segunda-feira, outubro 05, 2026

o que vai acontecer

«Pegou numa camisa com a ponta dos dedos. Todos diziam que o senhor Mendonça fazia quadros e se dedicara a uma arte para a qual, segundo os críticos, não tinha o mínimo jeito. Era casmurro. Seria um génio se pudesse pôr na tela essa teimosia desvairada, a fé própria, que nem os olhos avermelhados de febre e o fim já próximo conseguiam vencer...» Miguel Barbosa, Retalhos da Vida (1955) - «A dança» 

«Mas as ovelhas, sim, nasciam iguais da igualdade de Deus. E, sendo deste modo, qual o remédio? Pedir pasto ao Libório? Isso, nunca! Era homem rico, nada daria. Mas os animais, sim, decerto não o negariam à fome dos irmãos.» Mário Braga, Serranos (1948) - «Balada»

«Estes continuavam ali, com as mãos presas e os braços passados nos ombros um do outro; a diferença é que se miravam agora, em vez de olhar para baixo. Mestre Romão, ofegante da moléstia e da impaciência, tornava ao cravo; mas a vista do casal não lhe suprira a inspiração e as notas seguintes não soavam. / -- Lá... lá... lá...» Machado de Assis, História sem Data (1884) -- «Cantiga de esponsais»

1 verso de Luís de Miranda Rocha

«De Lisboa um som terrestre concentração dos sons do mundo» 

Os Arredores do Mar, os Subúrbios da Noite (1993)

Volta a Portugal em escritores: Covilhã

 


José Marmelo e Silva

(José Antunes Marmelo e Silva, Paul, Covilhã, 7-V-1911)







domingo, outubro 04, 2026

sábado, outubro 03, 2026

Ella Fitzgerald, «Take the 'A' Train»


 

serviço público: Adriano Pires, «A Europa está a preparar a guerra que diz querer evitar»

Falei atrás em traidores e em retardados sem noção. Lembrei-me, depois de ler este certeiro artigo do coronel Adriano Pires, militar cabo-verdiano ,e a pergunta, retórica: "É legítimo, portanto, perguntar se a Europa está a construir uma política própria de segurança ou se está simplesmente a adaptar-se a uma estratégia geopolítica concebida noutra capital."

sexta-feira, outubro 02, 2026

uma tela de Carl Barks

                                     

O Elmo Dourado


há por aí uns traidores (e uns retardados sem noção) que nos querem levar -- a nós, portugueses -- para a guerra com a Rússia Em nome de quê?; em benefício de quem? Recordemos os factos: 1. O golpe de estado promovido pelos americanos em 2014

Facto: A chamada "Revolução de Maidan". A desestabilização e ingerência dos Estados Unidos na Ucrânia, derrubando um governo que apesar de pró-russo procurava equilíbrio na relação com a UE,  da qual pretendia aproximar-se. Eleito democraticamente, foi derrubado em Kiev, provocando a hostilidade das províncias a leste, de maioria russa -- e não russófona (designação nada inocente).

Acompanhamento: lavagem cerebral da carneirada, mostrando a corrupção do presidente deposto. Provavelmente seria, mas isso é tão relevante para Portugal como se Ianukovich cheirasse a chulé O que nos interessa a nós se um governo de determinado estado é corrupto? Entra-se em aventuras perigosas por causa disso? 

Não, entra-se por estupidez e por cobardia -- porque fomos instruídos para tal. "Derrotar a Rússia", lembram-se da palermice do António Costa? Entra-se na aventura para satisfazer o interesse de terceiros. Isto é traição ao país. Ponto final.

Este golpe, que visava a Rússia, teve duas consequências imediatas (a perda da Crimeia e do Donbass, de população maioritariamente russa, querendo continuar a sê-lo).

(continua)

3 versos de Rui Knopfli

«Voou para longe, para bem longe / do meu alcance, fugindo da minha / infância, como esta fugia de mim.» 

O Monhé das Cobras (1997) - «O pombo verde»

o que está a acontecer

«Os passageiros, impacientes e exaustos, olhavam esgazeados, debruçavam-se nas janelas a perguntar se a demora ia ser grande, se tinham tempo para ir beber qualquer coisa. Ninguém os ouvia. De súbito o chefe apitava, a locomotiva respondia, os carregadores batiam uma continência marcial e o comboio arrancava, inclinava-se a fazer a curva, desaparecia entre os taludes.» J. Rentes de Carvalho, A Amante Holandesa (2003)

«O disco amarelo iluminou-se. Dois dos automóveis da frente aceleraram antes que o sinal vermelho aparecesse. Na passadeira de peões surgiu o desenho do homem verde. A gente que esperava começou a atravessar a rua pisando as faixas brancas pintadas na capa negra do asfalto, não há nada que menos se pareça com uma zebra, porém assim lhe chamam.» José Saramago, Ensaio sobre a Cegueira (1995)

«Acuso-me também de ter rompido, com muitos outros, os nevoeiros premeditados, os abismos reais e os abismos ilusórios, que são ainda mais perigosos, as cadeias, as ameaças e os sortilégios do cercado em que conviria permanecermos por mais uns séculos, para glória e proveito dos nossos amos, que dispuseram de poderes suficientes para mandarem decapitar todos os seus servos, sem qualquer coima ou embargo, e não o ordenaram pelo simples facto de não poderem passar sem eles.» Alves Redol, Barranco de Cegos (1961)

quinta-feira, outubro 01, 2026

Volta a Portugal em escritores: Coruche

 


Américo Durão

(Couço, Coruche, 26-X-1896)







3 versos de João Miguel Fernandes Jorge

«Trouxe-me à doca norte da cidade.   Duluth não / vem de alaúde, vem de lodo. lembra uma chaminé / de casa de navio.» 

O Regresso dos Remadores (1982)

quarta-feira, setembro 30, 2026

Sir Thomas Beecham, «Brigg Fair» (Frederick Delius)


 

4 versos de Camões

«No mar tanta tormenta e tanto dano, / Tantas vezes a morte apercebida! / Na terra tanta guerra, tanto engano, / Tanta necessidade aborrecida!» 

Os Lusíadas, I-106 (1572)

uma capa de Neal Adams

 


terça-feira, setembro 29, 2026

4 versos de José Alberto Oliveira

«Há tardes / com um desenho / tão banal / que apetece chorar,» 

Nada Tão Importante, que Não Possa Ser Dito (2007)


o que está a acontecer

«O apito do navio era como um lamento e cortou o crepúsculo que cobria a cidade. O capitão João Magalhães encostou-se na amurada e viu o casario de construção antiga, as torres das igrejas. Os telhados negros, ruas calçadas de pedras enormes. Seu olhar abrangia uma infinidade de telhados, porém da rua só via um pequeno trecho onde não passava ninguém.» Jorge Amado, Terras do Sem Fim (1943)

«Apesar deste fresco nome de vivenda campestre, o Ramalhete, sombrio casarão de paredes severas, com um renque de estreitas varandas de ferro no primeiro andar, e por cima uma tímida fila de janelinhas abrigadas à beira do telhado, tinha o aspecto tristonho de residência eclesiástica que competia a uma edificação do reinado da senhora D. Maria I: com uma sineta e com uma cruz no topo, assemelhar-se-ia a um colégio de Jesuítas.» Eça de Queirós, Os Maias (1888)

«Que linda era a Rosa do Adro!.................. // A umas cinco ou seis léguas do Porto, e no fundo montanhoso de uma colina, surge como por encanto, de entre as bouças de pinheiros e carvalhos, a pequena mas pitoresca aldeia de...» Manuel Maria Rodrigues, A Rosa do Adro (1870)   

segunda-feira, setembro 28, 2026

«I Put a Spell on You» (John Fogerty)


 

1 verso de Manuel Alegre

«E a carne se fez verbo. E o sangue ideia.» 

O Canto e as Armas (1967) - «E a carne se fez verbo»

Volta a Portugal em escritores: Condeixa-a-Nova

 

Fernando Namora

(Fernando Gonçalves Namora, Condeixa-a-Nova, 15-IV-1919)