quinta-feira, julho 06, 2017

o siresp

A sigla é miserável, o carnaval político em torno é nauseabundo. O tal Siresp -- de que só se ouvira falar aquando da negociata em que foi engendrado por um obscuro ministro do PSD, vindo do universo BPN e para lá retornado quando cessou funções -- é um dos muitos exemplos da forma como a direita dos interesses pilha o estado e os cidadãos, ao mesmo tempo que lança mão de 'jornalistas' prostiputos e mercenários das agências de comunicação para demonizar os serviços públicos e as funções do estado.
Não que eu seja um entusiasta do estado como entidade política -- mas é o que temos. E entre serviços e agências públicas dirigidos ao universo de cidadãos e vulgares ladrões engravatados, organizados em sociedades lusas de negócios, acho que prefiro os primeiros. 
Este país só será higiénico quando os grupos privados de qualquer sector exerçam a sua actividade com rédea curta e sob chicote, se preciso for (é assim que se trata os predadores).
Sim, nacionalização dessa porcaria, mas, já agora, deixar correr as averiguações, sem pressa de marcar pontinhos políticos, em que o Bloco é useiro e vezeiro, para que fique claro que essa é a única decisão decente. Porque é preciso ser-se muito vigarista para defender que serviços da administração interna possam estar nas mãos de privados (se não for vigarista, é estúpido, o que não atenua).

P.S. para os apressados: repare-se que me refiro a grupos económicos e não à actividade privada na economia, que não é apenas natural como muitíssimo desejável.

2 comentários:

Jaime Santos disse...

O Estado, os seus serviços e a regulação que providencia são, até se encontrar melhor sistema, a melhor garantia da própria preservação do mercado livre (e sabe Deus como eles foram enfraquecidos nos últimos 30 anos, essa coisa da auto-regulação é o mesmo que pôr as raposas a tomar conta do galinheiro). Porque se há algo que os capitalistas adoram é um monopólio rentista. Correr riscos, Deus nos livre. Agora, nacionalizar coisas só porque sim, não, até porque o BE e o PCP têm que explicar de onde vem o dinheiro (o Estado também está muito bem sob a rédea curta do Super Mário Centeno). Por isso, assino por baixo o que disse.

Ricardo António Alves disse...

Certíssimo!
Abraço