segunda-feira, dezembro 12, 2016

contra este tempo

Há dias li, não sei onde e a propósito não sei de quê, que um conceito como o de honra não tem grande significado no ambiente que se respira. Pudera; quando tudo tem um preço, quando em tudo há relação custo-benefício, que lugar para a dignidade individual? Nenhum. 
Creio que só há duas possibilidades de se manter a decência: ser contra este tempo ou desaparecer deste tempo. Se fosse místico, refugiava-me num mosteiro; porém, demasiado céptico e palpável, resta-me ir vomitando à vista de todos.

Em tempo (resposta aos comentários): Não quero defender que o antigamente é que era bom, porque não era nada. E nem estou a falar de tiranos e tiranetes, mas daqueles que, tendo espírito e alma de lacaios, passam a vida à babugem, capatazes de toda a sorte, criadalhos. É a cáfila triunfante, sem a puta da vergonha no focinho. Vejo-os, cruzo-me com eles, diariamente. Foi sempre assim, e eu já tinha idade para não me indignar. Mas vi há dias um desses moluscos na televisão, e pergunto-me o que pensará essa criatura quando se vê ao espelho, a meia dúzia de anos do cemitério. Deverá pensar mal, mas está na sua natureza.
E o pior é que não se pode exterminá-los.

6 comentários:

Mister Vertigo disse...

Sinceramente, tenho imensas saudades da década de setenta, a da minha adolescência. Não aprecio nada este século XXI formatado.
Boa tarde

Jaime Santos disse...

Nem nunca teve grande significado, Ricardo, o que sempre interessou foram as relações de força. A diferença no tempo atual é que isto é admitido sem nenhuma espécie de vergonha. E a vergonha, como se sabe, funciona como um poderoso limitador da ação... Os novos tiranos e tiranetes podem fazer o que lhes apetece sem o menor constrangimento...

Ricardo António Alves disse...

Não quero defender que o antigamente é que era bom, porque não era nada. E nem estou a falar de tiranos e tiranetes, mas daqueles que, tendo espírito e alma de lacaios, andam a vida toda à babugem, capatazes de toda a sorte, criadalhos. É a cáfila triunfante, sem a puta da vergonha no focinho. Vejo-os, cruzo-me com eles, diariamente. Foi sempre assim, e eu já tinha idade para não me indignar. Mas vi há dias um desses moluscos na televisão, e pergunto-me o que pensará essa criatura quando se vê ao espelho, a meia dúzia de anos do cemitério. Deverá pensar mal, mas está na sua natureza. E o pior é que não se pode exterminá-los.

sincera-mente disse...

Estou farto de pensar a que molusco se refere no seu comentário... Mas como são tantos os que por lá aparecem, é melhor fazer o esforço inverso: tentar excluir um ou outro vertebrado que ainda por aí reste e, depois, juntar os ciclóstomos todos e mandá-los para Setúbal. Que grande fritada...

Jaime Santos disse...

Se se trata dos 'lambe-cus' (pardon my French!), então a sua posta deveria ter-se intitulado 'contra todos os tempos' ;-)...

Ricardo António Alves disse...

Fernando, e à descrição!

Jaime: lambe-cus, tiranetes, prestadores de serviços, gananciosos, gente sem vergonha nem escrúpulos.