domingo, abril 09, 2017

as linhas vermelhas de Obama, a falta de linha de Trump, do sr. Bernardo Pires de Lima e do sr. José Cutileiro

Estou convencido de que a inacção de Barack Obama relativamente ao ataque químico ocorrido na Síria há uns anos se deveu às fundadas dúvidas sobre a autoria dessas acções, como qualquer pessoa intelectualmente decente e honesta, que não esteja directa ou indirectamente no teatro de guerra. E o mesmo se passa agora, como diz Tulsi Gabbard, mulher aliás admirável
Trump, que não é decente nem honesto e, intelectualmente, é duvidoso que seja alguma coisa, ensaiou a fita dos últimos dia na Síria. Está no papel dele, assim como Putin no seu. 
Nada disto é estranho; pelo contrário, é velho e revelho, e perigoso na medida em que pode haver sempre algo que corra mal nesta aparente encenação bélica.

Agora, insuportável, insuportável é ler e ouvir alguns especialistas, como me tem sucedido (ainda há pouco na rádio) a darem os ataques químicos como realizados pelo lado de Assad, quando não têm nenhuma prova, nem sequer a evidência, de que tenha sido assim. 
É o caso de Bernardo Pires de Lima, uma Hillary Clinton de trazer (cá) por casa, ou do aposentado embaixador José Cutileiro, com uma posição anti-russa que parece patológica. 
Todos podemos ter as nossas opiniões, preocupações, simpatias e antipatias -- o que não é admissível é que comentadores apresentados com o selo de garantia académica, como Lima, não passem de câmara de eco do bruaá mediático-propagandístico. 

No programa «Visão Global», da Antena 1, diz este senhor qualquer coisa como: 'O ataque químico perpetrado pelo presidente Assad'..., etc.; assim como o de há cerca de três anos, que originou as tais linhas vermelhas de Obama. Como raio sabe ele? Pois não sabe!, porque os únicos a sabê-lo são os beligerantes. Lima tem a obrigação de saber que nestes conflitos as partes chegam a provocar ataques no seu lado, para comprometer o inimigo. É maquiavélico, mas é vulgar. Se não sabe, é incompetente para ser comentador na rádio pública; como não acredito que o não saiba, é pior.

5 comentários:

Jaime Santos disse...

Obama não atacou a Síria porque Lavrov se comprometeu com Kerry que a Rússia trataria da eliminação das armas químicas de Assad, o que quer dizer que reconheceu que este as tinha (se ele as utilizou ou alguém por ele, é outra questão). Creio que concluir mais do que isso é cair exatamente na mesma presunção em que cai Bernardo Pires de Lima. Assad conduz a guerra de forma inteiramente racional e sem qualquer hubris ou desejo de vingança? Não sabemos, o que sabemos é que outros antes dele não o fizeram. Dito isto, ataques para marcar posição e sem qualquer estratégia pré-definida são um erro crasso, estratégia que não se vislumbra de todo com o Sr. Trump. Hillary Clinton seria pelo menos previsível, e a previsibilidade poderia servir como elemento de contenção para Putin e Assad...

Ricardo António Alves disse...

Pois não sabemos. E como não sabemos, é intolerável que alguém vendido como especialista diga que o sabe. Porque não sabe. Portanto, é um aldrabão. O máximo admissível seria dizer que teria aquela convicção, e que ele não passaria disso mesmo, uma convicção, um palpite. Mas isso seria esperar que fizesse jogo limpo. Como não o faz, não tenho o mínimo de complacência para com personagens destas.

A 'estratégia' do Trump só não é uma trumpada se o Pentágono já o tiver no bolso. Se isto for a sério, confirma-se. A Hillary é um grotesca harpia. Ou era, porque agora não existe, e bem.

Jaime Santos disse...

Está a dar demasiada importância ao que dizem os 'especialistas'. Já sabemos que há um conjunto de pessoas, a maioria economistas, sociólogos, advogados e especialistas em relações internacionais que ganham a vida nas televisões a debitar opiniões 'especializadas', muitas delas fruto de um achismo pouco mais bem informado do que o meu :-). Quem me dera receber dinheiro pelas minhas opiniões. Não acho nada intolerável que tal aconteça, é até algo cómico. Mas uma coisa sei. Nem Assad nem Putin são anjinhos e tenho para com eles ainda menos complacência do que para com os líderes ocidentais. Não porque acredite que sejam homens piores, mas porque estão sujeitos a muito menos controle.

Ricardo António Alves disse...

Dou importância, porque sei que são lidos e ouvidos por milhares de pessoas
Nenhuma complacência para com eles Mas zero dela também para com certos poderes fácticos. De qualquer modo, viva a imprensa livre e vivam os blogues!
(Lá mos encontrámos no G+. Um abraço)

Jaime Santos disse...

Sim, outro para si, já o devia ter seguido há muito, a possibilidade de o fazer é que ocupava um quadradinho bem pequenino no lado direito da sua página de blogue...