sexta-feira, setembro 22, 2023

101 contos portugueses #3

«Singularidades de uma Rapariga Loura», de Eça de Queirós, Contos (póstumo, 1902) 

Um conto de desenlace sufocante, muito triste na sua irrisão, perfeito no estilo, terrível no modo monocular com que Eça retransmitia a realidade. Uma obra-prima publicada aos 29 anos, num "Brinde do Diário de Notícias", quando o autor escrevia O Crime do Padre Amaro.

O incipit: «Começou por me dizer que o seu caso era simples -- e que se chamava Macário...»

Carlos Ramos, «Cravo de S. João»

"vocês dão o dinheiro, nós damos vidas" (ucranianas CCXIII)

 O que Zelensky disse no Senado norte-americano já se sabia desde o princípio: os ucranianos, ou parte deles, usados pelos Estados Unidos, até ao último. Está a correr mal. A correr mal para os Estados Unidos, porque para a Ucrânia, transformada em campo de batalha entre dois imperialismos, as perspectivas nunca poderiam ser diferentes, e têm tendência a piorar.

quinta-feira, setembro 21, 2023

antologia improvável #509 - Alberto de Lacerda


ECLIPSE


O ar é bem leve,

e a vida -- pesada.

(Quem estrelas não teve

em casa fechada?)


77 Poemas (1955) / Oferenda I (1984)

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quarta-feira, setembro 20, 2023

mais um texto de Eugénio Lisboa sobre a asnática parvoiçada da trasladação do Eça para o Panteão...

 cujo curador (como agora se diz) da iniciativa parece ser um picareta cheio de verborreia (palavra que o Eça de Queirós inventou, a pensar nos deputados do seu tempo). Escreve Eugénio Lisboa, a dado passo, certeiro: [...]Eça abominaria ir para o Panteão. /  Bolas, leiam-lhe a obra com olhos de ver e ler! E deixem-se de pedir a opinião de “autoridades” académicas: consultem os textos! Arre!» Claro que Eugénio Lisboa, homem culto e lúcido, sabe que está a pedir demasiado. Não se lêem os textos, lê-se o que certos bonzos escreveram sobre os textos, para se produzir lixo, nomeadamente académico, mas não só. É um problema antigo. 

101 contos portugueses #2

 António Alçada Baptista, Uma Vida Melhor (1984)

Uma evocação pura da infância, ou idealização dela, também, que, apesar de tratar-se de um conto para crianças, apresenta-se cheio de ironia, e, por vezes, de malícia, até -- a fazer lembrar a narração do Não Matem a Cotovia, de Harper Lee. Talvez a literatura infantil devesse ser sempre assim, para todos lermos independentemente da idade, inteligente e sem falsos moralismos.

O incipit: «O senhor doutor Luís era uma pessoa muito importante, cheio de rugas e de tosse.»

Frank Sinatra, com a Orquestra de Billy May, «The Song is You»

Biden & Zelensky, aldrabões que guturam na ONU (ucranianas CCXII

Tinham ambos os discursos afinados. Zelensky e as terríveis palavras "rapto" e "deportação" de crianças. (Já falei sobre o assunto, não me apetece perder tempo.) Crianças também lembradas pelo patife do Biden, que delas se esqueceu quando votou a favor da invasão do Iraque...

Disse o Zelensky que na Rússia não se pode confiar. Talvez. Mas o que é certo é que à Ucrânia destes bonecos é que nem um carro em segunda-mão se pode comprar, mesmo com garantia. Recordo-me, entre a miríade de exemplos possíveis, dos célebres Acordos de Minsk, assinados com reserva mental para empatar a Rússia, como admitiram franceses e alemães, os garantes desses mesmos tratados. Refiro-me a isto só por causa dos mais distraídos; para quem vê com olhos de ver é desnecessário chover no molhado a propósito destes (e doutros) trafulhas.

À margem: hoje não me apeteceu ouvir o major-general Isidro, por isso fui parar à sic (o que raramente sucede), mas tive a sorte de apanhar Marcos Farias Ferreira, que sabe o que diz, ao contrário da maioria dos seus colegas ignorantões das RI, Só é pena que tendo como contraparte um atraso de vida de um jornalista (é sina da profissão), ambos moderados por um burrinho (sina deste telespectador). 

terça-feira, setembro 19, 2023

caderninho

«O verdadeiro caminho passa sobre uma corda que não está esticada ao alto, mas rente ao chão. Parece antes destinar-se a fazer tropeçar do que a ser percorrida.» 

Franz Kafka, Aforismos

antologia improvável # 508 - Rui Knopfli

 

ILHA DOURADA


A fortaleza mergulha no mar

os cansados flancos

e sonha com impossíveis

naves moiras.

Tudo mais são ruas prisioneiras

e casas velhas a mirar o tédio.

As gentes calam na

voz

uma vontade antiga de lágrimas

e um riquexó de sono

desce a Travessa da Amizade.

Em pleno dia claro

vejo-te adormecer na distância,

Ilha de Moçambique,

e faço-te versos

de sal e esquecimento.

O País dos Outros (1959)

segunda-feira, setembro 18, 2023

101 contos portugueses #1

 «O saco», de A. M. Pires Cabral, O Diabo Veio ao Enterro (1985).

 Não será bem um conto, antes uma apresentação do Tio Zé das Candeias, narrador dos dez textos seguintes, num estilo aprimoradíssimo e culto, pulsante e contagioso, moderno e intemporal, apesar da rusticidade de superfície, lembrando os grande mestres  a cuja família o autor pertence: Camilo Castelo Branco, Aquilino Ribeiro, João de Araújo Correia, Tomaz de Figueiredo. 

O incipit«Quando, nesta corda de aldeias sabiamente semeadas na Serra de Bornes, dois amigos cozeram ao sol de muitos anos, um por um, os tijolos com que se constrói a amizade, e se procuram quase sem dar por isso para as longas cavaqueiras ou silêncios com que preenchem os dias, e parece que, não estando um, o outro esmorece e estiola, e se sabem confortar, ainda que sem palavras, nas horas de luto e desgosto, e alegrar do mesmo riso se a hora é de riso, e, por tão amigos serem, às vezes marralham, ralham e cortam impetuosamente relações, que retomam, com um sentimento compartilhado de culpa e arrependimento e um não saber que fazer com as mãos, no dia imediato, e cada qual nada faz, não deita semente à terra nem leva vaca à cobrição nem nada de nada sem ouvir o parecer do outro; quando um caso desses se dá, a comunidade não lhe fica indiferente e a linguagem popular, cujos recursos poéticos é raro exorbitarem do mundo concreto em que o povo se move, designa Pílades e Orestes com uma metáfora definitiva: o saco e o baraço.» 

antologia improvável #507 - Fernando Jorge Fabião


Escutar,

estar atento à gravidade 

do mundo

pressentir o coração da terra

no mínimo gesto

no verde minucioso da manhã.

O poema nasce da atenção

ao esplendor das ínfimas coisas: a porta

branca, um cântaro vermelho

a luz excessiva do estio.

Pacto com real.


Nascente da Sede (2000)

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domingo, setembro 17, 2023

antologia improvável #506 - Armando Taborda


ANTON BRUCKNER, SINFONIA N.º 7


Melodia imponderável de águas no planalto.


Vapores líquidos trepam beleza incontida por árvores decrépitas

e súbito

loucas

rolam pela encosta torrentes fragmentadas de luz

diáspora incontida do som que paira na montanha.


Eco desejado

e para sempre 

repetido.

Palavras, Músicas e Blasfémias que Envelheço na Cidade (1986)

caderninho - Gustave Flaubert

 «ACIDENTE  - Sempre lamentável ou importuno (como se alguma vez uma desgraça pudesse ser motivo de satisfação.»

Dicionário das Ideias Feitas (póst., 1911)


sábado, setembro 16, 2023

Miles Davis - Rouge

Camilo e o camartelo de homens que abominam mulheres, mulheres que detestam homens, beatos de sacristia e alguns saloios úteis acoplados



Fui ver das luminárias que queriam remover a estátua "quase pornográfica" (sic), da autoria de Francisco Simões, em que o autor do Amor de Perdição, "sobriamente vestido", de acordo com o Público. enlaça uma jovem mulher nua.

São eles, por ordem alfabética, António Lobo Xavier, Artur Santos Silva (que parece que aprovara a obra), Bernardo Pinto de Almeida, Ilda Figueiredo, Mário Cláudio, Miguel Von Hafe Pérez e mais uns trinta, que permaneceram na obscuridade noticiosa. Além do triste bombo desta cegada, o inevitável Rui, o inefável Moreira.

Se há coisas que o reverente Moreira deveria saber (reverente para com o que ele chama "os dois maiores críticos de arte do Porto" -- ficando nós a saber que no Porto, segundo Moreira, consegue dizer-se quem é o maior crítico de arte), é que os políticos e a política não têm que meter o bedelho em matéria de gosto, devendo, quem se atreva a usar do seu poder para impor moralismos ser corrido a pontapé; coisa que os gloriosos "críticos de arte" também deveriam saber, em vez de puxarem pela manga do casaco do senhor da autoridade para queixinhas e solicitar castigos inerentes

Eu gosto imenso do Cutileiro, ainda mais do 25 de Abril, acho grotesco o pirilau do alto do Parque Eduardo VII, mas nunca na vida me passaria pela cabeça pedir para removerem o falo, em permanente ejaculação de liberdade. E o mesmo se passa com outros monumentos no espaço público.

Mas  verdade verdadeira, embora dissimulada, é que a mãozinha do Camilo nas nádegas capitosas da menina, isso é que não! Há uns abencerragens que ainda pensam que se trata de um atentado à moral e aos bons costumes; e por isso assinaram pela remoção, em odor de santidade; são os idiotas úteis. E há os que se sentem incomodados com tão flagrante demonstração de heterossexualidade, ou que não podem ver um homem vestido com uma mulher nua, coisa horrorosa! Estou certo de que no futuro teremos uma estátua do Cesariny no Cais do Sodré agarrado a um efebo, e aí é que eu estou para ver como será.

Prestaram um grande favor a Francisco Simões e ao seu monumento, e deram mais um valente tiro no pé, desmascarando-se como o que efectivamente são: censores e totalitários, fora os idiotas úteis, é claro.

PS - Vi a estátua pela primeira vez hoje, nem sabia da sua existência; torci o nariz de imediato. Mas vendo melhor -- e quando for ao Porto quero ir ao local --, é preciso ver melhor... O corpo feminino é soberbo, e a expressão de Camilo não o é menos, no que sai bastante beneficiado, ele que sendo um dos maiores escritores, era humanamente um patife, o que, para o caso, não interessa nada.

sexta-feira, setembro 15, 2023

"Biscoitos de Cão" no MOTEL/X - Lobo Mau


Uma curta de animação do meu filho António, em competição, amanhã no Cinema São Jorge



 

quinta-feira, setembro 14, 2023

antologia improvável #505 - Fernando Assis Pacheco


 2:

em 1973 ponho de parte alguns 

álibis a começar pelo da fealdade própria

que mais me serve e tu soubeste

sempre para fingir libertino


tento aprender um jogo

afinal simples: desnudar-me e logo depois um outro:

revestir-me em quatro segundos ao cronómetro

pensava eu na minha que se deve à amada

tudo inclusive o espectáculo íntimo


entretanto falhamos porque estas coisas batem

no plexo solar viciam o salto

vamos dar com os cornos tristemente

no sítio onde a piscina é mais baixa


a sopa, adiante, escalda; e rias-te


Memórias do Contencioso (1976)



Nina Simone, «Central Park Blues»

quarta-feira, setembro 13, 2023

Portugal, 1128 - uma lista de 150 portugueses (1-5)

1. D. Afonso Henriques (Coimbra[?}, 1109/1111 - 1185). O Conquistador. Fundador do reino, do estado e da nação portuguesa. 2. Egas Moniz (c. 1080 - 1146). Aio do primeiro rei, pertenceu à nobreza medieval de entre Douro e Minho, esteio da força de D. Afonso Henriques. 3. D. João Peculiar (Coimbra [?], ? - Braga, 1175). Arcebispo de Braga, o grande negociador da política externa e de alianças, do reino recém formado. 4. Gualdim Pais (Amares, c. 1118/20 - Tomar, 1195). Cavaleiro templário, chegando a grão-mestre, representa nesta lista o papel das ordens militares na fundação. 5. Mafalda de Sabóia (Avigliana [?], c. 1125 - Coimbra, 1158). A primeira rainha, dela provêm todos os reis de Portugal, incluindo o actual rei sem trono, Duarte de Bragança. 

pressupostos

o caso Rubiales/Hermoso não deve nem pode ser desvalorizado, ou para além da espuma do wokismo totalitário

 Por duas razões principais, creio.

A primeira tem que ver com as relações hierárquicas e de poder. Vamos considerar a possibilidade mais benigna: a de um impulso irreprimível. Passado o momento de euforia, o mínimo que se exigiria seria um forte acto público de contrição, ou até uma autopenalização. Isso sim, seria de homem. Um(a) "chefe" tem que se impor a inibição de tomar certas liberdades, caso contrário não passa de um dejecto. Foi para criaturas destas que se inventou o autoclismo.

A segunda, igualmente importante, mas ainda mais grave. A prevalência de um machismo alvar nos países latinos, cuja expressão mais dramática se traduz no número de mulheres assassinadas às mãos dos maridos/companheiros (sem falar nos traumas que incidem sobre as crianças), torna compreensível que um acto destes, nestas circunstâncias, seja intolerável numa sociedade decente e qualquer abuso fortemente sancionado.

No entanto, tal não autoriza o linchamento público, que foi o que ocorreu, mesmo com o presidente da federação espanhola pondo-se a jeito. E também não autoriza a utilização da jogadora como arma de arremesso pelo outro lado da barricada.

Em resumo: um caso lamentável, em que a principal vítima foi Hermoso, irònicamente não por causa do beijo que não terá pedido, mas pelo desprezo que o activismo woke mostra pelo indivíduo. Ou seja, estão-se nas tintas para a atleta, desde que útil para emblema de uma causa. Isto é puro totalitarismo, tão deletério e tanto para abater como o machismo larvar que ainda por aí grassa. 

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terça-feira, setembro 12, 2023

a fazer dos europeus otários, todos ganham neste maravilhoso mundo da democracy (ucranianas CCXI)

Um grande exercício da NATO marcado para Fevereiro, parece que o maior desde o fim da Guerra Fria, no Báltico...

Como toda a gente sabe, a Rússia está cheia de vontade de atacar um país da NATO, ora se está!

Aliás, o impoluto Zelensky, em entrevista ao imbecil do Fareed Zakaria (que há tempos o comparou ao Churchill), ao mesmo tempo que chamava mentiroso ao Putin, dizia ao bovino, para telespectador ocidental ouvir, que é mesmo isso que a Rússia quer: atacar países da NATO. Então não quer? Ora se quer!...

(Parênteses: Estes aldrabões não se decidem: um dia a Rússia está fraquíssima, no outro já quer atacar um país da NATO, reconstituir a URSS, enquanto se prepara para levar com a dita Nato em cima.)

Entretanto, a indústria de guerra americana, e não só, a faturar, à custa destas anedotas de governantes, entre estúpidos, servis, cobardes e espertalhaços, é escolher: os F16 da Holanda todos para a Ucrânia (para operarem onde?; a partir de pistas subterrâneas?), certamente em troca de desconto de amigo nos F35.

É que ficam todos a ganhar: os americanos a meterem ao bolso; os holandeses a lograrem uma atenção no preço do novos aviões; a trupe do Zelensky, em que certamente algo ainda ficará de lado para pé-de-meia; e o povo ucraniano, esse será sempre o grande triunfador: o país arrasado, centenas de milhares de mortos, milhões de deslocados.

É por causa do Putin? Não me façam rir, de pena, claro.

caderninho - Ambrose Bierce

 «ABSTÉMIO, n. Indivíduo que se abstém de ingerir bebidas fortes: por vezes totalmente; outras vezes, toleravelmente totalmente.» 

Dicionário do Diabo (1906)

András Kórodi, «Antero de Quental», poema sinfónico de Luís de Freitas Branco

segunda-feira, setembro 11, 2023

Victor Jara, «Manifiesto»


uma voz para recordar o golpe da CIA há 50 anos; um herói (Allende) e o traidor-fantoche (Pinochet)

domingo, setembro 10, 2023

"O Essencial sobre Bocage", de Daniel Pires


Quem me dera poder lá estar, mas um compromisso no mesmo dia, impedem-me de ouvir e saudar Daniel Pires, um dos grandes investigadores da história literária portuguesa.

 

sábado, setembro 09, 2023

antologia improvável #504 - Armindo Reis

 

A LUZ QUENTE DOS GIRASSÓIS


A Vincent Van Gogh


É esta atenção demasiada

sobre as coisas

que me faz crescer em ti

descomprometidamente

como a luz quente dos girassóis.


Mesmo que seja inverno

é sempre assim:

aflora-me o calor por entre os dedos

e as imagens regressam ao lume

que nunca mais acaba.

sexta-feira, setembro 08, 2023

caderninho - Arthur Schopenhauer

 «A filosofia não é álgebra: pelo contrário, Vauvenargues tinha razão quando disse: "Les grandes pensées viennent du coeur.

Aforismos (de Parrerga et Paralipomena, 1851)

quinta-feira, setembro 07, 2023

Louis Armstrong and the All Stars, «Atlanta Blues»

a pobre Roménia no papel da pobre Hermoso (ucranianas CCX)

 Passadas 48 horas, a Roménia descobriu-se agredida e violentada -- deve ter acordado depois da solidariedade da Nato. Ou seja: foi obrigada a manifestar-se de acordo com a estratégia da Nato; ou seja: age como outro capacho para que os Estados Unidos e os ingleses nela limpem os pés, aliás, como já aconteceu com a Alemanha (o Nord Stream). É o efeito Hermoso

(Nota: fiz primeiro o link para o Público, mas eles têm uma estética muito própria -- deve ser por causa disso que também detestam o Putin --; portanto, vai mesmo o link da Caras, talvez a menos ordinária das revistas de mexericos de que a malta tanto gosta; que, por uma vez sirva para alguma coisa, como a de mostrar que as mulheres devem poder ser tudo e também giras. Dentre as muitas coisas que eu adoro nas mulheres, é que sejam giras (imagem da Caras) e não propriamente camafeus (imagem do Público).

o crime de guerra num mercado de Donetsk, uma história com barbas (ucranianas CCIX)

 Mais depressa apostaria as minhas fichas na autoria ucraniana do que na russa, no ataque ao mercado. Parece, aliás, que não haveria por ali qualquer objectivo militar, daqueles que os russos atacam, causando danos colaterais em edifícios à volta. Ainda há semanas, em Lviv, a destruição de um edifício de uma academia das forças armadas (com oficiais dentro) pelos russos foi ocultado (compreende-se) pela Ucrânia, noticiando a imprensa bovina que os russos haviam atacado um edifício de habitação, ouvi dizer no carro a um papagaio da Antena 1 ou da TSF, já não me lembro. Sucede que, como depois se soube, esse prédio estava ao lado do edifício das forças armadas que fora destruído, e era uma vez a cobertura. O que já não convém noticiar.

Portanto, quanto a informação, o costume (agora até deram um prémio ao Sérgio Furtado, que andou a entrevistar prisioneiros de guerra russos, guardados por ucranianos -- quem se lembra da entrevista a Xanana Gusmão numa prisão indonésia?...)

 Quanto ao ataque desta quarta-feira ao mercado, dos militares de confiança que escuto, ainda só ouvi o coronel Mendes Dias, que admite terem sido os russos, como admite não terem sido os russos, chamando a atenção como se deve fazer, sempre: a quem aproveita o ataque? Aos russos, que têm a situação militar controlada e estão a fazer um arremedo de eleições no território; ou aos ucranianos, cuja ofensiva tem sido um fiasco, precisando de distrair as atenções?... E já nem falo dum possível aproveitamento da visita do Blinken; aí só se for para sugestionar o mercado americano, talvez.

Uma nota, a propósito de americanos: a Nato já se solidarizou com a Roménia pelo drone que não caiu no seu território. Não é maravilhoso?

As barbas: parece retorcida, a possibilidade de os ucranianos bombardearem um mercado do seu lado, mas não é. Como diria Deuladeu Martins, o engano é uma grande arma de guerra. Ou já se esqueceram do mercado de Sarajevo?...  

quarta-feira, setembro 06, 2023

antologia improvável #503 - Fernando Namora


 CALAFRIO


Não sei como eles ainda escutam

as cóleras de guizos,

como eles não vêem os coágulos

onde o sangue tingiu os girassóis.

De ciprestes são as áleas

que escoltam a música dos sinos

e o céu desfolha-se

em estrelas apagadas.

Pois sobre o rugido dos coveiros

que se levante a surdez.

A alva, quando nasce,

é calafrio.

Marketing (1969)

o Conselho de Estado e uma data que não ficará nos anais (ucranianas CCVIII)

(e não será por causa deste desinteressante, requentado e triste arrufo entre Marcelo e Costa sem interesse nenhum a não ser para a bolha merdiática.)

Ao coonestar a estratégia norte-americana de integração da Ucrânia na Nato -- a razão entre todas principal para o que está a decorrer por ali --, avalizando a subserviência dos órgãos de soberania (!) portugueses, o Conselho de Estado chancelou o apequenamento de Portugal e a sua insignificância no concerto das nações.

Uma coisa é ser aliado -- e Portugal deve sê-lo dos Estados Unidos, a geografia assim o impõe --, outa é ser vassalo e subserviente.

Quanto mais a guerra se prolongar, e a Rússia não acabar com aquilo o quanto antes, mais perigoso tudo se torna, mais difícil será um recuo. Até porque -- a não ser que ocorra um golpe de estado bem sucedido -- a Rússia nunca permitirá que a Ucrânia, tal como a conhecemos, integre a Nato. Se Portugal contasse para alguma coisa -- e não conta porque são os nossos governantes que o diminuem --, uma declaração como a do Conselho de Estado apenas contribuiria para agravar a situação da própria Ucrânia, hoje transformada num território em que as potências se guerreiam.      

 

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terça-feira, setembro 05, 2023

caderninho

 «A prisão é a coroação de todos os tempos.»

Ferreira de Castro, Mas... (1921)

antologia improvável #502 - Eugénia de Vasconcellos


MILAGRE MAIOR


Escrever.

Mastigar a solidão toda

até fazer do bolo alimentar

de dor, de raiva, de lágrimas

um sol que jorre luz pela boca.

O Livro da Perfeita Alegria (2021)

Buddy Holly, «Ting-A-Ling»

segunda-feira, setembro 04, 2023

antologia improvável #501 - Carlos Queirós


CLAMAVI AD TE


Apenas hoje! Apenas uma vez,

Fala de modo que a verdade seja

Tão clara e transparente, que eu a veja

Num cristal da mais pura limpidez!

 

Talvez seja loucura o que deseja

A minha insaciedade. Sim, talvez...

Que tu fosses, falando, a outra que és,

Com a alma nos lábios, quando beija.

 

Mal empregado privilégio, a fala,

Que traduz a verdade em que pensamos,

As palavras gastando em ocultá-la!

 

Que seja assim quando se odeia, vamos...

Mas para quê se dissimula ou cala,

Quando tudo nos diz que nos amamos?!


Desaparecido (1935)

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domingo, setembro 03, 2023

caderninho

 «Lutero, prefiguração do homem moderno, assumiu todo o tipo de desequilíbrios: um Pascal e um Hitler coabitavam nele.» 

E.M. Cioran, Silogismos da Amargura

sexta-feira, setembro 01, 2023

Miles Davis, «Israel»

antologia improvável #500 - A. M. Pires Cabral


 SILÊNCIO


Há momentos em que tudo o que desejo

é o silêncio e seu bálsamo. Momentos

que a própria música conspurcaria.


Mas há silêncio e silêncio. O que apeteço

não é o silêncio que alguma autoridade

decreta, seja direcção-geral, escola, igreja.

O silêncio que ambiciono há-de ser

sereno como nuvens e ervas bravas

e água em repouso e asas imóveis

de borboleta.


Há-de ser como o doce cansaço

que, depois que o vento tem passado,

fica a cintilar sobre as coisas

que o vento alvoroçou.

Caderneta de Lembranças (2022)


o Kuleba manda-os calar, ao lado da criatura espanhola dos Negócios Estrangeiro, e por cá reduz-se o pio ao general (ucranianas CCVII)

Às quintas, para ouvir Agostinho Costa sobre a guerra da Ucrânia, aturo, por masoquismo, os palavrosos Azeredo Lopes e Seixas da Costa. Este, diplomata, é especialista em discursos redondos, e, talvez pelo título de embaixador, beneficia da deferência do major-general; o outro, professor de RI e afins, ex-ministro da Defesa, é um incontinente arrogante e ignorante, já posto em xeque no seu desconhecimento por Agostinho. O problema não é esse, nem é sequer o de porem os loquazes comentadores a elaborar sobre operações militares, de que não percebem patavina e cuja impreparação é notória e confrangedora. O pior é o jeitinho das pivôs de turno: hoje (ontem) aconteceu, e não foi a primeira vez, que Costa falou menos uma vez do que os colegas de painel. Faz sentido: restringe-se o discurso ao único que sabe o que diz. 

quinta-feira, agosto 31, 2023

caderninho

 «Há quem da vida fuja / Como se da morte fosse.» 

                                                                                    Liberto CruzLivro de Registos, Poesia Completa

antologia improvável #499 - João Rebocho

filho de um

carpinteiro

no labirinto

de taipa adobe

terra batida adormecido


no ar

arde algum suor 

de rapaz bêbedo

por Seu sangue

escasso

incorrupto

Bom nos Tempos Livres (2017) 

quarta-feira, agosto 30, 2023

Nina Simone, «I Loves You Porgy»

é que o papa não é parvo... (ucranianas CCVI)

...nem troca-tintas. O que ele disse aos jovens católicos russos -- provavelmente impedidos de participarem na JMJ --, é irrefutável e até pode pecar por defeito. O regime de Kiev,  por seu lado. perdeu oportunidade de ficar calado; pois se é inegável que há um imperialismo russo, desde há muito séculos, este exerce-se na sua área de influência, como costuma acontecer nas relações internacionais. Perdeu ocasião de estar calada uma clique que, para efeitos de destruição do país, não passa de uma marioneta doutro imperialismo, neste caso o norte-americano. E ponto final.

antologia improvável #499 - Luísa Dacosta

 MAR


Bebo-o a colherinhas de olhos

na taça da manhã.

E nem ele se esgota,

nem eu me sacio.

A Maresia e o Sargaço dos Dias (2011)

caderninho

 «Foi um chinês quem inventou o gato.» 

Ramón Gómez de la Serna, Greguerías (1917/55)

terça-feira, agosto 29, 2023

a arte de começar

«Como de hábito, Policarpo Quaresma, mais conhecido por major Quaresma, bateu em casa às quatro e quinze da tarde. Havia mais de vinte anos que isso acontecia. Saindo do Arsenal de Guerra, onde era subsecretário, bongava pelas confeitarias algumas frutas, comprava um queijo, às vezes, e sempre o pão da padaria francesa.» Lima Barreto, Triste Fim de Policarpo Quaresma (1915)

antologia improvável #498 - José Emílio-Nelson

 

DO VENTO, A COLEIRA


Rejubilava afónico.

Que colhões rosa, os do cão.

A cabriolar, voltear, rodopiar, a gingar aqui na esplanada.

Mais um gole de café, guloseimas, cuspida no jornal e vaidade de sobra.

Ata-o pela coleira à cadeira, o vento arrasta os pêlos.

E como fica nuzinho. (Oh, Brontë. Que coisa negra, venham ver.)

Os gracejos lascivos não o afectam.

A Festa do Asno (2005)

caderninho

 «A força e a fraqueza de espírito são mal nomeadas; com efeito, elas dependem apenas da boa ou má disposição dos órgãos do corpo.» 

La RochefoucauldMáximas (1665)

segunda-feira, agosto 28, 2023

Paul Englishby, «Sereia», de Seis Peças para Orquestra (Tony Banks)

ainda Marcelo na Ucrânia: "mereceu a humilhação, mas o PR, ao ser humilhado, humilhou Portugal" (ucranianas CCV)

 Mão amiga fez-me chegar este post de Carlos Esperança, cujo fundo subscrevo. Sobre esta atitude de Marcelo Rebelo de Sousa, apenas posso dizer que lamento o voto que convictamente lhe dei, lamentando ainda não ter votado em branco nas últimas presidenciais.

Uma nota para a estupidez da cobertura jornalística sobre o episódio da trincheira. Que basbaques... Felizmente de férias e sem televisão, só tinha os jornais. O Público era de morrer a rir com o episódio. Imagino os canais de notícias...

Também ouvi na rádio Pacheco Pereira -- que acompanhou a visita -- com voz solene, dizer que em face da ocupação de um território de um estado por outro (sem nenhum contexto -- para quê?...), a Rússia não pode vencer esta guerra (cito de memória). Eu sei o que ele pretende sugerir, o que não espanta para quem se atreveu a defender o bombardeamento do Iraque.   

Resumindo: a Ordem da Liberdade foi duplamente aviltada, e a imprensa subdesenvolvida assobia para o ar (é um pouco como o que se passa na cimeira da comatosa CPLP: em de discutir-se o importante, põe-se a falar sobre as tricas em torno dos vetos presidenciais. 

PS-É tão cansativamente saloio o jornalismo nesta terra. Quem viu a pivô da cnn-P a perguntar a Agostinho Costa sobre o feito (sic) que foi a surtida de um grupo de fuzileiros à Crimeia para plantar a bandeira ucraniana? Tragicamente hilariante a resposta do major-general: eles foram lá, e vieram-se embora, e provavelmente foram abatidos pela aviação russa, estando a boiar no Mar Negro... A senhora, que parecia estar a falar do desembarque na Normandia, entrou em curto-circuito, passageiro, é claro.

antologia improvável #497 - Manuel Bandeira

 

ANDORINHA


Andorinha lá fora está dizendo:

-- "Passei o dia à toa, à toa!"


Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!

Passei a vida à toa, à toa...

Berimbau e Outros Poemas (antologia)

domingo, agosto 27, 2023

caderninho

 «O que não é útil à colmeia também não é útil à abelha.»

Marco Aurélio, Pensamentos para Mim Próprio

Louis Armstrong, c/ Velma Middleton, «Hesitating Blues»

sábado, agosto 26, 2023

para quem ainda não percebeu o lixo que governa a Europa (ucranianas CCIV)

 ...deixe lá os indigentes que aparecem na televisão* e vá ler o Viriato Soromenho Marques aqui, talvez aprenda alguma coisa.

* jornalistas analfabetos -- da barbie da cnn/tvi ao serafim saudade da sic -- e académicos de terceira

caderninho

 «Quem viu o presente viu tudo, e tudo o que foi desde o infinito e tudo o que será até ao infinito; porque todas as coisas têm a mesma origem e os mesmo aspectos.»

Marco Aurélio (121-180), Pensamentos para Mim Próprio

sexta-feira, agosto 25, 2023

quinta-feira, agosto 24, 2023

caderninho

 «Alexandre da Macedónia e seu almocreve, uma vez mortos, foram reduzidos ao mesmo: ou foram reabsorvidos nas mesmas razões geradoras do mundo ou se dispersaram semelhantemente no meio dos átomos.» 

Marco AurélioPensamentos para Mim Próprio 

o que se passou com Prigozhin interessa-me pouco; já quanto a Marcelo... (ucranianas CCIII)

 O destino estava-lhe traçado. Como diz o adágio, quem com ferros mata... Se foi o Kremlin ou Kiev, ambos os lados tinham contas a ajustar. A morte de um senhor da guerra é algo de expectável. Quanto ao Wagner em África, correr com os franceses e matar jihadistas, não é propriamente um pecado mortal. Terei pena se a acção deles for afectada por isto.

Agora, Marcelo. O primeiro de dois dias, o exibicionismo do costume, acolitado por um zombie, agravado por uma frase infelicíssima, não apenas por ser falsa e leviana, como pela carga de subserviência que contém: «As fronteiras de Portugal são as da Ucrânia», parece que foi isto que disse o Presidente. Que vontade patológica de agradar, em que tudo se diz independentemente do que se diz... A verdade é que a tirada grandiloquente e oca não vale nada: está-se tudo nas tintas para o que dizem os dirigentes portugueses, uma vez que o soft power que poderíamos ter enquanto velho estado europeu com ligações privilegiadas nos cinco continentes, foi desbaratado nesta questão, desde, pelo menos, que o PM Costa disse que o objectivo do governo era o de derrotar a Rússia (ahahah, caraças!...). Em vez de uma abordagem diplomática inteligente de influência benéfica nas grandes crises, em que pudéssemos ser pelo menos escutados, escolhemos ser como macacos amestrados de circo, cuja recompensa é trajar com lantejoulas e, no final, um amendoim. É triste.

quarta-feira, agosto 23, 2023

caderninho

 «Segue sempre o caminho mais curto: e a mais curta é a via de acordo com a natureza.»

Marco Aurélio, Pensamentos para mim Próprio

terça-feira, agosto 22, 2023

Miles Davis, «Rocker»

caderninho

«Não ser arrastado no turbilhão; mas, como toda a força do instinto, manifestar a justiça; a toda a ideia que se apresente, salvaguardar a faculdade de compreender.»

Marco Aurélio, Pensamentos para Mim Próprio

no meu labirinto - 51-60

51) Andrade Corvo, Um Ano na Corte (1850-51)

52) Vicente Ferrer Neto de Paiva, Princípios Gerais da Filosofia do Direito (1851)

53) Alexandre Herculano, Lendas e Narrativas (1851)

54) Alexandre Herculano, Eu e o Clero (1851)

55) José do Canto, Calendário Rústico (1851)

56) J. F. Henriques Nogueira, Estudos sobre a Reforma em Portugal (1851)

57) Camilo Castelo Branco, Anátema (1851)

58) A. P. Lopes de Mendonça, Recordações de Itália (1852-53)

59) L. A. Rebelo da Silva,  A Mocidade de D. João V (1853)

60) Almeida Garrett, Folhas Caídas (1854)

segunda-feira, agosto 21, 2023

Frank Sinatra c/ Orquestra de Billy May, «Cheek To Cheek»

caderninho

 «Entre os numerosos grãos de incenso postos sobre o mesmo altar, um cai antes dos outros, outro mais tarde. Isso não tem nenhuma importância.»

Marco Aurélio, Pensamentos para Mim Próprio

como tudo está interessante no Níger

O Níger, as reservas de urânio e o pontapé no cu dos franceses, uma tendência na antiga África gaulesa, e que bem feito! Macron,  boneco de pim-pam-pum, doméstico e internacional (Meloni, pô-lo ko, com pundonor).

Os russos, claro, aproveitam; os americanos, com bases a sul, estão prudentes; quem mandam, porém, para defender os seus interesses? Victoria Nula(nd), famigerado estafermo do golpe de estado na Ucrânia em 2014, humilhada agora em Niamei. (Ver, aqui, O Velho General .) A estupidez dos neocons é sem limites.

O clima aquece mesmo no Sahel: a França não vai querer largar o osso, mas não tem capacidade para sustentar uma guerra ali; os Estados Unidos se não contiverem os danos, vão avançar com os europeus dos costume na defesa da democracy no Níger, até aos últimos africanos dos países a cujos líderes pagam. Porém, a influencia da Rússia (sem falar da China, a assistir) é cada vez maior, felizmente; e a Argélia, cujas forças armadas não são nada despiciendas, já avisou que não vai tolerar uma intervenção armada dos países africanos a soldo do Ocidente. Talvez por isso, a Nigéria, com o maior exército da região, já terá recuado.

Uma nota para Cabo Verde, cujo PR, José Maria Neves, descartou apoiar a veleidade de uma intervenção armada no Níger (na defesa dos interesses franceses, acrescento eu). Chama-se a isso ter dignidade, além de finura diplomática. Um exemplo, incluindo para Portugal, na guerra da Ucrânia.

PS - O Níger, tal como a Ucrânia, é um território onde os impérios se guerreiam, algo que uns quantos indigentes professores e comentadores das relações internacionais ainda não perceberam.


domingo, agosto 20, 2023

no meu labirinto: 41-50

41) Luz Soriano, História do Cerco do Porto (1846-49)

42) Alexandre Herculano, História de Portugal, desde o Começo da Monarquia até ao Fim do Reinado de Afonso III (1846-1853)

43) Alexandre Herculano, O Bobo (1128) (1846)

44) Francisco Maria Bordalo, Eugénio (1846)

45) Almeida Garrett, As Profecias do Bandarra seguido de Um Noivado no Dafundo e A Sobrinha do Marquês (1848)

46) Alexandre Herculano, O Monge de Cister (1848)

47) António Feliciano de Castilho, Felicidade pela Agricultura (1849)

48) A. P. Lopes de Mendonça, Memórias dum Doido (1849)

49) A. P. Lopes de Mendonça, Ensaios de Crítica e de Literatura (1849)

50) Francisco Joaquim Bingre, O Moribundo Cisne do Vouga (1850) 

Louis Armstrong, «Chantez Les Bas (Sing'Em Low)»

caderninho

 «Ainda que devesses viver três vezes três mil anos e mesmo outro tanto dez mil vezes, lembra-te sempre que ninguém perde outra existência senão a que vive e que não vive a que perde.»

Marco Aurélio, Pensamentos para Mim Próprio

sábado, agosto 19, 2023

sexta-feira, agosto 18, 2023

no meu labirinto: 31-40




31) Vicente Ferrer Neto de Paiva, Elementos de Filosofia do Direito (1844)

32) Almeida Garrett, Frei Luís de Sousa (1844)

33) António Feliciano de Castilho, Escavações Poéticas (1844)

34) Alexandre Herculano, Eurico o Presbítero (1844)

35) Marquesa de Alorna, Obras Poéticas de D. Leonor de Almeida Portugal Lorena e Lencastre, Marquesa de Alorna, Condessa de Assumar, e Oyenhausen, Conhecida entre os Poetas Portugueses pelo Nome de Alcipe (póst., 1844)

36) Francisco Freire de Carvalho, Primeiro Ensaio sobre História Literária de Portugal, desde a Sua Mais Remota Origem, até o Presente Tempo (1845)

37) Almeida Garrett, Flores sem Fruto (1845)

38) Almeida Garrett, O Arco de Sant'Ana (1845-50)

39) Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra (1846)

40) Almeida Garrett, Dona Filipa de Vilhena seguido de Falar a Verdade a Mentir Tio Simplício (1846)

quinta-feira, agosto 17, 2023

Louis Armstrong, «Ole Miss Blues»

no meu labirinto: 21-30

 

21) Visconde de Vilarinho de São Romão, Histórias de Meninos para Quem não For Criança, Escritas por um Homiziado que Sofreu o Martírio de Estar Escondido Cinco Anos e Dois Meses (1834)

22) Alexandre Herculano, A Voz do Profeta (1836)

23) Almeida Garrett, Um Auto de Gil Vicente (1838)

24) Oliveira Marreca, Noções Elementares de Economia Política (1838)

25) Visconde de Juromenha, Sintra Pinturesca (1838)

26) Alexandre Herculano, A Harpa do Crente (1838)

27) Guilherme Centazzi, O Estudante de Coimbra (1840-41)

28) Visconde de Santarém, Memória sobre a Prioridade dos Descobrimentos Portugueses na Costa da África Ocidental (1841)

 29) Almeida Garrett, O Alfageme de Santarém (1842)

30) Almeida Garrett, Romanceiro e Cancioneiro Geral (1843-51)


a arte de começar

 «Era a hora do estudo da tarde, e Lelito pensava. As Catilinárias  abertas na carteira, o dicionário à direita, o caderno de significados à esquerda e o lápis à mão -- pareciam demonstrar que Lelito preparava a sua lição de latim. Mas Lelito não pensava nas Catilinárias. Na realidade, nem pensava. Melhor fora dizer que vogava ao sabor de um vago devaneio melancólico, através do qual a saudade de casa transparecia num persistente vaivém de recordações, aliada a uma como viscosa, angustiosa, obscura sensação de pavor. Tal pavor, ainda Lelito fugia de o confessar a si próprio; mas há três dias que o perseguia; e há seis que Lelito chegara. Há seis que neste mesmo salão fingia, a esta mesma hora, preparar as lições do dia seguinte.» José Régio, A Velha Casa I -- Uma Gota de Sangue (1946)

quarta-feira, agosto 16, 2023

no meu labirinto: 11-20

11) José Agostinho de Macedo, Exorcismo contra Periódicos e Outros Malefícios: Fugite Partes Adversae (1821)

12) Almeida Garrett, Retrato de Vénus seguido de Ensaio sobre a História da Pintura (1821)

13) António Feliciano de Castilho, Cartas de Eco e Narciso (1821)

14) Almeida Garrett, Catão, seguido de O Corcunda por Amor (com Paulo Midosi, 1822) 

15) Almeida Garrett, Camões (1825)

16) Almeida Garrett, D. Branca (1826)

17) Almeida Garrett, Carta e Guia para Eleitores (1826)

18) Almeida Garrett, Adozinda (1828)

19) Almeida Garrett, Da Educação ( 1828)

20) Almeida Garrett, Portugal na Balança da Europa (1830)

terça-feira, agosto 15, 2023

Buddy Holly, «Modern Don Juan»

a arte de começar

 «Por um claro domingo de Julho, à hora da missa, um landau desembocava a trote no campo da Feira, em Guimarães, indo estacar em frente do palácio dos condes de Vila-Torre -- casarão envelhecido pelas chuvas e sóis de quase dois séculos, cuja frontaria de solar  e convento tomava todo um lado da praça, hasteando sobre um portal enorme, de coiçoeiras denegridas, as armas nobres dos senhorios.» Carlos Malheiro Dias, Os Teles de Albergaria (1901)

segunda-feira, agosto 14, 2023

Frank Sinatra, com Orquestra de Billy May, «Day In, Day Out»

no meu labirinto: para uma lista de 100 livros portugueses do século XIX - 1-10

 1) Nicolau Tolentino, Obras Poéticas (1801)

2) Curvo Semedo, Composições Poéticas (1803)

3) Bocage, Rimas, vol. III (1804)

4) João Pedro Ribeiro, Dissertações Cronológicas e Críticas sobre História e Jurisprudência Eclesiástica e Civil de Portugal (1810-36)

5) José Agostinho de Macedo, Os Sebastianistas -- Reflexões sobre Esta Ridícula Seita (1810)

6) José Agostinho de Macedo, Contemplação da Natureza (1810)

7) José Acúrcio das Neves, História Geral da Invasão dos Franceses em Portugal, e da Restauração deste Reino (1810-15)

8) Silvestre Pinheiro Ferreira, Prelecções Filosóficas sobre a Teoria do Discurso e da Linguagem, a Estética, a Diceósina e a Cosmologia (1814)

9) Filinto Elísio, Obras Completas (1818-19)

10) Curvo Semedo, As Melhores Fábulas de La Fontaine (1820)

sábado, agosto 12, 2023

Miles Davis, «Boplicity»

caderninho

 «Primos são quem vem de longe com novidades.»

Eugénio Roda, O Quê Que Quem Nota de Rodapé e de Corrimão (2009)

quinta-feira, agosto 10, 2023

Louis Armstrong, «Beale Street Blues»

guerra da Ucrània: neo-realistas e Escola de Cavez (ucranianas CCII)

 Há a escola neo-realista (curioso nome), de que se reivindica Carlos Branco. Suponho que os comentários de Agostinho Costa, Mendes Dias, Raul Cunha poderáo com nuances ser ali encaixados. Nao sendo especialista, vejo neste comentário de Godfrey Bloom, ou nas abordagens de Douglas McGregor ou, mais parciais e entusiasmado com o lado russo, Scott Ritter, esse tipo de análise que nºao embarca em mentiras e fantasias.

Há depois a Escola de Cavez, onde bebem todas as lívias e raquéis, todos os gaspares e armandos das relaçoes internacionais (sempre com as honrosas excepçoes); e que é também a que formata, permeia e impregna o Governo, do ministro Cravinho ao pm Costa, sem esquecer o Presidente Marcelo -- que tarda a levar o Penduricalho da Liberdade a Kiev --, o que nºao devemos levar a mal, uma vez que ele é mais constitucionalismo e táctica; geopolítica e estratégia residem noutro departamento.

Sixto Rodriguez, «Sugar Man»

quarta-feira, agosto 09, 2023

Frank Sinatra, com Orquestra de Billy May, «Saturday Night (Is The Loneliest Night Of The Week)»

caderninho

 «Como tudo se desvanece depressa, no mundo os próprios corpos e no tempo a sua lembrança.»

Marco Aurélio, Pensamentos para Mim Próprio

terça-feira, agosto 08, 2023

segunda-feira, agosto 07, 2023

cenas das JMJ, vistas de longe

Do hipócrita  Bordalo II, à chicoespertice de Isaltino, do beija-mao de Marcelo, impróprio para um chefe de estado, à saudaçao do PCP e da sua organizaçao juvenil, própria de um partido sério e maduro, ao contrário duns revolucionários de genitália ou jacobinos do centro de dia que pensam estar ainda na Rotunda. Quanto ao resto, em especial para a igreja portuguesa e o seu cortejo de hipócritas, estou-me nas tintas, nao é problema meu, que sou ateu. E os casos de polícia sao para ser tratados como os outros.

Um ser humano excepcional é sempre 1) ser humano; 2) execpcional. Aliás, o nome escolhido por Jorge Bergoglio, um jesuíta, foi o de Francisco, invocaçao do homem de Assis, que uma certa escrófula esquerdista deveria saber quem foi e o que representa - a começar para a própria Esquerda.

Uma das suas últimas frases na visita a Portugal: O único momento em que é lícito olhar uma pessoa de cima para baixo é para a ajudar a levantar-se.

Eu nao precisaria de ouvir mais.


sábado, agosto 05, 2023

sexta-feira, agosto 04, 2023

«Balada para Sophie»

 (uma vaga sinopse aqui) Se Filipe Melo, artista completo (também músico, cineasta) possui uma destreza narrativa inusitada na BD portuguesa, Juan Cavia, argentino,  é um dos nossos melhores desenhadores, o sector dos quadradinhos em que sempre estivemos mais bem servidos. Esta Balada para Sophie, nem tanto pelo que conta, mas pela forma como o faz, fez-se notada nos exigentes, competitivos e saturados circuitos franco-belga e americano, sem pedir licença a ninguém. Pode alguém ser quem nao é?

Buddy Holly, «Blue Days Black Nights»

quinta-feira, agosto 03, 2023

Eça transformado em escritor do regime? Nem deste nem de nenhum outro

 Se, há cerca de trinta anos, deputados do PS, ou outros, propusessem trasladar os restos mortais de Eça de Queirós para o Panteao Nacional, nao seria eu quem torceria o nariz, uma vez que depositados num jazigo ao abandono num dos cemitérios de Lisboa, estavam na iminência de ir parar à vala comum. Uma, e depois outra manchete do extinto diário Europeu, impediram-no, sendo a trasladaçao feita para a imaginária Tormes, onde está e muito bem (Santa Cruz do Douro, concelho de Baiao, que Eça pôs no mapa)

No Panteao está o grande Aquilino Ribeiro, bem sei, mas Tormes tem toda uma poética que o institucional jazigo nunca terá. E depois, trata-se do Eça de Queirós, que sempre foi alérgico a estes manobrismos deputais -- a palavra verborreia foi ele quem a inventou, aplicada aos circunstantes de S. Bento.

 Todos os regimes se tentaram apropriar dele, o que é impossível pois Eça é inapropriável. Liberal, socialista, anarquista, cristao, antijacobino, deputacioná-lo para Santa Engrácia é especialmente infeliz,  por isso o que escreve Eugénio Lisboa, num texto que mao amiga me fez chegar, é justo e válido.

Buddy Holly, «You Are My One Desire»

quarta-feira, agosto 02, 2023

caderninho

 «Anda de outro modo aquele a quem caíram botões nas cuecas.» 

Ramón Gómez de la SernaGreguerías (1917/1955)