domingo, junho 30, 2024

Duke Ellington & Jimmy Blanton, «Mr. J.B. Blues»

1 verso de Carlos Queirós

«De mais ninguém, senão de ti, preciso:» 

Desaparecido (1935)

tempo de romance

I. «Os Visigodos».  «A raça dos Visigodos, conquistadora das Espanhas, subjugara toda a Península havia mais de um século.» Alexandre Herculano, Eurico o Presbítero (1844)

sábado, junho 29, 2024

a arte de começar - VIÚVAS DE VIVOS

«Escolhera o mestre do barco aquela noite negra, para que a Lua não assistisse à largada. Também não compareceram as estrelas, com grande contentamento do velho João Frade, posto lhes quisesse muito, mas no alto, em plena derrota, para conversar com elas  sobre coisas noutros tempos acontecidas, já que sem idade para sonhar com vida nova.»

Viúvas de Vivos (1947), de Joaquim Lagoeiro (1918-2011), aborda o tema das mulheres que ficavam anos sem ver os maridos, emigrados para a América do Norte, como outrora sucedia com as companheiras dos navegadores.

O título do romance é bastante expressivo, pois é viúva de vivo quem tem marido demasiado longe de si, na emigração, na guerra ou noutras situações extremas -- e sem perspectivas de reencontro a breve trecho.

A frase inicial transmite uma atmosfera carregada de ilicitude, de clandestinidade: há um barco que partirá de noite, tão de breu que nem a Lua poderá assistir à largada, situação reforçada a seguir com a referência às estrelas, que nessa noite não se vislumbravam.

Outra sensação que podemos colher deste incipit, trazida por uma informação objectiva que nos é dada pelo narrador, é a de que algo com um certo grau de grandeza irá ocorrer, uma vez que o "velho João Frade" é um lobo do mar, um capitão de longo curso, pois trata-se de alguém que costuma falar com as estrelas, certamente para confirmar se a rota está a ser seguida à risca.

Mas é no fim do parágrafo que o leitor fica ciente de que a emigração é um tópico central do romance -- a emigração e as suas decorrências na vida social e mental de quem a sofre, de quem parte e quem fica, ideia que percebemos bem a partir do título: João Frade já vivera tempo demasiado para que pudesse permitir-se «sonhar com vida nova.» 

Emigração clandestina e abandono das mulheres (e dos filhos) é pois o que nos dá, sem grande margem para dúvidas, título e parágrafo inicial deste belo romance, que segue por aí fora, contando-nos mais das mulheres que por cá ficaram do que dos homens que saíram, pois nelas está o foco; mas umas e outros aparecem-nos na narrativa como vítimas duma terra madrasta e medíocre, com o circuito a fechar-se no explicit, o fim da narrativa.

O tempo histórico não é referido, mas percebe-se contemporâneo, até por algumas alusões de modernidade: automóveis, um médico de visão progressiva, além do padre, a farejar o Vaticano II, ainda duas décadas à frente, personagem deliciosa a fazer lembrar a bonomia austera do senhor reitor do Júlio Dinis.

O espaço é indefinido. À medida que a narrativa avança, com alusões que poderiam referir-se a uma vasta área do litoral norte -- e digo norte, pois as festas sob a égide de determinados santos concorrem para fornecer mais dados ao leitor familiarizado com esse folguedo -- o lugar vai-se precisando, embora nunca nomeado: a aldeia de Veiros, concelho de Estarreja, terra-natal do autor.

Parece outro tempo, outro mundo, mas foi ainda ontem.

serviço público - também para o Costa, agora investido em novas funções, deixar de ser papagaio de palermas

 Viriato Soromenho Marques, "O que pensa a Rússia"

2 versos de Miguel Barbosa

«tudo o que se possa pensar / já foi pensamento socrático» 

Um Mensalão É Urgente no Meu País (2014)

sexta-feira, junho 28, 2024

Tamás Benedek, «Fratres para cordas e percussão» (Arvo Pärt)

2 versos de Sebastião da Gama

«--Trago-te no dedo / num anel que trago» 

Pelo Sonho É que Vamos (póst., 1953)

quadrinhos

fonte

 

quinta-feira, junho 27, 2024

2 versos de Mário de Sá-Carneiro

 «Tombei... / E fico só esmagado sobre mim...»

Dispersão (1914)

quarta-feira, junho 26, 2024

3 versos de Camões

«E aqueles que por obras valerosas / Se vão da lei da Morte libertando / -- Cantando espalharei por toda a parte,» 

Os Lusíadas, I.2 (1572)

terça-feira, junho 25, 2024

Assange -- e também os outros

1. O poder dos estados não hesita em massacrar o indivíduo. Após a denúncia da WikiLeaks, que revelou, entre outras coisas, os crimes de guerra cometidos pelos Estados Unidos no Afeganistão, ou que espiavam os próprios aliados (quem não se lembra do embaraço de Obama com Merkel?), o poder não ficou parado. Comprou magistrados na Suécia, engendrando um muitíssimo mal amanhado caso de "violação" num ménage à trois; e contou com a subserviência da Inglaterra e da própria Austrália, o país de Assange...

2. Só a força conjugada da opinião pública mundial com a imprensa livre pode enfrentar o poder e forçá-lo a ceder. A fórmula arranjada serve para tentar minimamente salvar a face dos Estados Unidos, que não obstante tem a seu crédito a infâmia de Assange ter estado doze anos arrecadado, primeiro na embaixada do Equador em Londres e numa prisão de alta segurança nos últimos cinco anos.

Assange não é o único. Edward Snowden, um patriota americano que revelou aos concidadãos que eram vigiados pelo próprio governo -- a quem Putin, num gesto de grande dignidade concedeu a cidadania russa por ocasião da invasão da Ucrânia -- está exilado. Mas há pior, e não nos podemos esquecer deles: Abdullah Öcalan, patriota curdo, antigo líder do PKK, preso desde 1999 na Turquia; Marwan Barghouti, palestino da Fatah, nas prisões israelitas; Ales Bialiatski, professor de Literatura e defensor dos direitos da cidadania bielorrussa; e a maravilhosa e heróica Narges Mohamaddi, coleccionadora de encarceramentos no regime clerical iraniano, por recusar-se a usar o chamado "véu islâmico" (por cá justificado pelo wokismo  idiota) -- os seja por recusar-se a ser uma pessoa de segunda classe na própria sociedade.  

2 versos de Luísa Dacosta

 «Atravessa os campos da noite / e vem.» 

A Maresia e o Sargaço dos Dias (2011)

segunda-feira, junho 24, 2024

Bob Seger, «No Man's Land»

2 versos de José Pascoal

«Tenho respeito pelos sítios / Que me dizem respeito.» 

Sob Este Título (2017)

domingo, junho 23, 2024

Cat Stevens, «Sad Lisa»

1 verso de Fernando Jorge Fabião

«Pus as mãos / sobre a tua sombra» 

Nascente da Sede (2000)

sábado, junho 22, 2024

quadrinhos

fonte

 

1 verso de Dick Hard

«Os preservativos não passam de sapatos de pénis» 

De Boas Erecções Está o Inferno Cheio (2004)

sexta-feira, junho 21, 2024

2 versos de José Régio

 «Mora-me um Poeta / Que tento esconder,»

As Encruzilhadas de Deus (1936)