«Nem mais nem menos, esse lobo, que o tio-bisavô Rodrigo Coutinho, de nomeada o Lobo, por no tempo dos Franceses ali se ter vindo encovilar, e nunca de medroso, só de feroz, que a tradição também lhe rezava de uns dentes descompassados, tão pontudos e sãos que poderiam rilhar ossos.» Tomaz de Figueiredo, A Toca do Lobo (1947)
«Era obsidiante a preocupação da arte religiosa, não só na decoração, quase restrita a hieratismos, e na livraria, mas também nas inúmeras anotações pessoais: perfis de nervuras, pilares e arquivoltas, desenhos de pórticos e rosáceas, uma imensidade de debuxos, de garatujas e de esbocetos de viagem, que formavam principalmente a decoração mural doutra dependência contígua, despretensioso gabinete de trabalho de artista profissional.» Manuel Ribeiro, A Catedral (1920)
«Desde que fazia perfeito e consciente uso da razão, fora esta jornada, em que o encontramos, a primeira levada a efeito, e logo sob tão maus auspícios, que era para sufocar-lhe à nascença os instintos de '"touriste", se porventura quisessem despertar nele.» Júlio Dinis, A Morgadinha dos Canaviais (1868)

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1 comentário:
«Fosse como fosse, Camões era um espírito de eleição, servido por um cabedal enciclopédico raro. Só muito pela rama lhe assentam estas palavras de Storck, discutíveis porventura, mas reflectidamente germânicas:
"Saber muito era o característico daquela era; a instrução enciclopédica o sonho dourado dos humanistas. Ser versado em todos os campos da ciência humana ou fazer alarde de o ser era o costume dos poetas quinhentistas, que bordam os seus versos com dados e factos, tanto mais preciosos quanto menos sabidos, ostentando alusões escuras, figuras eruditas, comparações enigmáticas, raros paralelos e ignotos exemplos de história e mitologia de gregos e romanos, a fim de muito advertidamente fazer pasmar o leitor ingénuo, que costuma ficar perplexo diante de tanta erudição alexandrina!"»
Aquilino Ribeiro, "Luís de Camões - Fabuloso*Verdadeiro". Ensaio (1950)
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