segunda-feira, abril 18, 2016

A golpada no Brasil na blogosfera -- nos blogues que leio e do lado da democracia, é claro, já que não tenho cu para reaccionários, pastores vígaros & caciques analfabetos, e menos ainda para os que dizem que "é tudo a mesma coisa...", porque, na verdade, não é.

Os Ratos
Desordem e retrocesso
O futebol e o Carnaval foram ao circo
Depois de assistir à votação do impeachment passei a adorar o parlamento Português
Nem ordem nem progresso
Brasil - A destituição de Dilma Rousseff
Brasil
Nenhuma confiança no parlamento burguês
Brasil:Destituição de Dilma Rousseff

Um golpe parlamentar e a volta reacionária da religião, da família, de Deus e contra a corrupção

12 comentários:

Maria Eu disse...

Quem viu, ontem, o espectáculo da votação, pôde ouvir coisas inenarráveis sob a capa da bandeira verde e amarela. O Brasil corre sérios riscos de voltar a uma ditadura, desta vez disfarçada em suposta democracia. Pobre Brasil!

Boa noite, Ricardo

Ricardo António Alves disse...

Aquilo não tem qualquer disfarce, é mesmo descarado.

Jaime Santos disse...

Dei-me ao trabalho de ler a maior parte dos blogs. Magnífico pela sua lucidez (e pela sua perspetiva enquanto brasileiro) o testemunho de Boff. Mas aquele artigo sobre a desconfiança no Parlamento Burguês, Ricardo, pelo amor da santa, é indigno de ser referido num blogue como este. Os revolucionários de Esquerda e os fascistas de Direita não comungam de ideais, mas comungam dos meios. E quando os meios são iguais, eu francamente vejo poucas diferenças. A Democracia dita Burguesa tem uma suprema vantagem, permite exorcizar as diferenças entre fações pela força do voto e não pela razão da força e da violência. Não sou ingénuo e como tal não sou pacifista, mas quem prefere a bala à urna, das duas uma, ou é um fanfarrão e merece o opróbrio ou acredita mesmo no que diz e está a um passo (dependendo da coragem) de se tornar num terrorista, tão odioso como os coronéis brasileiros ou os miúdos que se fazem rebentar pelo Daesh...

Ricardo António Alves disse...

Meu caro Jaime, faz muito bem em pôr essa reserva. Deixe ver se consigo responder-lhe sumariamente.

Revolucionário de esquerda: não são, só por si uma categoria. Um anarquista é um revolucionário de esquerda, um trotskysta também, e um mundo os separa (escolhi estes por serem facilmente identificáveis e estarem, à esquerda, em campos opostos -- e ambos em opostos aos fascismos.

Democracia burguesa: sim, sim. O meu pessimismo, muito pouco de esquerda, leva-me a adoptar a máxima do Churchill. Mas falamos no parlamentarismo inglês, da social-democracia escandinava, e não daquela caricatura parlamentar em Brasília. De resto, também o parlamento português se está a tornar uma caricatura doutro tipo: não há evangélicos, os caciques são mais polidos, mas as negociatas, enfim. Aliás, os próprios parlamentos estão, em certos caso, a tornar-se instâncias de facilitação e/ou branqueamento de interesses e capitais.

Isto para dizer-lhe que tenho mais respeito por um revolucionário do que por um facilitador. Claro que o facilitador enche os bolsos custe o que custar, independentemente dos danos (colaterais) que possa causar a terceiros; um revolucionário é outra coisa: não é, certamente, o Fidel Castro (já não sei quem dizia que se o poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente); mas é alguém permanentemente insatisfeito, que foge do poder como da peste. Gosto mais deles, embora alguns possam tornar-se perigosos, é um facto.

Jaime Santos disse...

Ricardo, sei bem que prefere a Democracia dita Burguesa, por isso é que lhe coloquei a ressalva. Francamente, por muito desprezo que me mereçam os facilitadores, e já conheci vários, prefiro-os aos revolucionários (refiro-me àqueles que estão prontos a recorrer à violência). Se se sentem com dificuldades, telefonam ao advogado, não puxam da pistola. Sei bem que uma revolução social pode ser teoricamente não violenta, mas nunca conheci nenhuma. O arquétipo delas todas, que admiro muito, a feita pelos Franceses (porque a Americana foi uma meia-treta que se limitou a dar a liberdade a proprietários brancos esclavagistas) e que elevou homens negros nascidos escravos à condição de generais no início do sec. XIX, terminou afogada no sangue do Terror. Quanto à social-democracia escandinava, defunta por estes dias, sim, sim, quanto ao parlamentarismo inglês ginga mais de rabona que outra coisa qualquer, de tão corrupto que é. Pelo menos os brasileiros não foram desencantar armas inexistentes no Iraque. Mas tenho que concordar que um respeito mínimo pelas regras de decoro democráticas e a capacidade dos generais de se manterem dentro dos quartéis é uma suprema vantagem. E até os 'Provos' aprenderam que ganham mais a prazo em ir a eleições... Não nego que há alguma hipocrisia no que digo, porque pelo menos alguns facilitadores têm as mãos sujas de sangue em teatros de guerra que nunca visitaram, mas para quem tem família como eu, um facilitador é alguém que se deixará pacificamente levar pela polícia em vez de se fazer explodir... Depois, um revolucionário pode, pela reação que causa, desfazer num dia o que levou a um reformador décadas a construir...

Jaime Santos disse...

P.S. O pessimismo não é de Esquerda? Claro que é, pessimismo de pensamento e otimismo de ação, à Gramsci... Isto se a Ideologia não nos toldou a razão, claro está...

Ricardo António Alves disse...

Meu caro,
Eu não demonizo sempre a violência, depende do contexto. Quando o MPLA assaltou uma prisão em Luanda, fazendo mortos entre a guarnição, dando início à guerra de libertação, essa é uma violência mais do que legítima (bem diferente, aliás, do massacre provocado pela UPA, no norte de Angola, infelizmente com resposta simétrica dos colonos); ou quando as milícias da FZLN se organizam no estado de Chiapas, o mais miserável do México, para fazerem frente ao terrorismo de estado, ou se defenderem do crime organizado -- bendita violência.

Só uma nota: essa frase que é atribuída ao Gramsci, foi de facto citada por ele (»Cartas do Cárcere», livro magnífico), mas atribuindo a paternidade ao seu verdadeiro autor, Romain Rolland.
De qualquer modo, a frase é (muito) boa, mas trata-se, como se diz agora, de "wishful thinking".

Jaime Santos disse...

Eu também não demonizo (toda) a violência. Nas situações a que se refere, penso que ela é perfeitamente justificada. Mais, quando os capitães se meteram nos tanques para fazer o 25 de Abril, estavam preparados para recorrer à violência. Só o bom senso de todas as partes permitiu que a nossa revolução se tenha feito quase sem sangue (creio que alguns civis morreram no cerco à sede da PIDE). O meu problema é com os revolucionários de todas as estirpes que querem recorrer a ela enquanto a via democrática se encontra aberta. Porque quando se recorre à violência, temos que estar preparados para ter igualmente o sangue de inocentes nas mãos. Ora, eu não quero que os meios invalidem os fins... Quanto à citação atribuída a Gramsci, sabia que ela tinha sido escrita nesse livro, mas nunca o li, não tenho pretensões a competir consigo em cultura literária, Deus me livre. Devo dizer que a primeira vez que a li foi, creio, numa crónica de Mário Mesquita no Público, em que ele a usava para classificar o modo de pensamento de Bobbio...

Ricardo António Alves disse...

Mas, lá está, depende se se trata de democracia ou "democracia", por isso não meto no mesmo saco as Brigadas Vermelhas e a Frente Zapatista.
E, meu caro, não se rale com competições, que eu ando aqui para aprender e divertir-me (ainda hoje soube, por um blogue, que a consabida expressão de um brasileiro ser o português à solta pertencer ao Manuel Bandeira, poeta admirável). Quanto à outra frase, sou fiel ao Gramsci, que teve o cuidado de dizer a quem pertencia, atitude que repito sempre que há ocasião.

Jaime Santos disse...

Eu também ando aqui para aprender (sobretudo com quem sabe mais do que eu) e me divertir. Não conheço bem a Poesia de Bandeira, mas a que conheço é de facto admirável. Um bom exemplo é o poema 'Consoada', que me lembra o 'Vem, Noite antiquíssima e idêntica' de Álvaro de Campos. Diria que no essencial concordamos. A possibilidade da resolução pacífica de conflitos e de injustiças sociais depende sempre da situação em concreto e da natureza do regime político em questão. Se mantém laivos de democracia, a via pacífica deve ser tentada. Se não, a luta armada é justificada. Não sendo eu crente, subscrevo aqui o que diz o 'Catecismo da Igreja Católica' sobre essa matéria...

Ricardo António Alves disse...

Sim, creio que temos posições semelhantes, com mais ou menos nuances, até porque, no meu caso, e creio que com a generalidade das pessoas acontece o mesmo, as variáveis são tantas, que as atitudes e, cada situação seriam sempre determinadas pelas circunstâncias do momento. E, além do mais, é sempre fácil no conforto das nossas sociedades pacificadas, alinhavar duas ou três frases com impacto, sabendo que as consequências, havendo-as, nunca serão de grande monta. E aqui estou a ser optimista.

Alice Capelo disse...

Jaime Santos, força do voto? Onde?
Será que Temer foi eleito pelos brasileiros?
Para além de altamente corrupto pode também executar um programa politico totalmente diferente daquele que foi votado?
Pobre Brasil!
Num futuro próximo nem nos condomínios gradeados estarão seguros|