terça-feira, setembro 15, 2026

o que está a acontecer

«Nem mais nem menos, esse lobo, que o tio-bisavô Rodrigo Coutinho, de nomeada o Lobo, por no tempo dos Franceses ali se ter vindo encovilar, e nunca de medroso, só de feroz, que a tradição também lhe rezava de uns dentes descompassados, tão pontudos e sãos que poderiam rilhar ossos.» Tomaz de Figueiredo, A Toca do Lobo (1947) 

«Era obsidiante a preocupação da arte religiosa, não só na decoração, quase restrita a hieratismos, e na livraria, mas também nas inúmeras anotações pessoais: perfis de nervuras, pilares e arquivoltas, desenhos de pórticos e rosáceas, uma imensidade de debuxos, de garatujas e de esbocetos de viagem, que formavam principalmente a decoração mural doutra dependência contígua, despretensioso gabinete de trabalho de artista profissional.» Manuel Ribeiro, A Catedral  (1920)

«Desde que fazia perfeito e consciente uso da razão, fora esta jornada, em que o encontramos, a primeira levada a efeito, e logo sob tão maus auspícios, que era para sufocar-lhe à nascença os instintos de '"touriste", se porventura quisessem despertar nele.» Júlio Dinis, A Morgadinha dos Canaviais (1868)

1 comentário:

Manuel M Pinto disse...

«Fosse como fosse, Camões era um espírito de eleição, servido por um cabedal enciclopédico raro. Só muito pela rama lhe assentam estas palavras de Storck, discutíveis porventura, mas reflectidamente germânicas:
"Saber muito era o característico daquela era; a instrução enciclopédica o sonho dourado dos humanistas. Ser versado em todos os campos da ciência humana ou fazer alarde de o ser era o costume dos poetas quinhentistas, que bordam os seus versos com dados e factos, tanto mais preciosos quanto menos sabidos, ostentando alusões escuras, figuras eruditas, comparações enigmáticas, raros paralelos e ignotos exemplos de história e mitologia de gregos e romanos, a fim de muito advertidamente fazer pasmar o leitor ingénuo, que costuma ficar perplexo diante de tanta erudição alexandrina!"»
Aquilino Ribeiro, "Luís de Camões - Fabuloso*Verdadeiro". Ensaio (1950)