terça-feira, novembro 24, 2015
segunda-feira, novembro 23, 2015
Três razões para o terrorismo islâmico na Europa: 2 - A rejeição dupla
Nos séculos XVI e XVII, nos tempos das guerras de religião em França, chacinavam-se os opositores. O conflito que opôs católicos a protestantes foi sangrento e prolongado. Como nos dias de hoje, não graças a Deus, mas à Revolução Francesa, tais práticas não são aceites, o país terá de lidar com essa realidade incómoda que é a de ter milhões de muçulmanos, entre os quais uma percentagem -- pequena, em termos relativos; mas de dimensão preocupante, em números absolutos -- que aderiu ou pode potencialmente aderir ao jiadismo.
Não será por acaso que boa parte destes operacionais pertencem ao lumpen social, são jovens delinquentes, pequenos traficantes. Para além das desestruturações familiares que são um problema em todas as sociedades modernas, independentemente do desemprego que atinge os jovens, acresce a dificuldade suplementar de estes individuos que dão pelos nomes de Mohamed ou de Abdalah rejeitarem a sociedade que os rejeita. São indivíduos desesperados, pasto verde e fresco para o terrorismo.
Não será por acaso que boa parte destes operacionais pertencem ao lumpen social, são jovens delinquentes, pequenos traficantes. Para além das desestruturações familiares que são um problema em todas as sociedades modernas, independentemente do desemprego que atinge os jovens, acresce a dificuldade suplementar de estes individuos que dão pelos nomes de Mohamed ou de Abdalah rejeitarem a sociedade que os rejeita. São indivíduos desesperados, pasto verde e fresco para o terrorismo.
A resolução deste problema, se for atacado de frente e já, é para uma ou duas gerações. O laxismo do estado, o oportunismo de muitos políticos locais que cedem às pretensões dos fundamentalistas a troco de votos, vai ter de acabar. A França vai ter, por isso, de optar entre políticas racionais, esclarecidas e corajosas por um lado; ou então escolhe a Frente Nacional, e aí haverá uma reactualização das guerras de religião do século XVI, em que todos sairão derrotados.
Três razões para o terrorismo islâmico na Europa: 1- Quem semeia ventos, colhe tempestades
1. Não seria crível que estados com largos milhões de população urbana e com acesso a todos os instrumentos da modernidade, como o são os do Médio Oriente, assistissem impunemente ao cataclismo que foi levado às suas sociedades organizadas -- a destruição, a morte, o caos --, em nome duma mentira obscena a ocultar a cupidez mais alarve, sem que houvesse reacção olho por olho, dente por dente.
Que os radicais islâmicos, com cumplicidades várias, entre as quais sobressaem as de países do Golfo Pérsico, queiram a todo o custo dar-nos, a nós ocidentais, a provar do nosso próprio veneno, é algo sobre o qual não podemos ter ilusões.
Repito-me. Primeiros responsáveis: o gabinete de criminosos liderado por George W. Bush, o cúmplice nojento Blair. Nem nomeio o palhaço espanhol e o inenarrável português. Semearam os ventos da tempestade que estamos agora a colher. Há outros responsáveis: o déspota Assad, passando agora de ditador a chefe de facção no mosaico sírio e objectivamente nosso aliado. (Os inimigos dos nossos inimigos, nossos amigos (até ver) são).
É a puta da vidinha.
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Tony Blair
domingo, novembro 22, 2015
o meu LEFFest (19)
Amnesia, de Barbet Schroeder (Suíça e França, 2015 -- «Retrospectiva - Barbet Schroeder).
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Marthe Keller
sábado, novembro 21, 2015
inquieta e receosa como asas de melro recém-nascido
«Se a sábia sentença de Hipócrates está certa e tudo está em tudo, neste meu feio corpo também estará, por ventura inquieta e receosa como asas de melro recém-nascido, a divina beleza que talvez apenas no paradoxo de um corpo relaxado se deixe entrever.»
Migue Real, Carta de Sócrates a Alcibíades, Seu Vergonhoso Amante (1987)
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Miguel Real
sexta-feira, novembro 20, 2015
quinta-feira, novembro 19, 2015
o menino bonito das sacristias
«No ambiente requintado dos salões lisboetas, a sua linha fidalga recortou-se com mais firmeza e a sua esbelta figura adquiriu novo aprumo, como haste que se expande aos raios dum sol mais quente. A natural afabilidade sem inflexões afectadas, certa distinção de raça timbrando as maneiras graves, a linha sempre correcta e o porte sempre gentil, conquistaram-lhe as simpatias mundanas e obtiveram-lhe êxito completo. Tornou-se o menino bonito das sacristias.»
Manuel Ribeiro, A Catedral (1920)
quarta-feira, novembro 18, 2015
o meu LEFFest (18)
Journal d'unne Femme de Chambre, de Benoît Jacquot (França, 2015 - «Selecção oficial -- fora de competição»).
A partir do clássico de Octave Mirbeau -- relato impressivo da vida burguesa entre o II Império e a III República franceses --, a cuja adaptação Léa Seidoux empresta grande momentos, muito bem acompanhado pelo resto do elenco.
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Léa Seydoux
terça-feira, novembro 17, 2015
o meu LEFFest (17)
Um filme (que põe) bem disposto, sobre um tipo que, no fundo, era um gauche na vida, como o Carlos (sujeito poético) Drummond de Andrade.
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Federico Veiroj
segunda-feira, novembro 16, 2015
o meu LEFFest (16)
The Chidhood Of A Leader, de Brady Corbet (Reuino Unido, Hungria e França, 2015 -- «Em competição»).
A sequência é enganadora. Nem a mãe é aquele monstro de cruz na testa, nem a criança é o anjo que parece. Não percebi a tese do filme. se era mostrar que certos meios familiares propiciam o surgimento de criaturas hitlerescas, então não convence.
o meu LEFFest (15)
Nostalghia, de Andrei Tarkovsky (Itália e Rússia, 1983 -- «Soirées Tarkovsky»)
Tarkovsky era um poeta das imagens, tal como o pai, Arseni -- convocado espectralmente para este filme -- fora um poeta das palavras. E é esse lado etéreo e indizível, esse sfumato renascentista que nos fica, passados todos estes anos sobre a realização de Nostalgia. E a máscara de donna do Renascimento de Domiziana Giordano.
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Domiziana Giordano
domingo, novembro 15, 2015
sábado, novembro 14, 2015
o meu LEFFest (13)
Room, de Lenny Abrahamson (Irlanda e Canadá, 2015 -- «Em competição»)
Em condições normais, nunca iria ao cinema ver um filme que nos fala de uma jovem mulher sequestrada, que entretanto foi mãe durante o cativeiro; e muito menos depois de ver o trailer. É demasiado pesado. Mas a verdade é que Abrahamson pega no tema com a contenção necessária, sem cair na tentação de explorar os nossos terrores mais angustiantes. Excelente filme, com óptimos papéis.
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Lenny Abrahamson
Já não tenho palavras
Mais de 140 mortos em Paris nesta altura da madrugada, e a única coisa que tenho a dizer é: caça aos fascistas religiosos! E a única que tenho a aspirar: que não se lhes faça a vontade, cometendo actos de violência para com muçulmanos inocentes, vítimas também eles.
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