Mostrar mensagens com a etiqueta Israel. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Israel. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, maio 20, 2026

flotilha

Como a União Europeia, e os países que a compõem, não se dá ao respeito, os delinquentes que  governam Israel (e lhe estão a cavar a sepultura, a prazo) sentem-se livres, à vontade, à vontadinha, para as executar as tropelias a que assistimos.

É verdade que a Alemanha é um travão que se origina na má consciência dos descendentes dos nazis; mas os outros países é que não podem ser cúmplices de genocídio ajudando na expiação dos pecados do imperdoável Holocausto -- como imperdoável foi a perseguição que os judeus sofreram na Europa, ao longo da sua história --, ficando os palestinos a pagar as favas.

Não basta chamar o embaixador -- o que já é alguma coisa e não deve ser desvalorizada; é preciso ser mais assertivo e mais sonoro na execração daqueles patifes.

A presidente da república da Irlanda está orgulhoso da irmã; eu estou orgulhoso dos dois médicos portugueses, como já antes estivera da acção de Mariana Mortágua, parece que muito gozada pelos pobres de cristo do Chega e arredores.

segunda-feira, março 30, 2026

Trump, esta anedota

Não me lembro de quem, mas tenho pena: ontem um comentador numa estação fez notar que Trump -- tão bem enrolado pelo Netanyahú (e, quiçá, pelo próprio MBS) -- está a enviar toda aquela tropa para o Golfo Pérsico para forçar a abertura do Estreito de Ormuz, que estava aberto antes de começar este carnaval... Maior brilhantismo é impossível.

Antes, tínhamos um senil manipulado por falcões, Joe Biden; agora um tipo que não é estúpido, antes um mitómano doido varrido, rodeado de yes men. Num caso e noutro, ambos patifórios.

Escusado será dizer que quero muito que eles levem nas lonas. Veremos. Quem vai pagar as favas será Cuba, que passará do comuno-tropicalismo para os bons velhos tempos em que a ilha era um vasto casino e uma colorida casa de putas da máfia e demais elite n-americana.

quinta-feira, outubro 09, 2025

cessar-fogo em Gaza, quem diria?...

Sem embandeirar em arco, a emoção é grande com o aproximar do termo desta carnificina.

A pressão sobre as partes foi certamente gigantesca, dos Estados Unidos, que são quem realmente manda em Israel, sobre Netanyahu; do mundo árabe e islâmico, não apenas os mediadores Qatar, Egipto e agora a Turquia (aliada do Hamas), sem falar da posição do Irão de apoio à proposta de acordo, nesta terça-feira. Ou seja: o início do diálogo estava assente -- o que não é pequena coisa.

A Cisjordânia e os colonatos ilegais é o caso mais bicudo -- penso nos judeus extremistas e nas ocorrências do passado; depende também muito da parte sã (laica) de Israel e do continuar da forte pressão sobre o Likud (os partidos religiosos são irrecicláveis e têm de ser controlados, pelo menos).

A situação de Marwan Barghouti, preso há 23 anos e que os radicais israelitas não querem libertar -- e todos sabemos porquê -- também ditará boa parte do caminho que agora poderá começar.

Sim, de facto não havia alternativa. Quem diria?... 

quarta-feira, outubro 01, 2025

ainda o plano de paz de Trump para Gaza, ou quando a paciência me falece

Como disse Gouveia e Melo na entrevista que deu à cnn-Portugal (só para esclarecer: não tenho o meu voto decidido para as presidenciais, a não ser numa eventual segunda volta: qualquer um que venha a defrontar o taberneiro oportunista), é melhor um mau plano de paz do que não haver plano nenhum.

Não é justo? Não é. E a sua maior falha talvez seja a ausência de um tal cronograma; mas mão diria que o plano é mau. Está aliás sustentadíssimo pela comunidade internacional, e desse ponto de vista não me lembro de uma possibilidade tão forte. E obviamente que as pressões sobre o Hamas devem ser muitas, o mesmo se passará com o degenerado Netanyahu.

Se houvesse justiça e o Direito Internacional fosse letra viva para quem detém a força (se calhar achavam que as violações do dito só ocorreram agora na Ucrânia...), as fronteiras seriam pelo menos as de 1967, e o p-m israelita, entre outros, estaria sentado no banco dos réus como genocida. Mas, como sempre, o que comanda a política internacional são os interesses e a força para os fazer valer. É da natureza humana -- digo eu, que sou um pessimista -- e da natureza dos estados. E pobres daqueles que no meio da voragem parecem não saber o que andam aqui a fazer (v.g. Portugal e a Guerra da Ucrânia).

Voltando a Gaza: o que deve orientar qualquer cúpula política que possa representar e servir um povo, para além do Direito e do Ideal -- e sem deixar de lado a ousadia -- nunca deve abandonar 1) o realismo na análise; 2) o pragmatismo na acção.

Qualquer acto que não imponha o opróbrio da submissão tem de ter em conta a correlação de forças. A força de Israel, suportada pelos americanos, é brutal, impiedosa, cruel -- e a passividade e a impotência da comunidade internacional diante do massacre, da limpeza étnica, do genocídio é inultrapassável. Resta a negociação, o direito, a contenção de danos. 

Resta, acima de tudo, a vida das pessoas, entre os quais a dos inocentes que estão a ser chacinados todos os dias. Por isso é com desprezo que vejo o comentariado crítico que classifica como submissão & etc. a aceitação deste plano, qualificado e muito bem por Leão XIV como "realista". Volto a perguntar: qual é a alternativa? O extermínio que os maluquinhos dos fanáticos religiosos fariam diligentemente entre duas orações?...

É muito fácil a intransigência de princípios com o sangue e a vida dos que estão para lá longe e não nos são nada.

P.S. - Não estou optimista, a começar pelo facto de o dito Bibi estar na equação.

terça-feira, setembro 30, 2025

o plano de Trump para Gaza: o melhor e o menos bom

Lidos os 21 pontos, confesso que estou surpreendido, e muito, e pela positiva. 

Centrando-me nas questões essencialmente políticas: 

a criação futura de um estado palestino resulta inevitável do cumprimento do acordo, mesmo que o criminoso Bibi já esteja a virar o bico ao prego para salvar o coiro da enxovia (os partidos religiosos já lhe tiraram o tapete) -- esta é a principal conclusão a tirar do documento;

os membros do Hamas que o aceitarem serão amnistiados, ou ser-lhes-á facultada a saída do território com garantias de segurança;

as organizações a operar no terreno serão a ONU, a Cruz Vermelha e outras congéneres;

um governo temporário de tecnocratas, constituído por palestinos; 

a criação de um órgão internacional de transição, denominado Conselho da Paz, infelizmente presidida por Tony Blair, outro criminoso de guerra;

a desmilitarização de Gaza e a retirada do exército israelita;

as condições, com as reformas na Autoridade Palestina, para a criação de um caminho para a autodeterminação e criação do estado da Palestina;

o apoio dos países árabes (Egipto, Jordânia, Arábia Saudita e monarquias do Golfo), dos principais países islâmicos (Turquia, Paquistão e Indonésia, com a compreensível excepção do Irão no contexto actual, mas que não ficou esquecido no texto) e o já anunciado apoio da Rússia.

A maior fragilidade é a de não haver um cronograma estabelecido para a criação do estado e a ausência de referência aos colonatos ilegais na Cisjordânia; 

Repito: a maior potência militar do mundo compromete-se com a autodeterminação do povo palestino e força o pm israelita a reconhecer o seu direito a um estado.

Qual é a alternativa?

segunda-feira, setembro 29, 2025

a flotilha

Só para que fique registado que tenho respeito pela coragem dos que integram a flotilha rumo a Gaza, entre os quais está Mariana Mortágua, que enfrentarão a força de um estado terrorista e genocida -- não me interessa nada que haja intuitos políticos outros. Perante a catástrofe, tal é irrelevante.

Não tenho nenhum respeito pelos defensores das acções do estado israelita, em especial os que querem atirar areia para os olhos, falando no Hamas, e nas imagens filtradas pelo Hamas, e pelos números avançados pelo Hamas e pelo massacre de 7 de Outubro. Zero respeito.

sábado, agosto 02, 2025

dêem as voltas que quiserem, mas o que desbloqueou, até ver, a situação da Palestina foi o massacre do 7 de Outubro

Podemos não gostar do Hamas -- eu cá não gosto de organizações político-religiosas ou outras que não distinguem os legítimos alvos militares e estatais dos outros. Tão inocente é uma criança israelita como uma criança palestina. Ponto final e parágrafo! --, porém, qualquer pessoa com o mínimo de acuidade percebeu que a acção repugnante do Hamas a 7 de Outubro de 2023 foi um acto desesperado de quem via a Palestina a ser vendida nos chamados Acordos de Abraão pelos nababos do Golfo aos Estados Unidos via sucursal israelita.

O Hamas sabia que a resposta seria brutal, e que iria fazer muitas vítimas inocentes; o que nem o Hamas nem ninguém calculou (creio) foi o contorno bíblico da reacção. A um massacre, Israel respondeu com um genocídio, além do propósito assumido de limpeza étnica (por favor, coninhas de serviço do Direito Internacional e das Relações dele, não me venham com especificaçõezinhas vesgas, cobardes ou pérfidas).

Ou seja: a máscara caiu às facções israelitas que têm merecido o voto da maioria dos cidadãos, o que, infelizmente para estes, também os responsabiliza. De tal forma que Israel, para mim, perdeu o direito a existir como estado.

Os estados europeus e outros foram obrigados pela opinião pública a tomar uma atitude, tímida; é claro que se estão nas tintas para as vítimas civis -- basta ver o alarido falso e manobrador que fizeram para com as vítimas da guerra na Ucrânia e o silêncio porco com que deixaram a situação chegar até aqui. Portugal lá vai, contentinho, escondido pela Inglaterra, França, Canadá e na companhia (nunca desprezível) de Andorra, San Marino, entre outros.

sexta-feira, agosto 01, 2025

elogio do jornalista Henry Galsky

Ao contrário de boa parte dos colegas do estúdio -- uns bonecos sem brio profissional ou coluna vertical, que não se importam de ser títeres -- Galsky aceitou fazer uma reportagem altamente condicionada; no entanto, não se deixou manipular. Se as autoridades israelitas quiseram fazer propaganda sobre a maquinação da fome em Gaza por parte do Hamas, o repórter desmontou esse intento. Mais que isso: não só desmontou como o contexto em que o faz não deixa que quem o está a ver -- o cidadão -- perceba minimamente o que está a acontecer, para além dos labirintos da propaganda. 

Não tem grande espectacularidade, a reportagem; mas é mil vezes preferível um breve apontamento asseado e digno. Asseio e dignidade é o que falta a muitos colegas de Henry Galsky.

Em tempo: o pseudojornalismo abaixo de cão leva-nos a elogiar um repórter por fazer normalmente o seu trabalho...

quarta-feira, julho 23, 2025

a carta dos 25 é insuficiente e tardia; o embaixador americano em Israel até a classificou como nojenta

Exceptuando os países da lista que já reconheceram a Palestina como estado (dos 25, creio que apenas a Eslovénia e a Irlanda), os restantes, incluindo Portugal -- talvez tentando amainar um pouco as respectivas opiniões públicas, ultrajadas com a selvajaria do estado israelita, lá resolveram exigir os mínimos, embora demasiado tarde e a más horas. A Alemanha, a pátria do nazismo e do Holocausto, ficou obviamente de fora -- o que até é compreensível: ainda estão vivos alguns milhares de vítimas, e de carrascos também.

A desqualificação moral do Ocidente é repugnante. O embaixador americano em Israel diz que o "apelo" de 25 países é "nojento" -- o que é bem feito para boa parte deles. 

A existência do estado de Israel é mais precária cada vez que sua acção faz evocar os carrascos hitlerianos. Não é ainda o caso, e creio que nunca será. No entanto, brutalidade, selvajaria, desumanidade, violência, racismo, crime não precisam nunca de chegar ao último patamar do nazismo para eximir de qualquer forma a falha moral de Israel, dos seus governos, e sim, dos cidadãos que os apoiaram. Porque não foi só a OLP que reconheceu taxativamente o direito de Israel existir; o próprio Hamas, em tempo, deixou a porta aberta para um entendimento sobre o status quo. Onde isso já vai...

E nunca esquecer o papel do criminoso Netanyahu: este e os outros conflitos existem apenas porque precisa de salvar o coiro; para tal, tem de manter-se no poder; para tal, precisa de crise e guerra permanente o que lhe proporciona o apoio dos lunáticos perigosos ultra-religiosos, que, obviamente, se aproveitam da situação para  levar a sua avante, e Netanyahu aproveita-se dela também. Por isso mesmo, sabendo dos ataques do 7 de Outubro, avisado pelo Egipto e pelos Estados Unidos fez-se desentendido: o caminho para Gaza (e Cisjordânia), a limpeza étnica e o genocídio tinham via verde; e de caminho o julgamento por corrupção passava a ser inoportuno. 

Não há desculpa para para a passividade de muitos países nem para o silêncio cúmplice da União Europeia.

sexta-feira, junho 27, 2025

Portugal diante dos crimes israelitas na Cisjordânia (limpeza étnica, colonatos ilegais) e em Gaza (infanticídio, geronticídio, genocídio): melhor, mas insuficiente

 Aqui.

Entretanto, 72 pessoas abatidas 72 quando iam à procura de ajuda. 

A Europa é uma puta velha  e porca, fingindo preocupar-se com os parques infantis de Kiev e com as crianças deportadas do Donbass. 

Em tempo: parace que foram 'só' 21. É igual. 

domingo, junho 22, 2025

quem tem poder, exerce-o

Mutatis mutandis foi o que se passou na Ucrânia e agora no Irão. A Rússia violou o Direito Internacional, reagindo à golpada de 2014 em Kiev, manobrada pelos Estados Unidos; estes atacaram ontem o Irão, livrando de piores lençóis aquilo que o saudoso Carlos Matos Gomes classificou como o 51.º estado norte-americano, ou seja, Israel.

Isto deixaria embaraçados uma boa parte de comentadores -- arregimentados uns; ignorantes ou outros -- e políticos imbecis, como boa parte cá do burgo, quando dizem que a Rússia não foi atacada (de facto não o foi, convencionalmente), como os Estados Unidos não o foram pelo Irão -- não contando, obviamente com o seu proxy (ou 51.º estado, se preferirem).

Nunca mais me esquecerei de um pateta de um doutorado da treta que, querendo rebater o major-general Agostinho Costa arengava: "Estava a Ucrânia posta em sossego, quando a Rússia atacou" -- etc. É preciso ser-se muito estúpido e totalmente vesgo relativamente às matérias em que se é "especialista". Vai ser divertido ouvir esta e outras luminárias a propósito do que se está a passar.

Quanto a isto -- independentemente de todos os desenvolvimentos cogitáveis do processo em curso --, parece-me que a Rússia passou a estar muito mais à vontade na Ucrânia para abocanhar o que falta das suas regiões históricas. Quanto à velha Formosa, província rebelde da China, esperemos que a sabedoria milenar daquela gente consiga resolver a questão de forma pacífica -- se os americanos deixarem...

como disse Agostinho Costa, os EUA atacaram o Irão em dois dias

Foi na quinta-feira à noite, diante de uma incompetente malcriada, que há três anos vem com conversa de meia-tigela sobre a guerra na Ucrânia, para não falar do burrico de turno que faz o papel de jornalista.

Priva, aliás, de que Israel estava (está?) à rasca, caso contrário não precisariam que os americanos viessem em seu socorro.

Vejamos o que se segue no jogo de sombras da diplomacia e na acção dos serviços secretos de todas as partes.

(Estava a ouvir em directo Carlos Branco na cnn-Portugal, e agora, na RTP3,  dois jornalistas a sério: Miguel Szymansky e José Manuel Rosendo.)

segunda-feira, junho 16, 2025

os meus desejos para esta guerra

Do que eu gostaria mesmo mesmo era que o Netanyahu levasse com um míssil nos cornos. 

Depois, o regime dos aiatolas poderia cair, e o Irão tornar-se algo mais digno dos seus milénios, uma sociedade sem discriminação das mulheres -- muito acima da condição geral das mulheres árabes, apesar de tudo --;

e de preferência sem o descendente do pseudo-Xá, filho de um militar de baixa patente que através de um golpe de estado, apeou os verdadeiros reis da Pérsia e se entronizou a si próprio.

quinta-feira, junho 05, 2025

a cobardia de Portugal -- que vergonha, que vergonha, como nos envergonham!

Nem se trata deste governo em particular. Depois de Espanha, Eslovénia e Irlanda terem reconhecido o Estado palestino (nem falo no Brasil, que o fez há anos, na primeira presidência de Lula, creio); nem com a prática de genocídio: a morte indiscriminada, a fome usada como arma aos olhos de todos, ninguém em lado algum se admiraria que Portugal fizesse o que é justo, com as facilidades que o criminoso Netanyahu e o seu governo fora-da-lei nos tem dado.. Mas não, os primeiros-ministros que temos tido só mostram medo -- medo de irritar os americanos, ou até os ingleses quem sabe (li algures que Malta, o país mais pequeno da UE se prepara para fazê-lo).

Venham cá falar do Putin, grandes vigaristas!...

Como é possível um país com a história de Portugal e com a sua cultura, descer tão baixo? Como é possível diminuirmo-nos assim? Como podem politcóides de meia-tigela que elegemos desbaratar a história que temos, os nossos recursos históricos e diplomáticos. Que voz não poderíamos ter no mundo. mas temos isto, claro. Governos cobardes, um povo amarfanhado, como convém.

Que vergonha olhar para isto tudo...

sexta-feira, maio 16, 2025

Palestina, um crime nas nossas barbas

Se há nação e estado que nunca deveria ser agente, por acção ou omissão, do que se está a passar na faixa de Gaza (nem nos colonatos da Cisjordânia ocupada, já agora), esse seria o povo judeu e o estado israelita, com o perpetrar de um genocídio nas nossas barbas. Nunca como agora o velho cartoon do António foi tão actual, tão verdadeiro, e infelizmente também, cada vez menos exagerado, na sua função satírica.

(Infelizmente palavras como genocídio estão cada vez mais banalizadas, num tempo em que elas, as palavras, valem cada vez menos. Se chamamos genocida a um ladrão pindérico como o Bolsonaro, como designaremos agora Netanyahu: alguidar?, carburador?,  pastel de nata?...)

A partir de agora a bandeira da Palestina vai estar na coluna direita. Perdi por Israel todo o respeito e admiração que em tempos tive. Restam os kibutz, as pequenas comunas que já existiam antes da criação do estado e que continuarão a existir depois dele.

Não se trata com isto, como sabem os que por aqui passam, de desculpar e muito menos "absolver" a barbárie do Hamas -- grupo armado independentista islâmico, e não terrorista na sua essência, mesmo que praticando abjectas acções terroristas, como o são quaisquer ataques a civis; mas o a abjecção do governo israelita traduz-se na multiplicação do terror infligido pelo Hamas. Se fosse a vingança bíblica que queriam, há muito que estavam vingados. Mas é mais que isso: é genocídio praticado por um povo que foi sempre perseguido, de Nabucodonosor a Hitler.

 

segunda-feira, abril 21, 2025

um líder excepcional

Baptizado, educado na Igreja Católica, numa família que se dividia entre o ateísmo anticlerical e uma prática religiosa abaixo dos mínimos, por tradição, hábito e superstição,  português e europeu, sou um ateu impregnado de cristianismo. Aliás, como qualquer um cujo coração está à Esquerda, a figura histórica de Jesus Cristo, a sua mensagem revolucionária, pregada ainda na Antiguidade, recorde-se, de que todos os homens são filhos de Deus e iguais na dignidade, só pode merecer a adesão de todos quantos atribuem a essa mesma dignidade um valor inegociável e sem cotação em bolsa.

O papa Francisco, Jorge Bergoglio, era desses. Por isso -- com as excepções do costume -- concitou não apenas o amor e a admiração dos seus fiéis, como de todos os homens de boa-vontade, qualquer que fosse a sua religião, ou não professassem credo algum, como é o meu caso.

Além disso, o seu humanismo e bom-senso, uma voz  que se elevava sobre os guinchos das hienas da indústria bélica e os seus criados, na União Europeia e alhures, e sobre a indiferença que estes mesmos servos da UE já demonstraram ter diante do genocídio -- creio que só agora assumo esta palavra, e já vou muito atrasado -- dos palestinos e a condescendência para com os criminosos de guerra do governo de Tel-Aviv. 

Como esquecer a ida a Lampedusa, no início do pontificado?; as palavras contundentes e cheias de indignação contra a "economia que mata"?; os latidos da Nato à porta da Rússia?; a vergonha excruciante de chefiar uma instituição religiosa com um histórico encobrimento de abusos sexuais generalizados que tornam uma parte da igreja num coio de crime e abjecção? A luta entre bem e mal trava-se também lá dentro. Francisco era do Bem, e só este é admissível.

Vai fazer imensa falta, e espero, que o próximo possa estar à altura do grande Francisco. Afinal, um papa continua a ser um líder político mundial e uma das consciências da humanidade.

quinta-feira, março 20, 2025

é para isto que Israel tem o direito a existir?

Mas claro que não tem! Nenhum estado ou organização tem o direito a existir para o massacre. 

Eu, que fui por largos anos defensor e admirador daquilo, quanto mais crimes comete o bando de Netanyahu, que tem a agravante de ser um líder político democraticamente eleito, maior se torna a minha aversão ao estado judaico. 

Estado, cuja obrigação moral seria o de, mesmo defendendo-se e anulando agressões exteriores, ter um padrão moral inatacável nos princípios e na prática. 

Quando se elege repetidamente um comprovado facínora, com os resultados que estão à vista, o direito à cidadania perde-se.

Haverá sempre uns quantos atrasados mentais no universo político-comunicacional cá do burgo que agitem o espantalho do antissemitismo. Não sei se é por não terem princípios (suspeito que sim) ou se caem facilmente na esparrela montada pela propaganda governamental. Mas estão ao nível dos coitados que ainda dizem que a guerra na Ucrânia se deveu à invasão russa (É não perceber um boi...).

Quanto mais olho para os oficiais do exército israelita, mais os acho parecidos com nazis.

Por mim, e continuando a impunidade dos pulhas que têm o poder, o estado israelita não só pode, como deve acabar.

Quando digo isto, é isto.

sexta-feira, fevereiro 07, 2025

quando os sionistas se tornam muito parecidos com os nazis, só lhe faltando o fornozinho crematório para acomodar os palestinos

Os governantes israelitas (e quem os elege) são não só miseráveis, como dão razão a quantos acham que Israel não deve existir. Se é para isto não deve mesmo existir.

Uma coisa os bandidos que governam Israel já conseguiram demonstrar: aquilo não é um país, mas, como bem escreveu Carlos Matos Gomes (cito de memória), não passa de uma poderosa guarnição destaca do Império.

Eu, que tanto aprecio o povo judeu, que os considero uma das grandes vítimas da História, que a sua expulsão de Portugal -- desumana e cruel, assim como a perseguição maniáca aos cristãos-novo -- um dos mais graves erros (e crimes) da história de Portugal; que considero o Holocausto como um crime incomparável na sua maldade assumida na história contemporânea -- ao contrário dos patetas que equipara os crimes do stalinismo aos do nazismo -- deixei de ter qualquer simpatia por Israel. Ao contrário, só me causa horror e repulsa.

Quem dera que aquela porcaria de estado acabasse, ficando só as livres comunidades dos kibutz.  

segunda-feira, janeiro 27, 2025

Auschwitz e o 'antissionismo'

Não tenho ideia de maior ignomínia do que o inferno nazi. Auschwitz não foi apenas obra de uma mente doentia, mas de muitas mentes depravadas; e foi-o também de largos milhares de funcionários, civis e militares, que se "limitaram" a cumprir ordens. Não há desculpas para a separação de famílias, o assassínio programado de crianças (ou de quaisquer outras pessoas), o tratamento do ser humano como gado para abate. Há ordens que nunca se cumprem

Escrevem os jornais, preguiçosos, que o antissemitismo está a aumentar. Não sei. O antissionismo parece que sim, e ainda bem. Não terão os jornais mordido o isco do governo racista israelita, em que cada crítica que se lhe faz é desonestamente classificada como antissemita? (Se calhar sou demasiado objectivo, e não levo em conta que a maioria das pessoas mete tudo no mesmo saco.)

O que é trágico é os descendentes de muitos dos que estiveram internados nos campos de concentração estejam agora a dizimar um povo, não olhando a alvos -- ou seja, estes sionistas-racistas conspurcam a memória de todos os judeus que pereceram vítimas da besta nazi. 

E não se venha com a conversa estafada, porém verdadeira, de que o Hamas usa o povo como escudo, pois a partir do momento em que para abater dez guerrilheiros se sabe que cem civis vão ser eliminados, os executantes e os mandantes dessa acção estão moralmente equiparados aos que cometeram o acto terrorista de 7 de Outubro de 2023 sobre civis indefesos. Merecem-se, nada os distingue.

domingo, dezembro 29, 2024

o que melhor e pior me impressionou em 2024: Putin e os asnos do Ocidente, e deste a miséria moral

Apesar de faltarem quase três dias para o fim do ano, e sabermos que a perfídia das indústrias da guerra é ilimitada, e aque té à tomada de posse de Trump seja de esperar qualquer tipo de golpada, arrisco já:

1. O que mais favoravelmente me impressionou. 

1.1.Putin perante os asnos do Ocidente. Sem dúvida, a capacidade de resistência da Rússia pela forma como conseguiu contornar uma preparadíssima ofensiva bélica, não tanto pelas armas, mas nas várias tentativas de estrangulamento económico e político, todas tendo falhado, o que é hilariante no meio da tragédia. Militarmente, Putin optou primeiro pela pressão, no que falhou; depois pela contenção, com custos elevados em vidas e equipamento, porém não varrendo a Ucrânia do mapa, ao contrário do que os israelitas fazem na faixa de Gaza. Depois, a resistência à propaganda manhosa estipendiada pelo complexo militar-indusrial americano: hoje, até um lémure de Madagáscar percebe que a guerra da Ucrânia é um enfrentamento entre russos e americanos e que a Ucrânia é um território em que se combate, com líderes ucranianos que sacrificaram parte do seu (?) povo a interesses estrangeiros, v.g., os dos Estados Unidos e suas corporações.

1.2. A fibra (e os tomates) dos comentadores decentes (o que significa que há comentadores indecentes).  Voltemos a referir-lhes os nomes, uma e outra vez: Agostinho Costa e Carlos Branco em primeiro lugar (dos que têm assento nas televisões). Informados, objectivos, não se deixando intimidar por jornalistas ignorantes e atrevidos nem pelo lixo académico que por aqueles estúdios é despejado. Acrescento ainda os nomes de Mendes Dias e Tiago André Lopes, este da Universidade, uma das poucas excepções para a miséria que a academia enviou para as televisões. Nos jornais, impecável, Viriato Soromenho Marques (ler aqui  a crónica deste sábado no DN); e nas plataformas digitais (pois para as televisões não é convidado, evidentemente) Carlos Vale Ferraz (ler aqui) . Outros existem, felizmente, mas ou são silenciados (onde está o general Pezarat Correia, ainda muito lúcido, nos seus mais de noventa anos?) ou escrevem em media de menor difusão.

2. O lixo

2.1. A miséria moral do Ocidente diante da matança indiscriminada de palestinos em Gaza.

2.2 A cobardia depravada, ignorância, inconsciência, incompetência e oportunismo até à traição da clique que lidera os países europeus mais poderosos (Inglaterra, França. Alemanha e Itália), o seu servilismo canino e as entorses à democracia. Sim, com esta guerra as liberdades regrediram na Rússia -- ela que nunca fora tão livre e próspera como o foi com Putin -- mas regrediram também, e de forma nunca vista desde a derrota do nazismo e do fascismo na Europa Ocidental: manipulação às escâncaras, censura (aos media  russos e às vozes discordantes ou independentes), intervenção nas eleições de países europeus, dentro e fora da UE (Roménia, Geórgia).

O que sairá disto tudo? Não sei. Alemanha e França politicamente nas lonas. A seguir, a própria UE? Ou até à lavagem dos cestos, no final de Janeiro, será vindima? Com criaturas destas é sempre de esperar o pior.

Em tempo: esqueci-me de referir Miguel Sousa Tavares, que, desde o início, honra a profissão do jornalista que foi e tem sido sempre uma das vozes lúcidas do comentário. (visto aqui).