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sexta-feira, julho 31, 2026

serviço público: Miguel Sousa Tavares

 Aqui. De acordo em 99% de tudo quanto diz. O caso Luís Neves, ou de como é fácil conspurcar tudo à volta; o estranho caso do assalto e vandalização do gabinete do Ventura; o novo aeroporto, decisões à portuguesa, o país lesado; a compra de caças última geração para atacar a Rússia (uma piada de péssimo gosto), a ausência de uma esquadrilha mínima para combate aos incêndios, como se fôssemos o Burkina Faso ou o Nepal -- o país traído.

sexta-feira, julho 24, 2026

eu não sei se Luís Neves tem o boletim de vacinas em dia

Não sei se o Tullius teve isso em mente quando anunciou a Comissão Parlamentar de Inquérito putestativa. Também aqui o Estado de Direito pode estar em causa. À atenção da DGS -- a DGS de agora, claro, claro...

quinta-feira, julho 23, 2026

Luís Neves: o país não pode deixar-se torpedear pelo Tullius Detritus

A não ser que algo de muito grave seja revelado sobre a acção do ministro enquanto director da PJ -- no que não acredito --, era o que faltava que o país embarcasse na campanha que o Tullius Detritus deliciadamente empreende contra Luís Neves, que tem mostrado ser o homem certo no lugar certo. O Tulius, os antigos colegas que querem fazer-lhe a folha e as peidorrices do comentariado que ganham a vida a doutar-nos com as suas doutíssimas perspectivas. 

Não conheço o homem de lado nenhum, por isso estou à vontade; se o conhecesse, e continuasse a fazer dele a mesma ideia, o meu à-vontade talvez fosse ainda maior. 

Pôr na grelha um tipo que fez um trabalho notável na Judiciária, que desmontou a lengalenga criminosa do Detritus sobre imigração e criminalidade, que é um operacional de primeira-água, só num país inviável... Acho muito bem que o governo o defenda e que a oposição séria se contenha, sem deixar de fazer o seu papel, que não é certamente andar a ver as facturas da brita.

quinta-feira, maio 07, 2026

Ucrânia e Portugal, os burros do Expresso, o deputado Núncio, etc.

Já me ri hoje com este título analfabeto do Expresso; mas o que não deve ser deixado passar em claro são as reacções asnáticas no parlamento, equivalentes ao asinino título do Expresso, no que respeita à posição do PCP.

Ora o PCP tem salvo a honra daquele convento.  Pessoalmente, talvez preferisse que os únicos deputados (creio) que sobre a guerra da Ucrânia têm uma posição decente e ponderada, tivessem permanecido no hemiciclo em silêncio e sem aplaudir (como pode o silêncio ser eloquente, em certas situações...) -- mas eles é que sabem.

Quem insulta a inteligência é a criatura que pergunta sobre qual seria a posição do PCP se a Rússia invadisse Portugal -- arre, que não tem vergonha na cara, ou então é estúpida todos os dias; ou o acólito do CDS que pediu desculpa à Ucrânia pela posição do PCP.

Não sei do que me ria mais: se do deputado Núncio (oh, são tantas as vezes...) ou dos burros do Expresso.

segunda-feira, março 23, 2026

terrorismo(s)

Sendo contra toda a forma de coacção, seja ela violenta ou insidiosa , política e/ou religiosa, venha das igrejas ou das associações cívicas, só espero que o energúmeno que se atreveu a lançar um cocktail molotov para dentro de uma marcha que se autointitulava "pró-vida", e que tem todo o direito a manifestar-se publicamente, seja exemplarmente indiciado, acusado, julgado e condenado a uma pena pesada, seguida de obrigatoriedade de reeducação, para servir de exemplo aos patetas de esquerda e de direita.

Eu não ignoro que estes movimentos de fanáticos religiosos chamados "pró-vida" exercem uma coacção psicológica aviltante, ilegítima e ilegal junto de mulheres que planeiam abortar, seja por que razão for. Isto e um certo laxismo tolerante das autoridades para com estas práticas criminosas não pode ficar em claro.

Aceito que por razões éticas se faça campanha e procure influenciar a opinião pública contra ou a favor do aborto e da eutanásia. Já manifestações religiosas nesse sentido, parece-me mais complicado -- a religião é sem dúvida o ópio do povo, mas pode ser também o conforto do indivíduo ou o amparo e resistência de um povo (Timor-Leste). Tenho muitas questões éticas em relação ao aborto, mas considero que é em primeiro lugar um assunto que diz respeito a cada mulher; por outro lado, sou ferozmente pró direito à eutanásia e desprezo quem procure impor lixo religioso para impedir-me de poder escolher o meu fim.

Cada um tem o direito de acreditar ou não acreditar no que quiser, sem ser chateado nem chatear ninguém -- mas ninguém tem o direito a impor as suas convicções ou crendices a terceiros. Este imbecil que procurou atentar contra a integridade física dos manifestantes, além de ser um fanático de outro tipo, conseguiu, por exemplo, desviar as atenções das manifestações pela habitação que se realizaram em vários pontos do país; sem contar que está a dar gás às organizações de extrema-direita cuja violência está a deixar de ser larvar.  Além de criminosamente fanático, é estúpido. 


sexta-feira, março 13, 2026

"uma proposição apodítica"

Com palavras de 7$50, o Ministério Público mandou arquivar o inquérito sobre os cartazes miseráveis, xenófobos, badalhocos e racistas (portanto, inconstitucionais e fora-da-lei) do Chega. 

Que asnal falta de vergonha, que imbecilidade, que estrabismo e que espessa estupidez, como bem demonstra a professora de Direito Cláudia Santos (texto para arquivar). 

"Uma proposição apodítica"... Arre!, que se lhes foi a inteligência toda com as descargas de autoclismo diárias do "Processo Marquês". 

terça-feira, março 10, 2026

começar com o pé direito

Nunca ouvira falar de Mourísia, no concelho de Arganil, aldeia que esteve cercada pelas chamas no Verão passado. A desertificação do interior é um dos maiores problemas do país, e dos mais demorados e difíceis de resolver. Imagino o quão gratificante terá sido para aquela população -- e, por extensão, para todas a Mourísias da nação -- o acto simbólico da visita de António José Seguro, no dia seguinte à sua tomada de posse.

quarta-feira, fevereiro 25, 2026

10 dias 10 - quem brinca com quem?

Sim, atira-se tudo ao Sócrates -- é tão fácil, não é? E ninguém quer passar por parvo. Todos topamos o gajo, manobras dilatórias, etc. Ontem num canal qualquer, um jornalista (!) espumava de raiva por a terceira advogada ter renunciado à defesa do ex-PM. Isto  tornou-se uma coisa pessoal, para uns quantos.

E então as burrices, incompetências, manipulações e vigarices da acusação, do espectáculo televisivo inicial até a constituição de megaprocessos de onde não se sairá?

E esta brincadeira de o tribunal dar prazos de meia dúzia de dias para que os advogados de defesa a possam exercer, também não? Para não falar daquele que esteve internado com uma pneumonia, tendo os meretíssimos dado de ombros à convalescença prescrita.

Segundo uns tipos espertíssimos há uma máquina bem oleada que aproveita todas as brechas que as nossa legislação -- normalmente redigidas por tipos que não sabem escrever (ler paleio de advogados & congéneres é de estarrecer). Se calhar até há, tal máquina que leva tudo à frente. E eu pergunto-me, siderado com tanta miséria intelectual: então os advogados não têm um nome na praça a defender? É que se tudo está tudo montado, como espumava o raivoso de ontem, quer dizer que os advogados que aceitam sujeitar-se a tais maquinações têm-se em muito pouca conta e a sua tabuleta não vale um caracol. Mas será mesmo assim? 

E quando o Estado tiver de indemnizar Sócrates, sabe-se lá daqui a quantos anos, quem será responsabilizado? Ninguém, é claro; não se pode responsabilizar falecidos nem exonerar ou despedir aposentados.

sábado, fevereiro 07, 2026

o dever de votar, com alegria

Amanhã exercerei o meu direito e o meu dever de votar por -- que é também um voto contra. António José Seguro não foi o meu candidato na primeira volta, mas é-o agora, pois representa a dignidade e a decência -- palavra muito usada, e apropriadamente. 

O meu voto terá, assim, um significado humanista, que não significa outra coisa senão a ideia da dignidade intrínseca de todo e cada ser humano como valor único e irrenunciável.

A única política aceitável e decente é a que acolhe e promove os princípios iluministas de liberdade, igualdade e fraternidade. A liberdade individual como condição absoluta; a igualdade de partida como condição necessária; a fraternidade humana como ideal a perseguir, sempre. Por isso, irei votar com alegria.

terça-feira, janeiro 27, 2026

quem vota em Ventura, para além dos pobres de espírito?

1. Os traumatizados da História, aqueles que justa e/ou injustamente foram apanhados pelo turbilhão da Revolução e da Descolonização.

2. Os seis intelectuais salazaristas, nem todos assumidos, estes os melhores.

3. Cento e cinquenta nazis dos subúrbios do nosso Portugal.

4. Os ressentidos da vida, os que padecem de inveja social (oh, tantos).

5. Os desertores do CDS, que nunca o convidariam para sua casa nem para a sua mesa quando ele era comentador do Correio da Manha tv (crime e bola), mas que agora exultam com a diabolização dos terríveis últimos cinquenta anos.

7. As patetas das mulheres deles, que entre duas hóstias na igreja de Santo António se arrepiam com tanto imigrante, mas têm a sua nepalesa como criada, a sua brasileira a fazer de babá (ou vice-versa), e até o seu par de ucranianos ou moldavos como caseiros, algures.

8. Os filhinhos, desde cedo treinados para estúpidos e ceo's, que enfim, até votaram Cotrim à primeira volta.

domingo, janeiro 18, 2026

podia ter sido pior

Depois de grande parte do país ter dispensado os serviços de Gouveia e Melo -- bravos portugueses... --, eis-nos na segunda volta. Seguro, com todos os seus defeitos, pelo menos poupa-nos à rasteirice populista de um tipo que, apesar de doutorado, nem sequer sabe falar sem dar erros gramaticais (e não é o único). Uma lástima que nem todos merecemos.

sexta-feira, janeiro 16, 2026

há o voto em Manuel João Vieira e o voto no tiririca de turno

Manuel João Vieira está longe de ser um palhaço; quem não o conhecia pôde verificá-lo no debate a onze, na RTP. Contudo, já sabemos que grande parte dos que porão a cruzinha ao lado do belo fácies deste artista será a mole de néscios que se rebola de gozo quando vota no tiririca de turno.

Há, no entanto, casos em que o voto em Vieira pode ser inteligente e uma maneira superior de manifestação:

os que desprezam e contestam o Estado e as suas instituições, por exemplo os anarquistas, embora alguns, mais possibilistas, possam votar no que consideram o mal menor -- e aí não há incoerência particularmente grave;

os monárquicos, em especial os monárquicos liberais (em sentido político) também o podem fazer, como é o caso de Luís Coimbra, um dos fundadores do então respeitável PPM, que integra a comissão de honra de Gouveia e Melo; ser contra o regime republicano e ser patriota não tem nada de incompatível;

finalmente, mas mais difícil -- atendendo ao perfil libertário de Manuel João Vieira --, alguns autoritários, saudosistas do salazarismo e afins, que possam preferir tal a fazer os habituais arnaldos nos boletins de voto. Mas esses, no fundo, já têm o seu tiririca; diz-se que vai à frente nas sondagens.

Eu, já agora, reafirmo o meu voto em Gouveia e Melo; este país não está para amadores.

quarta-feira, janeiro 14, 2026

imagine-se Cotrim e os outros quando tudo arde... voto pelo seguro, mas no almirante

Ucrânia? Qual Ucrânia?... Neste momento tudo está a esfrangalhar-se, os imperialismos pujantes, a Europa de calças na mão, desprezada e detestada pela Rússia, esbofeteada pelos Estados Unidos graças à situação em que ela própria se colocou nos últimos anos: não é tanto a autonomia militar que a Europa não tem, mas a sua autonomia estratégica: nunca podendo ser uma entidade política coerente enquanto não se confederar, preferiu ser lacaia da América e comprar a inimizade da Rússia. Tem agora a paga e é bem feito.

Neste quadro de pernas para o ar, não quero ter como presidente um vazios das redes sociais ou um bonzo com décadas de política partidária. Não faço juras por Gouveia e Melo, mas sei que ninguém como ele, dentre os candidatos com possibilidade de eleição está tão preparado para estar à frente do país nestes tempos complicados, nenhum tem como ele o entendimento geohistórico, estratégico e político do país; e, assim o creio, nenhum dos outros terá a força para salvaguardar o país de ser ver enredado em guerras criadas por terceiros, para os outros morrerem por si. E acima de tudo, não tratar o povo português como uma nação de patetas.

O homem cuja acção durante a Covid19 foi um exemplo à escala mundial, o militar experimentado que insiste em não facilitar ou gestores de meia tijela e políticos palavrosos e com pouca substância? Sim, voto pelo seguro, mas no almirante.

terça-feira, janeiro 06, 2026

JornaL

Como a adversidade torna as pessoas frágeis e mais humanas. Os pulsos atados, a farda prisional, a dificuldade em mover-se, a mulher nas mesmas condições. Tenho pena do Maduro? Nenhuma. Gosto de ver o homem diminuído? Nada.

Gosto, isso sim, da Dinamarca, a pátria de Andersen, da Lego, da Carslberg; onde as mulheres são tão bonitas e uma rainha emérita se correspondia com o Tolkien. A Dinamarca não merece; o governo dinamarquês e a primeira-ministra, sim. E a UE, por arrasto.

A Gronelândia para os gronelandeses: é a minha posição de princípio sempre (tal como as Falkland para o malvinos e não para os argentinos, em especial se forem generais). Mas o destino da colónia dinamarquesa está traçado: é americano.

Donald Tusk vê tudo mal parado, porque a UE não se dá ao respeito. Teve oportunidade para isso, tivesse sabido lidar doutra forma tanto com os Estados Unidos como com a Rússia (nem teria havido guerra na Ucrânia, muito provavelmente.) Agora, parece tarde.

voto em Gouveia e Melo

Na minha vida adulta só por duas vezes me deparei como uma situação de grande incerteza e perigo geopolítico com implicações directas no continente europeu: o fim da Guerra Fria, com a implosão da União Soviética, e agora, com a rearrumação das grandes potências e a inflexão dos Estados Unidos que parecem ter finalmente percebido que nem a Rússia brinca nem a China anda a dormir. Por isso a política neomonroviana -- que mais do que "A América para os americanos", é a América para os norte-americanos. Claro que terão sempre a vizinhança próxima da Rússia no Árctico, com ou sem Gronelândia, que, já agora, não deverá tardar a ser anexada ou independentizada, queira ou não, de qualquer forma tutelada. Apesar de a Europa ter muito boa boca para os caprichos norte-americanos -- não batam só no Rangel; o Santos Silva fez muito pior ao embarcar(-nos) na estúpida farsa Guaidó (aí já não havia problema com a comunidade portuguesa) ou Luís Amado, com esse aborto chamado Kosovo, sem esquecer o recente Cravinho -- (apesar de a Europa ter muito boa boca,) não estou a ver como sobreviverá a Nato a um acto hostil do accionista maioritário sobre a pequena Dinamarca. Nada que preocupe Trump, que quer destruir a UE (esta, a continuar assim, alcança o desiderato sem precisar de ajuda), sem se importar muito que a Nato vá a seguir: basta-lhes umas testas de ponte para o continente, a começar pelos mais próximos: Islândia, Reino Unido (claro), Portugal (os Açores, mas não só).

Se até Trump ter mostrado, ainda antes da sua eleição, que a Nato era coisa de somenos e que alegadamente nem se importaria que a Rússia invadisse uns quantos países membros me pareceu então basófia, agora já não tenho certeza de nada.

Estamos, pois, numa situação internacional cada vez mais instável e imprevisível. Eu tenho várias razões para votar em Gouveia e Melo -- como teria também para votar em António Filipe ou mesmo em António José Seguro --, mas não quero arriscar, pela parte que me toca, e, francamente, só esta candidatura me parece vital no momento presente: Marques Mendes e Seguro demonstraram nos debates uma grande impreparação para lidar com uma eventual guerra em mais larga escala, espécie de marias-vão-com-as-outras. Com eles e Montenegro (como outrora com Costa) estaríamos envolvidos num ápice e sem darmos por isso numa guerra que nada tem que ver com os nossos interesses permanentes -- como aqui sempre tenho escrito -- e que é a posição do almirante. Nós somos um país Atlântico europeu -- não temos de nos envolver e muito menos combater nas margens do Mar Negro e morrer pelos interesses dos outros por causa da Ucrânia, que além de nem pertencer à Nato está na área de influência da Rússia, tal como a Venezuela está na área de influência dos Estados Unidos -- é assim a vida (e sempre foi assim, apesar de alguns professores de RI ou Direito Internacional terem acordado agora para a impotência da ONU ou para o fim (sic) de uma ordem internacional baseada em regras... Vão falar dessa ordem internacional à Sérvia, amputada pela força da sua província-berço, ao Iraque das armas de destruição maciça vislumbradas pelo Durão Barroso, ou à Palestina, desde sempre.

Isto não está para amadores, e espero não ter como presidente nenhum pacóvio que se deixe manobrar nos corredores de Bruxelas. O meu voto em Gouveia e Melo deve-se a essa esperança, que ele, mais do que qualquer outro, pode assegurar. O futuro o dirá.

sábado, janeiro 03, 2026

os candidatos presidenciais dizem de que modo encaram o envio de tropas portuguesas para a Ucrânia

Esta a questão essencial, ornamentada por parvoíces jornalísticas que nem merecem referência, no "debate das rádios", entre a 1,35' e a 1,52'

Luís Marques Mendes, à 1h36m: no fundo não exclui nada, num quadro de paz, mas ainda é cedo para opinar, o que quer dizer que pode aceitar tudo. Nacional-redondismo, o falar imenso e dizer praticamente nada.

André Ventura, à 1h39m:  a conversa que o seu eleitorado gosta de ouvir; guerra? toma lá um manguito, parece que morre muita gente na guerra... Se o envio é justificado ou injustificado isso não interessa para nada -- não mandamos tropas mas estamos "ao lado da Ucrânia". Sim senhor! Junta-se mais uma colagem da "extrema esquerda" (quer dizer o PCP, pretendendo atingir o Bloco e o Livre, injustamente, pois sabemos que estes têm estado bem ao lado do Chega nesta questão) -- e termina, não apenas falando do dinheiro abarbatado pelos amigos do Zelensky, mas, estadista, reafirma por outras palavras: "queres tropas?, toma!" ou seja: que morram os outros, pois nós até propusemos no Parlamento classificar a Rússia como estado terrorista -- não queriam mais nada! (Burburinho de aprovação na taberna.)

António Filipe, à 1h41m: basicamente isto, que é a posição com a qual genericamente me identifico, e que será retomada por Gouveia e Melo: tropas em tempo de guerra, não; tropas em tempo de paz, também não, uma vez que a Ucrânia não está na geografia dos nossos interesses permanentes enquanto estado -- um argumento simples, mas não simplista, que só alguns analfabetos das Relações Internacionais não perceberam. Ah, e também não é um membro da Nato, a Ucrânia...

António José Seguro, à 1h42m: se dizem que é para manutenção de paz, Seguro crê, cheio de angelismo, que é porque haverá paz, e assim devemos mandar para lá "profissionais" para proteger os nossos interesses, que são também os da Europa -- oh, a impreparação!... --, e claro, tudo consensualizado entre os órgãos de soberania. O que é preciso são os consensos.

Catarina Martins, à 1h43: diz, à cautela, que como não sabemos de que paz se trata, está-se elaborar sobre nada. Quer mandar geradores para aquecer os deslocados internos. Estou com ela; porém, como visão estratégica é pouco.

Henrique Gouveia e Melo, à 1h45m: como é o único que verdadeiramente sabe do que está a falar, para além das considerações políticas, ou seja: entram na sua equação as tangíveis questões militares e operacionais, e outras, não tanto, como os interesses geoestratégicos de Portugal e também a sua História. Diz claramente que é contra -- só ele e António Filipe o dizem claramente --, e, ainda por cima, explica porquê, vão lá ouvir.

João Cotrim de Figueiredo, às 1h47m: fico espantado com o modo com que diz as maiores banalidades e até asneiras, sempre com aquele ar empreendedor e de mangas arregaçadas. A anedota do dia: corrige André Ventura naquilo em que este tinha razão e, quando interpelado, chega-se-lhe junto -- o que é preciso é evitar que os nossos rapazes vão para lá. Cotrim, cada cavadela...

Jorge Pinto, à 1h50m de debate: aproveita para falar indirectamente na Gronelândia, por causa do Direito Internacional. Mais pueril que Seguro, o que lhe interessa é soltar a Ucrânia das garras de Putin, vá-se lá saber porquê. Diz-se pacifista e comeu a sopa toda do prato que lhe puseram à frente.

O debate.



terça-feira, dezembro 23, 2025

quarta-feira, dezembro 10, 2025

a vantagem de Gouveia e Melo relativamente aos seus dois concorrentes directos, Marques Mendes e Seguro

Eu vou partir do princípio de que os candidatos são honestos, e também patriotas. Num momento em que a ameaça da guerra espreita, essa honestidade e esse patriotismo importam -- mas também, tanto quanto estas qualidades, a noção da História de Portugal e de como, mercê de muitas contingências, iremos, daqui a uns meros três anos, assinalar os 900 anos de independência, no aniversário da Batalha de São Mamede, na qual D. Afonso Henriques fundou uma dinastia, um país e uma futura nação, a partir de povos de diferentes etnias: celtas, romanos, germânicos, berberes, árabes e por aí fora. Estivemos para soçobrar mais de uma vez, mas persistimos -- pela língua e pela cultura, em primeiro lugar; pela religião, também; e pela Coroa nos primeiros séculos, e o Estado a seguir. 

Portugal não resiste sem a língua e sem a cultura, mas precisa, sempre precisou, de uma visão estratégica -- e agora cada vez mais, não apenas por razões militares mas pelo progressivo domínio de um sistema financeiro transnacional que tudo subjuga -- da Economia (das sociedades, portanto) ao indivíduo.

A visão estratégica de Gouveia e Melo é incomparavelmente mais sofisticada e informada que a de Mendes e Seguro -- pelo menos é o que se retira das banalidades que têm dito. A crítica ontem, expendida pelo almirante, à lista de compras do Governo em matéria de defesa não poderia ter sido mais certeira. Onde está o Conceito Estratégico de Defesa Nacional, como já aqui perguntei, a propósito doutras eleições? Está arrumado a um canto; por isso, comprar armamento agora é, como disse o candidato, começar a "construir a casa pelo telhado". 

É isto que o distingue dos outros; o que fará com essa distinção se for eleito, não sei.


terça-feira, dezembro 09, 2025

ser-se selectivo quanto aos Direitos Humanos

No debate com António Filipe, Jorge Pinto, reproduziu (com candura ou sem pudor) o palavreado propagandístico desavergonhado da von der Leyen -- a começar pela inenarrável conversa do "rapto" de crianças supostamente ucranianas pelos russos. (Creio que não se degradou a empregar a infame palavra "deportação", de ressonância nazi, que a UE e a anterior administração americana usaram numa das muitas campanhas de lavagem ao cérebro da opinião pública europeia).

Disse também Jorge Pinto que é pela autodeterminação dos povos. Também eu sou -- mas tanto falo do povo tibetano como dos russos do Donbass, perseguidos na sua integridade, como toda a gente sabe, e que só os ingénuos, os desmemoriados ou os pulhas se esquecem de falar.

segunda-feira, dezembro 08, 2025