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quarta-feira, junho 17, 2026

fim das decisões por unanimidade na UE em questões estratégicas? então agora um Presidente da República serve para acabar com o país?...

Ouvir o Presidente da República a defender o fim da unanimidade nas tomadas de decisão em questões estratégicas, impressiona e estarrece.

Impressiona, porque o PR é o primeiro dos portugueses, o primeiro dos seus defensores, dos seus servidores. É quem os representa. Nunca um chefe-de-estado poderá aceitar que o povo a que pertence venha a ser tutelado por estrangeiros; nenhum patriota o aceitaria. Um rei, se dissesse o que Seguro hoje defendeu, cobrir-se-ia de opróbrio. 

Estarrece, porque essa será a consequência prática se o que António José Seguro defende viesse a efectivar-se, dito como o ouvi num bloco noticioso de telejornal, assim, sem mais.

Admito que algo mais possa estar nesse discurso, mas não sei... Uma coisa é a confederação dentro da UE, que guarda a soberania de cada estado, e que é até desejável, com outros moldes de representação; outra a federação, que nos torna numa mera província de um estado europeu -- ou seja: a possibilidade de sermos utilizados como país médio (e mediano por culpa própria) contra os interesses do país; no fundo, de Portugal acabar como estado, tornando-se numa província espécie de Minho ou Algarve dentro desse futuro estado. Não, obrigado!

Sugiro humildemente que o PR mude já de conselheiros neste domínio.

terça-feira, março 10, 2026

começar com o pé direito

Nunca ouvira falar de Mourísia, no concelho de Arganil, aldeia que esteve cercada pelas chamas no Verão passado. A desertificação do interior é um dos maiores problemas do país, e dos mais demorados e difíceis de resolver. Imagino o quão gratificante terá sido para aquela população -- e, por extensão, para todas a Mourísias da nação -- o acto simbólico da visita de António José Seguro, no dia seguinte à sua tomada de posse.

sábado, fevereiro 07, 2026

o dever de votar, com alegria

Amanhã exercerei o meu direito e o meu dever de votar por -- que é também um voto contra. António José Seguro não foi o meu candidato na primeira volta, mas é-o agora, pois representa a dignidade e a decência -- palavra muito usada, e apropriadamente. 

O meu voto terá, assim, um significado humanista, que não significa outra coisa senão a ideia da dignidade intrínseca de todo e cada ser humano como valor único e irrenunciável.

A única política aceitável e decente é a que acolhe e promove os princípios iluministas de liberdade, igualdade e fraternidade. A liberdade individual como condição absoluta; a igualdade de partida como condição necessária; a fraternidade humana como ideal a perseguir, sempre. Por isso, irei votar com alegria.

domingo, janeiro 18, 2026

podia ter sido pior

Depois de grande parte do país ter dispensado os serviços de Gouveia e Melo -- bravos portugueses... --, eis-nos na segunda volta. Seguro, com todos os seus defeitos, pelo menos poupa-nos à rasteirice populista de um tipo que, apesar de doutorado, nem sequer sabe falar sem dar erros gramaticais (e não é o único). Uma lástima que nem todos merecemos.

terça-feira, janeiro 06, 2026

voto em Gouveia e Melo

Na minha vida adulta só por duas vezes me deparei como uma situação de grande incerteza e perigo geopolítico com implicações directas no continente europeu: o fim da Guerra Fria, com a implosão da União Soviética, e agora, com a rearrumação das grandes potências e a inflexão dos Estados Unidos que parecem ter finalmente percebido que nem a Rússia brinca nem a China anda a dormir. Por isso a política neomonroviana -- que mais do que "A América para os americanos", é a América para os norte-americanos. Claro que terão sempre a vizinhança próxima da Rússia no Árctico, com ou sem Gronelândia, que, já agora, não deverá tardar a ser anexada ou independentizada, queira ou não, de qualquer forma tutelada. Apesar de a Europa ter muito boa boca para os caprichos norte-americanos -- não batam só no Rangel; o Santos Silva fez muito pior ao embarcar(-nos) na estúpida farsa Guaidó (aí já não havia problema com a comunidade portuguesa) ou Luís Amado, com esse aborto chamado Kosovo, sem esquecer o recente Cravinho -- (apesar de a Europa ter muito boa boca,) não estou a ver como sobreviverá a Nato a um acto hostil do accionista maioritário sobre a pequena Dinamarca. Nada que preocupe Trump, que quer destruir a UE (esta, a continuar assim, alcança o desiderato sem precisar de ajuda), sem se importar muito que a Nato vá a seguir: basta-lhes umas testas de ponte para o continente, a começar pelos mais próximos: Islândia, Reino Unido (claro), Portugal (os Açores, mas não só).

Se até Trump ter mostrado, ainda antes da sua eleição, que a Nato era coisa de somenos e que alegadamente nem se importaria que a Rússia invadisse uns quantos países membros me pareceu então basófia, agora já não tenho certeza de nada.

Estamos, pois, numa situação internacional cada vez mais instável e imprevisível. Eu tenho várias razões para votar em Gouveia e Melo -- como teria também para votar em António Filipe ou mesmo em António José Seguro --, mas não quero arriscar, pela parte que me toca, e, francamente, só esta candidatura me parece vital no momento presente: Marques Mendes e Seguro demonstraram nos debates uma grande impreparação para lidar com uma eventual guerra em mais larga escala, espécie de marias-vão-com-as-outras. Com eles e Montenegro (como outrora com Costa) estaríamos envolvidos num ápice e sem darmos por isso numa guerra que nada tem que ver com os nossos interesses permanentes -- como aqui sempre tenho escrito -- e que é a posição do almirante. Nós somos um país Atlântico europeu -- não temos de nos envolver e muito menos combater nas margens do Mar Negro e morrer pelos interesses dos outros por causa da Ucrânia, que além de nem pertencer à Nato está na área de influência da Rússia, tal como a Venezuela está na área de influência dos Estados Unidos -- é assim a vida (e sempre foi assim, apesar de alguns professores de RI ou Direito Internacional terem acordado agora para a impotência da ONU ou para o fim (sic) de uma ordem internacional baseada em regras... Vão falar dessa ordem internacional à Sérvia, amputada pela força da sua província-berço, ao Iraque das armas de destruição maciça vislumbradas pelo Durão Barroso, ou à Palestina, desde sempre.

Isto não está para amadores, e espero não ter como presidente nenhum pacóvio que se deixe manobrar nos corredores de Bruxelas. O meu voto em Gouveia e Melo deve-se a essa esperança, que ele, mais do que qualquer outro, pode assegurar. O futuro o dirá.

sábado, janeiro 03, 2026

os candidatos presidenciais dizem de que modo encaram o envio de tropas portuguesas para a Ucrânia

Esta a questão essencial, ornamentada por parvoíces jornalísticas que nem merecem referência, no "debate das rádios", entre a 1,35' e a 1,52'

Luís Marques Mendes, à 1h36m: no fundo não exclui nada, num quadro de paz, mas ainda é cedo para opinar, o que quer dizer que pode aceitar tudo. Nacional-redondismo, o falar imenso e dizer praticamente nada.

André Ventura, à 1h39m:  a conversa que o seu eleitorado gosta de ouvir; guerra? toma lá um manguito, parece que morre muita gente na guerra... Se o envio é justificado ou injustificado isso não interessa para nada -- não mandamos tropas mas estamos "ao lado da Ucrânia". Sim senhor! Junta-se mais uma colagem da "extrema esquerda" (quer dizer o PCP, pretendendo atingir o Bloco e o Livre, injustamente, pois sabemos que estes têm estado bem ao lado do Chega nesta questão) -- e termina, não apenas falando do dinheiro abarbatado pelos amigos do Zelensky, mas, estadista, reafirma por outras palavras: "queres tropas?, toma!" ou seja: que morram os outros, pois nós até propusemos no Parlamento classificar a Rússia como estado terrorista -- não queriam mais nada! (Burburinho de aprovação na taberna.)

António Filipe, à 1h41m: basicamente isto, que é a posição com a qual genericamente me identifico, e que será retomada por Gouveia e Melo: tropas em tempo de guerra, não; tropas em tempo de paz, também não, uma vez que a Ucrânia não está na geografia dos nossos interesses permanentes enquanto estado -- um argumento simples, mas não simplista, que só alguns analfabetos das Relações Internacionais não perceberam. Ah, e também não é um membro da Nato, a Ucrânia...

António José Seguro, à 1h42m: se dizem que é para manutenção de paz, Seguro crê, cheio de angelismo, que é porque haverá paz, e assim devemos mandar para lá "profissionais" para proteger os nossos interesses, que são também os da Europa -- oh, a impreparação!... --, e claro, tudo consensualizado entre os órgãos de soberania. O que é preciso são os consensos.

Catarina Martins, à 1h43: diz, à cautela, que como não sabemos de que paz se trata, está-se elaborar sobre nada. Quer mandar geradores para aquecer os deslocados internos. Estou com ela; porém, como visão estratégica é pouco.

Henrique Gouveia e Melo, à 1h45m: como é o único que verdadeiramente sabe do que está a falar, para além das considerações políticas, ou seja: entram na sua equação as tangíveis questões militares e operacionais, e outras, não tanto, como os interesses geoestratégicos de Portugal e também a sua História. Diz claramente que é contra -- só ele e António Filipe o dizem claramente --, e, ainda por cima, explica porquê, vão lá ouvir.

João Cotrim de Figueiredo, às 1h47m: fico espantado com o modo com que diz as maiores banalidades e até asneiras, sempre com aquele ar empreendedor e de mangas arregaçadas. A anedota do dia: corrige André Ventura naquilo em que este tinha razão e, quando interpelado, chega-se-lhe junto -- o que é preciso é evitar que os nossos rapazes vão para lá. Cotrim, cada cavadela...

Jorge Pinto, à 1h50m de debate: aproveita para falar indirectamente na Gronelândia, por causa do Direito Internacional. Mais pueril que Seguro, o que lhe interessa é soltar a Ucrânia das garras de Putin, vá-se lá saber porquê. Diz-se pacifista e comeu a sopa toda do prato que lhe puseram à frente.

O debate.



quarta-feira, dezembro 10, 2025

a vantagem de Gouveia e Melo relativamente aos seus dois concorrentes directos, Marques Mendes e Seguro

Eu vou partir do princípio de que os candidatos são honestos, e também patriotas. Num momento em que a ameaça da guerra espreita, essa honestidade e esse patriotismo importam -- mas também, tanto quanto estas qualidades, a noção da História de Portugal e de como, mercê de muitas contingências, iremos, daqui a uns meros três anos, assinalar os 900 anos de independência, no aniversário da Batalha de São Mamede, na qual D. Afonso Henriques fundou uma dinastia, um país e uma futura nação, a partir de povos de diferentes etnias: celtas, romanos, germânicos, berberes, árabes e por aí fora. Estivemos para soçobrar mais de uma vez, mas persistimos -- pela língua e pela cultura, em primeiro lugar; pela religião, também; e pela Coroa nos primeiros séculos, e o Estado a seguir. 

Portugal não resiste sem a língua e sem a cultura, mas precisa, sempre precisou, de uma visão estratégica -- e agora cada vez mais, não apenas por razões militares mas pelo progressivo domínio de um sistema financeiro transnacional que tudo subjuga -- da Economia (das sociedades, portanto) ao indivíduo.

A visão estratégica de Gouveia e Melo é incomparavelmente mais sofisticada e informada que a de Mendes e Seguro -- pelo menos é o que se retira das banalidades que têm dito. A crítica ontem, expendida pelo almirante, à lista de compras do Governo em matéria de defesa não poderia ter sido mais certeira. Onde está o Conceito Estratégico de Defesa Nacional, como já aqui perguntei, a propósito doutras eleições? Está arrumado a um canto; por isso, comprar armamento agora é, como disse o candidato, começar a "construir a casa pelo telhado". 

É isto que o distingue dos outros; o que fará com essa distinção se for eleito, não sei.


quarta-feira, dezembro 03, 2025

2 secos de António Filipe em Gouveia e Melo

A propósito da guerra entre a Rússia e os Estados Unidos que decorre na Ucrânia, e que os segundos querem, desde Trump, acabar, não perdendo tudo, Gouveia e Melo tinha vindo a fazer declarações nuançadas relativamente ao papel de Portugal nesta grave crise.

Era (é, será?) uma posição interessante e prudente, que contrasta com a vacuidade seguidista e a irresponsável da generalidade das lideranças políticas portuguesas.

Ontem, porém, numa estratégia de efeitos eleitorais duvidosos, quis entalar António Filipe com conversa fiada. Recebeu o troco, e ficou colado àquele grupo que demonstra não ter nem pensamento estratégico ou, talvez pior, que se está nas tintas, desde que venha o voto. Ora o almirante conhece muito bem os factos, razão de sobra para não se pôr ao mesmo nível daquele artista que dizia aos portugueses que "é(ra) preciso derrotar a Rússia"...

A outra foi sobre o estúpido pacote laboral, uma indignidade suficiente para qualquer ministro pintar a cara de preto. Podia ter aprendido com o Seguro e chutar para canto, se não quisesse mostrar-se tão equidistante, redondo ou, como disse Filipe,  "neutral": este pacote não constava do programa eleitoral dos partidos que governam, portanto é insusceptível de passar pelo crivo do PR.

quinta-feira, novembro 20, 2025

as presidenciais e a guerra da Ucrânia

O maior risco que Portugal enfrenta, em 20 de Novembro de 2025, não é a crise da habitação nem um governo miserável que quer fazer dos trabalhadores gato-sapato,  (Viva a Greve Geral!), as listas de espera na Saúde Não. O grande perigo é a nossa satelitização por uma Comissão Europeia e governos pseudodirigidos pelo Starmer (que nem para vender enciclopédias porta-a-porta), o Macron (mais um gestor na política) e o gajo da Alemanha, cujo nome não me ocorre, com dimensão de chefe de recursos humanos, nos empurrem para uma estúpida guerra que não tem nada que ver connosco, porque criada pelos Estados Unidos e agarradas com pundonor por estes zeros. 

Dos três candidatos que podem ser eleitos -- espero que todos patriotas --, já ouvi tudo de Marques Mendes e não gostei; ainda não consegui ouvir nada de Seguro; e ouvi o suficiente de Gouveia e Melo para ainda estar para ver. Sim, eu sei daquela frase bombástica dita há já bastante tempo na eventualidade de a Rússia atacar a Nato -- uma obviedade que decorre dos tratados, e os tratados são para honrar, no articulado que o país assinou.

 A questão é que o Putin é muito mais inteligente do que estes imbecis -- e portanto não atacará a Nato, se esta não o encurralar (foi por isso mesmo que a Rússia atacou a Ucrânia, lembram-se?). Como os Estados Unidos saltaram fora do chavascal que aqui arranjaram, não estou a ver estes bonecos com atitude suicida. Para além do que, havendo um país da Nato que ataque a Rússia (a Polónia tem no governo um neocon por via vaginal, cuidado com ele), ou se emaranhe em provocações no Báltico, ou ainda surjam outras acções engendradas pelo Zelensky, (que não descansa enquanto não nos mete lá dentro) -- partindo um hipotético ataque de um país da Nato, a única obrigação de Portugal é manter-se à margem desta geopolítica insana de roleta russa... 

Quero um presidente patriota, não mais um fantoche. Por isso são tão importantes as eleições de Janeiro. Nunca, desde 1976, tivemos uma eleição presidencial tão importante.

segunda-feira, novembro 17, 2025

António José Seguro

Só há duas maneiras de debater com um trampolineiro: uma é usar de ironia, a outra é mostrar, pelo contraste, que não se é da mesma igualha. Sem ter deixado de recorrer à primeira, o quanto satis compatível com um verdadeiro candidato presidencial, Seguro recusou-se a entrar na taberna, e foi sempre superior a Ventura, o que, tendo os nervos controlados, não é difícil.

sexta-feira, novembro 07, 2025

Seguro

Não sei das entrevistas da cnn sobre questões da Defesa; hoje vi-o na RTP; não aqueceu nem arrefeceu no que respeita à guerra da Ucrânia. Menos mau que Marques Mendes (porque disse menos?), fala da Europa como se se tratasse de um bloco coeso, de um país. Ora, não podemos tomar os desejos por realidades. Fico à espera da tal entrevista -- ou será que já passou?

quinta-feira, novembro 06, 2025

candidatos

Marques Mendes, Seguro e Cotrim de Figueiredo impuseram-se aos partidos; António Filipe, Jorge Pinto e Catarina Martins são candidatos dos seus partidos; Ventura não é carne nem é peixe, antes pelo contrário. E Gouveia e Melo.

Ainda tenho muito para ouvir, ainda faltam os debates, embora cinco já estejam postos de parte. 

quinta-feira, setembro 11, 2025

ucraniana CCCXCIX - os drones na Polónia, a minha falta de paciência

Alguém sabe o que se passou? Eu ainda não, mas atendendo ao cadastro dos envolvidos, não me admiraria se houvesse aqui as manigâncias do costume. Aliás, fica já escrito que tenho mais facilidade em acreditar nos russos do que na presidente do conselho europeu ou na s-g da nato.  Aliás, aquele estafermo anunciou ontem em Estrasburgo "a Europa está em guerra e terá de o dizer aos europeus"

O Zelensky está, grão a grão, a conseguir o que quer, a envolver os europeus, já que não consegue envolver os americanos. Europeus, que se estão a habilitar. 

O Rangel convoca o embaixador russo para pedir "explicações"... A falta de sentido do ridículo foi sempre apanágio da figura.

Seguro ontem esteve bem, muito melhor do que Gouveia e Melo -- a não ser que o almirante saiba algo que o povo ignaro não sabe... E as reacções de Nuno Melo foram melhores do que eu esperava, ou seja, sensatas.

Portugal, por todas as razões, da decência aos interesses próprios, deve lidar com esta cáfila com o maior cuidado. Para carnificina, já nos chegou aquela a que os patetas dos republicanos (com excepções) nos conduziram e a que o colonialismo salazarista infligiu aos daquém e dalém mar...

quarta-feira, janeiro 09, 2019

a prepotência com falinhas mansas

A história, verdadeira, dos 50 anos para decidir da construção de um novo aeroporto dá imenso jeito para justificar uma solução mal amanhada, isto é, de recurso. Esperar meio século por um remendo é demasiado mau. Mais valia esperar 52, e fazer o que nunca se fez: estudar, primeiro; decidir depois. Deixo de lado todas as questões em torno da solução Montijo, nem volto a falar de Beja, embora gostasse de ter sabido da sua ponderação, e nem sequer percebo como se põe de lado um aeroporto às moscas, a quarenta minutos de Lisboa, se tanto, em comboio de alta velocidade. Nem a continuação, e alargamento, do aeroporto no centro da cidade, quando o que se devia fazer era tirá-lo de lá.
O que me aborrece, desgosta e enfurece é o desrespeito pelas populações, de que falou João Joanaz de Melo, ao celebrar-se um protocolo para um aeroporto no Montijo sem a conclusão do estudo de impacto ambiental: é uma prepotência com falinhas mansas, e no fundo antidemocrática.
Um filme, aliás, que já vimos: eu tinha uma razoável opinião sobre António Costa, até ao lamentável caso do Infarmed. (Quer dizer, ela já tinha vindo a mudar, com seu comportamento toca-e-foge em relação a António José Seguro ou o calculismo um bocado impudico na questão Sócrates.)
O filme é portanto o mesmo: ideias generosas, desenvolvimento sustentável, descentralização  e outras patranhas que se lêem aos meninos para dormir, mas no fim o que é preciso é facturar politicamente. Um artista, como dizia o outro, que Deus tem -- e que, por acaso, das poucas decisões decentes que tomou durante os seus dois penosos mandatos foi a liquidação do aeroporto na Ota, já decidido pelo governo de então e potencialmente catastrófico, como explicou na altura um piloto da TAP no «Prós & Contras» a um país atónito -- atónito por descobrir-se governado por irresponsáveis, chega-se à conclusão. Para mim, Costa politicamente, e em condições normais, já está há muito que está riscado: se é assim, sem maioria, como seria (ou será) com ela?

segunda-feira, setembro 29, 2014

a propósito das primárias do PS

Deixa-me cá ver o que ficou da noite de ontem:

* Uma vitória esmagadora de António Costa, muito para além do que eu esperava;
* O entusiasmo de Ferro Rodrigues (já disse aqui que foi o melhor s-g do PS? Já, e digo outra vez);
* A dignidade de Seguro na hora da derrota, que não apaga a péssima campanha que fez;
* O brilho de Ana Catarina Mendes (ACM para líder parlamentar, já: tem o estofo e a solidez);
* O ar bonacheirão de Jorge Coelho; o trabalho da Comissão Eleitoral;
* Os adesivos do costume, que apareceram a saudar a "grande vitória do camarada António Costa", e os habituais compagnons a fazerem-se notados. Cáfila.
* O descaramento de Jerónimo de Sousa e a "farsa" eleitoral. Não está mal, para um partido que tenta manipular eleitorado (de forma muito canhestra, é verdade) com uma vigarice política chamada PEV; s-g do partido que enviou condolências ao povo norte-coreano pelo passamento da camarada ditador anterior (como se sabe, na Coreia do Norte as eleições não são uma farsa).

quarta-feira, setembro 24, 2014

onde, a propósito do frente-a-frente Costa-Seguro, se prefere falar da miséria política

Não vou gastar grande latim com o debate de ontem, até porque não sou eleitor. É claro que prefiro Costa, por óbvias razões, e não apenas pela inanidade de Seguro.
Costa tem o melhor e o pior do PS a acompanhá-lo. É o preço que pagam os potencialmente vencedores, transportarem consigo as lapas, os parasitas, os carreiristas, o que não acrescenta ou retira um átimo às suas qualidades e aos seus defeitos. Não tenho grandes ilusões, mas alimento alguma esperança, apesar de tudo.
Registo apenas, como toda a gente, um óptimo sinal: a barragem de críticas a Costa por parte dos comentadores esportulados,  e os ataquezinhos dos outros partidos: do CDS, tornado uma excrescência do seu líder, logo risível, patético e perigosa; ao PSD, o partido mais português de Portugal, manhoso, boçal e desenrascado (muito parecido, aliás, com o PS segurista); e ao PC, uma revivescência do Portugal salazarista -- a contrario, é claro, mas para pior (a Coreia do Norte, meu deus...). Quanto ao BE, nem sei; mas o BE não serve para nada, como já há bastante tempo dissera o próprio Costa.
Todos gostariam que Seguro ganhasse, e querem-no tanto que nem conseguem disfarçar. Mais uma boa razão para votarem em António Costa no domingo.