigado obrigado obrigado Lebre

João Villalobos disse...

Eu acho que este poema revela os efeitos da dieta ;)
Vamos combinar aí uma almoçarada e depois escreves escreves escreves um poema mais "alegre" :)

Ricardo António Alves disse...

...pois se até as boas cigarrilhas pós prandiais me foram vedadas, como poderei eu escrever poemas alegres?