EVOLUÇÃO
(A SANTOS VALENTE)
Fui rocha, em tempo, e fui, no mundo antigo,
Tronco ou ramo na incógnita floresta...
Onde, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiquíssimo inimigo...
Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
Ou, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso paúl, glauco pascigo...
Hoje sou homem -- e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, na imensidade...
Interrogo o infinito e às vezes choro...
Mas, estendendo as mãos no vácuo, adoro
E aspiro unicamente à liberdade.
Sonetos Completos, edição de Oliveira Martins
Vencedores de meio Século XX: Ferreira de Castro e Vitorino Nemésio em voo
de pássaro (18)
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A segunda nota vai para a surpreendente ausência de uma mínima referência a
Raul Brandão (1867-1930) -- escritor a que Nemésio não foi absolutamente
indi...
Há 18 horas
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