terça-feira, novembro 18, 2025

o que está a acontecer

«Para sempre. Aqui estou. É uma tarde de verão, está quente. Tarde de Agosto. Olho-a em volta, na sufocação do calor, na posse final do meu destino. E uma comoção abrupta -- sê calmo. Na aprendizagem serena do silêncio. Nada mais terás de aprender? Nada mais. Tu, e a vida que em ti foi acontecendo.» Vergílio Ferreira, Para Sempre (1983)

«No desânimo da sua mágoa, posso ser tudo: participante, juiz, padre confessor, irmão mais velho. Enquanto eu apenas oiço ecos. Uns dele, outros do meu íntimo, alguns que não sei o que os causa, nem de que fundos aparecem.» J. Rentes de Carvalho, A Amante Holandesa (2003)

«"É óbvio", disse Mister DeLuxe, "não estou a falar dos burriés, estou a falar das idiossincrasias de Molero". Debruçou-se sobre a secretária e virou uma folha do calendário de mesa. "Ainda estávamos no dia de ontem", disse ele. "Temos várias pistas", disse Austin, "um tabique, uma casca de banana, uma sina, um escarrador, uma tela de Miró, uma mancha negra debruada a vermelho.» Dinis Machado, O que Diz Molero (1977)

1 comentário:

Manuel M Pinto disse...

«Uma vez que Vasco Perez de Camões foi obrigado a passar a fronteira, afigurava-se legítimo que os seus o seguissem. Os nobiliaristas encontram no degrau subsequente das gerações três Camões e não acharam melhor que filiá-los no consórcio do alcaide de Alenquer com Maria Tenreiro, filha de Gonçalo Tenreiro que a torto ou de direito se inculcava capitão-mor das armadas de Portugal. Como este devia possuir fortuna própria, os netos teriam beneficiado da legítima, donde não seria de estranhar que o pai fosse compelido a regressar a seus paredeiros galegos sem mais que o coiro e a camisa, e eles quedassem na frescata da ribeira lusitana.»Aquilino Ribeiro, "Luís de Camões - Fabuloso*Verdadeiro". Ensaio (1950)