quinta-feira, outubro 27, 2016

Um Prémio para a dignidade do indivíduo


Muito bem dado, o Prémio Sahkharov para Nadia Murad e Lamiya Aji Bashar, de iraquianas de religião iazidi, vítimas daqueles excrementos em forma humana do Estado Islâmico. O chamado Ocidente tem muitos crimes às costas e gentalha igualmente repugnante, com bons fatos e perfumes caros; mas distinções como esta ou o Nobel da Paz atribuído a Malala Yuzafai, são também sinais de civilização, que demonstram que há fronteiras cuja transposição nem sequer em hipótese podem ser ultrapassadas. 


6 comentários:

Dream Crusher disse...

Muito merecido, mesmo. Não apaga nada, mas é uma pequena forma de a sociedade dizer "perdão" pela existência dos mentecaptos.

Ricardo António Alves disse...

E acima de tudo, mostrar ao mundo que, por cada bestialidade praticada pelos humanóides, há uma fronteira nítida que se traça, um racional e uma ética que identifica a abjecção e a repele. E mesmo que o mal não consiga nunca ser definitivamente eliminado, a razão e a ética combatem-no e expulsam-no da humanidade, em que não tem lugar.

Jaime Santos disse...

Gostava de concordar consigo, mas a questão é que só às vezes o bem leva a melhor. O mal normalmente vence. Basta pensarmos nas vítimas de Alepo às mãos dos Russos e dos sírios de Assad, ou nos inocentes que morrem nos ataques 'cirúrgicos' ocidentais, para nos lembrarmos disso. Claro, o modus operandi do dito Estado Islâmico é particularmente repugnante porque não priva as pessoas só da sua vida, mas acima de tudo da sua dignidade, em particular as mulheres. Nesse sentido, bravo pelo seu desejo de pontaria àquele sniper escocês, fez-me lembrar as palavras de Orwell que dizia que dormia bem à noite porque homens duros combatiam em terras distantes. A violência deve ser usada com toda a parcimónia, porque por melhores que sejam as intenções, podemos acabar com o sangue de inocentes nas mãos, mas sendo os homens o que são, não podemos infelizmente dispensá-la...

Ricardo António Alves disse...

O facto de o bem existir -- que começa por ser uma ausência de mal, na sua expressão mais simples --, só o facto de o sabermos e mostrá-lo, já é um pequeno triunfo da humanidade; o reconhecimento destas raparigas, bem como o de Malala, constitui um triunfo imenso, muito para além do Prémio em si.
Quanto ao sniper, deus nosso senhor o conserve, e de tiro bem certeiro.

Jaime Santos disse...

Quem diria, o Ricardo quando lhe foge a boca para a verdade, revela-se um homem de fé, mesmo que seja só de fé na pontaria de um sniper para mandar para um lugar quente e cheio de enxofre um qualquer energúmeno do Daesh ;-)... Mais a sério, Arendt disse aparentemente numa carta a um amigo que o mal era sempre banal e que na verdade só o bem pode ser radical. E é um facto, o reconhecimento da coragem destas raparigas por terem resistido e sobrevivido é um ato radical, mesmo se não tão radical como a coragem delas... Bem haja o Parlamento Europeu por isso, talvez lutar pela Europa ainda valha a pena só por gestos como estes...

Ricardo António Alves disse...

Acho que a Harendt estava carregada de razão. E sim, lutar pela Europa, por uma ideia de Europa, que sem esconder o seu passado (e às vezes o presente...), tantas vezes criminoso, de guerra e rapina, saiba defender e promover o que mais a enobrece: o triunfo da Razão sobre a crendice, com os direitos universais do homem à cabeça.