ENTRE O INFERNO E OS ANJOS
Se o amor se vestisse
de sentidos vernáculos e plenos:
um palco vicentino a acomodar
coragens de falar.
A língua transitória
caminho a meio entre
o inferno
e os anjos, e ao fundo
dessa porta, em baixa-esquerda:
a glória
de escolher o adereço certo.
A pluma mais brilhante,
a capa de veludo mais macio,
e a fivela
(que vista assim de perto, era só isso),
ali: um quase diadema.
O palco vicentino agora em cor,
o que antes só amor
agora livre,
o que era agora amor,
agora livre,
e de um ponto
vernáculo
no tempo,
vestir-me outra vez de luz,
e olhando os teus olhos
outra vez,
morrer junto à coluna de papel,
num solilóquio que marcasse o fim
do século em viragem
e em coragem de espelho ou de punhal,
oferecer-te só isso:
o som, a fúria,
mesmo sabendo-os só sentidos
vãos
Imagias / Poesia Reunida
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