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segunda-feira, junho 23, 2025

Putin e o Duque de Alba

Depois dos ingleses, os portugueses são o povo europeu que mais defende a continuação do "apoio à Ucrânia"; mas o mais divertido é que, logo após a Polónia -- que tem a história que se sabe --, os bons dos nossos compatriotas são, com os romenos, os que mais temem uma invasão da Rússia. Mais, por exemplo, do que a Estónia -- que também tem a história que se conhece... Mas há paciência para esta gente?; a caminho dos novecentos anos de história e sai isto?...

Mas talvez eu não esteja a ver bem; talvez Putin, que anda a marcar passo há mais de três anos no Donbass, envie uma esquadra do Árctico, passe o Báltico e o Mar do Norte e desembarque num lajedo ao pé da Guia, onde, em 1580, o Duque de Alba fez o mesmo, tomando Cascais, executando o governador, D. Diogo de Meneses, só parando em Alcântara, onde o rei D. António lhe deu combate, mas foi derrotado.

Dever ser isso: do muito que lêem e meditam, sai-lhes, aos nossos portugueses, esta sofisticação, quando deles só esperamos raciocínio em modo de espasmo intestinal.

quarta-feira, dezembro 06, 2017

"Como és belo, meu Portugal"*

Não se admirem, por favor; quanto aos Painéis, quando Joaquim de Vasconcelos, na companhia de Ramalho Ortigão, deu com a obra de Nuno Gonçalves, em S. Vicente de Fora (que haviam já sido assinalados pelo monsenhor Elviro dos Santos), aqueles foram salvos de servirem como tábuas para andaimes, ou coisa que o valha. O Forte de Santo António, nem é tanto por lá ter caído o velho Botas, mas a memória da Restauração e da independência nacional que representa a quase totalidade das fortificações marítimas, mandadas erigir por D. João IV, para prevenir uma invasão espanhola, semelhante à do Duque de Alba, em 1580 -- função simétrica, aliás, às dos castelos da raia.
Coisas que não interessam nada a quase ninguém. É o tal défice de que falava Costa.



(* Luís Cília)