sábado, abril 16, 2016

que jornalismo de referência?

A imagem da manchete do Expresso é uma vergonha.Não o título em si ("Dinheiro do caso Sócrates veio do saco azul do GES»), pois existe de facto um "Caso Sócrates", mas porque a imagem toma como sua a tese do Ministério Público: Bataglia transfere dinheiro para Barroca (do Grupo Lena), que, segundo o MP, o passa a Santos Silva, que o entrega a Sócrates, Esta é a tese, que tem de ser provada em tribunal, se o MP avançar com a acusação, entretanto já refutada pelos advogados do ex-PM . O que é miserável, é o comportamento do Expresso, na manipulação grosseira da opinião pública. Com que objectivo o faz? De certeza que pelos mais comezinhos e rasteiros. jogo político de manipulação, vendas -- ou ambas as coisas. Enfim, a pobreza do costume.


10 comentários:

Jaime Santos disse...

Quando vi a manchete e a imagem, fiquei com a impressão que Bataglia afirmava que tinha pessoalmente corrompido Sócrates. Afinal, a história é antiga, simplesmente agora sabemos a origem do dinheiro que chegou a Barroca, a acreditar, claro, em Bataglia. Os Me(r)dia da Direita no seu Melhor, a fazer jogo político de manipulação, como diz. Mas Sócrates já deveria ter entregue a relação com a imprensa a alguém que perceba do assunto, em vez de deixar os seus dois pobres Advogados a serem comidos por lorpas e a passarem por estarolas. E ele, claro, ficava era calado... Ou seja, cada vez me convenço mais que Sócrates não é suficientemente inteligente para estar envolvido numa história tão rebuscada... O MP vai acabar enredado nas suas próprias teorias, acho eu...

Ricardo António Alves disse...

É capaz de ter razão, quanto à comunicação me(r)diática. Mas o topete dos gajos a tentarem condicionar a malta, sem haver ninguém que os mande prò caralho! Já viu como sic de referia ao Lacerda Machado? Era "0 amigo" de Costa, insidiosos, como se o outro fosse um relvas qualquer...

Jaime Santos disse...

Costa pôs-se a jeito, e o mesmo acontece com o novo secretário de Estado, que tem ligações ao grupo Lena. O PS ainda não percebeu que depois do caso Sócrates, tem mesmo que ser como a mulher de César, não lhes basta serem honestos, têm também que o parecer. Virar a página da austeridade implica uma nova atitude política, não a ocupação costumeira dos tachos do Estado. Quanto a uma resposta ao lixo argumentativo que vem dos lados da Direita, isso requereria uma Imprensa combativa de Esquerda e já não há sequer um título de Esquerda, nem sequer online, compare-se o profissionalismo do Observador com o novo blogue 'Geringonça' que é um mero espaço de opinião, não um jornal. Não é sem razão que a Direita venceu o combate ideológico, ocupou a Ágora desde os anos 80 e nunca mais a largou. Toda a linguagem ideológica do rigor das contas públicas, da probidade, da livre iniciativa, da flexibilidade impregnou a nossa linguagem, sem que sequer tenhamos tomado consciência disso...

Ricardo António Alves disse...

Totalmente de acordo quanto à questão da imprensa. O problema prático, parece-me, é que a esquerda é plural e sectária; a direita, mais pó menos pó, está unida pelos negócios. É simples, até simplista, mas verdadeiro.
Quanto às ligações, parece-me difícil haver que não tenha ligações a este ou à quele grupo, excepto na função pública (e mesmo assim...). Desconheço o caso em concreto, mas desde que haja a tal transparência... E, além disso, não podemos dar por adquirido, ainda, que o Grupo Lena, que está na berlinda, tenha tido aquelas ligações todas. Não é que eu confie nos grupos económicos...

Jaime Santos disse...

Bem, diz-se que a Esquerda se une nos princípios e se divide nos interesses e que com a Direita é exatamente o contrário. Mas o problema principal é que quem tem o poder económico para comprar jornais ou para lhes pagar a publicidade que os mantém à tona é o Capital, que é de Direita (ou melhor a Direita é que é do Capital). Quanto ao caso de Lacerda Machado ou do Secretário de Estado, transparência não chega. Tem mesmo que ser à prova de bala. Na altura em que se esclarece que a dita pessoa não tem incompatibilidades ou está acima de qualquer suspeita, já os jornais de Direita se começaram a dedicar a esfolar o próximo que se pôs a jeito...

Ricardo António Alves disse...

Convenhamos que de poucos pretextos precisam, se for preciso até inventam.

Paula Lima disse...

Já leu o "Número Zero"?

Ricardo António Alves disse...

Não li, principalmente para não me deprimir :\

Paula Lima disse...

Dou-lhe alguma razão, que o rapaz lá de casa de repente, após! leitura do dito, ficou praticamente sem vontade de ler/ver notícias

Ricardo António Alves disse...

Por vezes também sinto vontade, mas, principalmente no que respeita aos jornais, o que seria deste mundo sem eles? (Não falo da circulação das notícias, porque essa faz-se cada vez mais dispensando-os; mas do gozo do papel e da compra do dito, apesar dos desgostos.)