domingo, novembro 30, 2025

serviço público - Pedro Ponte e Sousa

O custo da não-diplomacia: a inevitabilidade do plano de paz para a Ucrânia e o isolamento estratégico da Europa

Neste artigo, Pedro Ponte e Sousa faz uma análise muito serena e pormenorizada da catástrofe que tem sido para a União Europeia e para a própria Ucrânia a política seguida de confronto com a Rússia -- peitar a Rússia com as costas aquecidas pela Administração Biden, abdicando de uma posição própria, que agora querem ter, quando lhes falta os meios. They don't have the cards...

O que já então era um disparate e um absurdo é-o agora ainda mais. Não é só Ursula e quem a rodeia que são uma catástrofe; também as lideranças nacionais (quase todas) , na sua estupidez incomensurável, a que se juntou uma constelação de detritos académicos e meia dúzia falcões já de pantufas postas, cuja insânia poluiu e condicionou o ambiente informativo e me(r)diático, É difícil lembrar manipulação mais rasteira, veiculada pelos palerminhas da comunicação social -- designação horrível para o verdadeiro jornalismo. 

sábado, novembro 29, 2025

Madonna e Mandy Patinkin, «What Can You Lose»

o que está a acontecer

«Uma vez, numa aula de filosofia (o professor era um pobre diabo, muito lendário pela degradação intelectual a que chegara, e a quem, certo dia, na indisciplina ruidosa que eram essas aulas, demonstrámos o argumento de Diógenes arrastando todas as carteiras, sentados nelas, para os vários cantos da sala), D. Ramon levantou-se, e objectou que todos os seres vivos tinham alma, o que, segundo as regras da ciência, era uma verdade, e não um ponto controverso da especulação filosófica.» Jorge de Sena, Sinais de Fogo (póst., 1979)

«Os atalhos velhos, abandonados, encheram-se de mato. Vai-se agora pela estrada, ou corta-se pelos caminhos abertos nos baldios pelos tractores da Câmara. Da linha do comboio de via estreita, abandonada, ficaram os carris a marcar a presença, e um ou outro poste donde pendem ainda os fios do telégrafo.» J. Rentes de Carvalho, A Amante Holandesa (2003) 

«Abro a porta devagar, ela range para o espaço do jardim. É um jardim morto, as plantas secas, os canteiros arrasados nas pedras que os limitavam. Alguns têm só terra ou hastes secas de roseiras. Vejo-as do portão, o carro à entrada a trabalhar. Depois meto-o na garagem, que é um barracão ao lado de casa.» Vergílio Ferreira, Para Sempre (1983)

sexta-feira, novembro 28, 2025

4 versos de Carlos Daniel

«Uma dor intensa / Sem motivo / E um pingar pulsado / No fundo do poço» 

Os Meus Dias (2018) - «Águas do fim»

«Nascer, Viver, Morrer» (Tim Bernardes & Capitão Fausto)

quinta-feira, novembro 27, 2025

4 versos de Antero de Quental

«Que importa o nome, a fala, / Que importa um eco ou voz, / Se quem dá nome ao nome / -- O amor -- têmo-lo nós?» 

Primaveras Românticas (1872)

quarta-feira, novembro 26, 2025

Bruce Springsteen, «Fade Away»

3 versos de Ana Hatherly

«Oh impudico // teu furor é inquieto / e imenso» 

Volúpsia (1994)

terça-feira, novembro 25, 2025

2 versos de António Jacinto

«fusão do céu e do mar / linha que não se divisa» 

Sobreviver em Tarrafal de Santiago (1985) - «Paisagem concentracionária»

segunda-feira, novembro 24, 2025

Genesis, «Visions of Angels»

4 versos de Alexandre Nave

«amanham descalças as ervas dos rios // sufocam azuis, estaladas de ferida // são fodidas à noite como fábricas» 

Columbários & Sangradouros (2003)

ucraniana CDVI - a bruxa

Pelo que ouvi, a Úrsula rejeita o chamado plano americano para a Ucrânia, ou seja a capitulação desta, ou seja acredita, estupidamente, que pode fazer frente (em nome de quem na UE?) sozinha à Rússia, contando com a crescente hostilidade dos Estados Unidos, sem falar no apoio da China e da neutralidade colaborante da Índia... Não serão o Canadá ou o Japão (entretido agora com a China...) que irão fazer a diferença.

Como a cabeça dos europeus resiste à manipulação, esta vigarista não desiste e propõe-se fazer uma grande conferência internacional sobre as "crianças raptadas" pela Rússia. Não têm vergonha nenhuma estes porcalhões.

Negação, fuga para a frente, a trafulhice do costume. A criatura aparece "nas redes" com a bandeira da Ucrânia por detrás. É grande a resistência para aceitar que a política que ela liderou, com a aquiescência dos zeros-europeus é um rotundo fracasso, uma derrota total, que passará por mais uma humilhação da União Europeia -- e é tão bem feito para estes poltrões. 

As contrapropostas são de tal maneira anedóticas e estúpidas, que a Meloni já se viu na necessidade de se demarcar desta imbecilidade. Não será a única, claro, mas por enquanto é ainda dos poucos que contam.  

domingo, novembro 23, 2025

«An Epic Story» (Peter Perrett)

o que está a acontecer

«Ramon Berenguer de Cabanellas y Puigmal já era célebre, quando, por fusão de duas turmas, passou a ser meu colega no 6.º ano dos liceus. As suas calmas e sonhadoras extravagâncias, o seu ar de senhor de idade, o mistério de adulto de que rodeava a sua figura pequena e atlética, a sua profunda convicção de que, desde o século XII ou XIII, a Espanha devia à sua família o condado de Barcelona, as perguntas absurdas feitas com o ar mais convicto e ingénuo do mundo, com que ele era o terror dos professores inseguros, e o seu famoso sistema filosófico que tudo explicava e o dispensava, "graças ao controle das energias do cérebro", de estudar as lições (salvo em casos de última emergência), tudo isto não fazia dele um ídolo nem um chefe, mas um ente respeitadíssimo, apesar da ironia com que todos o apontavam.» Jorge de Sena, Sinais de Fogo (póst. 1979)

«Por estes lados, o viajante só vê montes. Desertos, amarelados, pedregosos, às vezes com uma ermida no alto, outros coroados de espinhos. Nalgumas encostas os sulcos dos campos lavrados. Aqui e além bocados de vinha, casebres perdidos, rochedos cobertos de musgo, aldeias tão longínquas que são apenas manchas brancas na paisagem.» J. Rentes de Carvalho, A Amante Holandesa (2003)

«E a que foi acontecendo aos outros -- é a História que se diz? abro a porta do quintal. É um portão desconjuntado, as dobradiças a despegarem-se. Há muito tempo já que aqui não vinhas. Sandra era da cidade, gostava da capital, detestava a vida da aldeia. Lá ficou.» Vergílio Ferreira, Para Sempre (1983)

«Children of the Revolution» (Elton John, Marc Bolan, Ringo Starr)

sexta-feira, novembro 21, 2025

ucraniana CDV - uma paz digna para quem cometeu indignidades, será difícil

Refiro-me, entre várias coisas, à proibição da língua russa, às perseguições dos grupos nacionalistas e tolerância (no mínimo) para com os neo-nazis e, mais que tudo, terem-se prestado a fazer do país um proxy dos americanos. Há indignidade maior?...

A UE, com os imbecis de turno, dá-me vontade de rir; mas devia fazer-me chorar. 

Também me diverte ver alguns defuntos, jornalistas, professores de Relações Internacionais ou de Direito Internacional, na sua maioria.

O nosso Rangel diz que há margem para trabalhar. É assim mesmo, pá -- America first...

5 versos de Albano Martins

«2. Se uma libélula / pousasse / agora / sobre a água, / nasceriam / flores.»

Entre a Cicuta e o Mosto (1992) - «Armando Alves: três instantâneos para a sua pintura»

Cannonball Adderley, «Kelly Blue»

quinta-feira, novembro 20, 2025

as presidenciais e a guerra da Ucrânia

O maior risco que Portugal enfrenta, em 20 de Novembro de 2025, não é a crise da habitação nem um governo miserável que quer fazer dos trabalhadores gato-sapato,  (Viva a Greve Geral!), as listas de espera na Saúde Não. O grande perigo é a nossa satelitização por uma Comissão Europeia e governos pseudodirigidos pelo Starmer (que nem para vender enciclopédias porta-a-porta), o Macron (mais um gestor na política) e o gajo da Alemanha, cujo nome não me ocorre, com dimensão de chefe de recursos humanos, nos empurrem para uma estúpida guerra que não tem nada que ver connosco, porque criada pelos Estados Unidos e agarradas com pundonor por estes zeros. 

Dos três candidatos que podem ser eleitos -- espero que todos patriotas --, já ouvi tudo de Marques Mendes e não gostei; ainda não consegui ouvir nada de Seguro; e ouvi o suficiente de Gouveia e Melo para ainda estar para ver. Sim, eu sei daquela frase bombástica dita há já bastante tempo na eventualidade de a Rússia atacar a Nato -- uma obviedade que decorre dos tratados, e os tratados são para honrar, no articulado que o país assinou.

 A questão é que o Putin é muito mais inteligente do que estes imbecis -- e portanto não atacará a Nato, se esta não o encurralar (foi por isso mesmo que a Rússia atacou a Ucrânia, lembram-se?). Como os Estados Unidos saltaram fora do chavascal que aqui arranjaram, não estou a ver estes bonecos com atitude suicida. Para além do que, havendo um país da Nato que ataque a Rússia (a Polónia tem no governo um neocon por via vaginal, cuidado com ele), ou se emaranhe em provocações no Báltico, ou ainda surjam outras acções engendradas pelo Zelensky, (que não descansa enquanto não nos mete lá dentro) -- partindo um hipotético ataque de um país da Nato, a única obrigação de Portugal é manter-se à margem desta geopolítica insana de roleta russa... 

Quero um presidente patriota, não mais um fantoche. Por isso são tão importantes as eleições de Janeiro. Nunca, desde 1976, tivemos uma eleição presidencial tão importante.

3 versos de Alberto de Lacerda

«Por toda a parte o mistério encarnava / Natural como a selva a dois passos / Da casa grande» 

Elegias de Londres (1987)