sábado, março 17, 2018

«Diante de cada cruz pregada nos troncos da mata, tirava o seu barrete de pele de coelho, rezava uma ave-maria.» Eça de Queirós, S. Cristóvão (póstumo, 1912)

«Rodrigo, após o pequeno-almoço, tomado como sempre sob a ressaca do maldito despertador, isto é, num silêncio amuado e gestos irritadiços espreitou os ares pelas janelas das traseiras, logo deduzindo que a friagem recomendava que se precavesse com a gabardina, procurou-a debalde no cabide do átrio, ali deveria estar (foi pelo menos o que ele pensou, acusadoramente, ao chamar a mulher para que a descobrisse no roupeiro ou lá onde a fizera sumir), resmungou com a demora, conquanto o enervasse muito mais o chape-chape das chinelas no corredor, deu um brusco jeito ao cabelo, gesto esse mais de impaciência do que de preocupação no penteado, e por fim saiu de casa.» Fernando Namora, O Rio Triste (1982)

«Sabia que essa visita daria prazer a Jaime, e só por isso sentia ânimo para receber um senhor que ela sabia exigente e até um pouco malcriado.» João Pedro de Andrade, A Hora Secreta (1942)

2 comentários:

Maria Eu disse...

Um prazer de ler!

Bom sábado!

Ricardo António Alves disse...

E um enorme prazer de reler...
Também para si!