quinta-feira, fevereiro 22, 2018

«Dum primeiro andar, com tabuinhas verdes, logo abaixo do Circo, meninas de batas brancas convidavam: -- Psiu! não sobes, ó catitinha? -- aos janotas que passavam.» Abel Botelho, O Barão de Lavos (1891)

«De mansinho (estou a vê-lo!), abriu a porta da rua, subiu no escuro os três degraus da entrada onde o próprio mau cheiro lhe agradava, e apalpando à esquerda, meteu sem ruído a chave na fechadura.» Francisco Costa, Cárcere Invisível (1949).

«Já lá vão quase cinquenta anos, tempo suficiente para que um lago se torne num pântano ou uma estrela distante e misteriosa se transforme num mundo corriqueiro, ambos possíveis por obra dos homens.» Alves Redol, Barranco de Cegos (1961)

2 comentários:

Manuel Nunes disse...

Belo tríptico: entre um naturalista e um neo-realista, o escritor de Sintra que morava naquela casa feita por Raul Lino.

Ricardo António Alves disse...

Até consola, não é?...

Quanto aos realismos, ele arranjou para si um realismo próprio, que qualificou como "integral", ou seja, que não deixava de forma nenhuma das diversas realidades humanas, incluindo, no seu caso de católico, a religiosa.