domingo, janeiro 18, 2026

o que está a acontecer

«Mora a qui a insignificância, e até à insignificância o tempo imprime carácter. Mora aqui, paredes meias com a colegiada, o Santo, que de quando em quando sai do torpor e clama: -- O inferno! O inferno!. Mora um chapéu, uma saia, o interesse e plumas.» Raul Brandão, Húmus (1917)

«Este quarto não valerá a pena a senhora vê-lo, é interior, tem duas camas de leito. A senhora não gostará dele, pois não? Este aqui é um bom quarto. Cama de casal. Que às vezes já se tem deitado aí uma pessoa só. Com licença.» Olga Gonçalves, A Floresta em Bremerhaven (1975)

«Dezoito anos!... E degredado da pátria, do amor e da família! Nunca mais o céu de Portugal, nem liberdade, nem irmãos, nem mãe, nem reabilitação, nem dignidade, nem um amigo!... É triste! / O leitor decerto se compungia; e a leitora, se lhe dissessem em menos de uma linha a história daqueles dezoito anos, choraria! / Amou, perdeu-se, e morreu amando.» Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição (1862)

1 comentário:

Manuel M Pinto disse...

«Ora Fernão Mendes Pinto parece não se inculcar como fidalgo, provindo "da miséria e estreiteza da pobre casa paterna". Na Inglaterra, é verdade, apenas se tinham por nobres os titulares, duques, marqueses, etc. Mas já em França, com o antigo regime, nem todo o nobre era gentil-homem, embora todo o gentil-homem fosse nobre. E na antiga Roma bastava que se tivesse antepassados célebres ou conhecidos para se ser nobre, posto que se não pertencesse ao patriciato.»
Aquilino Ribeiro, "Luís de Camões - Fabuloso*Verdadeiro". Ensaio (1950)