segunda-feira, janeiro 12, 2026

o que está a acontecer

«Paciência... paciência... Já a mentira é de outra casta, faz-se de mil cores e toda a gente a acha agradável -- Pois sim... pois sim... / Cabem aqui seres que fazem da vida um hábito e que conseguem olhar o céu com indiferença e a vida sem sobressalto, e esta mixórdia de ridículo e de figuras somíticas.» Raul Brandão, Húmus (1917)

«Dezoito anos! O arrebol dourado e escarlate da manhã da vida! As louçanias do coração que ainda não sonha em frutos, e todo se embalsama no perfume das flores! Dezoito anos! O amor daquela idade!  A passagem do seio de família, dos braços de mãe, dos beijos das irmãs para as carícias mais doces da virgem, que se lhe abra ao lado como flor da mesma sazão e dos mesmos aromas, e à mesma hora da vida!» Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição (1862)

«A senhora está a olhar pra esta sala? É grande, é, e tem esta mobília toda, e tão alta que quase chega ao tecto. Comprámo-la com a casa. Foi quando chegámos da Alemanha, já fez agora um ano. Entre por aqui, entre. Cuidado com o degrau.» Olga Gonçalves, A Floresta em Bremerhaven (1975)

1 comentário:

Manuel M Pinto disse...

«É temerário ajuizar da extensão que poderia ter entre nós, àquela altura, a palavra nobre. Correspondia na escala social, estritamente, a fidalgo? Na pena de Correia, debaixo do ponto de vista da ordem de valores, assumia significação diferente daquela que também tem hoje: gente limpa, em contraste com gente ordinária ou vulgar? Na acepção comum podia ser uma coisa ou outra. Lê-se no antelóquio da 'Peregrinação': "Fernão Mendes Pinto, autor deste livro, natural da vila de Montemor-o-Velho, muito conhecido por nobre e de singular engenho, memória e verdade."»
Aquilino Ribeiro, "Luís de Camões - Fabuloso*Verdadeiro". Ensaio (1950)