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quinta-feira, julho 24, 2025

manipular para a cidadania - o papel dos 'merdia'

Anteontem, num espaço de debate com Miguel Relvas, Pedro Adão e Silva e Rui Moreira, com a mesma falta de rigor com que noticia a guerra da Ucrânia, a cnn-Portugal largava uma bomba 'noticiosa' que rezava mais ou menos assim: a educação sexual estará fora do currículo da disciplina de Educação para a Cidadania (ou lá como se chama).

Ora, aquilo que o ministro Fernando Alexandre veio esclarecer ontem, já o fizera na semana passada, se não antes, dizendo que a única restrição que haveria incidia sobre a questão da 'identidade de género'. Li-o na imprensa escrita, salvo erro no DN, que ainda é o único jornal que consigo comprar (Deixo o tema para outra altura, pois o meu propósito é o de escrever sobre o papel dos merdia), estando os conteúdos do programa serem trabalhados por especialistas.

Resumindo: a cnn-Portugal sabia que estava a noticiar uma mentira -- fake news, como diria o Trump --, pelo que vemos, cheio de razão, a avaliar pela amostra. A cnn-Portugal não quer informar, quer espectáculo, controvéria, polémica, audiências, lucro, dinheiro, carcanhol. Como órgão de informação, a cnn-Portugal é uma reles puta.

Mas é lamentável que os comentadores, em especial Relvas e Adão e Silva (Rui Moreira esteve bastante melhor) tenham mordido o anzol e começarem um estúpido despique sobre uma 'notícia' -- que eles, como comentadores (além disso, presumo que bem pagos) tinham a obrigação de saber que era não só incorrecta ou sensacionalista; pior que isso, era falsa.

E por isto, volto a uma velha questão: como é possível estas porcarias de televisões privadas, que gozam de um bem público como a concessão pública de sinal de transmissão usarem os canais informativos para a manipulação mais soez, em vez da informação a que deveriam estar obrigadas; sem falar (faço-o uma e outra vez...) das badalhoquices que transmitem nos canais generalistas, tornando o espaço público numa pocilga?... 

Não vamos esperar que o poder político lhes dê um aperto merecido e lhes faça qualquer aviso sério -- não se pode pedir isso aos cúmplices que precisam das estações para se promover ou agradar. Também não será esta sociedade civil amorfa e narcotizada que irá proceder a qualquer contestação, quer à vigarice informativa -- coitada da sociedade civil, que engole tudo o que se lhe põe à frente... -- e menos ainda à boçalidade recreativa.

sábado, setembro 16, 2023

Camilo e o camartelo de homens que abominam mulheres, mulheres que detestam homens, beatos de sacristia e alguns saloios úteis acoplados



Fui ver das luminárias que queriam remover a estátua "quase pornográfica" (sic), da autoria de Francisco Simões, em que o autor do Amor de Perdição, "sobriamente vestido", de acordo com o Público. enlaça uma jovem mulher nua.

São eles, por ordem alfabética, António Lobo Xavier, Artur Santos Silva (que parece que aprovara a obra), Bernardo Pinto de Almeida, Ilda Figueiredo, Mário Cláudio, Miguel Von Hafe Pérez e mais uns trinta, que permaneceram na obscuridade noticiosa. Além do triste bombo desta cegada, o inevitável Rui, o inefável Moreira.

Se há coisas que o reverente Moreira deveria saber (reverente para com o que ele chama "os dois maiores críticos de arte do Porto" -- ficando nós a saber que no Porto, segundo Moreira, consegue dizer-se quem é o maior crítico de arte), é que os políticos e a política não têm que meter o bedelho em matéria de gosto, devendo, quem se atreva a usar do seu poder para impor moralismos ser corrido a pontapé; coisa que os gloriosos "críticos de arte" também deveriam saber, em vez de puxarem pela manga do casaco do senhor da autoridade para queixinhas e solicitar castigos inerentes

Eu gosto imenso do Cutileiro, ainda mais do 25 de Abril, acho grotesco o pirilau do alto do Parque Eduardo VII, mas nunca na vida me passaria pela cabeça pedir para removerem o falo, em permanente ejaculação de liberdade. E o mesmo se passa com outros monumentos no espaço público.

Mas  verdade verdadeira, embora dissimulada, é que a mãozinha do Camilo nas nádegas capitosas da menina, isso é que não! Há uns abencerragens que ainda pensam que se trata de um atentado à moral e aos bons costumes; e por isso assinaram pela remoção, em odor de santidade; são os idiotas úteis. E há os que se sentem incomodados com tão flagrante demonstração de heterossexualidade, ou que não podem ver um homem vestido com uma mulher nua, coisa horrorosa! Estou certo de que no futuro teremos uma estátua do Cesariny no Cais do Sodré agarrado a um efebo, e aí é que eu estou para ver como será.

Prestaram um grande favor a Francisco Simões e ao seu monumento, e deram mais um valente tiro no pé, desmascarando-se como o que efectivamente são: censores e totalitários, fora os idiotas úteis, é claro.

PS - Vi a estátua pela primeira vez hoje, nem sabia da sua existência; torci o nariz de imediato. Mas vendo melhor -- e quando for ao Porto quero ir ao local --, é preciso ver melhor... O corpo feminino é soberbo, e a expressão de Camilo não o é menos, no que sai bastante beneficiado, ele que sendo um dos maiores escritores, era humanamente um patife, o que, para o caso, não interessa nada.

sábado, setembro 29, 2018

por falar em parolos

O conhecido Carrilho veio a terreiro aos gritinhos, a propósito do caso Mapplethorpe. Com desassombrada parvoíce -- "Serralves em perigo?"-- fala duma "visão parola e censória da arte". 

Sobre a questão da censura, não vale a pena perder mais tempo (aqui post e comentários); sobre a parolice, tem graça, vindo de um parolo que andou a negociar com a imprensa a reportagem fotográfica do seu casamento com uma apresentadora de televisão. O Carrilho porém é tão parolo que não se exime em pôr-se em biquinhos de pés, lembrando, linha sim linha não, o seu papel ministerial. Reconheço, com pena, que ele foi um muito bom ministro da Cultura, mesmo que em tempo de vacas obesas, o que também, sublinhe-se, nunca fez de si alguém especialmente potável.

Ainda a propósito de parolos, o último número de circo do cansativo Rui Moreira, aproveitando-se do caso. Bem fez Braga da Cruz, que é um tipo sólido e pouco impressionável e mandou Moreira dar sangue, não lhe aparando a politiquice. Eu percebo Rui Moreira: para ele é o prestígio internacional, que receia seja afectado, "a propósito da exposição do artista Robert Mapplethorpe".    O artista Robert Mapplethorpe... Faz-me lembrar uns indigentes a quem deram certa vez responsabilidade editorial. Um dia tiveram de legendar uma fotografia do Saramago, que ficou assim: "Escritor José Saramago" -- não fosse alguém pensar que o homem seria sapateiro.

Já agora: Pacheco Pereira pediu na "Quadratura do Círculo" que lhe fizessem uma entrevista sobre o caso, pois estava com "vontade de partir a loiça toda". Avisem-me quando isso acontecer.

quinta-feira, novembro 23, 2017

brincar à política

(Um parênteses nos filmes.) O que é esta decisão sobre o Infarmed, sem ouvir os trabalhadores, senão leviandade e uma noção um bocado transviada de que os serviços do estado estão à mercê dos caprichos do político de turno? Inqualificável. Lembra-me a anedota da transferência duma secretaria de estado da Agricultura para a Golegã, no governo do Santana Lopes. E nada tem que ver com o provincianismo do Rui Moreira, que escreve parvoiçadas do fb, e depois apaga, e que nem merece um comentário, de tão pacóvio. Tomáramos nós que Lisboa estivesse descongestionada. Mas parece que Costa gosta de agradar a Moreira, vá-se lá saber porquê.