segunda-feira, dezembro 29, 2014

um silêncio de mundo parado

«E marchou para o meio dos cangaceiros, rompendo por entre os romeiros que caíam a seus pés, com a cabeça erguida e as barbas açoitadas pelo vento. Aparício, quando o viu perto, ajoelhou-se. O rifle caiu-lhe das mãos, enquanto o Santo lhe punha sobre a cabeça os dedos magros. Podia escutar-se os rumores dos bichos da terra, naquele silêncio de mundo parado. E soturno, com a voz que saía de uma furna, o Santo ergueu para o Céu o seu canto. E as ladainhas irromperam de todos os recantos do arraial. Muitos cangaceiros começaram a chorar.»

José Lins do Rego, Cangaceiros (1953)

4 comentários:

Maria Eu disse...

Uma descrição que nos faz estar lá, no meio dos cangaceiros, a ver o Santo.

Feliz 2015, Ricardo! :)

Ricardo António Alves disse...

Também a acho formidável :)

Feliz Ano!

GJ disse...

Feliz Ano, Ricardo.:-)

Ricardo António Alves disse...

Também para si, GJ!
Abraço